CHAPITRE II.- LE PROJET DE LOI DE FINANCES POUR 2014
B. LES PRINCIPALES DÉCISIONS
1. La préservation des moyens de l’APD
Esta análise parte da compreensão de trabalho trazida pelos professores a par- tir dos encontros de formação continuada. Iniciamos a discussão sobre trabalho com a afirmação de Taffarel (2010, p. 20-21):
O trabalho não significa somente uma ação humana. É muito mais do que isto. É um ser humano, com sua condições físicas, biológicas, psicológicas e sociais que realiza um intercâmbio com a natureza, transformando-a e sendo transformado por ela, gerando a cultura.
Assim como o trabalho não é somente uma ação humana; o trabalho pedagógico não significa somente a aula, contudo compreende o todo. Corresponde um tempo para planejar, estudar, discutir entre pares, pesquisar, avaliar. Compreende também todas as questões envolvidas com o entorno escolar, questões sociais, políticas e econômicas.
O sistema capitalista nos coloca refém do tempo e cada vez mais atrelados à me- canização do trabalho, num processo de produção. A educação está subordinada a este sistema que leva à precarização das condições de trabalho do professor. Quando obser- vamos a carga horária de um professor de 20 horas semanais, nas quais 16 horas são de aula e 4 horas de planejamento, sinalizamos uma de tantas situações de precarização que
os professores enfrentam. É humanamente impossível planejar 16 horas semanais, par- ticipar de reuniões pedagógicas, formação continuada, avaliar as aulas e alunos, realizar trabalhos burocráticos, entre outros tantos trabalhos, em apenas 4 horas. Adicionado a isto, temos a desvalorização salarial, a precarização estrutural e material das instituições de ensino, a superlotação das salas de aula. Confirmamos esta questão com a fala de uma professora durante o processo de formação: "O único tempo para estudar é no projeto". O sistema dificulta os momentos de formação na vida do professor.
A precarização do trabalho do professor agride todo o sistema educacional, tornando- o frágil e insuficiente. Estas discussões não são recentes, são constantes e tendem a crescer. São questões que cercam desde a formação até o trabalho pedagógico, ques- tões materiais, políticas, de organização do ensino. Com a influência dos organismos internacionais, acentua-se o agravamento das questões econômicas e políticas no ensino (SAMPAIO E MARIN,2004).
Visto a importância e necessidade de tempo para o planejar, outra professora enfa- tiza que o trabalho de todo professor
envolve pesquisa, a gente pesquisa, a gente lê, daí vai adaptando o que tem na literatura, o que tem na internet para a realidade deles, e também instigando um pouquinho e também deixando sempre um questionamento para eles. (PROFES- SORA)
Podemos perceber, na fala da professora, que o entendimento sobre o trabalho, ul- trapassa as quatro paredes da escola, compreende todo o trabalho extraclasse que envolve pesquisa, leitura, reflexões, participação de reuniões, organização de materiais didáticos. Com relação ao tempo,
O trabalho dos professores, por sua especificidade, por lidar com o conhecimento e a linguagem, que não são elementos materializados, tem as condições históri- cas, culturais, sociais e as contingências dos sujeitos envolvidos, sejam estudan- tes como intervenientes. Assim, contrariamente ao que se pensa, não é regulando o tempo que se garante haver a produção do conhecimento, mas, ao contrário, investindo na produção do conhecimento se pode alterar o tempo. Portanto, a produção dos professores, o produto final, o conhecimento acontece com uma quantidade de tempo que é variável, subjetiva e em acordo com cada sujeito do processo. (FERREIRA, 2010, p. 213.)
O "[...] desejo humano de mudança e transformação", expressado por um professor na avaliação ainda no primeiro semestre de 2012 sinaliza, frente a todas dificuldades e desafios encontrados, uma perspectiva de transformação da realidade escolar.
As cores vermelho, amarelo e verde expressam desde as dificuldades até as faci- lidades elencadas pelos professores no primeiro ano de formação. A proposta fez uma analogia as cores de um semáforo, compreendendo os obstáculos representados pela cor vermelha, as facilidades pela cor verde e o que está se tornando uma dificuldade pela cor amarela.
Ao observarmos o semáforo vermelho identificamos questões próprias da área, como a compreensão do papel da Educação Física; questões referentes ao compromisso
público no que ser refere a estrutura e condições de trabalho; e questões de cunho so- cial como desestruturação familiar, agressividade e violência. Este grupo compreende as dificuldades e problemas encontrados no dia-a-dia do trabalho dos professores.
O semáforo da cor amarela revela aquelas situações apontadas pelos professo- res como intermediárias, colocando-as a ponto de chegar ao sinal vermelho. A primeira pontuada foi a motivação dos alunos e professores que, frente a todos os problemas en- frentados na educação, acabam se desmotivando e levando a um esgotamento profissi- onal. Santini (2004), em pesquisa desenvolvida com professores da rede municipal de Porto Alegre, constatou que as limitações da formação acadêmica, associadas à realidade das escolas, desencadeiam estresse e exaustão emocional, e que a prática marcada por sentimentos negativos comprometem a qualidade do trabalho quando acumulado com o passar do tempo. Outros elementos que devem ser repensados foram referentes à for- mação continuada, a necessidade de espaços de discussões pedagógicas entre as redes, aqui compreende ao diálogo ente a rede municipal e estadual de educação, para que seja proporcionado mais espaços constantes e coletivos a partir dos desejos das redes.
Por fim, o semáforo verde representa o que motiva o professor a continuar o seu trabalho frente todas as dificuldades que encontra. Os apontamentos se referem ao reco- nhecimento da área e às relações com os alunos serem positivas. Outro ponto que não foi apontado pelos professores, mas que acreditamos que mantém e incentiva o professor na área, é a estabilidade financeira por estar em um concurso público. Compreendido como um processo autônomo do professor frente a redes particulares de ensino.
Para a professora entrevistada o trabalho é "[...] aprender e ensinar, estar em rela- ções com alunos, com os colegas, com a gestão da escola, com a comunidade", na fala percebemos uma concepção ampliada de trabalho desenvolvido nas esferas sociais.
O trabalho do professor de Educação Física transpassa a escola, abrange também a necessidade de um profissional da área nos órgãos públicos municipais, para estreitar e facilitar a comunicação entre os docentes e a secretaria de educação. Podemos perceber na fala de uma das professoras que quando
tinha um supervisor de Educação Física, coordenador, supervisor da Educação Física, então eu acho que as coisas funcionavam, em questão de recursos ma- teriais, até atividades, jogos das escolas municipais, jogos lá nas Dores né, eu acho que, porque que acontece assim agora, as escolas municipais elas partici- pam para participar dos jogos do JESMA direto, só que daí o que limita um pouco as escolas, o que tu te depara com escolas altamente com condições né, [...]. Então eu acho que seria importante essa sugestão mesmo ser dada né que ti- vesse, que voltasse essa essa pessoa né, e que também fosse um profissional da área de Educação Física, não adianta colocar alguém de outra área que não sabe exatamente como que funciona lá na realidade da escola. (PROFESSOR) Esse professor da área na secretaria compete também, dialogar com os docentes da rede, pois frequentemente surgiam inúmeras reclamações que a secretaria de educa- ção não repassava o convite para a escola ou a escola não informava o professor.
das nesses seminários, porque eu vejo assim ó, eu sou uma que dificilmente eu falto, eu só falto quando eu não recebo o aviso e na nossa escola é nos passado sempre, então alguma coisa não chegou lá na escola. Hãm. Destas oficinas que vocês participaram que eu não participei, ela também não recebeu, eu acho que não foi uma ligação que faltou da direção da escola com o professor de Educação Física, não chegou lá na escola, porque tudo que chega na escola, diretamente é nos passado, é colocado no mural, nós temos um grupo nosso no watsapp dos anos finais e um dos anos iniciais, as coordenadoras passam direto para o wats para a gente, não ter perigo de ninguém ficar sem saber, então assim ó, o que que houve, acho que o problema não foi direção escola, direção professor, mas na hora de se passar não chegou na escola e aí a gente acaba perdendo né, foram oficinas que pelo que a colega colocou bem legais, e a gente acaba perdendo né, isso facilitaria, como ele disse, esse contato. (PROFESSORA)
Uma concepção ampliada compreende a complexidade do trabalho do professor. Está complexidade infere nos conhecimentos da área, que é de responsabilidade do pro- fessor de Educação Física.