CHAPITRE IV: Elaboration de la solution de commande
IV.3 Présentation de l'automate programmable S7-300
o papel de entrepostos, com infraestrutura e potencial de abastecimento no mercado. Porém, neste item são apresentados apenas os agricultores que fornecem para o varejo ou para os entrepostos, conforme o Quadro 9. Quadro 9 - Caracterização dos agricultores quanto ao número de variedades comercializadas e destino de seus produtos na região da Grande Florianópolis em 2015 Entrevistados Número de variedades comercializadas Canais de comercialização Agricultor 01* 13 Entreposto “2 anos”
Agricultor 02 14 Restaurantes, feiras e canais convencionais Agricultor 03 17 Mercados institucionais e feira Agricultor 04 3 Entrepostos “16 anos” e “18
anos” Agricultor 05 1 Entreposto “16 anos” Agricultor 06 8 Entreposto “17 anos” Agricultor 07 10 Entreposto “17 anos” Agricultor 08 8 Entreposto “18 anos” * Indica quais agricultores fazem feira por conta própria.
Fundamentalmente pode-se classificar os agricultores entrevistados em dois grupos, conforme os canais de comercialização acessados: (1) agricultores que possuem diversos canais de comercialização, com maior diversidade de cultivos (Agricultores 01, 02 e 03) e; (2) agricultores que vendem sua produção somente para entrepostos, com menor diversidade de cultivos (Agricultores 04, 05, 06, 07 e 08).
Os Agricultores 01 e 03 são membros da Rede Ecovida de Agroecologia, enquanto o Agricultor 02 está se inserindo nesta rede. Conforme o relato do Agricultor 02, ele vende sua produção em lojas e mercados convencionais esporadicamente pois mesmo já possuindo bons contatos na comercialização, nem sempre o produto orgânico é comercializado por um preço que o satisfaça. Para ampliar o acesso aos mercados e trocar informações o agricultor integrou-se à Rede Ecovida de Agroecologia. Ele assinala a importância desta Rede para a viabilização comercial dos agricultores.
O primeiro grupo de agricultores possui o diferencial de estarem organizados em coletivo com outros agricultores, que em conjunto realizam a comercialização sem depender de terceiros. Buscam o acesso a mercados de venda direta e com menores exigências, como os restaurantes, que possibilitam a venda de mais itens sem a necessidade de embalagens. Por esta perspectiva de organização em grupo que o Agricultor 02 está se inserindo, ou seja, para facilitar o acesso a mercados com melhores preços e menores exigências.
No segundo grupo estão os Agricultores 04 e 05, localizados no mesmo município e especializados na venda de um único produto para o Entreposto “16 anos”, embora uma menor parte da produção do Agricultor 04 vá para o Entreposto “18 anos”. O Agricultor 04 trabalha praticamente sozinho, o que o fez investir em tecnologia para intensificar a produção, através de cultivos suspensos em estufas. Segundo ele, seu interesse está unicamente em produzir e não comercializar. Já o Agricultor 05 é jovem e reclama das dificuldades de acesso ao mercado e do excesso de trabalho que desmotiva a produção. O município destes agricultores se especializou na produção de morango, que alcança boa cotação no mercado.
Os demais agricultores (06, 07 e 08) comercializam somente com os respectivos entrepostos há mais de 10 anos. Conforme esses agricultores, a grande vantagem desse tipo de comercialização é a garantia de venda, sem a preocupação da busca por estratégias comerciais distintas. Conforme Buainain e Batalha (2007), a entrega de itens ao entreposto é comum para agricultores com pequena escala de produção,
já que esses não poderiam comercializar com as redes varejistas. Embora haja uma “garantia de venda”, relatada durante as entrevistas, a maioria dos agricultores, especialmente no segundo grupo, reclamou da alta quantidade de trabalho, de preços baixos e as dificuldades em produzir orgânicos, demonstrando descontentamento com as condições de produção e comercialização. Essas reclamações foram mais comuns entre os agricultores que comercializam ou já comercializaram com entrepostos de perfil semelhante aos Entrepostos “17 anos” e “18 anos”, como os casos dos Agricultores 02 e 03, o que demonstra a fuga deste tipo de relação comercial e a busca por novos canais.
Especificamente, os Agricultores 05, 06, 07 e 08 encontram-se descontentes por não participarem ativamente da construção de preços. Ainda, os Agricultores 06, 07 e 08 fazem parte de um esquema denominado “certificação coletiva” pela Ecocert, pela qual os entrepostos possuem a certificação por auditoria privada e tornam o agricultor uma “parte” de sua propriedade. Isso acontece, pois na certificação por auditoria devem ser informadas as áreas da propriedade onde serão cultivados orgânicos, sendo que neste caso, são indicadas as áreas das propriedades dos agricultores. Como o agricultor não tem acesso ao certificado deve vender obrigatoriamente ao entreposto. Isso diminui a burocracia e os custos com a certificação, garantindo a venda ao entreposto, porém dificulta o acesso a outras formas de comercialização. Os Agricultores 04 e 05 possuem certificação por auditoria privada pela Ecocert, mas vendem a maior parte dos produtos ao Entreposto “16 anos”, que tem certificação pela Ecovida. Esse fornecimento não é mediado por contratos, mas acordado conforme o ano produtivo. Os agricultores acabam comercializando sua própria produção, já que o entreposto, não sendo de grande porte, produz a maior parte do vendido. Entretanto, como o entreposto realiza o processamento de geleias, muitas vezes esses agricultores vendem sua produção para garantir a venda, tendo em vista a alta perecebilidade da matéria-prima (morango).
Por sua vez, os Agricultores 01, 02 e 03 possuem a certificação participativa pela Rede Ecovida de Agroecologia, que além de possibilitar menor custo de acesso ao certificado orgânico, facilita a organização individual e coletiva, pois os agricultores se reúnem periodicamente. Esses agricultores podem escoar a produção conforme os seus próprios interesses, à exemplo da organização do Entreposto “2 anos”, do qual o Agricultor 01 é fornecedor. Também são priorizados canais de comercialização mais diretos, como feiras, restaurantes e mercados
institucionais26, nos quais se busca maior controle na formação de preços, maior liberdade na escolha das variedades comercializadas e na apresentação do produto. Assim, esses agricultores buscam se colocar no mercado com maior autonomia nos processos comerciais, explorando formas alternativas de comercialização.
Portanto, agricultores do grupo 01 diferenciam-se dos outros por buscarem modalidade de certificação e canais de comercialização mais flexíveis. Priorizam a maior autonomia na venda. Os agricultores do grupo 02 encontram-se mais restritos. Suas estratégias de comercialização dependem diretamente de um entreposto possuindo menor autonomia e menor diversidade de cultivos.
Os próximos itens apontam as relações entre as exigências de comercialização para os agricultores com os princípios agroecológicos. Os diferentes canais de comercialização utilizados trazem um aporte de informações para análise da autonomia e agrobiodiversidade.