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O Trabalho de Campo
O trabalho de campo iniciou-se em 10 de julho de 2007 e se estendeu até o mês de agosto. Nesse período, foram entrevistados profissionais das emissoras Unitel, Red Uno, Bolivisión, ATB e Megavisión, nesta ordem. Paralelamente, foram realizadas as entrevistas com telespectadores de telenovelas e visitadas as faculdades de comunicação, em busca de bibliografia e com o intuito de trocar informações com os professores destas instituições.
Os primeiros contatos com pesquisadores de universidades e profissionais das emissoras de televisão foram realizados ainda no Brasil, de forma que algumas entrevistas já estavam agendadas antes mesmo de se chegar ao país. A primeira delas foi realizada com o diretor técnico da Unitel, Carlos Rojas e, em seguida, com Ingrid Tapia, responsável pela programação da emissor e foi possível obter as primeiras informações a respeito da compra das telenovelas brasileiras pela emissora, do acordo de exclusividade da emissora com a Rede Globo e dos critérios de escolha das telenovelas. Em seguida, foi entrevistado o diretor comercial e de programação da emissora, Carlos Rojas, forneceu informações a respeito da compra das telenovelas brasileiras.
A facilidade de entrar em contato com os profissionais da Unitel se repetiu em todas emissoras visitadas. Algumas delas não possuem site na Internet, de maneira que não era possível encontrar informações e entrar em contato com os diretores. No entanto, a visita não anunciada não impediu a entrevista e a coleta de dados. Esta abertura proporcionada pelos canais de Santa Cruz de la Sierra compensou, de certa forma, a falta de informações acumuladas a respeito da mídia do país. A realidade com a qual se deparou foi da escassez de dados sobre a audiência televisiva por parte de todas as emissoras, somada ao pequeno conhecimento acumulado pelas faculdades de comunicação do país, no que se refere à programação, aos anunciantes e ao público telespectador. Emissoras importantes do país como a Red Uno e Bolivisión têm pouco material de divulgação de sua programação atual e quase nenhum registro do que já foi transmitido até os dias de hoje.
Por outro lado, o fato dos escritórios destas emissoras estarem concentrados em Santa Cruz, facilitou o trabalho de campo, tornando desnecessária a viagem às cidades de La Paz e Cochabamba.
Através de Marco Tapia Peña, responsável pela programação da Red Uno, foram obtidas informações sobre as empresas que fornecem dados de audiência para as emissoras. No entanto, das três empresas citadas por ele, uma já não existia, outra afirmou não trabalhar com este tipo de prestação de serviço e a terceira não quis fornecer os dados porque teria um acordo de sigilo com as emissoras contratantes.
Como se explicou no capítulo I, uma das primeiras constatações durante o trabalho de campo foi de que a proposta metodológica inicial não poderia ser totalmente cumprida. Ao começar a busca por telespectadores dispostos a darem entrevista, observou-se uma resistência tanto para receber a pesquisadora em suas casas quanto para falarem sobre o assunto. Em geral, as pessoas procuradas para darem depoimento, pediam para serem entrevistadas em seus locais de trabalho. Quando permitiam a entrevista em suas casas, limitavam o espaço a ser visitado. Apenas três entrevistadas permitiram a entrada nos outros cômodos da casa, de forma que se pôde compreender a maneira como viam televisão somente destas pessoas.
Em muitos casos, as pessoas mostravam interesse em falar sobre as telenovelas brasileiras, mas quando a entrevista era solicitada, se esquivavam. Os telespectadores encontravam formas variadas para fugir da entrevista. Uma senhora que vivia num condomínio de classe média alta argumentou que não poderia dar entrevista porque, apesar de gostar das telenovelas brasileiras, não as estava assistindo porque não tinha luz em casa; outra senhora alegou que não assistia telenovelas porque era católica, mesmo depois de fazer comentários a respeito de várias telenovelas brasileiras que havia visto. Por isso, muitas entrevistas foram obtidas apenas através de indicações.
A busca por telespectadores começou de maneira aleatória, indo de casa em casa durante o dia e pedindo-se para voltar à noite, num período em que estivessem assistindo às novelas. A resistência já comentada fe z com que a mudança de metodologia desse um pouco de liberdade para realizar as entrevistas nos locais desejados pelos entrevistados. À medida que elas eram realizadas, pedia-se indicação de novos entrevistados com as características procuradas. Sendo assim, as entrevistas aconteceram em escritórios, casas, na igreja do bairro e em estabelecimentos comerciais.
Foram entrevistadas 14 pessoas, sendo: 10 mulheres e quatro homens, da classe média e média baixa, com idades e níveis de estudo variados, conforme está descrito no capítulo VI.
A procura por telespectadores começou no bairro El Paraíso, localizado numa região central de Santa Cruz e onde vivem famílias da classe média. Esta decisão partiu da sugestão do Diretor da Faculdade de Comunicação da Universidade Estatal René Moreno, Ramón Fernandez Reyes, que revelou que neste bairro seriam encontrados telespectadores de classe média, que assistem prioritariamente as telenovelas brasileiras. Esta informação foi dada também por Carlos Novaro e por Marco Tapia Peña, que ressaltaram as diferenças sócio- econômicas dos telespectadores das telenovelas brasileiras e mexicanas.
Durante o período de permanência em Santa Cruz de la Sierra, observou-se a programação dos principais canais de televisão transmitidos na cidade e a repercussão das telenovelas brasileiras nos principais veículos de comunicação. Notou-se que, neste período, a telenovela Belíssima bem como as outras que estavam sendo exibidas, não foram objeto de discussão nos jornais, revistas, emissoras de rádio ou TV. A ida a bancas de jornais e a procura por notícias fazia parte da rotina no trabalho de campo. As únicas publicações sobre telenovelas tratavam exclusivamente da telenovela Rebeldes e eram destinadas ao público jovem. No principal jornal de Santa Cruz de la Sierra, El Deber, a programação televisiva não era publicada diariamente, de forma que a referência às emissoras era pouco freqüente.
As Famílias Analisadas
A família 01 é formada, atualmente, por três membros. O casal e seu filho, de 20 anos. A filha é casada e mora no exterior. Desta maneira, o questionário foi aplicado apenas para três pessoas. A pessoa escolhida para ser entrevistada foi a mãe, dona de casa, de 48 anos, com segundo grau completo. Ela ocupa seu tempo indo à fazenda da família, cuidando de sua casa e sempre teve o hábito de assistir às telenovelas brasileiras que, em geral, as vê em companhia de seu marido, em seu quarto. O filho normalmente não assiste à televisão com os pais e, por isso, seus hábitos de mídia se diferencia m do restante da família. Esta família tem acesso a todos meios de comunicação: TV a cabo, jornal, Internet e Rádio e vive num bairro de classe média de Santa Cruz de la Sierra. No mês de julho de 2007, todos assistiam apenas uma telenovela, Belíssima, depois de assistir o noticiário transmitido pela Unitel.
A segunda família é composta por quatro pessoas: Ariel, sua prima Lala, sua irmã Karina, e por sua mãe, Martha. Ariel, o entrevistado, explicou que sua família mora no bairro mais distante de Santa Cruz, na periferia da cidade. Por isso, pediu que a entrevista fosse realizada em seu local de trabalho, visto que o escritório é localizado no centro da cidade.
Martha trabalha como cabeleireira, Karina é assistente social e Lala, sua prima, é dona de casa, cuida da casa dos familiares e de seus quatro filhos. Ariel tem 24 anos e trabalha como engenheiro de sistemas. No próprio ambiente de trabalho, apresentou outros amigos que se disponibilizaram a darem entrevistas – Cidar e Arnold. As mulheres que trabalham com Ariel não quiseram dar entrevistas e explicaram que há muitos anos não vêm telenovelas.
José Ángel tem 38 anos e é secretário da igreja do bairro onde foi encontrada a maioria dos entrevistados. Além disso, estuda curso normal, nível superior, e tem uma banda na qual toca muitas músicas brasileiras. Vive com os pais, que têm um comércio, e com a irmã, que é arquiteta. Além de assistir as telenovelas, a família divide o hábito de assistir, prioritariamente, os noticiários juntos.
Arnold, colega de trabalho de Ariel, vive com os pais, as duas irmãs e a avó. Na quarta família, todos têm o hábito de assistir as telenovelas, com exceção de sua irmã mais nova, Lizeth, e do pai. A avó, Ana, e a mãe, Aida, têm os graus de instrução mais baixos da família. A primeira tem apenas o primário completo e a segunda tem curso técnico médio. O restante da família tem curso superior, inclusive o entrevistado, que atua como engenheiro de sistemas.
A quinta família analisada é composta por Cidar, seus pais e duas irmãs. Cidar e suas irmãs têm curso superior, mas seu pai completou apenas o primário. Cidar explicou, na entrevista, que normalmente vê as telenovelas com uma de suas irmãs. No entanto, todos afirmaram no questionário que costumam assistir este gênero acompanhado pelos familiares. A família tem acesso à TV paga e à Internet.
Dora Rea foi a sexta telespectadora entrevistada. Desde que ficou viúva, vive sozinha em um apartamento de classe média em Santa Cruz. Além de assistir às telenovelas brasileiras, costuma acompanhar as telenovelas exibidas em um canal da TV por assinatura em que se transmitem telenovelas durante todo o dia. No entanto, não assiste todos os dias. No período de colheita, vai a sua fazenda, onde não tem luz elétrica. Conversa pouco a respeito de telenovelas, pois seus filhos não assistem.
Sônia Alejo, sétima telespectadora entrevistada, tem 25 anos, é cochambina e vive em Santa Cruz de la Sierra desde a infância. Atualmente, mora sozinha, trabalha em uma ótica e estuda turismo à noite. Durante o tempo livre, assiste telenovelas, filmes e noticiários. Em relação ao acesso aos outros meios de comunicação, tem hábito de ler o jornal El Deber, tem acesso à TV por assinatura, mas não tem Internet em casa. Como não tem família em Santa Cruz, convive com pessoas que trabalham no comércio local, próximo ao seu trabalho e com vizinhas.
Elvira, oitava telespectadora entrevistada, também vive sozinha em Santa Cruz. Nunca foi casada, mas teve dois filhos que já não vivem com ela. Atualmente tem 48 anos e trabalha como vendedora de cosméticos. Apesar de viver sozinha, muitas vezes tem companhia para assistir telenovelas, pois muitas amigas freqüentam sua casa. Em relação aos meios de comunicação, escuta rádio, lê ocasionalmente o jornal El Deber e as revistas de beleza e de moda.
Isabel Melgar foi a nona telespectadora entrevistada. Ela vive com o marido, a filha, uma neta e uma sobrinha, tem 60 anos, possui o ensino médio completo e trabalha como secretária. Seu tempo livre, quando chega do trabalho, é voltado exclusivamente para as telenovelas. Sempre assiste acompanhada dos familiares, em seu quarto. Da família, apenas sua filha mais velha, Magdalena, tem curso superior. Como a casa da filha é localizada nos fundos de sua casa, Isabel tem contato constante com ela, com quem assiste televisão. A família não possui TV por assinatura, mas tem acesso ao rádio e à Internet em casa.
Sílvia Rodriguez é a única entrevistada que assiste as telenovelas da Rede Globo apenas pela Globo Internacional. Divide este hábito com os irmãos e com o primo. A mãe e o pai não assistem telenovelas. Na casa da décima família analisada, apenas Silvia ingressou no curso superior, pois seus irmãos ainda não completaram o ensino médio. Atualmente, estuda medicina e convive com diversos brasileiros que estudam em Santa Cruz.. Parte de sua família vive no Brasil e, por isso, já foi diversas vezes ao Rio de Janeiro. Ela e sua irmã, Maria Silvestre, têm facilidade para compreender o português e, para treinar o idioma, preferem assistir as teleno velas através do canal internacional.
Rosa Antelo, décima primeira entrevistada, tem 76 anos, é viúva, mãe de oito filhos e vive sozinha. Durante o dia, tem a companhia da empregada, que assiste com elas as telenovelas e noticiários. Foi a única telespectadora que afirmou não aprender nada com as telenovelas porque “todas são de amor” e já estaria idosa para estas coisas. Como tem problemas de audição, não gosta de assistir as telenovelas colombianas porque os artistas falam muito rápido e ela não compreende bem. Assiste na televisão apenas as telenovelas, os noticiários e um programa de culinária. A telespectadora não tem acesso à Internet, mas tem TV a cabo em casa, rádio e lê o jornal El Deber e a revista Selecciones.
Alesandra Durán, décima segunda entrevistada, não é casada, mas vive com seu companheiro, com quem tem uma filha. No entanto, o hábito de assistir telenovelas é individual, pois em sua casa ela é a única que assiste. Por isso, comenta sobre as teleno velas apenas com uma amiga. Alesandra tem 28 anos, tem o ensino médio completo e trabalha como empregada doméstica. Tem acesso ao rádio, mas não lê jornais, somente algumas
revistas femininas. O acesso à TV a cabo ocorre na casa dos patrões, onde ocasionalmente assiste televisão.
Eldy Castedo, entrevistada da décima terceira família, tem 48 anos, tem segundo grau completo e é recém-separada. Mãe de três filhos, tem uma filha e um genro vivendo com ela numa casa de classe média alta num importante bairro de Santa Cruz. A família tem acesso à TV por assinatura, ao rádio e à Internet, mas nenhum dos membros tem o hábito de ler jornais. Todos costumam assistir as telenovelas juntos e, geralmente, aquelas provenientes do Brasil.
A última família é composta por apenas duas pessoas: Nelly e sua filha Carme m Lorena. Nelly tem 53 anos e, desde que ficou viúva, vive apenas com sua filha. A mãe tem apenas o primário completo e a filha tem curso superior, mas estava desempregada no período da pesquisa. Elas têm rádio, TV por assinatura, têm o hábito de ler o jornal El Deber, mas não têm acesso à Internet.
Usos e Gratificações dos Telespectadores Bolivianos
A perspectiva dos usos e gratificações, como foi abordada anteriormente, compreende que os telespectadores agem de maneira consciente, na busca por conteúdos que satisfaça suas necessidades. Desta maneira, a audiência da telenovela parte de uma iniciativa do telespectador, cujos objetivos são variados, entre eles o entretenimento, a aprendizagem ou a fuga de problemas e da rotina.
Os meios, na verdade, fazem parte de um amplo processo de satisfação de necessidades humanas. A importância e peso dos meios de comunicação serão avaliados de acordo com a disponibilidade que as pessoas têm em contar com outras formas de socialização e informação. As gratificações podem ser obtidas através de um conteúdo midiático (por exemplo, ao assistir a um programa específico de TV), pela familiaridade com um gênero específico (telenovelas, programas esportivos no rádio, etc) e a partir de um contexto social no qual o meio de comunicação é usado (por exemplo, assistir à TV junto com a família). Finalmente, o modelo de Usos e Gratificações estabelece que os juízos de valor sobre o caráter cultural da audiência devem ser colocados em segundo plano à medida que as orientações da aud iência se apresentam em seus próprios termos. (RANGEL, 2003, p.08)
Embora reconheça a dificuldade de operacionalizar os motivos psicológicos da audiência, Jair G. Rangel (2003, p.08) lista os principais, a partir daqueles citados por McQuail (apud Rangel, 2003, p.08)
Busca de informação e conselho Redução da insegurança pessoal
Aprendizagem sobre a sociedade e o mundo Sustentação de valores próprios
Obtenção de insight sobre suas próprias vidas
Experimentação dos problemas dos outros através da empatia Encontro de bases para o contato social
Ter um substituto para o contato social
Sentimento de conexão ou vínculo com os outros Fuga de problemas e aflições do dia a dia
Entrar em um mundo imaginário Passar o tempo
Experimentar uma liberdade de expressão de emoções Aquisição de uma estrutura para a rotina diária
Elihu Katz (apud Wolf, 1987, p.80), estabeleceu cinco necessidades dos telespectadores que os meios podem satisfazer: necessidades cognoscitivas, necessidades afetivas estéticas, necessidades afetivas a nível social e necessidades integradoras em nível de personalidade e necessidade de evasão.
Nessa perspectiva, pode-se compreender, em primeiro lugar, que as telenovelas satisfazem as necessidades cognoscitivas, já que elas são elementos provedores de conhecimento para o público telespectador. Ainda que não seja perceptível a mudança de comportamento entre estes telespectadores, observa-se um consenso de que a telenovela transmite informações e que, conseqüentemente, gera aprendizagem. Isso se verifica, por exemplo, no discurso de Ariel, que aprendeu a respeito da imigração italiana para o Brasil, sobre a cultura marroquina, sobre a alquimia e sobre a história da escravidão no Brasil através das telenovelas; ou no discurso de Arnold, que aprende através dos erros dos personagens. Além disso, a telenovela impulsiona alguns destes entrevistados a buscarem informações a respeito de questões retratadas na trama, o que contribui também para a aquisição de novos conhecimentos. Dos quatorze telespectadores entrevistados, apenas um deles relatou que não aprende nada com as telenovelas.
Em segundo lugar, as telenovelas satisfazem as necessidades afetivas estéticas dos telespectadores a partir do momento que retrata personagens com os quais os telespectadores
se identifiquem. Para verificar se esta necessidade é satisfeita através das telenovelas, perguntou-se durante a entrevista se os telespectadores se identificam com os personagens. Em geral, as respostas foram positivas, de modo que se reconhece o encontro da realidade com a ficção das telenovelas assistidas.
A abordagem de temáticas sociais como o tráfico de mulheres, o alcoolismo e o consumo de drogas satisfazem, de alguma forma, as necessidades cognoscitivas e afetivas estéticas. Satisfaz a primeira necessidade porque presta informações a respeito de importantes acontecimentos sociais e, a segunda, porque faz com que os telespectadores reconheçam os problemas retratados nas telenovelas com os problemas sociais que ocorrem em sua sociedade.
Em terceiro lugar, as necessidades afetivas em nível social são atendidas pelas telenovelas a partir do momento em que o hábito de assisti- las é capaz de reforçar os contatos interpessoais. Através da trama, aprende-se a resolver conflitos, a tomar decisões e, por isso, ela contribui para a interação entre as pessoas.
As telenovelas têm, por fim, uma função escapista, contribuindo para que os telespectadores consigam liberar as tensões, reduzir a ansiedade e esquecer momentaneamente dos problemas. Por este motivo, afirma-se que elas atendem às necessidades de evasão dos telespectadores entrevistados. Eduarda, Elvira, Eldy e Nely são exemplos de telespectadoras que afirmaram que as telenovelas têm esta função em suas vidas. Através da ficção, conseguem relaxar e esquecer os problemas do dia-a-dia.
Conclusões parciais:
Algumas dificuldades se apresentaram durante a realização do trabalho de campo: a dificuldade de obter as entrevistas, a impossibilidade de ir à casa dos telespectadores e de realizar a observação não-participante e a falta de dados a respeito dos índices de audiência das telenovelas. Diante desses fatos, constatou-se a necessidade de adaptar a metodologia às características da região analisada. Uma das soluções foi a aplicação do questionário aos outros membros das famílias pelo próprio entrevistado, depois de ser devidamente orientado.
A facilidade de acesso às universidades e às emissoras de televisão foi um dos aspectos mais positivos e surpreendentes do trabalho de campo. Através destas visitas, foi possíve l a coleta de informações importantes, bem como de dados bibliográficos.
Em relação aos usos e às gratificações dos telespectadores bolivianos ao assistirem as telenovelas, observou-se, nas entrevistas e na análise dos questionários que algumas pessoas
utilizam as telenovelas como principal fonte de informações e de conhecimento. Através da observação de modelos, as mulheres copiam a moda de vestuário das atrizes das telenovelas, a decoração das casas e observam os comportamentos dos principais personagens. Além disso, as telenovelas têm função escapista, proporcionando aos telespectadores a fuga momentânea dos problemas e a distração através da trama.
Observou-se, portanto, que as telenovelas satisfazem as cinco necessidades dos telespectadores assinaladas por Elihu Katz.