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Présentation du terrain d’étude : le « parcours talents »

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PARTIE 1 : CONTEXTUALISATION DE LA RECHERCHE

4.2 Présentation du terrain d’étude : le « parcours talents »

O tema Programas de Humor e Política foi o segundo na preferência dos alunos, muitos dos quais expressaram suas opiniões acerca da proibição de satirizar ou ridicularizar candidatos na época das eleições de 2010 para presidente da República, deputados federais e senadores. Muitos se mostraram a favor dos programas que misturam humor e política, dizendo que atraem os jovens por falarem a mesma língua, além de chamar a atenção para a corrupção, conforme os textos abaixo:

A política no Brasil sempre foi uma forte inspiração para o humor, porém desde 6 de julho desse ano foi decretado uma lei onde os programas de rádio e TV são proibidos de degredar ou ridicularizar qualquer candidato.

Eu penso que tamanha repressão é errado, visto que os jovens estão cada vez menos interessados em política, e acabam votando sem consciência. Um meio muito interesante de despertar essa curiosidade é um programa humorístico, onde a pessoa precisa estar bem informada para entender as trucagens. Os jovens necessitam de estar bem informados e se a melhor forma é falando a língua deles, então é assim que deveria ser (Texto de JLO).

Alguns programas de tevê, hoje em dia, tratam a política de forma bem humorada. Repórteres se deslocam a Brasília e outras cidades para realizar entrevistas e até mesmo cobrar providências dos políticos. Um desses programas, chamado CQC (custe o que custar), que passa na tevê às segundas-feiras, com reprise aos sábados, é o exemplo mais conhecido. A idéia de unir humor a política foi simplesmente genial, pois trata-se de um humor inteligente unido a um assunto de interesse geral: a política. Os repórteres quando se encaminhar para gravar uma matéria sobre determinado assunto, o estudam antes, para terem argumentos, mas sem abrir a mão de algumas boas piadas e provocações. Por esses e outros motivos podemos nos manter informados e rir ao mesmo tempo (Texto de LR).

Mais do que se posicionarem a favor da articulação entre humor e política, alguns se engajaram na tarefa de criticar uma lei que proibia a ridicularização de candidatos. JLO, por exemplo, tomou como asserção de partida o fato de que a política sempre inspirou humoristas e como asserção de chegada que isso é fundamental para manter os jovens bem informados, ou seja, defendeu que a referida lei poderia

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impedir que os jovens se mantivessem bem informados e interessados no que tange a assuntos da política. Nesse percurso, utilizou, como modos de raciocínio, tanto a explicação pragmática (visto que), quando afirma que a repressão é errada porque leva os jovens a votar sem consciência, quanto a dedução por silogismo (então), no momento em que afirma que temos que falar a língua dos jovens para mantê-los bem informados. Como procedimento discursivo, menciona as vantagens da utilização de humor para falar de política: faz os jovens se interessarem pela política; desperta a curiosidade do expectador, que busca estar bem informado para entender as brincadeiras; e pressupõe uma linguagem mais adequada ao público jovem.

LR, por sua vez, recorreu a estratégias um pouco diferentes. Iniciou seu texto com parte do que estava escrito no enunciado da questão e utilizou como procedimento discursivo a definição, quando mencionou um programa específico (Custe o que Custar-CQC), informando dia e horário em que é veiculado. Em sua asserção de partida, indicou que é genial a ideia de unir humor inteligente à política, que é um assunto de interesse geral, demonstrando que se engajou e defendeu a tese, argumentando que os repórteres têm que estudar, se informar para terem

argumentos de modo a produzir boas matérias e entrevistas, para provocar os

participantes e gerar boas piadas. É interessante destacar que a aluna tem consciência de que desenvolver uma boa argumentação é um necessidade em vários momentos da vida e que, para isso, as pessoas precisam estar informadas. Isso se confirma quando conclui numa dedução por silogismo que, unindo humor e política, podemos rir e nos informar ao mesmo tempo.

Somente uma aluna demonstrou uma opinião diversa dos demais, pois afirmou considerar uma falta de respeito com os candidatos o fato de serem constantemente alvo de satirização, o que seria também demonstração de falta de seriedade para encarar a política. Segue o texto completo da aluna TS:

O ato de humorizar a política tem sido praticado há muito tempo. Em jornais, por exemplo, há uma página de tirinhas humorísticas que muitas vezes têm como tema a política. Essas piadinhas, a ironia, as críticas à política aumentam muito em época de eleição, o que não é proibido até um limite, que é muito liberal, por sinal.

Os meios abordados e a forma como esse assunto é abordado, porém, têm provocado um efeito negativo nas atitudes do eleitor. No programa Pânico na TV, por exemplo, três pessoas ‘se vestiram’ dos três candidatos à presidência

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da última eleição: José Serra, Dilma e Marina Silva. Essa caracterização satirizada dos candidatos mostra uma falta de respeito e seriedade com um assunto extremamente importante e que são transmitidos diretamente aos jovens, cuja maioria ainda não atingiu a maturidade política.

O efeito disso, na minha opinião,é a formação de eleitores irresponsáveis e ignorantes, futuramente responsáveis pela decadência do nosso país (Texto de TS).

Logo de início, TS utiliza como procedimento discursivo a definição de um

comportamento, o ato de tratar da política com humor, citando exemplos, como as

tirinhas em jornais. Já no fim do primeiro parágrafo, mostra não estar totalmente de acordo com a tese inicial (tratar da política em programas humorísticos aproxima os

jovens do meio político) ao afirmar que o limite às piadas e atos de ironia na época

de eleições é liberal, ou seja, não é adequadamente estabelecido. Também utiliza definição na asserção de passagem para qualificar os candidatos que disputaram as eleições presidenciais de 2010 e foram alvo de imitações, atribuindo-lhes nomes. Classifica a atitude de satirizar os candidatos como falta de respeito e de seriedade, utilizando, como procedimentos de composição, palavras fortes (extremamente

importante) que visam a chamar a atenção do leitor. Na asserção de chegada, faz

uma generalização, deduzindo, por silogismo, que a consequência dessas brincadeiras são jovens eleitores irresponsáveis e ignorantes.

Por meio da leitura desses textos, é possível verificar que as opiniões dos alunos e as estratégias utilizadas na organização da lógica argumentativa são bastante divergentes. Os alunos efetivamente se colocam nos textos, tomam posições e tentam justificá-las, mostrando-se realmente engajados, gerando até mesmo argumentações polêmicas, como a de TS: “O efeito disso, na minha opinião,é a formação de eleitores irresponsáveis e ignorantes, futuramente responsáveis pela decadência do nosso país (TS)”. No entanto, o assunto mais comentado e que gerou manifestações mais veementes foi a eleição do palhaço Tiririca para deputado federal, conforme veremos a seguir.

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