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PARTIE 2 : DEROULEMENT DU STAGE

1. Présentation du projet

A psicologia cognitiva descreve a mente como sendo constituída de certos recursos cognitivos e mecanismos, alguns dos quais de natureza bastante limitada. Estes componentes incluem a memória de curto prazo (ou curta duração), a memória de longo prazo (ou longa duração) e a atenção bem como um sistema de gerenciamento que determina quais informações, presentes na memória de curta duração, devem ser armazenadas na memória de longa duração.

A memória de curto prazo (STM – short term memory) retém a informação que está em uso corrente. Esta pode lidar apenas com um número limitado de esquemas por vez (7 6 2,

incluindo os procedimentos). E, ainda, se alguma outra tarefa for executada entre o momento em que a informação for apresentada até o momento em que esta deve ser repetida, o número de esquemas memorizados pode cair para até dois apenas. Além do mais, em geral, a informação na memória de curto prazo deteriora-se em questão de segundos (6 2 segundos), a menos que seja constantemente repetida e neste caso pode durar por minutos. Nós a usamos, por exemplo, quando repetimos um número de telefone na hora da discagem. Também existe um componente visual-espacial usado na formação de quadros mentais e um componente organizacional que nos lembra o lugar onde paramos em tarefas complexas. Quando a capacidade da memória de curto prazo excede-se ou quando a informação deteriora-se, nós esquecemos a informação que estamos usando (JOHNSON, 1997).

A informação que se pretende usar, no futuro, deve ser salva ou na memória de longo prazo (LTM – long term memory) ou em um meio de representação externa (papel, por exemplo). A memória de longo prazo retém a informação durante uma hora ou por toda a vida. Esta guarda fatos, experiências ou processos bem-repetidos. Parece não possuir uma capacidade máxima. Com o desuso, a informação da memória de longo prazo enfraquece-se, mas a informação que é usada ocasionalmente pode persistir indefinidamente. Esta não é infalível, já que o cérebro tende a esquecer algumas informações (HAYES, 1989).

A transferência de informações da memória de curto prazo para a memória de longo prazo demanda um esforço cognitivo deliberado e tempo (6 5 segundos por chunk, isto é, por pacote de informações). A transferência na direção contrária, denominado de ato de recordar- se, leva menos tempo (de 1 a 2 segundos), dependendo do tipo de informação e envolvendo um processo cognitivo tão complicado quanto o primeiro.

A atenção é outro recurso de natureza bastante limitada. Esta não é considerada como um meio de armazenamento; mas, como um mecanismo pelo qual o processamento é conscientemente dirigido. Em geral, uma pessoa pode prestar atenção a apenas uma coisa por vez, embora a atenção possa ser trocada muito depressa de uma tarefa para outra (JOHNSON, 1997).

Quando aprendemos pela primeira vez um procedimento físico ou mental, nossa mente atravessa, freqüentemente, um tipo de lista declarativa de passos. Isto requer muita atenção. Porém, à medida que o procedimento torna-se mais praticado, este pode tornar-se automatizado. Peritos em uma determinada área possuem maneiras de minimizar a exigência da memória de curto prazo e da atenção. Quando eles se deparam com uma determinada situação ou combinação de elementos mais de uma vez, eles podem agrupar, mentalmente, as partes na memória de longo prazo como um esquema único: o chunk. O chunk é considerado um agrupamento de informações inter-relacionadas com significado ou a menor unidade

representada na memória com significado (HAYES, 1989). Quando as pessoas executam um procedimento repetidamente, estas podem passar a executá-lo de modo mais ou menos automático (NORMAN, 1991; ANDERSON, 1982). Deste modo, fazem um uso mais eficiente dos recursos cognitivos. Sem a automação, até mesmo a compreensão de textos escritos seria dificílima, já que teríamos que estudar conscientemente cada letra a fim de identificá-las e agrupá-las em palavras, antes de identificarmos o significado do texto.

Outro fato importante é que os peritos desenvolvem representações mais apropriadas para suas tarefas. Eles desenvolvem ‘bibliotecas mentais’ de situações e materiais com os quais lidam freqüentemente e modos de como lidar com os mesmos. WEISBERG (1986) estima que a biblioteca mental de um perito contenha de 20.000 até 50.000 chunks. De acordo com outra estimativa, levamos 10 anos ou mais de trabalho de 70 a 80 horas por semana para desenvolver este tipo de biblioteca (HAYES, 1989). Alguns autores descrevem a ‘biblioteca’ mental do arquiteto como sendo formada por elementos como planos, cúpulas, paredes, colunas, portas e assim por diante (SCHÖN, 1988). ROWE (1987) descreve categorias mais amplas tais como: ‘preconceitos’, ‘heurísticas’, ‘tipos’, ‘tipologias’ etc.

O conhecimento humano apresenta-se sob diferentes formas. O conhecimento de procedimentos relaciona-se com tudo o que se sabe ou pode-se vir a saber sobre ações e planos de ações, descrevendo os objetos, seus atributos e relações. Este capacita o projetista a seqüenciar um conjunto de ações para realizar um objetivo determinado durante um período de tempo (NEVES e ANDERSON, 1981). Já o conhecimento denominado de declarativo, relaciona-se com tudo o que se sabe ou pode-se vir a saber sobre a descrição das coisas. Este é visto, mais freqüentemente, nos estágios iniciais do aprendizado quando o conhecimento de procedimentos ainda não está totalmente desenvolvido. O conhecimento declarativo responde à pergunta ‘o que?’ enquanto o conhecimento de procedimentos responde à pergunta ‘como?’. O conhecimento meta-cognitivo é o conhecimento que o ser humano tem sobre suas próprias capacidades cognitivas, estratégias e tarefas. Este, também, pode ser declarativo ou de procedimentos (SIEGLER, 1991).

Outra diferenciação feita é aquela entre memória episódica e memória semântica. A memória episódica é específica a um caso e é experimental, enquanto que a memória semântica é geral e simbólica (TULVING, 1983). Existe um argumento que sugere que a compreensão humana de conceitos pode ser construída a partir de experiências corpóreas muito básicas, acumuladas ao longo do tempo através de interações físicas com o mundo externo (LAKOFF e JOHNSON, 1980). Os conceitos profundos e mais abstratos que não podem ser compreendidos deste modo são compreendidos através do uso de uma ou mais metáforas sobre os conceitos diretamente experimentados. A metáfora, portanto, não se

constitui apenas em um dispositivo literário; mas, de um mecanismo cognitivo crucial. Estas idéias apontam para a interação dinâmica entre experiências episódicas de baixo nível e a semântica simbólica de alto nível na memória humana, com o pensamento metafórico dependendo fortemente desta interação dinâmica.

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