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Précédents du laboratoire

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As soluções interpolares que aqui se apresentam, e que foram desenvolvidas no âmbito do presente trabalho, são meramente sugestivas do potencial que a exploração dos princípios do nónio ou do vernier poderá gerar, em termos de diversificação de alternativas, no contexto dos artefactos para medir e indicar o tempo.

Assim, de acordo com a ideia (já mencionada) de tomar o conceito metrológico do

paquímetro com o intuito de o adaptar aos requisitos de medição do tempo, procedeu-se

então à reinterpretação dos componentes deste instrumento de modo a corresponderem a tais requisitos. Nesta correspondência, a interpretação que se faz da régua fixa, graduada segundo o sistema decimal, levará a que possa ser traduzida num quadrante fixo graduado segundo o sistema duodecimal. Deste modo, tal como a extensão de nove partes, da graduação da régua deslizante do paquímetro, se encontra subdividida em dez partes, também a extensão de onze partes, da graduação do quadrante rotativo do relógio

monoagulha, passou a ser subdividida em doze partes (ver Figuras 41 e 42).

Resulta daqui que cada sector desta última subdivisão apresenta um encurtamento de amplitude de dois graus e meio (2,5º), relativamente à amplitude (de 30º) que separa cada hora marcada num convencional quadrante de relógio (ver figura seguinte).

Figura 41 – Esquema representativo da graduação duodecimal do quadrante fixo (à esquerda) e da graduação duodecimal

do quadrante rotacional (à direita). Este último apresenta o sector correspondente a 11 partes da divisão do quadrante fixo (360º-30º a vermelho) que é subdividido em 12 partes. (esquema nosso, 2014)

O simples cálculo desta medida – 2,5º – torna-se determinante para o dimensionamento da marca radial que passará a funcionar (virtualmente) como ponteiro dos minutos.

A fim de se esclarecer melhor esta conceção, há que retomar a compreensão do modo como um paquímetro funciona e compará-lo com o modo pelo qual se pretende que venha a funcionar a presente proposta de relógio monoagulha; há que considerar que enquanto no

paquímetro o observador tem de procurar/encontrar a coincidência ou alinhamento de duas

marcas para efetuar uma leitura, neste ‘relógio interpolar’ pretende-se que essa leitura se faça de modo mais natural e intuitivo. Ou seja, tal como é possível através da conjugação de simples ponteiros, sobre um comum mostrador de relógio, obter-se uma boa e intuitiva leitura cronométrica, assim se pretende que também se torne fácil, através da presente conceção, fazer-se idêntica leitura. Em suma, pretende-se que tal leitura não implique uma inspeção visual muito incisiva, nem dependa muito da acuidade visual do observador; a coincidência ou o alinhamento de marcas deve tornar-se claramente notada; qualquer marca indicativa deve aparecer, ‘formar-se’, ou assinalar-se no mostrador da forma mais explícita possível, sem ter que ser propriamente procurada.

Assim, verifica-se, a este propósito, que a amplitude de 2,5º corresponderá à dimensão máxima disponível que deve ser aproveitada para configurar a própria presença gráfica do

ponteiro virtual dos minutos (quando este aparece sob uma fresta de igual amplitude). Na

verdade, como seguidamente se poderá perceber (ver pormenor Figura 42), uma outra amplitude, menor ou maior, comprometeria a visibilidade e a coerência preceptiva do referido ponteiro (ou daquilo que ele representa – a passagem dos minutos).

Dado que apenas se dispõe de um único acionamento (o das horas) para indicar as posições da hora e dos minutos no mostrador, a solução que se encontrou para cumprir estas duas funções em simultâneo centrou-se, mais especificamente, na forma do elemento móvel e na sua relação com determinadas graduações fixas.

Na verdade, a virtualidade do movimento dos ponteiros dos minutos não é mais que um simples efeito ótico, provocado pela ‘saída’ de uma marca do seu alinhamento com uma determinada fresta e pelo aparecimento de outra marca na fresta seguinte, repetindo-se isto consecutivamente. Para este efeito, o ponteiro das horas toma a forma de disco, integrando marcações em forma de frestas (aberturas ilustradas no pormenor da Figura 42) através das quais se avista – por contraste cromático ou lumínico – o momento de passagem de cada uma daquelas marcas. Como se pode perceber, cada marca efetua a sua passagem por detrás de cada sector vazado de amplitude de 2,5º (dois graus e meio que, à escala de um relógio de pulso, corresponderá a um traço de cerca 0,8 mesmo de espessura), demorando cinco minutos a percorrê-lo. Ora, como a hora num relógio comum corresponde a um sector de amplitude de 30º, resulta que quando o ponteiro da hora do disco percorreu esta

Figura 42 – Representação da relação de

justaposição do disco móvel (‘Disco fenestrado’, a cinzento) com graduações vazadas (a branco) sobre o fundo fixo com graduações a preto.

Notar que só há coincidência de ambas as graduações, a cada hora certa (neste esquema são 12h). Através da rotação do disco móvel, que possui as restantes divisões mais estreitas, cada uma das suas

marcas vazadas vai sucessivamente

aproximando-se e sobrepondo-se a cada uma das 12 marcas (pretas) do fundo, permitindo que estas se revelem (uma a uma) e ocultem à velocidade dos minutos.

É assim que este único movimento (das horas) produz a transição de uma sobreposição para a seguinte, induzindo a impressão de movimento (virtual), consistente com o próprio movimento de um ponteiro dos minutos.

Notar a localização relativas das marcas (vazadas/móveis e pretas/fixas), as distâncias entre estas, em graus (pormenor), e a indicação do tempo que tais distâncias demoram a ser percorridas (através do movimento das horas) até cada marca preta se fazer aparecer (coincidir) sucessivamente sob cada vazamento.

amplitude, já doze frestas passaram sobre doze marcas e, portanto, sessenta minutos (12x5’) terão decorrido e sido assinalados. Na figura que se segue (Figura 43) procura-se dar um ideia de como este ‘assinalar dos minutos’ se processa (ver algumas leituras possíveis entre a 1h e as 2h).

Este princípio funcional e esta configuração estrutural, que acabámos de descrever, vêm propor um novo tipo de relógio que podemos passar a designar de Nónio (ver figura que se segue).

Figura 43 – Visualização (à direita) de um possível modelo de relógio monoagulha, do tipo Nónio (projeto do autor, 2014), onde se pode

notar a posição do ponteiro horário junto da maraca das 11 horas (no aro da caixa) e a ‘posição dos minutos’ entre as marcas 5’ e 10’ (no 1º quadrante), o que poderá intuir-se como ‘7,5 minutos depois das 11

horas’ (11h, 7’ e 30’’).

Na representação abaixo, exemplifica-se a sequência das fases de transição (deslocamento virtual das marcas dos minutos) que vão desde a ‘1 hora em ponto’ até à 1h e 5 minutos.

Na barra inferior, exemplifica-se a sequência dos minutos (de 5’ em 5’ e de 15’ em 15’) até ao ponteiro assinalar as ‘2 horas exactas’

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