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Présentation de la plate-forme de simulation

Résultats de Simulation

4.1 Présentation de la plate-forme de simulation

Após as sanções com os incidentes em 1989 na Praça Tiananmen, a China procurou novos parceiros para ajudar a sua recém-nascida indústria aeroespacial. Procurou assim parceiros na América do Sul e iniciou uma parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) no Brasil.

O Brasil iniciou o seu programa espacial na década de 60 e lançou o seu primeiro satélite em 1993. Quando os EUA mudaram a gestão dos dados de deteção remota e começaram a surgir problemas financeiros nos países emergentes, o Brasil

200 JOHNSON FREESE, Joan (2007-2), ibid , p. 25

201JOHNSON-FREESE, Joan (2012), “Will China overtake America in Space”, disponível em:

http://edition.cnn.com/2012/06/20/opinion/freese-china-space/index.html, acedido última vez em 29/10/2012

68 iniciou uma procura para acesso a dados de confiança noutras fontes. De facto, a dependência em satélites estrangeiros, faz com que o Brasil esteja dependente da boa vontade dos outros Estados para ter acesso à informação. 202

Com ênfase na cooperação e no desenvolvimento conjunto, o Brasil e China aliaram-se e começaram a trabalhar no Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS), em Julho 1988, após a visita do Presidente brasileiro José Sarney à China. Esta parceria ficou marcada como sendo a primeira venture de tecnologia espacial com países emergentes que a China realizou e que conduziu ao lançamento de dois satélites: um em 1999 e outro em 2000.

Segundo o site oficial do programa CBERS, “a união entre os dois países é um esforço bilateral para derrubar as barreiras que impedem o desenvolvimento e a transferência de tecnologias sensíveis impostas pelos países desenvolvidos. A parceria conjunta rompeu os padrões que restringiam os acordos internacionais à transferência de tecnologia e o intercâmbio entre pesquisadores de nacionalidades diferentes.”203

O projeto CBERS pretende assim ser um projeto de deteção remota, de recolha de imagens e dados por satélite, de monitorização de terrenos agrícolas e recursos naturais.

O Brasil viu vantagens neste tipo de parceria: primeiro conseguiria ter uma alternativa mais barata para construir e lançar os seus próprios satélites. A China também beneficiou deste projeto pelas mesmas razões: ou seja, a possibilidade de fazer mais com o mesmo dinheiro. Note-se que a repartição para retorno do investimento, e segundo o website do CBERS é de 30% para o Brasil, 70% para a China.

Atualmente, o projeto CBERS tem no total três satélites operacionais, com acordo para lançamento de mais dois satélites durante 2013. O CBERS é considerado como sendo uma parte importante da constelação de satélites para observação terrestre,

202 Câmara dos Deputados, “A política espacial brasileira”, disponível em: http://www2.camara.leg.br/a-

camara/altosestudos/arquivos/politica-espacial/a-politica-espacial-brasileira, última vez acedido em 29/10/2012, p24

69 comparável com o LANDSAT dos EUA, o SPOT da França ou o ResourceSat da Índia.204

Mais recentemente, a China deu início a relações bilaterais nesta área também com a Venezuela, com quem quis estabelecer relações privilegiadas quer a nível de assuntos de segurança nacional mas também sobre as importações de petróleo. Na verdade a Venezuela é um país de esquerda e antiamericano na região. O Presidente Hugo Chávez afirmou que a Venezuela tem cerca de 100 técnicos espaciais a receberem formação completa na China205, demonstrando assim a troca de know-how consistente com o que será algo muito para além de uma mera parceria comercial. Em Outubro 2008, a China lançou o primeiro satélite venezuelano e, em Setembro 2012, o segundo satélite.206

Hugo Chávez não quer ficar só por aqui. Pretende investir mais ainda num conjunto de tecnologias espaciais, incluindo: acesso à telemedicina e teleducação a áreas remotas do país; acesso a telecomunicações móveis a zonas na Venezuela onde apenas há comunicações por linhas terrestres e cujo custo é elevado. Após as negociações falhadas com o programa de recolha de imagens israelita, a Venezuela procurou novamente a China para que possa também ter acesso à capacidade de recolha de imagens. Apesar de não ser ainda bem conhecido esta negociação, rumores indicam que a China irá lançar em 2013 um satélite de observação terrestre para a Venezuela.207

A China também deslocou técnicos para ministrar formação a países como a Bolívia e Equador por causa da aquisição de equipamento militar e espacial por esses

204 CHAMBERS, Rob, “China’s Space Program: a new tool for PRC - Soft power in international

relations, pp. 57-58, ibid

205 CHAMBERS, Rob, “China’s Space Program: a new tool for PRC - Soft power in international

relations, pp. 58-59, ibid

206 “Segundo satélite venezuelano é lançado com sucesso da China”, disponível em:

http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI6189306-EI301,00-

Segundo+satelite+venezuelano+e+lancado+com+sucesso+da+China.html acedido última vez em 29/10/2012

207CHAMBERS, Rob, “China’s Space Program: a new tool for PRC - Soft power in international

70 países. No caso da Bolívia, a deslocação dos técnicos chineses deve-se ao satélite Tupac

Katari que a China ajudará a lançar em 2014.208

A presença chinesa na América do Sul tem-se revestido de diversas formas: onda de aquisições de empresas nos sectores de extração de recursos naturais para garantir o controlo em áreas chave, a banca chinesa dá a alavancagem a pequenas empresas provincianas a projetarem-se no mercado internacional e até o turismo chinês está a beneficiar desta nova onda de prosperidade. O que está a acontecer é que a China com base nas trocas politicas, culturais e industriais com estes países está a aumentar significativamente a sua presença na região. Estas interações mudam radicalmente a forma como a China é vista e como se relaciona com esta região.209