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Une première simulation - Changement de consigne de la puissance

5.5 Applications à notre cas d’étude initial

5.5.4 Une première simulation - Changement de consigne de la puissance

O desenvolvimento da capacidade de processamento, de armazenamento e de circulação de informação não surgiu, contudo, devido à sua facilidade tecnológica. Esta evolução exigiu um conjunto considerável de recursos de investigação e desenvolvimento, investidos de forma permanente, ao longo de décadas.

Este investimento apenas foi possível devido à existência de um mercado interessado nas vantagens que a informação automática poderia trazer – um mercado constituído essencialmente por organismos da administração pública dos Estados Unidos e, a partir de meados da década de 1950, também pelas grandes empresas.

A história deste processo confunde-se, em vários períodos, com a evolução de uma empresa: a IBM. A companhia que deu origem à IBM adoptou inicialmente a designação Computing Tabulating Recording Corporation (CTR) e foi criada em 1911, no estado de Nova Iorque. A CTR foi constituída através da fusão de 3 outras companhias: a Tabulating Machine Corporation (fundada por Herman Hollerith em 1896, em Washington D.C.), a International Time Recording Company (fundada em 1900, em Endicott, no estado de Nova Iorque) e a Computing Scale Corporation (fundada em 1901, em Dayton, no estado do Ohio). A empresa criada por Herman Hollerith, na sequência do sucesso da sua máquina mecanográfica no processamento do recenseamento populacional dos Estados Unidos em 1890, era a mais antiga das empresas na fusão que deu origem à CTR.

A nova empresa fabricou, no seu início, diversos produtos, como sistemas de controlo de assiduidade e pontualidade de funcionários, balanças, máquinas de cortar carne ou máquinas de processamento de informação, através de cartões perfurados. Ao longo dos anos seguintes, a CTR centrou a sua actividade no processamento de informação, através do fabrico de máquinas de cartões perfurados, influenciando de forma marcante a história do desenvolvimento do computador.

Em 1917, a CTR entrou no mercado canadiano com a designação International

nascendo assim a designação que deu origem à sigla IBM. Até ao fim da Segunda Guerra, a IBM desenvolveu a sua actividade essencialmente junto de instituições públicas. Na sequência do Social Security Act de 1935, obteve um contrato com o governo dos Estados Unidos para manter e processar informação sobre o emprego de 26 milhões de indivíduos. Este projecto foi considerado como a “maior operação de contabilidade de sempre” e abriu as portas a uma variedade de outros contratos com instituições públicas, nos anos seguintes7.

A IBM envolveu-se no esforço da Segunda Guerra sobretudo através do fornecimento de recursos para o armazenamento e processamento de informação. As forças militares aliadas utilizaram equipamento da IBM para a contabilidade, a logística e outras áreas directamente relacionadas com o conflito. Houve uma extensa utilização das máquinas de cartões perfurados da IBM para os cálculos feitos em Los Alamos, no decurso do projecto Manhattan, para o desenvolvimento das primeiras bombas atómicas (Feynman, 1997: 125-128). A IBM construiu neste período, também, o primeiro calculador digital automático dos Estados Unidos, o Automatic Sequence

Controlled Calculator (ASCC), também conhecido como Harvard Mark I8, entregue em

1944 à Universidade de Harvard e utilizado exclusivamente para a Marinha, durante a guerra. A utilização de máquinas da IBM durante a Segunda Guerra estendeu-se, contudo, a outras partes do conflito, encontrando-se actualmente documentada a utilização de equipamento da IBM na alemanha nazi, na gestão de informação relacionada com o holocausto (Black, 2002). Para além de recursos relacionados com a gestão de informação, as instalações e recursos humanos da IBM foram também utilizados, durante o conflito, para a produção de armamento ligeiro, como a espingarda automática Browning ou a carabina M1.

Na década de 1950, no período pós-guerra, a IBM tornou-se no principal fornecedor de computadores para os sistemas de defesa automatizada da Força Aérea dos Estados Unidos. Um dos projectos que a IBM desenvolveu para a Força Aérea, a partir do final da década de 1950, é um sistema de controlo e intercepção de aviões inimigos, o Semi Automatic Ground Environment (SAGE)9. A IBM construiu 56

computadores SAGE e envolveu, no pico da sua actividade, mais de 7.000 funcionários no projecto (cerca de 20% dos seus recursos humanos)10.

7 Veja-se, sobre esta questão, os arquivos da IBM no seu sítio da Internet, em http://www-

03.ibm.com/ibm/history/history/decade_1930.html.

8http://www-03.ibm.com/ibm/history/exhibits/markI/markI_intro.html.

9http://www-03.ibm.com/ibm/history/exhibits/vintage/vintage_4506VV2216.html. 10http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_IBM.

É a partir de meados da década de 1950 que as empresas privadas começam a assumir um papel relevante no desenvolvimento dos sistemas de informação automática, a par das instituições públicas. A experiência obtida no desenho de grandes redes de computadores integrados em tempo real, através do projecto SAGE, permitiu à IBM iniciar, em meados da década de 1950, um projecto de gestão de reservas de passagens aéreas. Pretendia-se, com este projecto, criar um sistema de processamento de informação que criasse uma reserva de passagem aérea num determinado local e a disponibilizasse imediatamente em todos os outros locais em que são realizadas reservas, actualizando a informação sobre o voo respectivo11.

O projecto, desenvolvido para a American Airlines, recebeu a designação de Semi-

Automatic Business Research Environment (SABRE) e a primeira instalação do sistema

foi realizada em 1960. Em 1964, o SABRE cobriu toda a rede de reservas da American Airlines, tornando-se no maior sistema privado de processamento de informação, ultrapassado apenas pelo do governo federal.

O sistema SABRE mantém-se até aos dias de hoje, tendo-se tornado autónomo da IBM e da American Airlines através de uma empresa cotada em bolsa, a Sabre Holdings, e abarca actualmente um conjunto alargado de empresas e de serviços, na gestão de informação sobre redes de transportes12.

No decurso da década de 1960, a IBM manteve a posição de maior fabricante de computadores, constituindo a referência no sector. A sua quota de mercado, que chegou a ser, em 1964, de cerca de 70% de todos os computadores fabricados, e a desproporção face aos outros sete maiores fabricantes (UNIVAC, Burroughs, Scientific Data Systems, Control Data Corporation, General Electric, RCA e Honeywell) levou a que os profissionais da área se referissem às oito maiores empresas como “a IBM e os sete anões” (Pugh, 1995: 296-297).

Para além do desenvolvimento de redes informáticas de dimensão nacional, a importância do sector privado cresceu também em outro tipo de produtos, a partir de meados da década de 1950. Um dos exemplos dessa evolução é o IBM 305 RAMAC, acima mencionado devido ao facto de ser o primeiro computador a integrar um disco rígido (350 Disk Storage Unit). A produção e comercialização deste computador, com início em 1956, foi predominantemente dirigida às empresas, e não à administração pública. Existem vários indícios desta orientação comercial, no artigo publicado em

11http://www.sabre-holdings.com/aboutUs/history.html. 12http://www.sabre-holdings.com/.

1957 no IBM Journal of Research and Development (Lesser e Haanstra, 1957), em que foi apresentado o modo de funcionamento do 305 RAMAC.

O caderno de encargos estabelecido pela IBM para a criação deste computador, genericamente apresentado no texto, definia como objectivo a capacidade de processar 10.000 transacções comerciais por dia (idem), automatizando a maior parte da gestão do processo. Este computador deveria, adicionalmente, ser comercializado a um custo considerado razoável por um utilizador para o qual dez mil transacções representassem um volume muito elevado para um único dia (idem: 64). O posicionamento adoptado desde a fase inicial do projecto tem várias consequências, na formulação do artigo.

De acordo com o sumário, são descritas no texto “as características do desenho de uma nova máquina para o processamento automático de dados para aplicações

empresariais” (idem: 62, sublinhado nosso). Na primeira frase da introdução é

afirmado, por sua vez, que “a organização lógica do novo IBM 305 Random-Access Memory Accounting (RAMAC) permite o processamento de transacções no negócio no momento em que ocorrem” (idem: ibidem, sublinhado nosso). Ao longo de uma parte do texto, é apresentada uma das vantagens do novo sistema: a capacidade de gestão actualizada de informação, em substituição de um sistema “em diferido”. É apresentado, para ilustrar esta funcionalidade, um fluxograma de processos. O exemplo escolhido para análise no fluxograma é de uma área claramente empresarial: a emissão e envio de facturas para a venda de produtos, com a correspondente gestão e actualização de stocks de produto em armazém (idem: 63).

Entre 1956 e 1961 foram produzidos mais de mil computadores 305 RAMAC, que se mantêm em funcionamento até 1969, altura em que são retirados do mercado13.

Para além das instituições públicas, o desenvolvimento de projectos informáticos orienta-se, a partir de meados da década de 1950, gradualmente para o mercado das grandes empresas privadas, com capacidade financeira para a aquisição de sistemas com elevada capacidade de armazenamento e processamento de informação, de que o

305 RAMAC é um dos primeiros exemplos. De facto, as primeiras soluções

informáticas disponibilizadas ao sector privado eram acessíveis apenas a empresas com capacidade para efectuar grandes investimentos. O desenvolvimento do sistema SABRE implicara, até ao momento da primeira instalação, em 1960, um investimento

de 40 milhões de dólares (equivalente a cerca de 265 milhões de dólares, em 2005)14.

O 305 RAMAC era, por sua vez, alugado aos clientes por uma mensalidade de 3.200 doláres (equivalente a cerca de 21.000 dólares, em 2005). Contudo, apesar dos elevados custos de aquisição e de utilização, as empresas constituíam uma parte cada mais relevante do mercado de tecnologias de informação. A informação automática começa, a partir deste momento, a ser também privada.

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