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Conforme apresentado anteriormente, o século XIX, é apontado como o período de surgimento dos museus sob a perspectiva que conhecemos hoje, as últimas décadas do século XX são reconhecidas como o período de surgimento da chamada museologia. Consolidada no século XXI, como uma disciplina aplicada voltada para as questões teóricas e metodológicas do fazer museal, a museologia que veremos a seguir, é fruto das grandes transformações ocorridas durante o século XX. Mas é importante ressaltar que a utilização da palavra surgiu no século XIX com outra conotação.

Segundo Peter Van Mensch, o termo museologia, ainda que não esteja bem documentado, aparece na segunda metade do século XIX, mais precisamente no ano de 1869, na obra de P. L. Martin, Praxis der Naturgeschichte e foi empregada para designar “exposição e preservação de naturállia” (CERÁVOLO, 2004, p.238). Guarnieri (1989, p.8), aponta sua utilização por J. G. Th. Graesse, em Dresden, na obra intitulada “Estudos de Museologia e de Antiguidades” publicada entre os anos de 1878 e 1883. Na França, em seus dicionários, o termo somente aparece em 1931. O fato é que o emprego do termo museologia, até então limitado a uma descrição de coleções, apontava para uma preocupação com o fazer museológico.35

35 Guarnieri também aponta para a existência de um periódico que circulou em Madri, sobre museus, arquivos e

A utilização do termo museologia para designar a ciência aplicada existente nos dias atuais é uma construção das últimas décadas do século XX. Este período foi marcado por uma grande aceleração e crescimento, tanto em quantidade quanto em diversidade, na produção de bens de consumo da sociedade industrial e tecnológica contemporânea. Aliado a este processo, especialmente a partir do final da Segunda Guerra Mundial, passou a ocorrer o surgimento de um grande número de museus em todo o mundo. 36

A preocupação de vários dirigentes de museus em discutir os problemas comuns, como a crescente diversificação dos acervos, a necessidade de uma maior capacitação especializada dos técnicos, sem falar do aumento e aparecimento de novos públicos visitando essas instituições de memória, levou a criação do Conselho Internacional de Museus. O ICOM, órgão internacional associado à UNESCO, que foi criado em 1946, se tornou, desde então, o principal fórum internacional para discussão das questões envolvendo o universo museológico.

Antes do surgimento do ICOM, foram criadas duas entidades, a britânica Museums

Association, criada em 1889 e a norte-americana American Association of Museum, em 1906,

voltadas, especificamente, para discutir a organização dos profissionais de museus em uma perspectiva de formação técnica, tendo uma influência mais localizada em seus respectivos países.

As mudanças sociais, políticas e comportamentais que transformaram o século XX, especialmente, em suas últimas décadas, encontraram um museu, ainda refém de uma perspectiva colecionista, celebrativa e elitista, herança de uma museologia mais tradicional que se constituiu, a partir das práticas das antigas coleções aristocráticas e principescas. O perfil fechado e conservador dessas instituições passou a ser questionado, provocando o surgimento de redefinições no campo museal.

Um primeiro passo, em busca de uma maior abertura dos museus, ocorreu em 1958, no Rio de Janeiro, como já comentado, com a realização de um Seminário Regional da UNESCO e do ICOM, que teve como tema principal a questão da função educativa em museus. Este Seminário propiciou uma abertura para discussões de aspectos conceituais e metodológicos que serviriam de base para a afirmação do museu como agência educativa, assim como, sua relação com a educação formal e as possibilidades de articulação.

36 Segundo Guarnieri (1984, p.60) por muito tempo se considerou a museologia como “a ciência dos museus”.

Herança, segundo ela, de uma velha museologia, pouco científica. Aceitar esta definição seria o mesmo que conceituar a medicina, como a “ciência dos hospitais”, ou a pedagogia, como a “ciência das escolas”.

A busca pela superação de metodologias tradicionais, o reconhecimento dos museus como instituições de memória, que referendavam determinadas identidades culturais, trouxeram para o debate público um repensar do universo museal, a partir do reconhecimento do papel educativo que lhes cabia frente à sociedade. Apesar desses avanços conceituais ainda se manteve uma perspectiva tradicional ao referendar um vetor de prática educativa que partia do museu para a comunidade.

As inquietações e discussões no campo da museologia buscando novos caminhos e perspectivas metodológicas para a área, que já avançavam durante a década de 1960 com novas experiências, como os ecomuseus na França, tiveram em 1972, em um encontro, ocorrido em Santiago do Chile, um verdadeiro divisor de águas.37 A Mesa Redonda de Santiago, organizada pela UNESCO e com o apoio do ICOM, teve como preocupação discutir o papel dos museus na América Latina contemporânea. Ainda que tenha sido um evento pequeno, em número de participantes, gerou nos anos que se seguiram uma grande repercussão na área.

A ideia foi a de se fazer um evento que pudesse oxigenar os pilares conservadores do ICOM, dominado por representantes de museus tradicionais europeus. Até então, nos encontros internacionais, as falas eram monopolizadas por representantes de museus europeus e norte-americanos. Os países da América Latina, com forte tradição museal, como o México, Cuba, Brasil e Argentina, pouco espaço tinham para discutir os problemas específicos de suas respectivas realidades sociais e culturais.

Desta forma, essa Mesa Redonda organizada em Santiago teve como língua oficial o espanhol. O presidente do encontro, Hugues de Varine-Bohan, identificado com as ideias de educação popular do brasileiro Paulo Freire, o convidou para que coordenasse o evento. Segundo Varine-Bohan, o educador havia gostado da ideia de transpor suas ideias educacionais para o universo museológico. Porém, um dos delegados brasileiros no evento, opôs-se formalmente junto à UNESCO, inviabilizando a participação de Freire.38 Este fato, no entanto, não impediu que a Mesa Redonda servisse de semente para a criação, uma década depois, de um movimento internacional para uma reformulação do pensar museológico.

37 Essa Mesa Redonda de Santiago do Chile foi precedida por outros Seminários regionais semelhantes, como o

já citado Encontro do Rio de Janeiro, em 1958, em Jos, na Nigéria, em 1964 e o Encontro de Nova Delhi, em 1966. BRUNO, M. C.; ARAÚJO, M. M. (orgs.) A Memória do Pensamento Museológico Contemporâneo:

Documentos e Depoimentos. Comitê Brasileiro do ICOM. 1995, p.17. 38

A ditadura militar pela qual o Brasil passava teria sido a causa mais provável pelo veto ao educador. Além disso, o período autoritário manteve a museologia brasileira à margem das mudanças que aconteciam em outros países. Somente após o período de redemocratização, na década de 1980, os museus puderam recuperar o tempo perdido. Infelizmente, os textos sobre este Encontro, a que tive acesso, não mencionam o nome deste delegado brasileiro.

Segundo Varine-Bohan teria sido a fala de um urbanista argentino, Jorge Henrique Hardoy, que mais impactou os presentes ao descortinar a realidade urbana das principais cidades latino-americanas. A partir de sua fala os debates acabaram se direcionando para questões relacionadas à função social dos museus. (BRUNO, 1995, p.18)

Os resultados dos debates em Santiago, além de evidenciaram a necessidade da capacitação profissional e da importância da ação educativa nos museus, anteriormente discutidos e também priorizados no Encontro do Rio de Janeiro, apresentaram como elemento novo, dentro da área museológica, a necessidade de se pensar e se buscar uma maior integração dos museus junto às suas respectivas comunidades.

A hierarquia pedagógica, que apresentava o museu como emissor e o público como simples receptor passou a ser questionada e revista. Houve, assim, uma redefinição do conceito de museu. Ao reconhecer a sua dimensão política novos conceitos foram incorporados ao campo da museologia, como a ideia do “Museu Integral”, que reconhecia a totalidade dos problemas sociais da comunidade de seu entorno, e o “Museu Ação”, que o transformava em instrumento de transformação social. A partir desse ponto de vista, os museólogos foram chamados para assumir a sua responsabilidade política frente às questões levantadas (VARINE-BOHAN, apud CERÁVOLO, 2004, p.259).

A partir desse encontro, o tripé conceitual de ação dos museus que, segundo a perspectivas museológica tradicional, se restringia à relação: museu, coleção e público, foi ampliada para território, patrimônio e sociedade. Desta forma o museu deixava de ser uma instituição fechada para se integrar às comunidades de seu entorno.

Segundo Cristina Bruno a ideia do museu integral não só abriu caminhos para novas possibilidades de práticas museológicas como também:

(...) questionou noções que até então eram consagradas do universo museológico como o colecionismo, o museu entre quatro paredes, e o patrimônio oficial, identificado apenas com o histórico e o artístico. Despertou a atenção dos profissionais para todo um patrimônio à espera de musealização, para a importância da participação comunitária em todas as instâncias museológicas e impôs novos métodos de trabalho. Colocou, ainda, a necessidade de se repensar a formação profissional para a área. O museu integral trouxe uma nova perspectiva de atuação, fora das fronteiras tradicionais, que acarretou entre outros problemas, uma crise de identidade institucional, na qual os museus se confundiram com outros modelos de ação cultural, como centros culturais, casas de cultura e memoriais, entre outros. (BRUNO, 1995, p. 6)

A repercussão das deliberações desse encontro de Santiago, que buscou revisar os Estatutos do ICOM, ainda que, enfrentando certa resistência no próprio Conselho, trouxe para

o debate internacional, a necessidade de se repensar as bases teóricas e metodológicas relacionadas ao processo do fazer museal. É dentro desse contexto que foi criado, em 1977, o Comitê Internacional da Museologia (ICOFOM).

Integrante da estrutura do ICOM, este colegiado, que reunia especialistas de vários países, surgiu com o objetivo de transformar-se em um fórum de debates. Além de objetivar a consolidação da museologia, como uma área do conhecimento voltada ao estudo e análise do fazer museal, ao mesmo tempo, buscava normatizar conceitos e práticas que circulavam pela museologia internacional.

O ICOFOM, a partir de sua institucionalização, centralizou suas preocupações, tendo como ponto de partida, as pesquisas que já eram realizadas nos museus por teóricos de diversos países e que viam a museologia, como uma ciência em construção. Desta forma, o ICOFOM buscou transformar a instituição museu em objeto de estudo, cujo enfoque partia da análise da relação que se estabelecia entre o homem (sociedade) e o objeto (coleções) selecionado para fazer parte do “mundo” museal.

Segundo Cerávolo (2004), alguns desses teóricos do ICOFOM ampliaram o olhar que a museologia deveria ter para além da análise dos museus. Na concepção de Zbynek Z. Stránsky e Ana Gregorová, teóricos da antiga Tchecoslováquia, a museologia constituía-se em uma nova disciplina científica e que tinha, por finalidade, estudar as relações específicas do homem com a realidade, considerando o museu como o espaço onde esta relação acontecia. A museóloga brasileira Waldisa Rússio Guarnieri, teve uma importante contribuição nesses debates elaborando o conceito de “fato museológico”. Segundo ela:

Fato museológico é uma relação profunda entre o homem, sujeito que conhece, e o objeto, testemunho da realidade. Uma realidade da qual o homem também participa e sobre a qual ele tem o poder de agir, de exercer a sua ação modificadora. (GUARNIERI, 1984, p. 60)

A francesa Mathilde Bellaigue, por sua vez, reafirmou o conceito de que a museologia não era uma ciência de museu, mas, que tinha por objetivo estudar a relação científica do homem com o real. Este real, segundo ela, seria o patrimônio que abrangia o material e o imaterial, o natural e o cultural, o passado e o presente. Todos esses teóricos, ainda que fugissem da equivocada definição clássica de museologia como sendo a ciência dos museus, já que evidenciavam as possíveis relações do homem com objeto musealizado, eram unanimes em afirmar que o espaço de observação dessa relação ocorria dentro do museu. Waldisa

mesmo referendando, na época, esta noção do museu entre quatro paredes, sinalizou para a necessidade de se ampliar este espaço para a sociedade.39

As novas experimentações no campo museológico, que desde a década de 1960 já vinham propondo reformulações no fazer museal, foram potencializadas internacionalmente com as repercussões das deliberações da Mesa Redonda de Santiago. Como já apresentado, as reflexões desse encontro reverberaram no meio museal especialmente entre aqueles que defendiam mudanças na então hegemônica museologia tradicional.

Em 1984 na cidade de Quebec, no Canadá, buscando realizar um intercâmbio entre as novas propostas museológicas em andamento no mundo, foi organizado o “Ateliê Internacional de Ecomuseus – Nova Museologia”. Nesse encontro foram debatidos e sistematizados os princípios que norteavam as diversas experiências de ecomuseus e de outras práticas relacionadas à nova museologia, a partir das ideias gestadas na Mesa Redonda de Santiago, cuja ideias proliferaram em diversos países.

A organização do encontro, no Canadá, partiu de um grupo de museólogos desiludidos com as práticas segregadoras do ICOM, especialmente do ICOFOM, que em uma reunião em Londres, no ano de 1983, não reconheceu a existência das novas práticas museológicas às quais divergiam da museologia instituída. Ao final do encontro canadense, os participantes não só oficializaram a criação do Movimento Internacional da Nova Museologia (MINON), como, também, consolidaram a perspectiva de que o fazer museal deveria privilegiar a identificação e encaminhamento de soluções para os problemas sociais das comunidades, além de realçar a importância do papel da interdisciplinaridade como ferramenta a ser utilizada pela museologia em contribuição para o desenvolvimento social (BRUHNS, 2010, p. 29).

Além disso, novos conceitos foram incorporados como os de “nova museologia”, “ecomuseologia”, “museologia comunitária” e outras formas que tinham em comum a interação com as comunidades (CERÁVOLO, 2004, p. 261). Com a realização de novos encontros, em outros países, e o consequente crescimento de simpatizantes, o ICOM permitiu,

39

Estes teóricos, posteriormente com as transformações ocorridas na década de 1980 que resultaram na criação do movimento pela nova museologia, reviram seus conceitos. Bellaigue em estudos pós nova museologia não só incorporou os novos conceitos, ecomuseu, museu integral, como também evidenciou a dimensão política e social do que se convencionou chamar de “museologia social”. BELLAIGUE, M. 22 ans de réflexion muséologique a

travers le monde. Cahier d’Étude/Study Series. Comité International de ICOM pour La museologie. 8: Paris,

anos mais tarde, que o MINOM fosse reconhecido e incorporado como uma seção da entidade.

Outro evento que não pode deixar de ser mencionado é o Seminário “A Missão do Museu na América Latina Hoje: novos desafios”, ocorrido em Caracas, Venezuela, em 1992. Neste encontro, reafirmaram-se os avanços obtidos a partir dos encontros anteriores, da mesma forma, buscaram atualizar os conceitos propostos vinte anos antes na Declaração de Santiago do Chile, agora sob a luz do novo contexto político, social e econômico pelo qual atravessava o continente.

Segundo Parreiras Horta, representante brasileira nesse encontro, ao se reavaliar os pressupostos da reunião de Santiago, percebeu-se que, apesar dos avanços e novidades que aquele Encontro havia deixado como herança para as transformações que se seguiram no universo museal, a perspectiva de intervenção social, por parte dos museus junto à comunidade, seguia ainda uma relação monológica. Assim, partia do museu, a iniciativa de intervenção na realidade social. A Declaração de Caracas, ainda que não tenha explicitado o termo, propôs a transformação do museu integral em um museu integrado. O novo tripé conceitual, propagado pelo MINON, “território, patrimônio, sociedade”, serviu de base para as conclusões do encontro. O museu, segundo Horta, passaria a servir como:

[...] “ um “meio” de comunicação, reconhecendo-se sua linguagem própria,

entre os elementos desse triângulo, servindo de instrumento de diálogo, de interação das diferentes forças sociais (sem ignorar nenhuma delas, inclusive

as forças econômicas e políticas)” [...]. ( BRUNO, 1995, p.35)

Mesmo reconhecendo os avanços e a abertura metodológica, proporcionadas pelas novas e diversas práticas e iniciativas no campo museológico, assim como, os resultados das reflexões dos diversos encontros, como os mais significativos que resultaram na criação do MINOM e, consequente influência nos museus contemporâneos, é factível constatar que ainda existe um longo caminho a percorrer entre o sonho almejado pelos teóricos e a realidade dos museus existentes.

As transformações pelas quais passou a museologia nas últimas décadas do século XX, estruturando-a como uma disciplina acadêmica e ciência aplicada, dentro das Universidades também proporcionou uma melhora considerável na formação de inúmeros profissionais que passaram a atuar, nos diversos museus do mundo.

Enquanto que na Europa a formação de museólogos acontecia na pós-graduação, no Brasil, privilegiou-se a formação na graduação. O primeiro curso, voltado para formação de

profissionais de museus no país, foi criado em 1932, por Gustavo Barroso, dentro do Museu Histórico Nacional. Este curso tinha um caráter técnico, espécie de curso profissionalizante e, durante décadas, até 1979, formou grande parte dos trabalhadores, transformados em museólogos, posteriormente, quando ocorreu a regulamentação dessa profissão na década de 1980.

Waldisa Rússio Guarnieri, no final da década de 1970, mesmo enfrentando resistência dos museólogos vinculados aos cursos de graduação então existentes naquele período no país, criou o primeiro curso de especialização em museologia. Segundo Cristina Bruno:

[...] quando ela elaborou o projeto do curso, no final dos anos 70, estava em consonância com uma tendência internacional, que eu acho que perdura até hoje , que é pensar a museologia como uma formação de pós graduação na medida em que a gente entende a museologia como uma disciplina aplicada, então, enfim, é todo um procedimento que se aplica a uma formação básica. Então a Waldisa, isto foi muito inédito no Brasil, na época, porque nós tínhamos somente dois cursos de graduação e naturalmente isto causou uma reação. Acho que um outro aspecto da reação é que a Waldisa sempre teve um olhar bastante acadêmico, bastante científico em relação à museologia e isso causava um certo espanto naquela época. Seja como for, por tradição ou não, esses anos todos, São Paulo [...] acabou optando pela pós graduação.40

O curso, criado por Waldisa, denominado “Especialização em Museologia”, teve como sede a Escola de Sociologia e Política de São Paulo. A duração do curso era de três anos e durou uma década.41 Posteriormente, foi organizada uma especialização em museologia junto ao Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP).

Quando ocorreu a regulamentação da profissão, em 1984, os profissionais formados em outras áreas, mas que atuavam nos museus a mais de cinco anos exercendo atividades técnicas relacionadas à museologia, devidamente comprovadas, puderam solicitar junto aos Conselhos Regionais de Museologia o registro, em carteira de trabalho, como museólogos. Muitos desses novos museólogos, além de não contarem com uma formação de graduação em Museologia, detinham um conhecimento limitado na área, advindo, geralmente, da participação em eventos, congressos e/ou oficinas de treinamento, realizados no país, mas que não eram suficientes para consolidar sua formação.42

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Depoimento de Cristina Bruno (2013)

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Com a morte de Waldisa o curso, após alguns anos, foi fechado.

42 A regulamentação da profissão de museólogo foi oficializada pela Lei n.7.287 de 18/12/1984. No caso do

MHL, três profissionais, dois historiadores e uma pedagoga [Olímpio Westphalen, Maria Darci Lombardi e Zuleika Scalassara], solicitaram e obtiveram, na época, o registro da profissão.

A falta de uma formação mais consistente e especializada comprometeu e/ou tornou deficitária, em muitos casos, a atuação desses profissionais em inúmeros museus. Os avanços e debates proporcionados pelo movimento da nova museologia demoraram muito para se fazer chegar aos museus. É factível afirmar que mesmo em pleno século XXI, com exceção das principais capitais e cidades onde existem cursos de graduação e de pós-graduação na área de Museologia, a grande maioria dos museus, especialmente nas cidades do interior, ainda, não dispõe de museólogos ou profissionais especializados. Esse déficit de profissionais contribui, e muito, para que grande parte dessas instituições mantenha uma prática museal conservadora e tradicional.

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