Apesar de não existir um entendimento claro e inequívoco de como distinguir líderes de não líderes, há uma ampla aceitação sobre a importância da liderança no desempenho das escolas (Bush e Glover, 2003). Leithwood e Riehl (2003) conceituam lideres escolares como sendo aquelas pessoas, que, ocupando vários papéis na escola, trabalham com outras pessoas para proporcionar direção e exercer influência sobre elas ou sobre coisas, com a finalidade de atingir os objetivos da escola.
Nos últimos 20 anos, o movimento para melhoria das escolas tem posto uma grande ênfase no papel desempenhado pelos líderes. Pesquisadores têm procurado identificar o impacto que a liderança provoca nos resultados acadêmicos dos alunos. Alguns deles alegam que o efeito é indireto e difícil de mensurar (Hallinger e Heck, 1996). Outros afirmam que a qualidade da liderança na escola é um importante fator no aumento do desempenho do aluno (Fullan et al., 2001; Leithwood et al, 2004).
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A liderança na escola tem efeitos significativos na aprendizagem dos alunos, sendo ultrapassada apenas pela qualidade curricular e pela atuação dos professores em sala de aula. Seus efeitos diretos são pequenos, mas de maneira indireta influencia um quarto de todos os fatores que afetam a aprendizagem, na medida em que promove o compartilhamento de visões, assegura a disponibilidade de recursos e procedimentos que possibilitam aos professores ensinar bem;− A liderança na escola não está restrita à figura do diretor, existindo outras fontes potenciais de liderança, como professores, alunos e pais;
− O alicerce da liderança com sucesso repousa num núcleo de práticas que é válido para diferentes contextos educativos. Esse núcleo é formado por três grandes categorias de práticas: estabelecer orientações, desenvolver pessoas e desenvolver a escola como organização.
Tradicionalmente, as pesquisas sobre liderança na escola focavam no papel formal do diretor da escola e na sua responsabilidade de estabelecer, sustentar e monitorar a definição uma visão coerente com os esforços de mudanças porque entendia-se que a efetividade da escola na educação de seus alunos era altamente dependente das iniciativas de melhorias desencadeadas pelo seu diretor (Mangin, 2005). Atualmente, começam a aparecer fortes argumentos que levam a considerar a participação de outros professores na liderança das escolas (Day et al., 1998 e 2000; Fullan, 2001).
O Quadro 7 resume as características das principais teorias de liderança na escola:
Teoria Principais Características Liderança Instrucional ou Liderança Centrada na Aprendizagem, ou Liderança Pedagógica (Blasé, J. Blasé, J. 1988)
Enfatiza o ensino e a aprendizagem. O líder é responsável por desenvolver um ambiente de trabalho produtivo e satisfatório para os professores e por criar condições de aprendizagem para os alunos de forma que eles atinjam melhores resultados. Sua atenção concentra-se em melhorar as atividades técnicas e instrucionais através do
acompanhamento de perto do desempenho de professores e alunos em sala de aula.
Transformacional (Leithwood; Jantzi, 1990; Leithwood, 1994, 1995; Leithwood et al., 1999)
objetivos fundamentais: (a) orientação para a missão, que compreende o desenvolvimento de ampla visão compartilhada para a escola e construção de consenso sobre as prioridades e objetivos da escola; (b) orientação para o desempenho, que abrange assegurar altas expectativas de desempenho, dar suporte individualizado, estimular desenvolvimento intelectual; e (c) orientação para a cultura, que inclui modelar os valores da organização, fortalecer a cultura de produtividade, construir uma cultura de colaboração e criar estruturas de participação nas decisões da escola. Sua atuação enfatiza a consideração individual, a comunicação aberta e a confiança mútua. Liderança Moral
(Sergiovanni, 1992, 2004)
Enfatiza as ‘pessoas’, a ‘comunidade’ e os ‘valores’. As decisões devem ser baseadas em valores e não em interesses individuais. Sua intenção é promover valores democráticos e o apoderamento dos membros da organização. O líder deve agir sempre eticamente. Para tanto, ele tem cinco responsabilidades: como um ser humano, como cidadão e servidor público, como educador, como administrador educacional e como um líder educacional. Liderança
Participativa (Leithwood et al. 1999; (Leithwood; Duke, 1999)
Defende a idéia de que o foco central dos líderes deve ser n o processo de tomada de decisão pelo grupo. Baseia-se em três critérios: a participação incrementará a efetivada da escola; participação é justificada pelos princípios democráticos; em um contexto de decisão grupal, liderança, potencialmente, pode ser exercida por
qualquer legítimo stakeholder. Desta forma, há uma clara delimitação da autoridade e da responsabilidade da direção e um processo de apoderamento dos professores e da
comunidade. Liderança Gerencial
(Leithwood; Duke,
Esta abordagem traz consigo os pressupostos da literatura gerencial clássica. O foco da
1999)
(Evans, 2001)
atuação do líder incluem coordenação, planejamento, monitoramento e distribuição de recursos e de tarefas. Parte do pressuposto de que o ambiente organizacional é estável e que o comportamento dos membros da organização é altamente racional. A influência do líder decorre da ocupação de posições formais sua importância relaciona-se com o status dessas posições na hierarquia da organização. Liderança Contingente (Leithwood; Duke, 1998; Leithwood et al., 1999)
Esta abordagem assume que há grandes variações nos contextos de liderança, e que para que haja eficácia, estes contextos exigem respostas diferentes da liderança. Desta forma, o líder não deve adotar um estilo único de liderança. Pressupõe, portanto, que os líderes são capazes de dominar um grande repertório de práticas de liderança. Sua capacidade de influência dependerá, em grande medida, desse domínio. Liderança Distribuída ou Liderança Partilhada, ou Liderança Democrática, ou ainda Liderança Participativa (Leithwood; Riehl, 2003; Gronn, 2000, 2003; Spillane, 2006; Bolden et al., 2008)
Parte do pressuposto de que liderança não está confinada nos papéis formais de gerência e liderança, passando a vê-la como um processo participativo e colaborativo, no qual não há primazia daqueles que têm posição formal de liderança. Sua gênese pode ser atribuída à ‘Lei da Situação’ de Follett. Requer uma
perspectiva sistêmica e colaborativa de toda a comunidade escolar. Esta abordagem pode ser vista como uma faca com dois gumes. Tanto pode ser usada para aumentar o senso de pertencimento e engajamento, como pode ser igualmente utilizada para dar a ilusão de um processo consultivo e participativo,
encobrindo a real forma como as decisões são tomadas e os recursos alocados.
Quadro 7 – Resumo das principais teorias de liderança na escola Fonte: Elaborado pelo autor (2009)
Dadas as características e complexidade do trabalho nas escolas, não há um único modelo de liderança que possa servir como base para seu processo de transformação. Como a idéia da liderança como um processo distribuído ou disperso ao longo de toda a estrutura e níveis da organização vem se tornando o foco das pesquisas sobre liderança na escola (PEARCE; CONGER, 2003; GRONN, 2003; 2006; BRYMAN, 2007).
Por esta razão, e como este estudo visa analisar como os professores e alunos percebem o fenômeno da liderança, este estudo utiliza-se do conceito de “liderança distribuída” para sua sustentação. Foi feita esta opção por que ela oferece uma perspectiva original da visão da liderança, mostrando que ela não está confinada nos papéis formais de gerência e liderança (Leithwood e Riehl, 2003), deixando de ser um campo exclusivo de um indivíduo, freqüentemente visto como um herói solitário.