Nesta secção procede-se à análise das respostas obtidas do ponto de vista de uma análise comparativa entre as organizações hospitalares inovadoras versus conservadoras, tendo como critério de classificação a consideração de uma organização como inovadora se apresenta um score de inovação organizacional igual ou superior a 4, e conservadora se inferior.
Em relação à análise anterior, das organizações públicas versus privadas, neste caso verifica-se um maior equilíbrio amostral, dado o grupo das organizações inovadoras totalizar as 19, enquanto que as conservadoras ascendem a um total de 29, conforme se pode observar consultar, respectivamente, no Painel A e no Painel B, da Tabela C.3, colocada nos anexos desta tese. Note-se a superioridade do número de entidades conservadoras. No entanto, é de destacar que tal domínio não é demasiado evidente, compreendendo os hospitais inovadores 40% do total das organizações para as quais foi possível apurar o respectivo índice de inovação.
Com uma situação igualmente análoga à anterior, dos hospitais públicos versus privados, os hospitais inovadores apresentam valores médios superiores em todas as variáveis, quando comparados com os hospitais conservadores. Ou seja, os hospitais inovadores são superiores em toda a linha em relação aos conservadores, assim como os hospitais privados também tinham apresentado índices superiores em toda a linha em relação aos públicos.
Contudo, tal como na secção anterior, do ponto de vista da análise estatística as diferenças entre os dois grupos de análise são praticamente inexistentes, conforme se pode verificar no Painel B, da tabela C.4, anexa a esta tese. As excepções verificam-se para a variável Inovação Organizacional que, tal como não podia deixar de ser, registou diferenças estatisticamente significativas no intervalo de confiança de 95%, independentemente da estatística utilizada. Aliás, saliente-se que IO foi incluída na análise como variável de controlo, dado a sua análise substancial ser naturalmente redundante. O facto de a diferença entre grupos para esta variável ter sido cabalmente registada, também contribui para a validação estatística da análise aqui conduzida.
Para além da excepção natural de IO, apenas se registou uma diferença estatisticamente significativa para a variável DSCO, apenas validada pela one-way ANOVA. Dado as diferenças ser ainda menos significativas para o grupo de análise inovadores versus conservadores, do que para os públicos versus privados, de ora em diante esta tese não se preocupará mais em aprofundar a análise das diferenças do primeiro grupo de análise, considerando apenas a questão da análise no âmbito das diferenças entre hospitais públicos e privados, conforme se discute nos capítulos seguintes.
6.7. Comentários finais
Neste capítulo apresentou-se um estudo empírico de índole quantitativa desenvolvido com intuito de testar as hipóteses construídas para esta tese, que precede o desenvolvimento de um outro estudo empírico, mas de índole qualitativa, que se exibirá nos capítulos seguintes.
Para a consecução do estudo empírico quantitativo, foram definidas diversas etapas, cuja realização aqui se descreveu, e que consideraram um processo de recolha de dados e construção de uma amostra-alvo de estudo, bem como a sua caraterização, a que se seguiu uma examinação factorial, que implicou a definição prévia da metodologia de identificação e agregação dimensional, i.e. a identificação estatística dos factores de análise, permitindo assim suportar a construção de um conjunto de variáveis, que foram
posteriormente sujeitas a tratamento estatístico univariado e bivariado, de modo a testar as hipóteses de investigação formuladas no capítulo anterior. Mais concretamente, após a elaboração de um conjunto de estatísticas descritivas para as variáveis contruídas nesta tese, passou-se à inferência estatística, realizada a partir de uma análise estatística bivariada.
Em termos de análise e discussão dos resultados obtidos, destaca-se a aceitação da generalidade das hipóteses. Apesar de não ter sido possível aferir quanto à possível aceitação das hipóteses 3a, 4a e 4b, todas as restantes foram testadas com sucesso, i.e. foram aceites, não tendo sido aquelas rejeitadas, dado os testes de hipóteses não terem gerado resultados conclusivos. O facto de apenas um reduzido número de organizações empregarem políticas de bónus e/ou terem sistemas de avaliação de desempenho pouco desenvolvidos, será provavelmente a justificação para tais resultados inconclusivos.
No que respeita à análise dicotómica dos resultados obtidos para as organizações hospitalares públicas versus privadas, verificou-se que a maior parte das variáveis apresentam estatísticas descritivas semelhantes registando-se, contudo, algumas diferenças significativas, como é o caso dos sistemas de mensuração do desempenho, em que o nível de importância nos hospitais privados se foca primariamente no CMP, enquanto que nos públicos se verifica o oposto, com o RMP a assumir maior relevo. As diferenças significativas também se estendem à adopção de políticas de prémios e bónus de desempenho, bem como ao nível da utilização de sistemas de informação/gestão e de sistemas de controlo orçamental, mais valorizadas no sector hospitalar privado do que no público.
Quanto às restantes variáveis, não se observaram diferenças significativas entre as organizações públicas e privadas. Contudo, ainda que com diferenças mínimas, em termos médios, as organizações hospitalares privadas também apresentaram níveis superiores de inovação organizacional, autonomia estrutural, enfoque nos resultados organizacionais, tanto ao nível da eficácia como da eficiência, política de formação, bem como da possibilidade de ganhos de eficácia devido à sua existência, maior ênfase estratégica na inovação/adopção de sistemas de informação e controlo, bem como superior desempenho e contribuição dos mesmos.
Em síntese, os coeficientes médios de resposta para todas as variáveis são superiores nas organizações hospitalares privadas, sendo tal cenário sido corroborado e validado por outras estatísticas descritivas, tais como as medianas e o desvio padrão.
No entanto, é importante ter em consideração que a amostra inclui um número relativamente reduzido de organizações hospitalares privadas, cujo número é desproporcional em relação às públicas, podendo assim gerar algum enviesamento nos resultados obtidos. Sem prejuízo de tal facto, os dados obtidos para as diversas variáveis parecem assumir uma distribuição normal, sugerindo não haver problemas com a normalidade das distribuições.
Note-se que em relação às diferenças entre organizações hospitalares inovadoras versus conservadoras, registou-se uma clivagem menor do que no caso dos hospitais públicos versus privados, praticamente com ausência total de diferenças estatísticas, pelo que se considera aqui ser esta uma questão de menor relevância, não sendo a sua análise continuada de ora em diante nesta tese.
Finalmente, é de salientar que os resultados aqui apresentados estão em linha com a literatura existente, até porque as formulações teóricas aqui utilizadas para suportar o estudo empírico se inspiram em publicações de referência, com particular destaque para os trabalhos de Abernethy e Lillis (2001) e Govidarajan (1988).
No capítulo que segue inicia-se o desenvolvimento de um novo estudo empírico, mas de natureza qualitativa, focado no estudo de caso de uma organização hospitalar privada, a que se seguirá um penúltimo capítulo, focado na análise de uma organização hospitalar pública.