CHAPITRE 3 EXPLOITATION D’UNE STRUCTURE MONOTONE
3.1 Première approche
A coleta de dados foi feita a partir de documentos oficiais do IDORT que abrangiam o período de análise (1931-1951), disponibilizados no AEL. Das diferentes categorias de documentos classificadas na coleção119, três foram escolhidas por nós para o levantamento de dados:
118 Tais questões foram a relação entre Armando de Salles Oliveira com o governo revolucionário
de Getulio Vargas e a criação do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP).
119 Estas categorias são: Relatórios Anuais de Diretoria; Revista IDORT; Revista Organização
Científica do IDORT; série de cartas e circulares aos sócios; Relatórios dos trabalhos das divisões técnicas do IDORT referentes ao estudo da Companhia Antártica Paulista; Relatórios dos trabalhos das divisões técnicas do IDORT referentes ao estudo do RAGE; manuais e apostilas de cursos técnicos desenvolvidos pela 2ª Divisão técnica do IDORT. Existia ainda um conjunto de documentos não classificados pelo AEL, dos quais não tivemos acesso.
• Relatórios Anuais da Diretoria, onde constavam as principais medidas da diretoria em determinado ano de exercício (bem como as justificativas oficiais dadas pelos diretores para tais medidas) e a descrição de outros importantes acontecimentos envolvendo o IDORT;
• ‘Revista IDORT’ e ‘Revista de Organização Científica’ do IDORT, que foram os periódicos mensais do Instituto, considerados pelos seus idealizadores e diretores como o principal meio para a difusão de idéias do Management aos sócios e a comunidade geral; além disso, estes periódicos noticiavam acontecimentos associados ao Instituto e a vida econômica e empresarial brasileira e internacional;
• Relatórios dos trabalhos das Divisões Técnicas do IDORT sobre
os trabalhos na Companhia Antártica Paulista e no programa de Reorganização Administrativa do Governo do Estado de São Paulo (RAGE), que correspondem a descrição minuciosa do estudo
feito nestes dois importantes projetos técnicos do IDORT, onde são informados os problemas gerenciais observados e as prescrições do Instituto para a racionalização gerencial das organizações contratantes.
Ao todo, foram analisados vinte relatórios de diretoria (1932-1952), 109 exemplares da ‘Revista IDORT’ (1932-1940)120, 132 exemplares da ‘Revista Organização Científica do IDORT’ (1941-1951), dois relatórios do estudo das divisões técnicas na Companhia Antártica Paulista (relatório preliminar e relatório final) e dois relatórios do estudo das divisões técnicas no programa do RAGE (relatório preliminar e relatório final).
7.3.1.1 Facilidades e dificuldades na coleta de dados
Em qualquer pesquisa historiográfica, o maior desafio é o problema da ausência de fontes históricas que informem o evento investigado. Quanto mais longínquo o período desejado, mais o problema se agrava, por causa da maior
120 Doze exemplares por ano, em um total de nove anos. Em 1936, foi publicada uma edição
precariedade dos registros (já que se supõe que estes sofreram maior desgaste pelo tempo) ou mesmo porque os registros são inexistentes121. Por analogia, os períodos
históricos recentes tendem a ser mais ricos quanto aos registros disponíveis, até porque, em muitos casos, há a possibilidade do depoimento de testemunhas vivas.
Contudo, conforme salienta LOBO (1997), existem muito poucos registros sobre a história empresarial brasileira, especialmente das categorias que permitiriam revelar as práticas gerenciais das empresas de nosso passado (como, por exemplo, documentos de empresas da época, tais como as atas de reuniões dos diretores). A autora afirma que isso se deve ao fato de que, em uma época na qual o setor industrial ainda lutava por espaço político, havia muito pouco registro das ações administrativas deste setor. Além disso, é preciso considerar o problema da falta de consciência por parte das empresas brasileiras na conservação de seus documentos antigos122.
Isto posto, devemos considerar ter sido uma grande vantagem para nossa investigação encontramos a coleção do IDORT no AEL, onde o material historiográfico que desejávamos se encontrava muito bem catalogado e organizado. Realmente, isto permitiu-nos uma fácil análise de dados, já que a busca de dados e informações específicas foi facilitada pela correta classificação dos documentos. Além disso, tivemos poucos problemas referentes à falta de documentos das séries investigadas. A esse respeito, um problema enfrentado foi a ausência de dois documentos de importância central para nosso estudo, o estatuto de fundação do IDORT e a carta-convite enviada por Aldo Azevedo a membros da sociedade paulista para a fundação deste instituto.
Contornamos este problema verificando em edições comemorativas das revistas do Instituto se havia a reprodução total ou parcial dos documentos faltantes,
121 Por exemplo, este é o caso do período colonial brasileiro, onde o aparato estatal era incipiente
e praticamente não havia processos de documentação e de registros demográficos e econômicos (HOLANDA, 1985).
122 LOBO (1997, p. 219-220) afirma que, no Brasil, “é muito comum as empresas destruírem os
documentos mais antigos ou deixarem-nos sem qualquer critério de classificação, acumulados em depósitos”, e conclui que “a regra geral é de criar dificuldades de acesso à documentação”.
tendo em conta ser muito comum este tipo de prática editorial. Assim, encontramos a reprodução integral dos referidos documentos na edição de comemoração de quinze anos de fundação do Instituto na Revista IDORT (vol. 15, n. 175, 1946) e na edição de comemoração de trinta anos na revista Organização Científica (vol. 30, n. 353, 1961).
Outro aspecto a ser mencionado sobre os documentos diz respeito ao fato destes terem sido escritos em um português antigo, cujo estilo e regras de ortografia e gramática eram diferentes da forma atual. Percebemos ainda diferenças dentro da própria série de documentos pesquisados, o que supomos corresponder às prováveis alterações nas regras do português brasileiro que foram implementadas durante as duas décadas correspondentes ao nosso período de análise (décadas de 1930 e 1940)123. Em razão destas diferenças, decidimos manter a forma escrita original nas citações diretas do texto dos documentos históricos analisados.