4.2 Simulations
4.2.3 Pr´evision
Nas falas oriundas das entrevistas com o grupo focal, chamou-se atenção para o fato de alguns professores não estarem participando das ações formativas, e mesmo com o critério utilizado para selecionar os professores sendo a presença nestes espaços no último ano, uma parte deles afirmou não tem uma frequência assídua nas formações.
Em relação à semana pedagógica, entendemos ser um momento imprescindível no contexto da atuação na educação básica. Além de ser um momento destinado à formação docente, é também um espaço para o planejamento, pelo qual os professores podem discutir os caminhos a serem tomados durante o ano letivo.
A partir da ideia acima, observar que a maioria dos professores que participaram da pesquisa (79,8%) costumam participar da semana pedagógica, nos mostra que há uma preocupação permanente por parte dos mesmos com a qualidade das aulas de Educação Física que oferecem em suas escolas.
No que se refere à participação dos professores nas ações formativas, é possível notar que mesmo com a garantia da presença sem ônus na escola em que atua, muitos professores não conseguem estar de forma integral nas atividades. Esse dado se torna preocupante, pois entendemos que quando se planeja uma ação desse tipo, os espaços e tempos apesar de serem distintos, prescindem de uma articulação entre si. Nesse sentido, a experiência formativa só estaria completa se os sujeitos pudessem participar de todos os momentos, indistintamente.
O ponto sobre a dinâmica entre as ações formativas e a realidade do professore merece destaque, pois entendemos ser potencialmente falha uma formação que ao invés de trazer à tona os elementos do dia-a-dia do professor, afasta-se dos mesmos, colocando os sujeitos em uma dimensão utópica. Nesse sentido, consideramos fundamental um trabalho pensado a
partir das problemáticas da sala de aula, mas que sejam entendidas dentro de um contexto maior para, assim, possibilitar aos pares as discussões sobre as mesmas na perspectiva de superá-las.
No sentido do que fora dito acima, a formação continuada pode assumir um caráter de integrar as instituições formadoras e os sujeitos. Isso se dá, à medida que se articule os aspectos teóricos e epistemológicos com os problemas concretos, valorizando os caminhos traçados para o desenvolvimento da produção de conhecimento a partir do trabalho docente, pelo alinhamento com a investigação e a pesquisa no campo geral da educação e de sua área de atuação (ARAÚJO; CABRAL, 2009).
Para Fernandes (2015) na arena social atual, a formação continuada deve se configurar como um pilar sustentador da carreira docente, nos diferentes contextos de trabalho, no desenvolvimento de competências demandadas para se integrarem ao novo perfil de escola e de profissionais, os quais estão imersos nos problemas do mundo contemporâneo. Entretanto, na lógica posta pelo neoliberalismo, isso significa se adaptar as exigências postas pelo mercado para a educação.
Se os professores estão sentindo falta de uma formação que contribua com seus aspectos humano e político, pode estar havendo uma negação disso no momento do planejamento. Como vimos anteriormente, há uma confusão conceitual principalmente sobre a dimensão política da formação, por parte da equipe da DIEF. Essa problemática pode estar afetando no modo como as ações formativas são desenvolvidas, fazendo com que os professores não se sintam plenamente satisfeitos nestes aspectos.
Ao somarmos a ideia de que a formação atualmente está voltada para as exigências do mercado, com a pretensão de desenvolver competências e habilidades e somarmos com o fato da equipe do DIEF não priorizar a formação humana (tampouco a política), podemos deduzir o porquê dos professores estarem insatisfeitos com esse quesito. Portanto, entendemos haver uma necessidade dos sujeitos da divisão planejaram suas ações pensando nestes aspectos, a partir de um entendimento da necessidade de se fomentar esses aspectos humanos e políticos, pois os mesmos perpassam por toda a carreira docente, e não podem ser negligenciados.
Nas ideias de Taffarel e Dantas Jr. (2007), toda a lógica que permeia a formação de professores de Educação Física atualmente, inclui o fomento à iniciativa privada, mudanças nos currículos com o liberalismo como plano de fundo, regulamentação da profissão e formulações de diretrizes curriculares na perspectiva do mercado, e assim, contribui para o reforço da ideia de fragmentação do conhecimento. Este então, não seria apenas dividido no
aspecto curricular, mas também na lógica de recorte da realidade, como se um dado conhecimento se restringisse a aspectos particulares, sem inferência com a conjuntura.
Na mesma lógica posta acima, não há espaço para se pautar a autonomia do professor. Na lógica do reordenamento do mundo do trabalho, o professor deve paulatinamente abandonar sua perspectiva crítica, pois importa agora cumprir metas e índices e isso só pode se dar a partir de um aprendizado mecânico, reducionista e “pré-fabricado,” focado nas grandes avaliações e, portanto, centrado no desempenho do aluno.
A ausência de elementos que levem a uma maior autonomia na sua atuação profissional, sentida por parte dos professores em relação às ações formativas nos remonta também ao debate sobre a liberdade em Freire (1987). O perigo da negação à liberdade, que aprisiona e acomoda os sujeitos, deve servir de alerta no momento da construção de um programa de formação, pois é um fator que contribui para o sentimento de dependência e, portanto, de falta de autonomia.
Como uma divisão de professores com a responsabilidade de formar outros professores, entendemos que a DIEF, para superar esse descontentamento deveria refletir sobre a lógica na qual se encontra imersa. Embora muitos professores se encontrem satisfeitos, para a outra parcela faltam elementos que deem conta de uma formação mais profunda e mais crítica.