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Chapitre 03 : Matériel et méthodes 101

2. Présentation de la méthode d’analyse choisie

A execução de cortes em forrageiras é realizada de acordo com a utilização de um conjunto de práticas baseados na morfologia e fisiologia da planta, em determinadas condições de ambiente, para que se obtenha e se mantenha uma elevada produtividade (RODRIGUES, 1993).

A execução de cortes ou pastejos nas plantas provocam modificações na parte aérea com reflexos no sistema radicular e nos mecanismos compensadores das plantas. Por essa razão torna-se necessário conhecer os mecanismos básicos da fisiologia e suas inter- relações com os fatores ambientais que atuam concomitantemente a essas práticas (SANTOS & FONTANELI, 2006).

3.3.1. Adaptabilidade Genética

O trigo, apesar ser uma espécie autógama com apenas 1% de alogamia, ao longo

do seu processo evolutivo sofreu hibridações interespecíficas4 com posteriores duplicações

cromossômicas por alopoliploidia (FERREIRA, 2006).

Com isso, a cultura adquiriu três níveis diferentes de ploidia, sendo as espécies mais primitivas diplóides (com um único genoma AA, 2n=2X=14, sendo n=7 cromossomos), passando pelas espécies tetraplóides (com dois genomas distintos AABB, 2n=4X=28) até chegar às mais evoluídas, hexaplóides (com três genomas distintos

AABBCC, 2n=6X=42), das quais o Triticum aestivum spp. é a mais cultivada (CASTRO 1999).

As variedades tetraplóides apresentavam boa adaptação a invernos amenos e verões secos, porém, a adição do genoma do T. tauchii (tetraploide) aumentou a adaptação do trigo e tornou essa nova espécie (T. aestivum - hexaplóide) uma das mais disseminadas pelo mundo (FEDERIZZI et al., 1999).

Essas características contribuíram muito para a grande diversidade de espécies e cultivares hoje encontradas nessa cultura (CASTRO, 1999), além de possibilitar a seleção de plantas que se adaptassem a sistemas diferenciados como é o caso do Trigo de Duplo Propósito (forragem + grão).

Além disso, comparações realizadas por TRINDADE (2006) revelaram que cultivares de trigo recomendadas para as regiões do Cerrado apresentaram modificações morfológicas geradas pelas condições de manejo a que eram expostas, tais adaptações foram atribuídas plasticidade fenotípica das cultivares.

A plasticidade fenotípica pode ser definida como uma mudança progressiva e reversível nas características morfológica de plantas individuais (LEMAIRE, 1999).

Essas características morfogênicas são geralmente determinadas pelo genótipo, mas também são fortemente influenciadas pelas variações ambientais, do manejo e da atividade de pastejo realizado pelos animais, que determinam mudanças na estrutura das plantas utilizadas como forrageiras (CHAPMAN & LEMAIRE, 1993).

Uma vez submetido ao estresse (desfolha) a planta inicia seu processo adaptativo através de mudanças fisiológicas de curto prazo (mediante alterações no balanço de carbono e nitrogênio) para tentar manter seu equilíbrio dentro da comunidade de plantas. Com a persistência ou aumento de intensidade do estresse, as respostas fisiológicas deixam de ser efetivas e são combinadas com respostas morfológicas, caracterizando a natureza dinâmica das alterações (FISCHER & DA SILVA, 2001).

As taxas de aparecimento e alongamento de folha e a duração de vida das folhas constituem exemplos de fatores morfogênicos do perfilho que, sob a ação do ambiente, com luz, temperatura, água e nutrientes determinam as características estruturais do relvado

(GOMIDE, 1997). Muitos desses fatores morfogênicos são detectados na cultura do trigo, e são muito importantes para o restabelecimento da planta ser utilizada como forrageira.

3.3.2. Adaptabilidade Climática

As regiões onde o trigo é encontrado são dotadas de muitas características em comum, como a grande variação anual de temperaturas e baixas precipitações pluviométricas. Nas áreas mais afastadas da linha do Equador (Sul e Norte dos Trópicos), o cultivo do trigo é favorecido pelo aumento da duração do dia; já nas regiões situadas próximas à linha do equador, onde o comprimento do dia praticamente não varia, o cultivo é compensado pela altitude, que proporciona as variações térmicas tão exigentes pela cultura (CASTRO, 1999).

Segundo a CUNHA (2006) a ensaios de VCU (Valor de Cultivo Uso) para o trigo, tem demonstrado que as áreas de maior altitude (pelos reflexos no regime térmico, preferencialmente acima de 800 m) favorecem o cultivo de trigo no Centro-Oeste brasileiro. Embora, na prática, tenha se observado produtividades competitivas mesmo a 600 m. Em tais áreas, durante a época seca do ano (entre maio e setembro) e com o uso de irrigação, as condições do ambiente são favoráveis para obtenção de rendimento da cultura.

No entanto, é interessante observar que esses estudos de VCU foram dirigidos para espécies que se destinam a produção exclusiva de grãos, e segundo CUNHA (2003), a tática usada nos últimos 50 anos em considerável parte do mundo pelo melhoramento genético para atingir grandes saltos no rendimento na produção do trigo, foi reduzir o tamanho do colmo no intuito de minimizar a área disponível para respiração e reduzir a competição por assimilados durante a fase crítica de crescimento da espiga (da espigueta

terminal à antese) fazendo com que ocorresse um aumento no Índice de Colheita5.

Entretanto, ALMEIDA et al. (1998), comentam que os cereais de inverno adaptados ao sistema de Duplo Propósito devem possuir uma adequada área foliar para captação dos raios solares e grande capacidade de recuperação dessa folhagem o após o pastejo, pois o rendimento de grãos depende da eficiência fotossintética das plantas.

5 O Índice de Colheita é um quociente que mede a eficiência de conversão de produtos sintetizados em

material de importância econômica, ou seja, numa cultura madura é a razão entre a massa da matéria seca e a fração econômica produzida (grão, raiz, fruto) e a fitomassa seca total colhida (IC = MSFEP / FSTC)

Portanto, o conhecimento gerado a partir de estudos de VCU está voltado mais para a produção de grãos em detrimento da fitomassa.

Por essa razão, para entender como as condições climáticas do Centro-Oeste brasileiro podem afetar a produção de forragem do trigo, é necessária a fixação de alguns princípios fisiológicos inerentes à produção de biomassa.

Assim, deve-se ter em mente, em primeiro lugar, que a produção de uma forrageira baseia-se na transformação de energia solar em compostos orgânicos pela fotossíntese, em

que o dióxido de carbono (CO2) atmosférico é combinado com água e convertido em

carboidratos com a utilização da energia luminosa (RAVEN et al., 2001), essa fixação de carbono ocorre no ciclo de Calvin. Em segundo, que as condições climáticas podem influenciar diferentemente nas plantas forrageiras de acordo com a rota de absorção de carbono que estas apresentem. Em geral, gramíneas de clima temperado, juntamente com

todas as leguminosas apresentam metabolismo C3, já gramíneas de climas tropicais são do

grupo C4 (MAGALHAES, 1979).

O trigo (Triticum aestivum L.) é uma planta que possui metabolismo C3. Em tais

vegetais, a enzima responsável pela fixação do CO2 atmosférico é a rubisco (ribulose-1,5-

bifosfato carboxilase/oxigenase) que tem caráter anfótero (pode interagir tanto com o CO2

quanto com O2). Devido às características inerentes às propriedades físico-químicas do CO2

quando ocorre diminuição da temperatura ambiental há um aumento a relação CO2/O26,

com isso, a cinética da rubisco é afetada (tornando-se mais ativa); como as plantas C3 em

geral apresentam elevada condutância estomática, a eficiência fotossintética7 desses

vegetais em tais condições atmosféricas torna-se mais elevada (TAIZ & ZEIGER 2009).

O trigo, como planta C3, tem condutância estomática mais elevada para assimilar o

máximo possível de CO2 da atmosfera (KRAMER & BOYER, 1995). A principal

consequência desses fenômenos em plantas C3 é uma maior repercussão no ganho de

biomassa em condições de baixas temperaturas.

6 Lei de Henry (1774-1836) [gás]μM = P