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A análise multicritério é uma técnica utilizada para estruturar e analisar decisões complexas, que envolvem vários critérios, algumas delas conflitantes entre si, por isso ao avaliar ações têm consequências e impactos econômicos, sociais e ambientais (HAJKOWICZ, 2008). Hajkowicz & Collins (2007) identificaram oito áreas de aplicação da análise multicritério relacionados aos recursos hídricos:

 gestão de captação;

 gestão de águas subterrâneas;  seleção de infra-estrutura;  avaliação do projeto;  distribuição de água;

 política da água e planejamento da oferta,  gestão da qualidade da água e,

 gestão de áreas marinhas protegidas.

A análise multicritério também pode fornecer soluções para os problemas complexos de tomada de decisões relacionadas à água (SILVA et al., 2010; MORAIS & ALMEIDA, 2006a; MORAIS & ALMEIDA, 2010). Para outros levantamentos sobre o assunto (OPRICOVIC, 2009; RAJU & KUMAR, 2006; RAJU et al., 2000).

Muitas abordagens de tomada de decisão multicritério estão sendo desenvolvidas para resolver problemas inerentes ao processo de decisão (ALENCAR et al., 2010; ALENCAR & ALMEIDA, 2008; SZAJUBOK et al., 2005). Alguns desses modelos podem estar especificamente relacionados com a gestão de manutenção ou priorização de áreas para reduzir as perdas de água. Morais & Almeida, (2010) apresentaram um modelo baseado no método PROMETHEE I para priorizar áreas críticas de perdas em uma cidade. Esta

abordagem considera critérios relacionados aos aspectos técnicos, a qualidade da água e aspectos sociais, o que levou à conclusão de que embora o modelo tenha sido aplicado a uma pequena cidade, se encaixa perfeitamente para problemas semelhantes envolvendo grandes cidades. Damaso & Garcia (2009) apresentaram uma abordagem sobre a disponibilidade dos sistemas e um modelo de envelhecimento no modo de espera, com base no processo de renovação generalizado, a ser usado para otimizar o agendamento de testes e manutenção preventiva.

De fato, na literatura são encontrados poucos modelos que abordam especificamente a questão da gestão de manutenção em redes de distribuição de água. Normalmente, os modelos encontrados trabalham a problemática de seleção. No entanto, nenhum procedimento foi encontrado relacionado às problemáticas de classificação e ordenação nos contextos da gestão da manutenção de redes explorados neste trabalho.

Nestes contextos, há também algumas dificuldades em alocar procedimentos de manutenção adequados para regiões específicas a fim de manter o sistema de distribuição de água, uma vez que existem muitos aspectos da avaliação e também há diferentes objetivos a serem alcançados. Como afirmado anteriormente, Morais & Almeida, (2010) propuseram uma priorização de áreas na rede de abastecimento de água para ajudar a gestão operacional de rede. No entanto, o resultado alcançado pelo PROMETHEE não era o suficiente para dar uma visão geral da rede de distribuição de água.

Em geral na literatura, o que se pode observar é que a maioria das soluções propostas relacionadas com redução de perdas, que não se baseiam em modelos estruturados ou métodos de apoio, são basicamente intuitivas e consideram a experiência dos técnicos responsáveis ou a conveniência com relação a aspectos políticos. A maior parte da literatura faz somente uma análise econômico-financeira, sem atentar para os aspectos subjetivos inerentes à escolha da alternativa de solução. Os trabalhos elaborados tratam a questão de forma muito qualitativa e não atendem adequadamente à dificuldade da decisão na classificação ou ordenação das alternativas disponíveis para a solução do problema. Morais & Almeida (2003) desenvolveram um estudo para a avaliação de investimentos associados à redução de perdas e desperdícios de água com o enfoque multicritério, abordando a problemática de escolha com o uso do método ELECTRE I. Posteriormente, o problema foi tratado baseado na problemática de ordenação, em que foram utilizados os métodos ELECTRE II e PROMETHEE II. Porém esses estudos consideraram apenas o ponto de vista

de um decisor, o gerente da concessionária da água. Assim, diante da necessidade de incorporar outros pontos de vista a esse problema, tais como os aspectos ambientais, políticos e sociais. Evoluindo este aspecto, Morais & Almeida (2006b) desenvolveram um modelo multicritério em grupo para o gerenciamento das perdas em sistemas de abastecimento de água.

Outros modelos que abordam o problema da gestão de recursos hídricos, o tratam de forma bastante holística, utilizando modelos multicritério, devido ao fato de que decisões nessa área geralmente envolvem alternativas e critérios e freqüentemente são caracterizadas por conseqüências incertas, interações complexas e participação de múltiplos decisores com interesses conflituosos.

Dessa forma, algumas abordagens formais que utilizam a metodologia de análise de decisão multicritério têm sido desenvolvidas para apoiar os decisores durante a análise de tal situação de tomada de decisão (HYDE et al., 2004; CHOI & PARK, 2001; KHEIRELDIN & FAHMY, 2001).

Abu-Taleb & Mareschal (1995) abordaram a questão da crise de água na Jordânia. Apesar de todos os problemas econômicos e restrições de disponibilidade de água que os decisores enfrentavam, havia uma grande variedade de opções para o planejamento dos recursos hídricos do Oriente Médio. Os autores utilizaram o método multicritério PROMETHEE V para avaliar e selecionar as opções potenciais, de acordo com as limitações orçamentárias, para desenvolver o projeto da alternativa e os programas terem continuidade de maneira eficiente. Assuntos como proteção ambiental, demanda de água e gerenciamento do abastecimento podem ser explicitamente considerados usando-se o procedimento multicritério.

Zuffo (1998) propôs a incorporação de características ambientais, sociais, técnicas e econômicas, comumente utilizadas em estudos de planejamento ambiental de recursos hídricos, como critérios. Foram aplicadas cinco diferentes ferramentas de auxílio à tomada de decisão: ELECTRE II, PROMETHEE II, Programação por Compromisso (CP), Teoria dos Jogos Cooperativos (CGT) e o método Analítico Hierárquico (AHP). Os métodos multicriteriais foram aplicados a quatro cenários distintos de pesos para os critérios, obtidos mediante consulta por questionário estruturado a especialistas. Considerou-se viável a inserção dos critérios adotados para os métodos multicriteriais, o que possibilitou melhorar o processo de escolha das alternativas.

Kangas et al. (2001) utilizaram métodos outranking (ELECTRE III e PROMETHEE II) como ferramentas no planejamento estratégico dos recursos naturais. Eles compararam esses métodos outranking com as técnicas baseadas nas idéias da teoria da utilidade multiatributo (MAUT). Os métodos outranking foram os mais recomendados para essas situações, nas quais existe um número finito de alternativas discretas para serem escolhidas dentre outras, podendo ser grande o número de critérios e decisores. Uma vantagem importante dos métodos outranking é sua habilidade de tratar com informação ordinal e descritiva nos planos alternativos a serem avaliados.

Morais & Almeida (2006a) utilizaram o ELECTRE I para o gerenciamento estratégico de uma companhia de água estadual selecionando os projetos de abastecimento de água mais adequados a serem implantados à luz dos critérios estabelecidos.

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