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Pratiques communicationnelles

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I] L’espace communicationnel muséal

Chapitre 3 : Visiteurs et expositions

3.3 Pratiques communicationnelles

Pesquisas apontam que um dos objetivos dos Parâmetros Curriculares Nacionais, é tornar o texto unidade de ensino-aprendizagem e os gêneros objetos de estudo, esta é uma proposta que vem sendo salientada nos anos anteriores e fundamentada no decorrer dos anos 1997 e 1998 com os parâmetros do Ensino Fundamental e até os dias atuais nos estudos sobre o ensino de língua materna.

No que concerne à aprendizagem da escrita, os PCNs (1998) mostram com clareza que a língua é um sistema capaz de representar o mundo e envolver todas as áreas de conhecimento, por isso, a formação dos usuários competentes da escrita não deve se limitar apenas à área de língua portuguesa, como já fora citado anteriormente. Para os PCNs (1998, p. 31),

A ideia de que se expressar com propriedade oralmente ou por escrito é “coisa para a aula de Língua Portuguesa”, enquanto as demais disciplinas se preocupam com o conteúdo, não encontra ressonância nas práticas sociais das diversas ciências. Um textoacadêmico, ou mesmo de divulgação científica, é produzido com rigor e cuidado, para que o enunciador possa orientar o mais possível os processos de leitura do receptor.

Nesse contexto, é notório que, para um professor de determinada área, dominar os contextos da escrita dependerá da sua familiaridade e conhecimento sobre determinado assunto, já que se enfatiza que todo professor esteja envolvido com os processos de leitura e produção de textos para que, assim, possa exigir dos seus educandos e formar cidadãos competentes.

O texto que fora visto ora como produto e ora como processo, é considerado pelos parâmetros como um elemento essencial na sala de aula e na vida dos educandos, já que a ênfase dada aos elementos isolados e frases descontextualizadas serve apenas como exemplo para o ensino da gramática, ainda que questionável.

Portanto, para tornar o ensino eficiente e desenvolver as competências discursivas e comunicativas do educando, a base será trabalhar com o texto ancorado na perspectiva dos gêneros. Está explícito nos PCN+ (2002, p. 55) que

Para além da memorização mecânica de regras gramaticais ou das características de determinado movimento literário, o aluno deve ter meios para ampliar e articular conhecimentos e competências que possam ser mobilizadas nas inúmeras situações de uso da língua com que se depara, na família, entre amigos, na escola, no mundo do trabalho.

Nessa perspectiva, percebe-se que é por meio dos textos e dos gêneros que os sujeitos interagem entre si, nas diversas situações cotidianas do meio em que vivem. É fundamental que o professor em seu processo de mediação esclareça a importância do trabalho em sala de aula por meio dos gêneros, pois todas as tarefas que realizamos cotidianamente acontecem por meio deles, ou seja, para falarmos ou escrevermos utilizamos sempre um gênero específico.

De acordo com os PCNs (1998, p.24), “A compreensão oral e escrita, bem como a produção oral e escrita de textos pertencentes a diversos gêneros, supõem o desenvolvimento de diversas capacidades que devem ser enfocadas nas situações de ensino.”. Visto que o texto perpassa todas as áreas de conhecimento, tornando-se indispensável para o desenvolvimento do educando, é fundamental destacarmos as etapas da produção como forma de interação e comunicação entre os sujeitos, pois, como é de nosso entendimento, na produção, há um sujeito que diz (autor) sua mensagem para um interlocutor (leitor), este irá atribuir sentido ao texto com sua forma de interpretar e construir sentidos. Segundo os PCN+ (2002, p.44),

O sentido de um texto e a significação de cada um de seus componentes dependem, portanto, da relação entre sujeitos, construindo-se na produção e na interpretação. Essa parece ser a condição mesma do sentido do discurso, obrigando-nos a considerar não apenas a relação entre os interlocutores, mas também a desses sujeitos com seu meio social. Devido a esses fatores sociais e históricos, que envolvem tanto os sujeitos quanto os signos em jogo nas diferentes linguagens, a significação de um texto só ocorre no ato efetivo da interlocução.

Dessa forma, notamos que, para produzir um texto, o autor não irá se limitar à codificação e sinais gráficos, mas organizará suas ideias evidenciando sempre o interlocutor, ou seja, a relação entre os sujeitos envolvidos, pois o intuito da produção é enfatizar a interação entre eles, a situação comunicativa.

Assim, notamos que o texto aparece como um elo de comunicação entre o autor e o leitor; a sala de aula, por sua vez, é o espaço de interação. Diferentemente, o educando que fora considerado em momentos anteriores como um sujeito passivo (educação bancária)2, passa a refletir, organizar e expor suas ideias, posicionamentos, impressões sobre o mundo. Trata-se da chegada do sociointeracionismo, corrente que pressupõe a interação, o diálogo, a convivência entre os sujeitos.

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Segundo Paulo Freire, a educação bancária refere-se a uma espécie de depósito, onde o professor deposita no educando todas as mensagens e conhecimentos, e este vai tornando-se um ser passivo, sem direito a refletir, nem questionar.

4 GÊNEROS TEXTUAIS: CONCEITOS E PERCURSO NO ENSINO DE LÍNGUA

Nos últimos anos, notamos um grande destaque na área dos gêneros e de seu ensino. Este assunto fora o princípio norteador de variadas palestras, debates, conferências, dentre outros eventos. Todavia, é interessante ressaltarmos a origem dos gêneros, já que ultimamente se trata de um tema em voga na academia e no âmbito escolar, tornando-se um instrumento multidisciplinar.

A discussão sobre os gêneros inicia-se, possivelmente, desde a época de Platão e Aristóteles com a retórica e a poética, sendo mais tarde enfatizado na Idade Média, no Renascimento e na Modernidade até chegar ao século XX. Marcuschi (2008, p. 147) explica:

O estudo dos gêneros textuais não é novo e, no Ocidente, já tem pelo menos vinte e cinco séculos, se considerarmos que sua observação sistemática, iniciou-se em Platão. O que hoje se tem é uma nova visão do mesmo tema. Seria gritante ingenuidade histórica imaginar que foi nos últimos decênios do século XX que se descobriu e iniciou o estudo dos gêneros textuais.

De início, podemos constatar que o conceito se restringia apenas à literatura na visão Aristotélica. Atualmente, há uma ampliação, envolvendo várias esferas, além da literária, pois estamos diante de novas perspectivas linguísticas. Hoje, o estudo dos gêneros textuais3 engloba o discurso oral ou escrito produzido mediante uma determinada prática social, já que os gêneros textuais estão presentes em nossa vida diária, sendo impossível nos comunicarmos verbalmente sem a presença de um deles, seja oral ou escrito.

Nesse contexto, é interessante deixarmos claro que uma das ideias centrais do estudo dos gêneros é observarmos a complementação entre o texto, discurso e o gênero, não os distinguindo de forma rígida.

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É interessante ressaltarmos que trataremos, ao longo da pesquisa, os termos gêneros textuais e discursivos como equivalentes, apesar de alguns autores, a exemplo de Rojo (2005), tratarem distintamente.

Desta forma, Bakhtin (2003) afirma que o discurso não é por si só autossuficiente, ele só pode ser compreendido na situação social que o engloba, não de forma isolada, pois, o mesmo participa de um contexto social e se dá através de processos de interação. O gênero está inserido na memória onde estão armazenadas as grandes conquistas das civilizações e as descobertas significativas sobre o ser humano e suas ações no tempo e no espaço em que vivem. Ele adquiriu conteúdo cultural, pois nasce da tradição do meio em que convive, sendo considerado, assim, a expressão de um tempo, de culturas e civilizações.

Nessa perspectiva, Marcuschi (2007, p. 19) explica,

Já se tornou trivial a idéia de que os gêneros textuais são fenômenos históricos, profundamente vinculados à vida cultural e social. Fruto de trabalho coletivo, os gêneros contribuem para ordenar e estabilizar as atividades comunicativas do dia-a-dia. São entidades sócio- discursivas e formas de ação social incontornáveis em qualquer situação comunicativa.

É notável que diversas atividades em nosso cotidiano sejam realizadas por meio dos gêneros, os quais surgem conforme a nossa necessidade. O filósofo Bakhtin estabelece a divisão entre os primários e secundários, os primários, também conhecidos como simples, são aqueles que resultam das situações de comunicação verbal, não são elaborados, são espontâneos, por exemplo, uma conversa entre amigos e familiares. Os gêneros secundários exigem uma maior elaboração a fim de construir um enunciado relativamente mais desenvolvido, por exemplo, o romance, pesquisas acadêmicas e científicas, entre outras.

Esses modelos comunicativos sofrem alterações e até substituições, isto é, no início da era da comunicação utilizávamos o gênero carta, mas com o aparecimento da cultura eletrônica, houve a substituição pelo gênero e-mail. Como afirma Koch (2010, p. 101): “(...) Como práticas sociocomunicativas, são dinâmicos e sofrem variações na sua constituição, que, em muitas ocasiões, resultam em outros gêneros, novos gêneros”.

No tocante ao número dos gêneros, podemos ressaltar que nas décadas anteriores eram formas típicas da oralidade e tinham certa limitação. Com o advento da escrita alfabética no século VII a.c, começaram a sofrer relevante ampliação, aparecendo assim, os gêneros particulares da escrita. A partir daí, os gêneros

começam a expandir-se, e torna-se difícil para os estudiosos quantificar a diversidade de gêneros existentes, já que, na era atual, são ilimitados. De acordo com Marcuschi (2007, p.19),

Hoje, em plena fase da denominada cultura eletrônica, com o telefone, o gravador, o rádio, a TV e, particularmente o computador pessoal e sua ampliação mais notável, a Internet, presenciamos uma explosão de novos gêneros e novas formas de comunicação, tanto na oralidade como na escrita.

Em relação a esses aspectos, não podemos negar que a grande variedade de gêneros textuais existente deve-se ao aparecimento das novas tecnologias, da sua inserção e uso nas práticas sociais, pois, a partir do momento que começam a interferir nas atividades sociais, temos que nos adaptar a esta grande demanda para não ficarmos de fora do universo social. Marcuschi (2008, p. 161) comenta que

Os gêneros são atividades discursivas socialmente estabilizadas que se prestam aos mais variados tipos de controle social e até mesmo ao exercício de poder. Pode-se, pois, dizer que os gêneros textuais são nossa forma de inserção, ação e controle social no dia-a-dia. Toda e qualquer atividade discursiva se dá em algum gênero que não é decidido ad hoc, como já lembrava Bakhtin([1953]1979) em seu célebre ensaio sobre os gêneros do discurso.

Nessa perspectiva, podemos destacar que é por meio dos gêneros textuais que vamos nos comunicar e interagir no meio social, eles representam um forte instrumento de poder e inserção na sociedade, já que, para utilizarmos vários gêneros pertencentes a instâncias formais, precisamos ter certo grau de instrução e estarmos aptos a desenvolver determinada função, assim, podemos citar alguns dos gêneros que são específicos, por exemplo, à esfera acadêmica: monografia, conferência, artigos científicos, aula expositiva, entre outros.

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