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PRATIQUES INSPIRANTES

Diante do aumento no número de acidentes e violências resultantes de ações intencionais ou não, que provocam danos físicos, emocionais, ou morais ao ser humano, tornou-se consenso mundial oferecer mais atenção ao APH, buscando implantar sistemas de atendimento ao traumatizado e minimizar a morbimortalidade (MANTOVANI, 2005).

Segundo o Ministério da Saúde (2004), o APH pode ser definido como assistência prestada em um primeiro nível de atenção, aos portadores de quadros agudos, de natureza clínica, traumática ou psiquiátrica, quando ocorre fora do ambiente hospitalar, podendo acarretar seqüelas ou até mesmo a morte. Para Mantovani (2005), o atendimento pré-hospitalar pode ser caracterizado como um conjunto de procedimento técnicos realizados no local da emergência e/ou durante o transporte da pessoa, tendo como principal objetivo mantê-la com vida e em situação mais próxima possível da normalidade até sua chegada a uma unidade hospitalar.

Assim, o SAPH equipado com ambulâncias tipo UTI para o atendimento móvel, tem a finalidade de atender às pessoas em situações de urgência e emergência, antes de sua chegada ao hospital, isto é, a UTI móvel procura chegar precocemente à pessoa que sofreu um agravo em sua saúde.

Para o funcionamento adequado do SAPH, este deve possuir, obrigatoriamente, uma central de regulação para que o público em geral possa entrar em contato com o sistema e para que os pedidos de socorro sejam recebidos, avaliados e hierarquizados. Para tal, o Serviço conta com médicos reguladores, que devem ter a capacidade de julgar e discernir a gravidade de determinada urgência, atendendo o paciente da melhor forma possível. O atendimento é realizado por médicos intervencionistas, enfermeiros e socorristas/técnicos de enfermagem.

Nos casos de urgência/emergência nos locais de difícil acesso, ou que ofereçam risco à equipe de saúde, ocorre uma ação conjunta entre a equipe de saúde, policiais militares ou rodoviários e bombeiros militares.

A UTI móvel do SAPH está equipada com aparelhos de ventilação mecânica, oxigenação, monitorização e desfibrilação cardíaca, assim como dotada de todos os equipamentos, materiais e medicamentos para realizar atos de saúde complexos, semelhantes aos realizados em unidades de emergência hospitalares ou em unidade de

tratamento intensivo hospitalares. Pelo fato de ter mobilidade, é classificada como Unidade de Tratamento Intensivo Móvel (UTI Móvel) ou, conforme designação feita através da Portaria Ministerial do Ministério da Saúde número 824/99, de ambulâncias tipo D, ou de Suporte Avançado de Vida, (BRASIL, 2002).

Essas ambulâncias, em função da necessidade de espaço físico que comporte todos os equipamentos, assim como o paciente e que permita o trabalho da equipe, é instalada em viatura cuja distância entre eixos é longa e é dividida em duas cabines: a anterior (dianteira) e a posterior(traseira). A cabine posterior apresenta elevação do teto, o que permite um ganho de altura e o deslocamento em ortostatismo de uma pessoa de estatura média. Além disso, existe uma comunicação entre as cabines anterior e posterior, possibilitando a fácil comunicação entre os membros da equipe de trabalho e favorecendo mudanças de atitude em relação ao deslocamento (rápido, lento ou parado) da ambulância.

A ambulância é dotada de equipamentos de rádio-comunicação fixo e portáteis, assim como de telefonia portátil, para a comunicação entre as diversas equipes de atendimento e a central de regulação. Apresenta sinaleiras de alerta luminosos (Giroflex) com luzes contínuas ou intermitentes e dois tipos de sinais sonoros (sirenes), um contínuo e outro intermitente, este último com alterações de tonalidade.

A UTI Móvel, para realizar atos complexos como pequenas e médias cirurgias (suturas, cesariana, drenagem de tórax, etc.), assim como todos os atos de suporte avançado de vida (Ex: reanimação cárdio- respiratória), e a transferência de pacientes graves entre os hospitais necessita, além de uma viatura adequada e com equipamentos, materiais e medicamentos que possibilitem estas ações, de uma equipe multidisciplinar constituída de pelo menos três profissionais: o médico urgencista, o enfermeiro e o motorista/socorrista. Cada um destes profissionais desempenha suas funções de forma sinérgica, treinados para tal trabalho em equipe, de acordo com o previsto na Portaria Ministerial MS 824, (NITSHKE et al, 2008).

Os principais tipos de atividade desenvolvidas por essas unidades são as transferências inter-hospitalares de pacientes graves e os atendimentos às urgências pré-hospitalares. Quanto às urgências pré- hospitalares, estas são categorizadas por um médico regulador, aquele que se encontra na central de atendimento e que faz a triagem do caso e a ativação das unidades, de acordo com o grau de urgência, em dois tipos:

ƒ Código 1, aqueles com urgência de máxima gravidade (emergência), ameaçadora à vida do paciente, e cuja UTI Móvel

se desloca rapidamente, utilizando-se para a abertura do caminho, de sinais sonoros (Sirenes) e de sinais luminosos (Giroflex), em todo o seu deslocamento;

ƒ Código 2, aqueles com urgência de gravidade moderada, que deve ser resolvida com brevidade, e cuja UTI Móvel se desloca apenas com os sinais luminosos (Giroflex) ligados, respeitando o fluxo normal do trânsito.

Assim, tem-se as seguintes seqüências de atendimento: Acionamento > Deslocamento > Atendimento (no domicílio ou na via pública) > Resolução do caso ou decisão pelo encaminhamento a uma unidade hospitalar > Contato com a central de regulação.

As UTI’s gerais ou móveis são de fundamental importância para a população, uma vez que tornam os cuidados aos agravos de saúde com risco de morte iminente altamente especializados. São unidades que demandam grande parte dos recursos materiais, humanos e financeiros da Secretaria de Saúde do Estado/Município. Além disso, a rotina de trabalho dos profissionais de saúde destas unidades é complexa e dinâmica e as condições de trabalho supõe-se variar quando comparadas aos demais setores de saúde.