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CHAPITRE IV : FABRICATION TECHNOLOGIQUE DU

III. REALISATION DES BOBINAGES EN SALLE BLANCHE

III.1 Présentation de la salle blanche

As normas que motivaram a formulação deste modelo não são as normas sociais, externas. As normas aqui são aquelas que fazem sentido em relação a um conjunto interiorizado de valores – são as chamadas normas pessoais. Este modelo diferencia portanto as normas pessoais das sociais, considerando que “personal norms rather than social norms are central because to the extent that movements are forces for social change, they cannot build support on existing social norms” (Stern et al., 1999, p. 83). Observamos assim que a especial importância que este modelo

reconhece nas normas pessoais, em vez das sociais, deve-se à visão de que as últimas conduzem à repetição de formas de comportamento, enquanto as primeiras seriam potenciais elementos de mudança social (Stern et al., 1999).

Visto que o modelo valor-crença-norma (VBN) se baseia na força das normas pessoais, e na importância da sua ativação, ele é um desenvolvimento do modelo da ativação normativa (Schwartz, 1977). A este modelo são acrescidos ainda os valores fundamentais mais gerais (Schwartz, 1992), e as crenças ambientais medidas pela escala NEP – New Environmental Paradigm (Dunlap & Van Liere, 1978).

No modelo da ativação normativa, Schwartz (1977) propõe chamar normas pessoais à internalização das normas sociais. Enquanto obrigações e sanções internalizadas, as normas pessoais dão origem a predisposições gerais para o comportamento (Stern, 2000). Entretanto, outros fatores podem diminuir a ativação das normas pessoais, através do questionamento da adequação de um comportamento específico ao objetivo do indivíduo. Estes fatores podem ser resumidos como: conhecimento das consequências do comportamento para os outros (awareness of consequences – AC) e a atribuição da responsabilidade (ascribed responsibility – AR).

4.2.2.1 Formulação do modelo VBN

A estrutura do modelo VBN segue a do seu nome: os valores dão origem a crenças que, por sua vez, dão origem a normas pessoais. Desta forma, as variáveis mais gerais influenciam as variáveis subsequentes, mais específicas, até culminarem na ativação (ou não) das normas pessoais – variável considerada por este modelo como a melhor preditora do comportamento altruísta pró-ambiental (Stern, 2000; Stern et al., 1999). O modelo considera as variáveis na seguinte sequência:

1. Valores pessoais (valores altruístas)

2. Crenças ambientais (medida pela escala NEP)

3. Atribuição de responsabilidades (AR) e conhecimento sobre as consequências de ações individuais (AC)

4. Normas pessoais

Este modelo evidencia como as normas pessoais motivam o indivíduo a agir em sintonia com os seus valores, defendendo como seus os objetivos de movimentos sociais, como por exemplo os do movimento ambientalista (Stern et al., 1999). “Personal norms and altruistic values are important because social movements, unlike

pure interest groups, are organized around normative claims on individuals and social organizations to act on the movement’s principles for reasons other than self-interest” (Stern et al., 1999, p. 83).

O poder preditivo das normas pessoais e da teoria valor-crença-norma foi observado em diferentes tipos de comportamento pró-ambiental. Num teste completo do modelo VBN em relação à aceitabilidade de políticas energéticas, foi verificado que cada variável da sequência causal do modelo predizia significativamente a variável seguinte (Steg, Dreijerink, & Abrahamse, 2005). Estes resultados confirmaram portanto a ordem causal desde valores relativamente estáveis, passando pelas crenças sobre as relações homem-ambiente (NEP), que se relacionam por sua vez com crenças sobre as consequências dos comportamentos (AC) e a responsabilização (AR) pela situação do ambiente. Além da relação sequencialmente significativa entre as variáveis do modelo, as variáveis intermediárias mediavam a influência da variável anterior sobre a subsequente.

Neste teste do modelo, as normas pessoais explicaram 29% da variância dos ‘julgamentos de aceitação de políticas para a redução da emissão de carbono’. Este alto poder explicativo destoa do poder preditivo das normas pessoais encontrado noutros estudos – por exemplo: 14% do uso de carro (Bamberg & Schmidt, 2003), ou 17% do uso do metropolitano (Hunecke, Blöbaum, Matthies & Höger, 2001). Alguns autores sugerem que esta diferença pode ser explicada pelo baixo custo do comportamento em questão: quando menor é o custo de um comportamento, melhor ele é predito pelas normas pessoais (Steg et al., 2005; Steg & Vlek, 2009).

Enquanto parte do modelo VBN, pudemos ver como as normas pessoais se fundamentam em valores e princípios éticos. Inicialmente sociais, os valores são internalizados enquanto princípios que guiam os nossos posicionamentos em geral, especialmente frente a objetos sociais emergentes, em relação aos quais normas sociais podem não ser claramente estabelecidas (Stern, Dietz, Kalof, & Guagnano, 1995). Neste sentido, a inexistência ou incerteza sobre as normas sociais pode ser uma oportunidade para mudanças sociais impulsionadas por valores sociais éticos e morais, individualmente internalizados enquanto normas pessoais (Stern et al., 1999). 4.2.2.2 Os diferentes tipos de comportamento

Os comportamentos que surgem como consequência de valores, crenças e normas pró-ambientais são os chamados ‘environmentally significant behaviour’

(Stern, 2000, 2011; Stern et al., 1999). Stern considera que estes comportamentos são significativos porque a sua expressão é indicativa de uma intenção comportamental que é pró-ambiental. Esta definição orientada para a intenção do comportamento “highlights environmental intent as an independent cause of behavior, and it highlights the possibility that environmental intent may fail to result in environmental impact” (Stern, 2000, p. 408).

Neste sentido, Stern et al. (1999) propõe uma categorização dos comportamentos pró-ambientais que não seja apenas baseada nos seus impactos em termos ambientais, mas nas suas intenções dos comportamentos. “The environmental movement, and by analogy other movements, includes not only activists but supporters” (Stern, 1999, p. 82). A importância destes diferentes tipos de apoio reside no facto de que eles têm a intenção de proteger ou mitigar o impacto das atividades humanas no ambiente, independentemente do seu impacto concreto (Stern, 2000). Neste sentido, Stern et al. (1999) propõem uma tipologia de comportamentos pró- ambientais que congrega formas mais ou menos comprometidas de ativismo ambiental, pois mesmo aqueles tipos de comportamentos que são indiretamente relacionados à mudança social ambiental, ou que tenham pouco ou nenhum impacto ambiental (Stern, 2000), têm a intenção de contribuir para a preservação do ambiente, e por esta razão é que se podem considerar comportamentos ambientais (Stern, 2000; Stern et al., 1999). Estes comportamentos podem ser: ativistas, não-ativistas da esfera pública, e da esfera privada.

Os comportamentos ambientais ativistas incluem aqueles associados ao ativismo, cujo alvo principal é a mudança dos modos com que as nossas sociedades se relacionam com o ambiente. Incluem comportamentos de envolvimento direto com organizações ambientalistas e manifestações públicas (Stern, 2000).

Os comportamentos ambientais não-ativistas da esfera pública são formas menos intensas de ativismo: são menos comprometidas, mas ainda assim públicas. Também têm o objetivo de contribuir para a mudança social através do suporte ou aceitação de políticas públicas que eventualmente tenham custos individuais, como por exemplo estar disposto a pagar maiores impostos para a proteção ambiental, escrever cartas a políticos, ou defender publicamente a aprovação de regulações ambientais (Stern, 2000; Stern et al., 1999). Apesar do seu impacto ambiental indireto, “by influencing public policies, the effects may be large, because public

policies can change the behaviors of many people and organizations at once” (Stern, 2000, p. 409).

Já os comportamentos ambientais da esfera privada referem-se aos comportamentos observados no espaço privado, tais como comportamentos de compra, utilização de eletrodomésticos, reciclagem e outros comportamentos privados que possam contribuir para reduzir o impacto das atividades humanas no ambiente. Estes comportamentos têm um impacto mais direto no ambiente que os outros comportamentos descritos acima. Mas as consequências individuais dos comportamentos da esfera privada são pequenas – “such individual behaviors have environmentally significant impact only in the aggregate, when many people independently do the same things” (Stern, 2000, p. 410, itálicos adicionados).

Agora que apresentamos as contribuições do TPB e do VBN, como podemos compreender as complementaridades e diferenças entre estes modelos para o estudo dos comportamentos pró-ambientais? Apresentarei de seguida uma comparação entre os dois modelos.