Neste conjunto de atividades, os cenários operacionais e os modelos do domínio e contradomínio do problema são definidos. O objetivo é desenvolver uma representação adequada da porção do mundo real que se aplica ao domínio e contradomínio do problema e seus cenários associados, o que permite destacar falhas ou vícios conceituais ainda na fase inicial de desenvolvimento. Ainda nesta fase, definem-se os objetivos do esforço de modelagem e simulação; transformados em um conjunto de requisitos que serão usados durante o desenvolvimento, testes, execução e validação do SOI.
Figura 5.5 - Análise: Modelagem e validação conceitual
Fonte: Autoria própria
A2.1 Criar abstração do domínio do problema: Desenvolver uma representação adequada da porção do mundo real que se aplica ao domínio e contradomínio do problema. O foco é identificar entidades relevantes dentro do domínio do problema, os possíveis relacionamentos entre as entidades identificadas e os aspectos comportamentais e funcionais de cada uma delas. Cada entidade deve possuir descritores que possibilitem identificar unicamente seus atributos, interfaces e
propriedades além de suas interações e comportamentos dentro do domínio específico. Deve-se ainda documentar as premissas e simplificações usadas na abstração do domínio do problema.
A2.2 Identificar e analisar as relações e interfaces entre o domínio do problema e o SOI: O objetivo desta atividade é desenvolver uma especificação dos cenários operacionais2. Os cenários operacionais são descrições – usando
ontologias e terminologias específicas do domínio do problema e/ou estendendo a ontologia de domínio específico já existente – das principais entidades do domínio do problema e suas capacidades, comportamentos e relações. Essas descrições podem tanto utilizar representações gráficas e diagramas de eventos quanto elementos textuais ou qualquer outro meio para comunicar os objetivos de um cenário específico. Independente do meio usado para expressar um cenário operacional, algumas informações são necessárias para seu uso, a saber:
• O contexto do cenário, descrevendo suas premissas, constraints, considerações e estado inicial.
• Os objetivos do cenário e sua relação com o domínio do problema. • A relação com outros cenários operacionais.
• Descrição das entidades participantes (sistemas adjuntos, operadores, usuários, etc.) e de seus papéis no cenário.
• Descrição das características, relações e comportamentos das entidades ao longo do tempo (comportamento dinâmico).
• Sequência de ações ou ocorrências relevantes para os objetivos do cenário operacional.
Além de descrever o domínio do problema, os cenários operacionais são necessários para especificar o que deve ou não ser representado em um ambiente de simulação específico.
A2.3 Criar abstração do contradomínio do problema: Esta atividade começa como uma descrição das ações que precisam ser incluídas nos cenários
2 A definição de cenário operacional modifica àquela presente no relatório técnico STO-TR-MSG- 086-Part-II da Science and Technology Organization subsidiária da North Atlantic Treaty Organization (STO, 2015).
operacionais para atingir os objetivos da pesquisa; deve ainda incluir os pressupostos que compõem estas ações. O modelo conceitual fornece uma representação independente de implementação ou plataforma que serve de vetor de transformação de objetos em descrições e modelos funcionais e comportamentais do SOI para designers e desenvolvedores. Associado ao modelo conceitual do sistema de interesse, as constraints, limitações e as características “não funcionais” de sua operação e interação com as demais entidades do domínio do problema, além dos riscos técnicos associados, são compiladas em requisitos declarativos do sistema. Deve-se ainda documentar as premissas e simplificações usadas na criação do modelo conceitual.
À medida que o modelo conceitual é desenvolvido, um conjunto de requisitos para o ambiente de simulação emergem; tal que sejam suficientes para orientar e especificar a criação e desenvolvimento do ambiente de simulação. Estes requisitos devem considerar as necessidades específicas de gerenciamento, controle, monitoramento, registros de dados, etc., abordando questões técnicas e programáticas em grau necessário para guiar as atividades de implementação. Ademais, tais requisitos afetam e restringem os cenários operacionais, resultando em cenários conceituais3, que fornecem uma especificação detalhada do domínio e contradomínio do problema necessária para as etapas posteriores de modelagem, simulação e desenvolvimento. O modelo conceitual do SOI e os cenários conceituais fornecem um vínculo de rastreabilidade entre os objetivos declarados e a posterior implementação do design do sistema.
A2.4 Validar cenários e modelo conceituais do SOI: Existem diferentes formas de validação (ou mesmo verificação) de um artefato particular, mas, em termos gerais, estas técnicas buscam determinar o quão bom um artefato (neste caso um modelo ou cenário conceitual) representa ou se assemelha a uma ou outra referência (aqui um objetivo, requisito, premissas ou uma fonte de conhecimento validado e acreditado). O processo de validação dos cenários e modelo conceituais do SOI visa garantir que um determinado artefato (modelo conceitual ou cenário
3 A definição de cenário conceitual modifica àquela presente no relatório técnico STO-TR-MSG- 086-Part-II da Science and Technology Organization subsidiária da North Atlantic Treaty Organization (STO, 2015).
conceitual) contém o nível de detalhe suficiente e se representa suficientemente bem um dado aspecto ou objetivo do SOI. Em outras palavras, a “validação conceitual” é o processo de determinar se as premissas e constraints subjacentes ao modelo conceitual são corretas e se as representações/abstrações do domínio e contradomínio do problema são “razoáveis” para o propósito pretendido.
É difícil estabelecer um conjunto de técnicas padrão para serem usadas em qualquer processo de validação, entretanto, entende-se que as principais técnicas aplicadas para a validação dos cenários e modelo conceituais são: a revisão contínua por especialistas (peer review), ou frente a fontes validadas e acreditadas de conhecimentos, e a construção de consenso entre os diferentes stakeholders envolvidos na especificação dos cenários e abstrações do domínio e contradomínio do problema, quanto a completude dos artefatos e o atendimento aos requisitos, objetivos e propósito da pesquisa.
A2.5 Definir cenários, métricas e critérios de validação: O objetivo desta atividade é determinar a adequação de cenários conceituais para que se tornem parte do workbench de validação. Esta adequação deve considerar constraints relacionadas ao “negócio” da pesquisa – como disponibilidade, segurança, etc. –,
constraints técnicas e requisitos “não funcionais” do sistema – como máximo tempo
de resposta um sistema reativo, critérios de qualidade de serviço, etc. –, além de métricas e análises associadas. O workbench de validação deve ser (1) completo, abrangendo todas as entidade, relações, comportamentos e funcionalidade do SOI, (2) consistente, não apresentando contradições ou conflitos entre seus cenários constituintes, (3) correto, garantindo o atendimento aos objetivos e propósito da pesquisa, e (4) coerente, fornecendo e contemplando as informações necessárias para sua simulação e execução.
A2.6 Revisar e atualizar plano de desenvolvimento: Revisar, modificar e atualizar o plano de desenvolvimento, transição e validação com as decisões e comuns- acordos estabelecidos, acrescentando ou alterando informações quanto a realização da pesquisa e refinando as estimativas feitas.