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Précision et perte du mystère

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 174-178)

B) « Space being(don't forget to remember)Curved » : sur la subjectivité du langage savant

4. Précision et perte du mystère

A segunda categoria a ser apresentada retrata como os profissionais de saúde com deficiência descrevem seu relacionamento com os pacientes. As categorias construídas foram: Bom relacionamento; Identificação com cliente; Não percebem a deficiência; Atitudes negativas. Alguns profissionais atuavam em locais onde não ocorria o contato direto com o cliente, portanto não poderiam avaliar este componente.

5.6.3.2.1 Bom relacionamento

Na atual categoria, foram reunidos os relatos em que os entrevistados descreveram um bom relacionamento com paciente e afirmaram que a deficiência não interferia nessas relações.

Os entrevistados disseram não perceber diferenciação de tratamento nas relações com pacientes. Médicos e enfermeiros com deficiência em um estudo norte-americano relataram que quando o paciente tinha conhecimento de sua limitação, a maioria dos pacientes agia de forma a apoiá-lo. Ter uma deficiência parecia aproximar e tornar mais empático o seu papel de médico ou enfermeiro (NEAL-BOYLAN et al., 2012).

Houve relatos em que o profissional descreveu momentos em que o paciente expressou curiosidade quanto à sua limitação ou como o mesmo executa as suas atividades.

Também, não. Sempre, assim... Sempre tem um ou outro que pergunta, o que que eu tenho. P12

[...]Tem esse acolhimento, às vezes interagem até na vida pessoal. Questionando como é que eu consigo realizar as minhas funções, as

94 minhas tarefas com a deficiência, uma curiosidade sadia, tentando compreender. P1

As relações com o cliente, de forma geral, foram avaliadas como positivas. A curiosidade quanto à deficiência foi descrita como algo positivo que permitia aproximação com o paciente, não como algo constrangedor.

Terapeutas ocupacionais com deficiência relataram que apesar de não vivenciarem muitas situações positivas com paciente, eram as relações com colegas de trabalho e com superiores as principais barreiras à sua prática profissional (CHACALA et al., 2014).

5.6.3.2.2 Identificação com o paciente

A outra categoria a ser apresentada reuniu os relatos em que os profissionais relatavam situações em que, em algum momento, se identificaram com os pacientes.

Boa, sempre foi, mas eu acho que quando eu era da enfermagem atuante, era melhor, porque eu me via na situação dele. Eu acho que eu era melhor assim, mais participativa, eu conseguia me pôr no lugar, entendeu? O primeiro setor que eu trabalhei, por coincidência, foi na Neuro. Então cada paciente que eu dava banho, eu me via lá no lugar dele, dando banho. P14

A identificação com o paciente pode ser uma motivação para o trabalho, assim como pode ser fator determinante para a humanização.

No estudo em que pessoas com doença psiquiátrica atuavam em serviços de saúde mental, foi considerada motivação para o trabalho atuar com pares, onde os trabalhadores enxergavam a oportunidade de estabelecer relações igualitárias e recíprocas (MORAN et al., 2013).

A empatia é fator determinante para a humanização, colocar-se no lugar do outro e oferecer o tratamento que gostaria de receber pode ser dispositivo que possibilita uma melhor assistência ao cliente (CALEGARI; MASSAROLLO; SANTOS, 2015).

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Assim, como nas relações com os pares, os profissionais relataram situações em que os colegas não têm conhecimento de sua deficiência. Houve relatos em que os profissionais disseram que, por vezes, os pacientes não percebem a sua deficiência.

Os pacientes, eu acho que muitos nem percebem, enfim, não tem problema nenhum. P8

Alguns nem percebem, é imperceptível para alguns [...] P3

No estudo de Neal-Boylan (2012), os médicos e enfermeiros com deficiência relataram que se sentem mais à vontade ao revelar aos pacientes que convivem com alguma deficiência que fazê-lo para algum colega de trabalho ou superior.

5.6.3.2.4 Atitudes negativas

A última categoria que será apresentada para descrever as relações com o paciente reúne relatos em que os profissionais descreveram atitudes negativas, do tipo: reclamar, duvidar da capacidade do profissional ou usar a deficiência para desacatar o profissional, em momentos de conflito direto.

Com os pacientes é muito curioso, porque chega o paciente para pegar o exame e muitas vezes eles me veem com o fone de ouvido, então de repente eles pensam à primeira vista: ahh a pessoa atende a gente com fone de ouvido, deve estar ouvindo alguma coisa, não quer, né? Quando eles veem que eu tenho a deficiência visual, aí eles ficam assim: será que isso vai da certo? Será que vai prestar? Tem pessoas assim, que duvidam do que eu estou fazendo, mas depois, assim, já chegou a pegar exame comigo, mas depois conversar com outra pessoa pra ver se estava certo, já aconteceu isso. P19

É, às vezes tem uma coisinha, outra, sabe? ‘Ahh como é que coloca uma surda pra trabalhar se ela não escuta a gente’, que às vezes eu fico perguntando, repete, fala mais alto, repete, fala alto aí eu até chego assim o aparelho perto. E tem uns que não gosta, porque eles acham que tinha que ter uma pessoa que escutasse assim até o que eles não estão falando, entendeu? P13

O profissional com deficiência ainda é julgado como incapaz de exercer a atividade de trabalho na mesma proporção e qualidade que um trabalhador sem deficiência (PEREZ, 2012).

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Infelizmente a cultura de inclusão ainda não acontece, as instituições pouco conseguem perceber as potencialidades e vantagens da contratação de pessoas com deficiência, além de condição imposta por lei, o que por vezes resulta em não investimento nas adaptações necessárias (PEREZ, 2012).

Uma cultura institucional de inclusão precisa ser transversal, atingindo inclusive os pacientes. Outra situação que foi relatada por um profissional com deficiência foi a ocasião em que o paciente usou a deficiência para desqualificá-lo, em momentos de embate.

Em relação à questão visual, o que eu percebo, é que assim, o outro lado, quando fica com muita raiva, acaba me atacando. ‘Ah aquele doutor é ceguinho, que não me deu o atestado, aquele doutor cego que é revoltado, né?’ Até no consultório eu já escutei de uma paciente, que eu dei uma bronca nela, ‘Ah também a gente tem que ter paciência com ele, porque ele é revoltado, por causa da questão visual. P17

Além da situação de embate em que a deficiência aparece como um tipo de xingamento, tratar o profissional como se estivesse em uma posição lastimável, que merece caridade, por causa de sua limitação também são posicionamentos negativos que demonstram preconceito da parte do cliente para com o profissional.

Estudo realizado no Brasil com trabalhadores de uma universidade, investigando concepções sobre o trabalho de deficientes, identificou que 19% dos entrevistados apontaram os pressupostos que remetiam concordância com a interpretação espiritual para a deficiência. Neste tipo de concepção as pessoas julgam que a deficiência tem origem divina e assumem atitudes de compaixão e caridade com relação à pessoa com deficiência (CARVALHO- FREITAS; TETTE, 2012).

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