A sexta tendência de leitura de realidade identificada em nosso processo de pesquisa se soma aos determinantes ao exercício da profissão. O questionamento que orientou a leitura de realidade estiveram pautados, principalmente, por: Fale sobre a realidade do seu
município, explicando quais as principais formas de organização econômica e política e De que forma você avalia o reconhecimento profissional, tendo em vista as condições de trabalho e as relações interprofissionais e com os gestores?.
No primeiro momento, evidenciamos uma leitura da realidade sob a ótica da realidade cultural no município.
Muitas coisas conservadas aqui ainda,
conservadorismo mesmo e isso dificulta.
(Participante 23)
Aquela coisa do assistencialismo ainda tá muito
enraizado na população de Itajaí, tem muito
entram naquele, no Imaruí, lá que é um bairro... como é que a gente diz? (Participante 29)
Só que também tem esse lado também cultural, muito forte na nossa região, especialmente no campo que predomina aqui a questão pública que a tendência ainda é essa mistura do social, da
questão social técnica do profissional, que dá um
bom espaço e respeito, mas ainda tramitamos junto com essa questão clientelista, da política
partidária, do domínio de poderes já enraizados,
históricos e de famílias na região, e que afeta o cotidiano do profissional e o reconhecimento. (PNI)
Podemos perceber que a cultura política se dá em uma realidade local permeada, ainda, por valores paternalistas e clientelistas, e como podemos perceber, está presente tanto na lógica da população quanto da própria gestão. O público e o privado se apresentam em estreita relação como algo presente na reprodução da política clientelista e familiar.
Nos próximos trechos, nos defrontamos com um diálogo que tem como pano de fundo a política partidária local, um momento instigado pelo facilitador.
Pra fecharmos essa caracterização da cidade, nós gostaríamos de saber como que é a realidade político-partidária do município, tanto das siglas como da correlação de forças das siglas dentro do município. (Facilitador)
Vocês querem focar em Chapecó? (Participante 10)
Se vocês puderem falar da realidade de outros municípios que mesmo que vocês não atuem, mas conheçam. (Facilitador)
Em [tal cidade] agente pode dizer que existem dois grandes partidos que são oposição e um partido com menor força mas que também tenta se destacar, tenta sobreviver no meio do jogo de forças. Um é o PMDB que comandou o município
alternância de poder: o vice passava para prefeito o prefeito passava para o vice. Os nomes eram os mesmos. Agente costumava brincar: esse é macaco velho, porque agente conhecia todos há muito tempo. Agora teve um baque, por volta de 2003 ou 2004, quando mudou de partido que agora já está no segundo mandato, agora é o DEM, na época PFL. Então foram os Democratas que assumiram. Sem defender um ou outro, porque eu tive sérios problemas com esse novo partido quando assumiu, o que tem de novo é que na semana passada agente teve a informação que Xaxim ficou entre os cem municípios com melhor qualidade de vida no Brasil. Claro que o prefeito utilizou disso com um troféu, ele personalizou esse prêmio como fruto da gestão dele. Mas tem esse indicativo e eu acho um indicativo bom. (Participante 10)
Tem uma coisa, falo porque eu nasci e vivi [na cidade] por muito tempo, tem uma coisa que tanto
um partido quanto o outro circula entre as famílias tradicionais há tempo, as relações de
força estão concentradas na mão de uma elite do
município e o que diferencia são interesses
pessoais, eu acho que o projeto político é o mesmo, não vejo diferença entre um e outro se for pensar, alguns detalhes diferentes mas no cerne o fundo é mesmo. (Participante 9)
Eu acho que o projeto que diferencia mais é o projeto do Partido dos Trabalhadores que não consegue vingar em Xaxim, porque na sua maioria são trabalhadores, algumas lideranças e que não tem poder econômico. (Participante 10) [Na cidade] as eleições, é um caso sério, rola muito dinheiro. É bem no coronelismo mesmo. Gente, é horrível! (Participante 9)
Identificamos aqui neste contexto, uma leitura de realidade a partir das disputas partidárias e diferenças entre partidos, o predomínio de alguns partidos na cidade e pouco êxito dos partidos de esquerda por conta dos grandes recursos investidos nas campanhas eleitorais, muito baseadas, ainda, na compra de voto.
Nos próximos trechos, a política partidária e o poder econômico são temas do diálogo. Os profissionais de empresa fazem uma análise a partir do seu local de trabalho e encontra relação entre a política local e a economia local, neste caso vinculada a agroindústria – ao frigorífico, como fazem menção.
É daí tem uma outra coisa que onde as empresas vão se aproximando de um e outro partido, então também é o que define: o frigorífico apoiava tal
partido, então os funcionários vestiam a camisa,
saiam brigando com os vizinhos. (Participante 10) Foi assim que começou a mudança, desde quando o Seu Onório do DEM foi derrotado e por conseqüência a empresa foi derrotada também, a diferença de votos foi mínima, mas foi nesse momento que se começou o processo de mudança para alternar o poder em Xaxim. Já em Chapecó isso é um pouco diferente, aqui já tivemos o antigo PDS que agora é o PP, agora é o PMDB, mas já teve o PP, o PMDB com o Ledônio, depois veio o PT com dois mandatos de PT e depois veio o PFL. [...] Há uma alternância de poder maior aqui porque a relação é um pouco diferente da de outros municípios. (Participante 9)
É que a relação não é tão centralizada, ela é mais descentralizada, é mais pulverizada, em Xaxim é dois eixos: os empresários que seriam os Democratas e eu não conseguiria classificar o que seria os PMDB, mas em Xaxim PMDB é de longe de esquerda, de longe; não consigo entender em Xaxim o PMDB como esquerda. (Participante 10)
E aqui as forças estão assim: PMDB se divide em
alguns empresários e mais algumas pessoas do setor público, também não dá pra definir muito
empresários. O Partido dos Trabalhadores é um
pessoal mais do sindicato, um pessoal mais dos
movimentos sociais, aqui tem o PCdoB que também já elegeu vários vereadores. (Participante 9)
Que aqui acaba crescendo muito dentro do movimento estudantil. (Participante 10)
Além de identificarem uma relação aproximada entre política e economia, os participantes percebem diferenças na configuração da política e das eleições municipais entre um município menor, como o de Xaxim, e de um município maior, como o de Chapecó. No entanto não encontramos nos participantes uma leitura destes determinantes sobre a política local e tampouco problematizações acerca das relações que se estabelecem entre as vinculações políticas e econômicas.
No diálogo os profissionais indicam alguns sujeitos vinculados a um partido ou outro, mas não problematizam sobre o projeto político e ideológico e tampouco as relações promíscuas e imprescindíveis entre economia e política no sistema político brasileiro, muito impulsionada pelas relações capitalistas vigentes. Encontramos, no próximo trecho, uma breve passagem acerca disto, com destaque aos impactos que as diferenças partidárias realizam sobre a política social, sobre o exercício profissional dos assistentes sociais e, ainda, sobre a vida dos assistentes sociais.
[...] Quando assumiu esse novo governo, saiu o governo do PT, entrou o DEM. Façam as contas, que a diferença é muito grande. Projeto político, ideológico é completamente diferente. Eu, em um
ano, no ano de 2005 eu passei por seis lugares, seis setores diferentes dentro da assistência, e é
assim que começa, eles começam a te transferir até te jogar num buraco, lá no pior lugar até o ponto que tu desistir. Acho que o cúmulo aqui em Chapecó, que aconteceu com uma colega e gente acabou se mobilizando, eles colocaram uma assistente social pra fazer fraldas, a gente tinha uma máquina, a gente não, a prefeitura tinha uma máquina de fazer fraldas [...] a gente tem esse beneficio de repasse de fralda. [...] essa menina
sair, é uma das que tá fazendo curso de Direito, porque desistiu da profissão, ela passou horrores (sic) aí a gente chamou o CRESS, foi pra cima porque isso foi demais. Até aí estava cada uma
administrando seus embates, mas quando
colocaram a menina pra fazer fraldas aí o bicho pegou, era um desrespeito com a categoria. (Participante 9)
Somado a este trecho, nos deparamos com uma reflexão onde mesmo que o profissional traga certa experiência positiva entre um governo do PT (Partido dos Trabalhadores) em comparação ao do DEM (Democratas), por exemplo, ele sinaliza que a política de assistência social se constrói e se efetiva com grandes dificuldades em meio a política local.
[..] os bastidores no poder não circulam, até que ponto elas tem essa autonomia de decisão, a gente não sabe, mas na prefeitura isso é muito difícil, principalmente no que se refere a política de assistência social é as duras penas que se
consegue. E pode ser governo de DEM de PT, do que for, é sempre na briga. (Participante 9)
Pereira (2009) nos lembra que a política social e que a pauta da política social nunca esteve tão evidente como nos últimos tempos como uma recorrente “tendência intelectual e política”, o que para ela se torna uma curiosidade pelo fato de que o destaque dado ao social ocorre, justamente, em um período imperado pela ideologia neoliberal:
Não deixa de ser curioso que se fale tanto de política social num contexto que lhe é ideológico e políticamente adverso, ou que se recorra tanto a essa política quando mais a sua função concretizar direitos sociais pareça insustentável. (Pereira, 2009, p. 163)
É nessa contramão que vamos identificando as dificuldades de se consolidar a política pública de assistência social e essas dificuldades estão para além dos embates aos governos municipais e dependência da configuração da política local, uma reflexão ausente nos diálogos realizados.
Nos próximos extratos, nos encontramos com uma leitura da realidade que relaciona cultura e política local com a gerência nas secretarias municipais de assistência social, relações essas que impactam diretamente sobre a autonomia profissional.
[...] isso tá muito forte no nosso município a
questão assistencialista, na prefeitura, e político partidária, uma questão muito histórica de autoritarismo, de coisas que a gente pensou que
quando a gente ta na faculdade não é real e quando você vai pro mercado de trabalho você se depara com isso e é desesperador, porque infelizmente a gente encontra profissionais que acabam ou se moldando ou voltando pra aquilo que um dia aprendeu que não era daquela forma, então a indignação volta a todo momento, [...] mas o que a gente percebe e que é muito forte ainda, e os programas ainda não se realiza como deveria, tá tudo muito bonito no papel sabe, a estrutura, os profissionais tem espaço mas ao mesmo tempo em alguns momentos as coisas são
de cima pra baixo e isso dificulta bastante o nosso trabalho a nível de prefeitura e isso ainda
é muito forte, coisas que você tem que as vezes ir por outros caminhos e eu acho que é uma conquista , eu vejo isso como um sonho assim de
um dia a gente ter assim uma assistente social na
frente da secretaria de assistência que
infelizmente é uma realidade talvez longe, mas geralmente as pessoas que estão a frente elas não tem a compreensão da política, não tem a compreensão do trabalho e aí pra você tentar explicar tudo isso você é mal vista muitas vezes você tem que recuar e tentar outros caminhos pra fazer realmente o trabalho que deve ser feito [...].(Participante 23)
Mas por trás, foi colocado ali, em função de uma
política partidária. Mas que isso não trás, não
aparece como um conflito. Eu acho que o que mais aparece é a falta do conhecimento desse
gestor mesmo. E que daí, muitas vezes barra na
autonomia dos técnicos daí. E eu vejo assim, que você não consegue fazer um trabalho com a
mesma eficiência se você não tem autonomia, o conhecimento. (Participante 6)
Na nossa região serrana, aqui na região da [associação], só tem um município que tem uma
assistente social a frente da secretaria que é a
[assistente social], lá em [tal cidade], o restante é tudo desta forma, com prefeito tudo jogado, não conhece a situação, não conhece a política, e acaba sendo dessa forma que a [assistente social] falou, então só pra conhecimento, ainda temos um município que se salva. (Participante 22)
[...] a nossa secretária de assistência social, ela
ridiculariza a gente em público, a gente trouxe
ela, a gente tem que trazer ela pros debates, nós trazemos ela pros simpósios, pros eventos aqui que a gente não pode se afastar, tem que refletir, tem que conversar e ela, ridicularizou a profissão de uma maneira assim que todo mundo ficou olhando assim, meu tem uma maneira de discutir com ela, tem algumas coisas que só nascendo de novo, e interior é isso mesmo, então incomoda bastante, eu acho que Lages e região aqui é isso. (Participante 21)
Então assim, eu acho que os desafios ainda são muitos, principalmente agora com o SUAS, que a gente ta com uma outra fase, assim, da assistência social. Que a gente conseguiu implantar a assistência nos municípios e que agora a gente tem que dar cara ..E que isso passa pela atuação dos profissionais, porque os gestores, quando não
são os técnicos que na maioria das fases não são,
que são cargos políticos, vai muito então, a
implantação do SUAS vai muito...da assistência, do recursos humanos da assistência, com os gestores não dá... (Participante 3)
Bem, eu vou ser redundante, mas resumiram, ambas são frutos aqui da universidade, da UNIPLAC mas, Lages e região tem essa cultura
do assistencialismo e do autoritarismo muito
intenso, o que as meninas falaram é verdadeiro, elas estão a frente das principais secretarias de
pessoas totalmente políticas partidárias e muitas
vezes eu não tenho de repente um técnico qualquer, pode ser um secretário, desde que ele
tenha bons assessores, nós até temos pessoas boas dentro das secretarias, porém o que eu vejo aqui é uma perseguição pontual as pessoas, então as
pessoas acabam não fazendo porque elas tem medo de perder seu emprego. (Participante 21).
Trabalhamos juntas e conversamos inúmeras vezes sobre questões da estrutura ou da conjuntura, e a gente até se prega a dizer na
cultura, do resquício da cultura que interfere nessa posição da gente, mas falando na realidade
de prefeitura, por que eu também tenho experiências em outras instituições, inclusive privadas, que tem uma lógica diferente de funcionamento. Digamos que tem duas lógicas de assistência social na minha experiência: uma que é baseada no capital mesmo, que é a parte da iniciativa privada, que faz as contratações com intenções explícitas de melhorar condução, condição de empregado, de família, etc.; e a da prefeitura, do poder público que tem embutido na política, no desenho atual, mas que na essência não funciona certinho, existe um domínio político
partidário mesmo e que isso interfere
diretamente nessa nossa posição, por que somos dependentes do emprego, somos dependentes
dessa renda que gera esse emprego para a nossa sobrevivência, e isso nos faz culturalmente, por
que temos relações sociais, com poder
estabelecido, temos relações familiares, etc., e acabamos nos submetendo, vamos colocar entre aspas “literalmente”, o respeito para as pessoas que estão representando esse poder, e aí isso
impede que no dia-a-dia de nossos trabalhos, nós
nos manifestemos com posicionamentos
contrários às posições, às proposituras do poder
estabelecido e isso vai gerando em nós um acanhamento. (PNI)
Mas nós sofremos um pouco dessa interferência
política porque às vezes, o próprio usuário, ele
atendido prontamente, ele não quer esperar a ordem, porque é por ordem de chegada o atendimento. Ele quer por entidade e essas pessoas, às vezes, esse usuário, ele já veio encaminhado por um vereador. Então dentro do
município a gente sofre essa influência política.
E ele chega com toda a propriedade, ele quer ser atendido prontamente, e ai já tem uma equipe, que a gente chama a nossa turma de choque ali. Os monitores sociais que já acalmam essa pessoa, eles não, aqui é assim, é por ordem de chegada, o senhor tem que fazer o cadastro, tem que trazer todos esses documentos, a gente já tem tudo aquilo, já entrega pra pessoa, não é assim. “Ah, mas foi o vereador tal que me encaminhou”. Bom, quando é o vereador a gente consegue se livrar, mas quando vem indicado por uma gerente que está acima de nós, ou seja, uma chefe superior da fundação, aí a coisa complica, por quê? Se você não atender aquela pessoa, não der um jeito de atender aquelas pessoas. Essa pessoa vai sair dali já com o celular, vai ligar e você vai ter que atender. Então muitas vezes você recebe um telefonema que vem de cima e diz, olha. Tô mandando ai o fulano de tal. Atenda. Já fiz aqui a seleção, digamos assim, conceda o benefício que ele está solicitando. Você tem que atender
prontamente, isso nós não temos autonomia.
(Participante 1)
Ao olharmos para estas reflexões realizadas pelos participantes, podemos perceber que elas revelam questões ligadas à política de Assistência Social, sinalizando fragilidades, ausência do Estado, relações de poder, partidarismo e de carência de gestores que sejam técnicos – dado a questão partidária e da própria política de governo, e essa foi uma questão bastante recorrente na fala dos assistentes sociais. Estas situações ajudam a traduzir a realidade do trabalho profissional e que, sem dúvidas, determinam em grande medida o exercício profissional.
Presenciamos falas que, ao mesmo tempo em que estão restritas ao seu local de trabalho, à sua realidade, trazem questões da realidade
local, imbricadas à cultura do assistencialismo, do coronelismo e que denotam uma relação de mando na própria política.
Essas questões da cultura e da política local em relação direta sobre a política de assistência social abalam a autonomia profissional, como bem esteve explícito nas palavras dos participantes. Podemos ver que esta autonomia também se fragiliza dada as condições de trabalho no qual os profissionais estão inseridos, conforme discorreram sobre sua condição de trabalho, nos limites da profissão.
Iamamoto (2006) revela que a autonomia do assistente social se choca com a sua condição de trabalhador assalariado, para ela não é possível compreendermos o assistente social com domínio total de autonomia para acioná-la a sua vontade, conforme suas necessidades e exigências.
Ora, ao vender sua força de trabalho em troca de salário (valor de troca dessa mercadoria), o profissional entrega ao seu empregador o seu valor de uso ou o direito de assumi-la durante a jornada estabelecida. Durante a jornada de trabalho, a ação criadora do assistente social deve submeter-se à exigências impostas por quem comprou o direito de utilizá-la durante um certo período de tempo conforme as políticas, diretrizes, objetivos e recursos da instituição empregadora. É no limite dessas condições que se materializa a autonomia profissional na condução de suas ações. O assistente social preserva uma relativa independência na definição de prioridades e das formas de execução de seu trabalho, sendo o controle exercido sobre sua atividade distinto daquele a que é submetido, por exemplo, um operário na linha de produção. (IAMAMOTO, 2006, p. 97)
A autonomia referenciada pelos participantes denotou as fortes determinações que a cultura do favor exerce sobre o trabalho do assistente social, isso nos remota uma realidade sócio-histórica brasileira que ainda permanece enraizada na realidade política dos municípios, impedindo que valores democráticos sejam incorporados na realidade social.
Chauí (2001) afirma que o percurso da formação cultural, social e política do Brasil caminhou, historicamente, por um terreno adubado por uma realidade escravista, de “cultura senhorial”, é demarcado pelo
predomínio do espaço privado sobre o público e, tendo o centro na hierarquia familiar, é fortemente hierarquizada em todos os seus aspectos: nela, as relações sociais e intersubjetivas são sempre realizadas como relação entre um superior, que manda, e um inferior, que obedece (CHAUÍ, 2001, p. 13).
Conforma-se uma sociedade permeada por questões de desigualdades que acabam por reforçar a cultura do mando, autoritária, na qual o outro não é visto como sujeito, em que os iguais são aqueles