Partie III : Mise en place de la recherche et Résultats
6.3 Préparation de la formation pilote DIAALE 2014
Passado o momento de inserção da pessoa do terapeuta no sistema, é possível, de acordo com Andolfi (1984), introduzir novos procedimentos técnicos. Um deles é a negação estratégica que pode ser inserida no processo, enfatizando que a família não possui um motivo forte o bastante para justificar um tratamento psicoterápico, afirmação, essa, provavelmente, bastante estranha para a família. Ao mesmo tempo em que se nega a necessidade do atendimento terapêutico, é dada uma mensagem que garante as possibilidades do processo acontecer. Conforme Andolfi, quanto mais rígida for a organização familiar, mais útil será a negação quando colocada logo no início do processo.
Isso, ao negar estrategicamente a terapia, utilizando o argumento de a psicoterapia estar repleta de perigos para o equilíbrio de uma família que tem uma unidade defendida pelos seus membros de modo tão sério e comprometido. Ressalta que, com isso, o terapeuta tem o elemento surpresa a seu favor. A expectativa era de que o terapeuta fizesse todo o possível para todos para a consulta terapêutica.
Andolfi (1984) postula que uma intervenção de negação estratégica favorece a postura de observador participante do terapeuta. Pois, ele ativa um funcionamento
na família e se afasta para observá-lo em suas ocorrências sem sua intermediação. O terapeuta alterna o processo de penetrar no discurso emocional familiar - que é a própria provocação - e afastar-se do mesmo – a negação estratégica -, de acordo com a tensão envolvente no sistema. Ao provocar a tensão afeta agudamente o vínculo entre o terapeuta e a família. Ao abandonar o campo funcional e atuar como observador a tensão se redistribui entre os membros pela própria redefinição que estes elaboram de si próprios, acusando o potencial, para transformação e diferenciação, envolvido no processo.
A necessidade de utilizar-se de um procedimento como a negação estratégica é colocada como um recurso de apoio ao próprio progresso que vier a ocorrer no sistema familiar. Essencialmente, quando mudanças estão para acontecer e o processo corre o risco de não ser solidificado.
Num momento delicado como esse, caso o terapeuta se decida pela diretividade, corre o risco de retirar da família a decisão de continuar. A estratégia de mostrar o progresso nas relações familiares, através de sua negação, para Andolfi, consiste em redefinir o avanço como uma piora contínua da situação. Com isso, o terapeuta procura corroborar a idéia de ser melhor nada modificar.
Esse procedimento terapêutico é mostrado como uma forma de exercer força sobre os membros da família para que mantenham sua estabilidade, exatamente no tempo em que as primeiras mudanças são visíveis, levando-os a vislumbrar os possíveis perigos, implícitos na mudança de suas regras.
O procedimento de intervir negativamente na comunicação familiar, é orientado para que o terapeuta coloque todos os membros da família em comunicação, através do mesmo recurso utilizado por ela, ou seja, o paciente identificado. Assim, é fundamental que o terapeuta apresente o paciente identificado a uma função diferente daquela originária; uma redefinição radical das suas
características junto à família e de sua nova função no sistema familiar.
Essa nova função é atribuída pelo próprio terapeuta. Ao invés de continuar com a função designada pela família – doente, por exemplo -, Andolfi (1984) relata que costuma colocar o paciente identificado como alguém que até aquele momento se voluntariou para assumir o papel de doente, agora, terá a função de controlador oficial da família.
Há uma referência sobre o fato de, nesse momento, o terapeuta procurar levar o sistema familiar para aquilo que mais está evitando. O rompimento de seu equilíbrio. “Onde há ordem, trazer o desequilíbrio, onde há o desequilíbrio – acentuá-lo.
Uma ruptura, ao invés de um remendo”. (p. 50)
Sabemos, pela nossa prática, que ao ser rompido um padrão rígido de comunicação ou comportamento, são trazidas à tona possibilidades novas para a manifestação de potencialidades em cada membro, ou mesmo despertar relações, ou vínculos, com parentes de outras gerações que não estiveram presentes, ou não tenham circulado, no atendimento que a família está realizando.
Andolfi (1984) ressalta que com esse procedimento terapêutico o sistema é diretamente atacado mas não o paciente identificado, o qual por vezes, já vai apresentando melhoras.
Esse ponto teórico é muito caro para nós, visto percebermos que as mudanças começaram a acontecer na família, em diferentes momentos para cada um deles. Algumas das mudanças efetivaram-se nos intervalos de uma consulta para outra.
A realidade de estar mudando pode ser vista com duplo sentido. Primeiro, de estar rompendo a relação rígida para conquistar a liberdade. Outro, de o rompimento, em curso em um dos membros, ser uma união simbólica com o terapeuta, ou outros membros mais livres do sistema familiar. Nessa segunda
situação, qualquer que seja o membro da família a elaborar esse distanciamento, está já exercendo seu poder de diferenciação e decisão pessoal. É um rompimento com o andar em bloco, tão característico dos sistemas rígidos esquizofrênicos.
Andolfi e Angelo (1988) ressaltam que se houver uma volta – em geral, espera-se que haja – ela se dará sob novas condições e novas regras.
Temos verificado, em casos de famílias caracterizadas por um comportamento chamado de esquizofrênico, que o terapeuta necessita da habilidade de acolher o sistema familiar, a fim de poder tolerar a diferenciação surgida entre seus membros. Caso o terapeuta falhe nessa empreitada, nossa prática tem demonstrado que o sistema se organizará de uma forma mais rígida que outrora.