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Présentation du DAB ac-dc

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Chapitre IV Chargeur de batterie à double ponts actifs isolés, ou Dual Active Bridge (DAB)

IV.3. Etude dynamique en conversion ac-dc mono-étage

IV.3.1. Présentation du DAB ac-dc

Os estudos de Anne-Marie Chartier sobre a história da escolarização da leitura e da escrita se fazem pertinentes como respaldo teórico-metodológico em nosso trabalho. Embora seus escritos narrem a história das práticas escolares na França, muito de sua pesquisa tem a contribuir para nossos estudos, justamente porque o modelo cultural francês do período do século XIX era seguido pelo Brasil (GALVÃO; PRADO, 2007).

Conforme Chartier (2007a), Choppin (1993), Magnani (1997) e Frade e Maciel (2003), o pesquisador que se interessa por essa área depara-se primeiro com a dificuldade de encontrar referencial teórico sobre o assunto, depois com a dificuldade de levantamento não só de LDs, mas também de cadernos, documentos oficiais, currículos, manuais de orientação, enfim de material escolar que possa servir de objeto para análise.

Esses dados, por sua vez, apresentam peculiaridades que exigem do pesquisador olhar atento. Através dos excertos de Chartier (2007), verificamos que a história das políticas educacionais, das discussões pedagógicas e das práticas escolares evolui em tempos diferentes, portanto as fontes, dependendo de sua origem, oferecem discursos muitas vezes não correspondentes num mesmo período de tempo. Podemos averiguar essa constatação nos dias de hoje quando um livro didático não atende às exigências dos programas oficiais, ou quando uma professora, atuante em sala de aula, ignora as recentes discussões do meio acadêmico sobre ensino de língua materna.

A respeito da metodologia de análise de cadernos antigos, em seu artigo “Os cadernos escolares: organizar os saberes escrevendo-os”, Chartier (2007b) afirma que essas experiências constituem filtros interpretativos variados, conforme dois princípios: 1º Familiaridade ou estranhamento e o 2º Julgamento ou preconceito pedagógico. O primeiro princípio consiste numa análise em que o pesquisador reconhece a “atividade” ao relembrar suas vivências passadas, inclusive das informações implícitas, o modo como o exercício era desenvolvido. Por outro lado, as “atividades” podem parecer estranhas ao pesquisador, sobressaindo somente seus aspectos arbitrários, muitas vezes indecifráveis, bem como seu caráter arcaico. O segundo princípio, julgamento ou preconceito pedagógico, acaba por cometer anacronismos de modo a avaliar o dado não conforme seu contexto de produção, mas

em confronto com as ideias atuais ou com as expectativas do pesquisador.

Nesse sentido, Chartier (2007b, p. 18) afirma que, numa perspectiva histórica, “o importante é relacionar os cadernos às normas de seu tempo, tanto as escolares como as sociais e culturais”.

Por exemplo, em cadernos datados antes de 1914, Chartier (2007b) encontra três exercícios: “a cópia, o ditado e a composição (ou “redação”)” (p. 22). Tendo por base as ideias atuais, conforme a autora, as finalidades dessas atividades seriam, respectivamente: a cópia para memorização de uma determinado conteúdo, o ditado para fixação da escrita correta e a composição para mostrar a habilidade de redigir textos. Porém, essas atividades constituíam três níveis da aprendizagem do “saber escrever”. Para o professor, a cópia, o ditado e a composição conduziam à etapa final de chegar à sintaxe específica da língua escrita a partir da oralidade escolar.

Embora os títulos das propostas de redação recorressem à subjetividade do aluno, de acordo com Chartier (2007b), entre as propostas de redação não entravam as de cunho religioso, político ou pessoal, visto que poderiam desagradar a família ou romper com a suposta neutralidade da escola. Dessa forma os alunos falariam sobre passeios, viagem, natureza, festa e jogos.

Antes de 1914 (antes da Primeira Guerra Mundial), as propostas de redação solicitavam a escrita de textos voltados para testemunhos de boas condutas. No entanto, não necessariamente vivenciados pelos alunos, mas em conformidade com as condutas morais da época de um “eu universal” (CHARTIER, 2007b).

Após a Segunda Guerra Mundial, por influência das novas pesquisas, os professores começam a trabalhar com propostas relacionadas à realidade da criança. Da mesma forma, passam a aceitar a diversidade de opiniões dos discentes diante de um fato ou assunto (CHARTIER, 2007b).

Sobre a análise de LDs, de acordo com Chartier (2007b), o uso de uma determinada metodologia se justificava de forma empírica. Na perspectiva da época, era suficiente testar a obra em turmas e verificar se “funcionava bem”. Para a autora, a leitura histórica “deve perceber aquilo que o autor não acreditava ser necessário recusar ou criticar, ou seja, questões que faziam parte das evidências da época” (CHARTIER, 2007b, p. 74).

A autora formulou a hipótese de que o valor de uso de um manual pesaria mais que seus posicionamentos teóricos. Nesse caso, estariam em jogo seus aspectos que facilitariam a sua utilização: seleção

de palavras, exercícios presentes, progressão dos conteúdos ao longo do ano. A autora acrescenta ainda, como ponto a favor do manual, o seu custo acessível. No entanto, esses produtos não tiveram sua repercussão somente devido aos seus próprios aspectos, mas também devido às estratégias de divulgação das editoras, juntamente com a sua validação na sala de aula.

Associado a isso não podemos esquecer o contexto sócio- histórico do autor e de suas obras, à medida que esse conhecimento oferece pistas sobre as necessidades sociais e a demanda da época. Em seu artigo “Português na escola: história de uma disciplina curricular”, Soares (2004, p. 175 - 176, grifo da autora) já dizia que em cada momento histórico a disciplina de Língua Portuguesa:

[...] se define pelas condições sociais, econômicas, culturais que determinam a escola e o ensino – os fatores externos: que grupos sociais têm acesso à escola? a quem se ensina língua? que expectativas, interesses, objetivos têm esses grupos e a sociedade como um todo em relação à escola e ao que se deve ensinar e aprender nela, a respeito da língua materna? em regime político se insere a escola e o ensino da língua? Em que estrutura de sistema educacional?

Por outro lado, verifica-se também que em cada momento histórico a constituição do Português em disciplina ou disciplinas é determinada pela natureza dos conhecimentos sobre a língua então disponíveis, pelo nível de desenvolvimento em que se encontrem esses conhecimentos, pela formação dos profissionais atuantes na área – os fatores internos: em que estágio de desenvolvimento se encontram os conhecimentos sobre a língua? sobre o seu ensino? consequentemente, que aspectos da língua são privilegiados? que concepção se tem da língua e, portanto, de seu ensino?que formação têm os que ensinam a língua?.

Como dito na introdução desta seção, o objetivo da apresentação dos estudos de Chartier é balizar a análise também em alguns dos pressupostos teórico-metodológicos dos estudos sócio- históricos. Nessa perspectiva, nossa busca é por analisar as atividades de escrita nos LDs de Theobaldo Miranda Santos à luz dos referenciais

teóricos e das tendências educacionais e sócio-históricas da época em que foram publicados esses LDs. De posse do referencial teórico exposto, o próximo capítulo apresenta a metodologia da pesquisa, a contextualização dos dados e a primeira entrada analítica nos dados da pesquisa.

2 CONSTITUIÇÃO DOS DADOS E APRESENTAÇÃO DAS

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