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Pr´ esentation des r´ esultats obtenus

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1.2 Aspects math´ ematiques

1.2.2 Pr´ esentation des r´ esultats obtenus

2.5 APRENDIZADO/AQUISIÇÃO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA NO CONTEXTO DA INCLUSÃO ESCOLAR

. Aprender um segundo idioma é um processo que deve ser estimulado e trabalhado a fim do satisfatório aprendizado/aquisição de uma nova língua. Segundo Almeida Filho (2005), foi na década de 1990 que se deixou de pressupor que o ensino de línguas dependia tão somente de um “método”, fazendo parte desse processo outros fatores que envolvem o ensino e a aprendizagem, valorizando-os. O professor, por exemplo, pode apresentar a seus alunos variadas formas de vivenciar um novo idioma por meio de diferentes situações do cotidiano, visando estabelecer contato com aspectos culturais e sociais relacionados ao aprendizado/aquisição de uma língua estrangeira.

Atualmente um dos temas que mais se destacam no ensino de línguas é a abordagem comunicativa que valoriza o aluno enquanto sujeito e agente dentro do processo de formação no ensino-apredizagem/aquisição de uma língua estrangeira.

A abordagem comunicativa leva em consideração a contextualização, a significação e a relevâncias do conteúdo que é apresentado ao aluno, enfatizando diferentes fatores como o afetivo, o meio, a relação entre os sujeitos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem/aquisição de uma nova língua, entre outros. Aspectos de caráter multicultural são aplicados nessa abordagem, já que a relação entre os povos e suas culturas compõem uma língua.

Para Almeida Filho (2005) aprender ou adquirir uma língua é um processo amplo:

Aprender uma língua não é mais somente aprender outro sistema, nem só passar informações a um interlocutor, mais sim construir no discurso (a partir de contextos sociais e experiências prévias) ações sociais (e culturais) apropriadas. (ALMEIDA FILHO, 2005, p. 81)

A reflexão sobre ensino e as formas de ensinar torna-se perene, por isso as estratégias precisam ser avaliadas, a fim de que se tornem ferramentas compreensivas e relevantes para o professor e para o aluno.

Para que uma aula seja realizada com uma abordagem comunicativa é importante proporcionar oportunidades de expressão e compreensão realmente significativas para os aprendizes, mediadas por professores capacitados e sensibilizados para observar criticamente o esforço dos alunos para aprender e evoluir em uma língua estrangeira com naturalidade.

Há, contudo, questões que dificultam a prática do ensino comunicativo. Almeida Filho (2005) expõe em seu estudo que existe uma tradição arraigada de aprender entre alunos e professores, onde a abordagem gramatical é muito usada, além de considerar a questão social, regional e cultural como fatores que influenciam o processo de ensinar e aprender/adquirir uma nova língua. Ainda se faz oportuno salientar, entre outros pontos, a ausência de condições externas e bases teóricas do ensino comunicativo, a falta de conhecimento comunicativo na língua estrangeira que leciona, bem como o desconhecimento do que significa abordagem.

Tratando-se de inclusão escolar é importante trabalhar e experimentar as habilidades linguísticas, como a compreensão da comunicação oral e/ou escrita

dentro de um plano pedagógico individualizado e adaptado para a necessidade educacional do aluno.

Dentro do ensino de idiomas é importante oferecer ao aluno dois pontos importantes que constituem o processo de aprendizado. O primeiro diz respeito a vivência e experimentação da língua, através da linguagem e da percepção. Outro aspecto importante é o estímulo do uso de habilidades pré-existentes do aluno. Na educação especial, o uso desses pontos pede adequação e conhecimento das reais necessidades do aluno com deficiência para a eleição de estratégias e recursos pertinentes para esse fim.

Almeida Filho (2005) acrescenta que o ensino é visto recentemente com ampla concepção que auxilia a construção de experiências válidas:

(...) (re) afirmadoras de auto-estima, envolventes e motivadoras para e como os alunos no sentido de apoiar aprendizagem (já desencadeada num esforço dos próprios aprendentes) de aspectos da língua ou a expansão dos recursos linguísticos dos alunos . (Almeida Filho, 2005, p.63)

O processo de ensino e aprendizagem/aquisição de uma língua estrangeira apresenta uma visão Socioconstrutivista, em que o meio e o indivíduo mantêm ações mútuas. Os estímulos externos agem sobre o sujeito, influenciando na construção e na organização do conhecimento. Conceito este visto em Freire (1987) e presente em Almeida Filho (2005):

É preciso investigar o que ocorre na sala de aula e fora dela com o intuito de aprender e ensinar línguas para compreendermos o processo complexo em que elas se constituem. Essa compreensão guiará então a prática a partir da apreensão da natureza dos processos e não por meio da variação nas ênfases dadas aos mesmos procedimentos. (ALMEIDA FILHO, 2005, p. 66)

Há a necessidade de observar outros fatores que influenciam diretamente o processo de ensinar e aprender/adquirir uma língua estrangeira como os fatores afetivos, as experiências vividas, a cultura, os estilos de aprender, a criticidade e até

mesmo a relação complexa em aprender e ensinar. Entretanto a formação do professor licenciado em letras deve ser refletida e discutida afim do avanço na qualidade profissional do seu trabalho.

O aprendizado/aquisição de um idioma confere também ao aluno benefícios conforme visto nos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs – Língua Estrangeira (1998):

Aumentar o conhecimento sobre linguagem que o aluno construiu sobre sua língua materna, por meio de comparações com a língua estrangeira em vários níveis.

Possibilita que o aluno, ao se envolver nos processos de construir significados nessa língua, se constitua em um ser discursivo no uso de uma língua estrangeira. (PCN, 1998, p. 28 e 29).

Ainda de acordo com os PCNs – Língua Estrangeira (1998) as pessoas utilizam três tipos de conhecimento no processo de construção de significados de natureza sociointeracional que regem as competências discursivas e comunicativas:

a) Conhecimento Sistêmico: (...) envolve os vários níveis da organização linguística que as pessoas têm: os conhecimentos léxico-semânticos, morfológicos, sintáticos e fonético-fonológicos. Ele possibilita que as pessoas ao produzirem enunciados, façam escolhas gramaticamente adequadas ou que compreendam enunciados apoiando-se no nível sistêmico da língua. (p. 29)

b) Conhecimento de mundo: (...) refere-se ao conhecimento convencional que as pessoas têm sobre as coisas do mundo. (...) ausência de conhecimento de mundo pode apresentar grande dificuldade no engajamento discursivo, principalmente se não dominar o conhecimento sistêmico na interação oral ou escrita na qual estiver envolvida. (p.30)

c) Conhecimento de organização textual: Engloba as rotinas interacionais que as pessoas usam para organizar a informação em textos orais e escritos. (p. 31)

Os PCNs voltados para a língua estrangeira trazem objetivos no aspecto

instrumental com as práticas linguísticas; o educativo voltado à formação do aluno e

o cultural que visa à constituição do sujeito. Tratando-se da língua espanhola, sua oferta nos currículos nacionais de Ensino Médio tornou-se obrigatória a partir da Lei nº 11.161/2005, conforme anexo IV, porém a falta de professores devidamente habilitados e de materiais didáticos específicos tornaram-se empecilhos para a efetivação plena dessa lei. O espanhol é a segunda língua do mundo em relevância para a comunicação entre os países e é a quarta em número de falantes nativos, além de ser o idioma oficial dos países, exceto o Brasil, que compõe o MERCOSUL. Justifica-se, portanto, o aprendizado desse idioma na escola regular.

Desde 2010, o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM traz questões de língua espanhola, esse exame ganha cada vez mais importância entre os alunos que concorrem a vagas nas Instituições de Ensino Brasileiras, e a pessoa com necessidades educacionais especiais, dentro de suas limitações, pode participar desta realidade, desde que seja garantido o direito ao um ensino de qualidade na escola regular.

Também os PCNs – Língua Estrangeira (1998) trazem o conceito de Educação como força libertadora visto em Freire. O ensino de um novo idioma, considerando o desenvolvimento de uma consciência crítica sobre a linguagem, é entendida como força libertadora em aspectos culturais e profissionais. É dentro desse contexto que se pode estabelecer uma ampla visão de mundo em diferentes aspectos sociais, comportamentais, convicções de diferentes ordens etc., estimulando a autonomia e a criticidade diante dessas e de outras questões. Traz o contexto real do aluno como base para a aprendizagem, assim os homens antes excluídos, podem participar efetivamente da esfera política, econômica, social e cultural em que vivem o que auxilia na construção da própria identidade do ser humano.

É oportuno salientar que o cérebro humano é capaz de se adaptar a diferentes situações relacionadas ao meio em que se vive e a diversas situações e

variações fisiológicas. Por isso a importância de estímulos precoce - como aprender um segundo idioma - para o desenvolvimento humano e cerebral.

Para Valente (in Matoan, 1997) a tecnologia pode possibilitar a participação efetiva dos alunos com necessidades educacionais especiais, por exemplo, com o uso do computador diante de uma deficiência motora severa que servirá como “um caderno eletrônico”:

(...) o computador pode ser usado como máquina de ensinar, implementando uma proposta instrucionista de educação, informatizando os atuais processos de ensino e, portanto, facilitando a integração ou a disseminação das instituições (...) (MANTOAN, 1997, p. 51)

De forma geral, crianças e jovens estão inseridos no meio digital e a tecnologia segue avançando. É possível trabalhar em sala de aula com lousas interativas, projeções, atividades audiovisuais, internet, livros na versão digital, tablets, celulares que acumulam diversas funções etc., diversificadas ferramentas que pedem o uso dirigido. Existem softwares específicos para auxiliar o ensino dentro da educação especial que contemplam diferentes deficiências como a auditiva, visual e intelectual.

Diante da realidade da inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais na escola regular urge o desafio de estabelecer o processo de ensino- aprendizagem/aquisição no que diz respeito à língua estrangeira, haja vista a atual formação ofertada nas licenciaturas em letras que não contempla que hoje compete educação especial. Concomitantemente grande parte das escolas não tem estrutura adequada para incluir. Dentro desse contexto as diferentes possibilidades de ensino pedem adaptação no plano de aula, que necessita ser individualizado para atender as diversas deficiências favorecendo o aprendizado, todavia é importante que o aluno com deficiência realize, sempre que possível, as mesmas atividades propostas aos demais estudantes, a fim da valorização de habilidades ou competências, procurando atingir os objetivos específicos para cada caso. Com essa prática o aluno sem deficiência perceberá que o aluno com necessidades educacionais pode aprender e evoluir.

Ainda o aluno com deficiência precisa ser aceito e estimulado dentro do grupo escolar, para essa situação acontecer é importante que os estudantes com e sem deficiências convivam a maior parte do tempo possível promovendo uma dimensão social e a inserção de valores como a tolerância e a aceitação de diferenças estimulando a aprendizagem cooperativa, como traz Beaupré:

Para promover a integração acadêmica do aluno, é necessário que se vise a inclusão total, o que significa que o aluno deve passar o máximo de tempo na classe comum. O afastamento da classe não deve ocorrer senão excepcionalmente, e só em função de suas necessidades específicas ou das necessidades de seu grupo. (MANTOAN, 1997, p. 163)

De acordo com a Declaração de Salamanca (1994) as escolas regulares se constituem ambientes importantes no combate à discriminação. A conscientização e o conhecimento das diferenças podem ser vivenciados na sala de aula, mas é preciso propiciar a inclusão no ambiente escolar.

De acordo com Timothy e Barreiros (2009) é importante que a escola esteja organizada para incluir:

(...) o progresso será mais provável se reconhecermos que as dificuldades vividas pelos estudantes resultam das formas com que as escolas estão organizadas atualmente e dos métodos de ensino que são oferecidos. Consequentemente, argumenta-se que as escolas precisam responder positivamente à diversidade dos alunos, isto é, abordando as diferenças individuais não como problemas a serem consertados, mas como oportunidades para enriquecer o aprendizado. (TIMOTHY, BARREIROS, 2009, p. 14)

A escola é o ambiente onde a “igualdade” se depara com a diversidade, é uma oportunidade para que as pessoas com necessidades educacionais especiais percebam algo em comum com os sujeitos pertencentes ao mesmo contexto escolar, mas para que essa experiência se concretize e não se torne uma frustração, é necessário um trabalho em conjunto voltado para a inclusão. Possibilitar que todos os alunos inseridos na escola regular tenham um entendimento comum sobre a língua estrangeira é uma forma de garantir o direito à educação de qualidade.

A aprendizagem/aquisição de um novo idioma dever ser feita levando em consideração as diferenças entre os aprendizes e seus estilos de aprender, observando a língua a ser aprendida, a melhor situação para a aprendizagem, os métodos, os materiais e currículo adaptados e a adequada elaboração do plano de aula, propondo flexibilidade pedagógica, assim professor e aluno encontrarão as abordagens adequadas para cada caso no ambiente escolar. É importante a reflexão do professor diante de suas práticas e da sensibilização diante da educação especial respeitando a identidade individual de cada aluno e do direito de aprender.

Recursos tecnológicos e específicos auxiliam o trabalho do professor no ensino de línguas, desde que este esteja familiarizado para utilizá-los, também pede capacitação específica, já que a formação do professor não acompanhou o processo de inclusão, para atuar com as deficiências e diversidades. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998) voltados para Educação Especial trazem significativas adaptações ao currículo da classe, aborda “procedimentos didático-pedagógicas e destacam o como fazer, a organização temporal dos componentes e dos conteúdos curriculares e a coordenação das atividades docentes, de modo que favoreça a efetiva participação e integração do aluno, bem como a sua aprendizagem” (p. 42). Um direcionamento importante que faz uso do currículo regular como base para que as devidas adaptações sejam realizadas no plano pedagógico individualizado.

Ainda dentro do processo de ensino de uma segunda língua estrangeira as estratégias ganham uma nova e relevante dimensão pedagógica com a aplicação de diversos elementos culturais, o que contribui com a formação da identidade individual do ser humano.

Inclusão escolar necessita de um trabalho em conjunto com a família, a escola, as políticas públicas e a sociedade, na busca da concretização do direito de educação para todos, superando a dicotomia que existe entre educação geral e educação especial na realidade brasileira.

Timoneiro nunca fui Que eu não sou de velejar O leme da minha vida Deus é quem faz governar E quando alguém me pergunta Como se faz pra nadar Explico que eu não navego Quem me navega é o mar

(P. Viola – H. B. Carvalho)

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