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Sur la présence du bouddhisme dans lřœuvre de Claudel

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RÉDEMPTION ET DÉLIVRANCE : PRÉSENCE DU BOUDDHISME DANS LE THÉÂTRE DE PAUL CLAUDEL

1. PAUL CLAUDEL ET LE BOUDDHISME

2.3 Sur la présence du bouddhisme dans lřœuvre de Claudel

Conforme explanado em primeiro capítulo, o feminismo deteve uma extensa trajetória relacionada a uma identidade feminina formulada em um locus específico, assim como a uma tradição ideológica também provinda de um âmbito singular.

Tratando-se mais da Primeira e Segunda Onda do Feminismo, pode-se afirmar que a sujeita política feminista era uma mulher branca, ocidental, residente do Norte, heterossexual e de classe média-alta, a qual estava inserida em uma prática discursiva circunscrita nos preceitos do liberalismo.

A misoginia e o machismo compunham as características organizacionais de Estados liberais, logo, a contestação desses prejuízos se enxertou nessa mesma linguagem liberal. Apesar de receberem prestígio por haver galgado logros à causa feminina, precisa-se entender que estas primeiras mulheres ativistas propunham um acordo com o liberalismo, ao invés de transformá-lo enquanto sistema de ordenamento social.

Desse modo, defendo no âmbito desta produção acadêmica que a Primeira e a Segunda Onda do Feminismo – considerando a retrospectiva oficial do movimento feminista

(ALVAREZ, 2014), incluindo-se seu mito fundacional teórico e ativista – referencia majoritariamente o percurso das feministas tidas como parte da tradição liberal.

Constitui-se central em sua prática discursiva a igualdade formal entre homens e mulheres (TICKNER, 2001; WIBBEN, 2008; MONLEÓN; POLANCO, 2013), a qual deverá se concretizar nas vias legais (MONLEÓN; POLANCO, 2013) – código legislativo, democracia, cidadania, garantias humanitárias e direitos – bem como no desenvolvimento de capacidades racionais e liberdades (TICKNER, 2001). Por isso, a tal feminismo, por muitas vezes, lhe é concedido outra nomenclatura: feminismo da igualdade (WIBBEN, 2008).

E a igualdade prossegue no manuseio das vicissitudes do fazer diário feminino, pois o seu grupo-alvo identitário se vê oprimido unicamente pelo fato de serem mulheres e, por sua vez, estarem associadas às características de feminilidade (WIBBEN, 2008). Assim, compreende-se que todas as mulheres compartilham uma mesma experiência de opressão segundo o modelo de sexo-gênero, a qual é fundamentalmente diferente da vida de prestígios, oportunidades e ganhos de todos os homens (WIBBEN, 2008).

Segundo Tickner (2001), tal universalização de experiências femininas por parte do feminismo liberal decorre de suas raízes epistemológicas positivistas (RANDALL, 2010), pautadas em análises e perspectivas empíricas como característico tradicionalmente do saber

científico da Europa do Século XVII (TICKNER, 2001). Muito embora, as feministas liberais

reconheceram que esta formulação de conhecimento estava corrompida, pois, apesar de se apresentar como neutra, objetiva e racional, era enviesada pela supremacia masculina. Em contrapartida, procuraram corrigi-la com a adição do sexo feminino e o saber de seu entorno social em seus campos de investigação (TICKNER, 2001).

Desse modo, o feminismo liberal se apropriou do lema “o pessoal é político” (HANISCH, 1970, p. 76, tradução nossa) para utilizá-lo como ferramenta analítica conforme os preceitos positivistas de Kant, quer dizer, elevar o âmbito particular à categoria geral de análise. Assim, fixou-se a ideia de que a experiência de opressão de todas as mulheres estivesse vinculada unicamente à discriminação pautada em sexo e gênero, sob o comando do sistema patriarcal e de suas instituições sociais discriminatórias.

Ademais, a concepção feminista liberal enxerta um mundo de natureza humana com aspirações individualistas e, nesse sentido, as mulheres seriam seres humanos individuais e isolados com uma peculiaridade de agência e racionalidade (TICKNER, 2001). Aqui, é a discriminação baseada no eixo sexo-gênero que impede a mulher de perseguir o seu próprio interesse, autonomia e emancipação enquanto, o homem está totalmente inserido no sistema de

meritocracia (TICKNER, 2001). Assim, o feminismo liberal clama pela entrada do coletivo feminino nesta mesma estrutura característica dos ideais do liberalismo.

Neste caso em específico, as feministas liberais ponderam esses obstáculos para além das questões de sexo e gênero. É um impedimento substancial ao exercício das capacidades racionais das mulheres em sua plenitude, pautado na ótica dos direitos e de se proporcionar oportunidades (TICKNER, 2001). Enquanto essas barreiras permaneçam solidificadas, se representa impossível de se empreender um ambiente em direção à igualdade, porque há uma disparidade no desenvolver entre o homem e a mulher, e essa lacuna desigual é diretamente proporcional ao progresso da civilização humana como um todo (TICKNER, 2001).

Entretanto, há uma ideologia contrária à tradição liberal clássica de Estado mínimo. Muitas feministas liberais exigem a participação dos governos nacionais na promoção dos direitos às mulheres e na construção de um ambiente interno de igualdade (TICKNER, 2001). Ao mesmo tempo, prega-se por uma inserção feminina no mercado de trabalho (MONLEÓN; POLANCO, 2013) e algumas narrativas são muito intrínsecas à prática discursiva do feminismo liberal. A título de ilustração, a mulher deve pospor o casamento e a gravidez para perseguir uma melhor formação educacional com a finalidade de possibilitar uma justa competição com os homens em postos empresariais. Outra exemplificação está em torno da distribuição desigual de recursos, a qual está relacionada aos salários mais baixos recebidos por mulheres e à impossibilidade de acesso a cargos de liderança e planejamento estratégico pela discriminação baseada em sexo-gênero (MONLEÓN; POLANCO, 2013).

Ademais, o feminismo liberal está muito vinculado à titulação de direito, neste caso, as mulheres devem exigir e obter os mesmos direitos outorgados aos homens, eliminando as barreiras legais e possibilitando um maior acesso a componentes como educação, trabalho e política (MONLEÓN; POLANCO, 2013). A exemplo, sua tradição pode ser vista na relevante participação de mulheres ativistas e organizações femininas no sistema de direitos humanos da Organização das Nações Unidas. Por essa razão, comumente esse feminismo tem sido nomeado como feminismo institucional ou mainstream da ONU. Também, tal organismo absorveu a sua gramática feminista, e essa linguagem pode ser visualizada nos documentos de suas conferências mundiais em temáticas de gênero, direito e mulher.

Conquanto, sabe-se que os espaços internacionais são caracterizados pela inter-relação entre uma multiplicidade de Estados e, por analogia, a mulher e o movimento feminista se visualizam igualmente nessa mesma diversidade. Sob essa ótica, o feminismo liberal desempenha um papel relevante em fomentar pactos – entenda-se consenso – de pretensões globais, chamando a atenção de que, apesar das diferenças entre os diversos coletivos femininos

bem como entre as próprias mulheres, elas devem permanecer unidas em irmandade, disciplinando-as pela frase: “sisterhood is global” (BUNJUN, 2010, p. 118).

Elencando-se as dinâmicas bem como as transformações do sistema capitalista, em sua fase hodierna, pode-se afirmar que haja uma convergência entre a sua agenda neoliberal enfocada nos resultados e a ótica empregada pelas feministas liberais. Neste momento histórico, faz-se mais relevante atentar-se sobre a questão da eficiência cuja valoração se vê principalmente pelo aspecto qualitativo do que se foi alcançado, princípio consoante ao ensejo ao mundo técnico-empresarial do neoliberalismo contemporâneo e da lógica de emancipação proposta comumente por feministas liberais.

Por ilustração, tem-se uma transição de uma fase de agenda de direitos com uma igualdade focalizada no âmbito formal para um estágio no qual se formula uma série de metas – embora, apresentadas como objetivos – mais centrada na igualdade de resultados. O feminismo liberal persegue tal perspectiva à medida que incorpora em sua prática discursiva uma cultura corporativa-empresarial em direção à emancipação feminina, propondo uma transcendência da opressão patriarcal medida em ganhos econômicos obtidos pela mulher empresária, educada formalmente, líder, independente e bem-sucedida em sua carreira.

Enfim, graças a sua mobilização, o feminismo liberal possibilitou o aprimoramento socioeconômico de muitas mulheres em sociedades liberais do Ocidente (TICKNER, 2001). Muitas acadêmicas, apesar de terem se distanciado de suas práticas discursivas por motivos analíticos diversos, reconhecem o seu valor enquanto literatura científica e ativismo político (TICKNER, 2001); este entendimento tem pouco a ver com uma subestimação desse movimento, ao contrário, deve-se atentar mais à atuação do feminismo liberal no mundo contemporâneo, pois no campo discursivo feminista (ALVAREZ, 2014), o mesmo se encontra em posição hegemônica.

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