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O trabalho de campo é planejado a partir da questão que pretendemos responder e pelo que queremos investigar. Em uma pesquisa de caráter investigativo é importante dar ênfase ao contexto do ambiente da pesquisa como também aos instrumentos que vamos utilizar no levantamento de dados.

Fiorentini & Lorenzato (2009) destacam que não podemos inventar qualquer coisa sobre a realidade nem abarcar sua totalidade. Por isso, destacamos a importância do compromisso do pesquisador durante a investigação, principalmente no levantamento e análises dos dados. A utilização de diversos instrumentos para geração de dados nos dá uma boa oportunidade para fazer a observação das informações, no intuito de elevar o grau de fidedignidade nos resultados, que devem ser submetidos a vários procedimentos e métodos de identificação e análise.

Com isso, buscamos produzir as informações necessárias e suficientes para garantirmos êxito em nossa investigação, cuja coleta de dados foi realizada mediante diversos instrumentos os quais passamos a apresentar.

O diário de bordo – um dos instrumentos mais ricos e mais utilizados para o levantamento de informações, utilizado para o registro das informações imediatas pelo pesquisador. Fiorentini & Lorenzato (2009, p. 118-119) ressaltam que “é nele que o pesquisador registra observações de fenômenos, faz descrições de pessoas e cenários, descreve episódios ou retrata diálogos. Quanto mais próximo do momento da observação for feito o registro maior a acuidade da informação”. É importante, ao iniciar cada registro, indicar a hora, o local da observação e o período de duração, sempre deixando uma margem para posterior codificação. Em nossa pesquisa, o diário de bordo nos conduziu a registrar, in loco, o que estava acontecendo com e entre os alunos envolvidos nas atividades, suas expressões, angústias, desânimos e, em outras situações, o diálogo entre colegas do mesmo grupo, entre grupos distintos. Situações nas quais não podíamos garantir o registro através dos outros instrumentos, copiávamos no diário de bordo.

Patton (2002 apud ALMEIDA, 2012, p. 151), diz não haver um método definido para a prescrição de notas de campo, afirmando que essas são possíveis pelas diferentes configurações em detrimento de diferentes situações e procedimentos e que a organização desse trabalho depende muito do estilo de cada pesquisador.

Para Almeida (2012), é importante que o pesquisador registre anotações a mais do que tinha planejado, pois é natural ocorrer, durante as atividades, situações inesperadas em que

não é possível ser captadas por outros instrumentos e que serão utilizadas se necessário, ou mesmo descartadas, durante a etapa das análises.

Fotografias – intimamente ligadas à investigação qualitativa, podendo ser usadas de diversas maneiras. O registro fotográfico pode ser mais um importante instrumento de geração de dados para uma análise de uma leitura visual. O pesquisador deve ter o cuidado para fotografar momentos em que os alunos estejam realizando as atividades espontaneamente. Para manter a discrição e o anonimato dos alunos, evitamos registrar fotos que mostrassem seus rostos. Bogdan & Biklen (1994) destacam que o investigador, para evitar a empatia do sujeito por uma fotografia, deve evitar tirar fotos no início da investigação, sendo aconselhável iniciar esses registros, apenas, depois que tenham se empenhado nas atividades e passado a confiar nos investigadores.

Os autores citados acima defendem que o registro fotográfico permite ao pesquisador um olhar no sentido literal. Mesmo sendo recomendada para pesquisas em que o investigador não esteja presente, justificamos a utilização desse instrumento, lembrando que esse tipo de registro resiste ao tempo, uma vez que todas as fotografias foram produzidas em formato digital.

Durante nossas atividades, esses registros contribuíram bastante para análise dos dados, uma vez que por meio desses recursos registramos diversas situações que não poderiam ser evidenciadas por outros instrumentos, como também mostramos os diversos materiais manipuláveis que foram utilizados, como foi recomendado por alguns teóricos citados no segundo capítulo.

[...] há diferentes tipos de fotografias que podem ser consideradas em uma pesquisa: podem ser aquelas que os sujeitos da pesquisa têm disponíveis; produzidas pelo pesquisador; ou produzidas pelos próprios sujeitos da pesquisa no decorrer da aplicação da pesquisa, das atividades (PATTON, 2002 apud ALMEIDA, 2012, p. 157).

As fotografias que utilizamos para análise dos dados e apresentamos no trabalho são aquelas que nós mesmos produzimos durante a realização da sequência de atividades, em que foram registradas pessoas em atividade, ambientes, cenários, procedimentos.

O nosso objetivo, ao utilizar esse instrumento para coleta de dados, foi possibilitar uma análise mais precisa dos fatos, na perspectiva de buscarmos dados importantes, que sem esse recurso seriam escapados pelos outros instrumentos.

Questionários e/ou relatórios – na atividade diagnóstica, apresentamos questionários sobre o conteúdo de geometria especial, o que serviu como fonte complementar de

informações, principalmente na fase inicial e exploratória da pesquisa, para termos ideia de como estava o desenvolvimento do pensamento geométrico de cada aluno.

O questionário é mais um importante instrumento de coleta de dados, que contribuiu com a nossa pesquisa. Para Bogdan & Biklen (1994), a análise de questionários se constitui em mais uma oportunidade de apreensão de significados acerca das concepções, experiências, práticas e formas de enfrentamento da realidade pelos sujeitos envolvidos na pesquisa.

Em cada atividade da nossa pesquisa utilizamos questionários, compostos de perguntas abertas, para que os alunos tivessem a liberdade de responder de acordo com sua conveniência. Dessa forma, não oferecemos, de antemão, hipóteses de respostas que pudessem parecer corretas, procurando não induzir as respostas.

De acordo com Fiorentini & Lorenzato (2009), por meio dos relatórios os sujeitos mostram depoimentos importantes a serem observados na análise das atividades feitas durante toda a intervenção. Para Almeida (2012), toda a coleta de dados deve atender naturalmente à prescrição da pesquisa, ao analisar todo o material produzido, buscando atender aos objetivos, em direção de responder à questão norteadora. Em nossa pesquisa, a partir dos relatórios foi possível resgatar fatos e memórias da aula, como também observações relacionadas à compreensão das atividades correspondentes. Consequentemente, pudemos observar, de modo geral, se os alunos estavam demonstrando avanço nos níveis segundo o modelo van Hiele.

Gravação áudio digital – um instrumento complementar muito importante para a coleta de informações que auxiliou bastante na análise do diário de bordo, pois o pesquisador, por mais atento que esteja, pode falhar na escrita do diário, sem contar que esse instrumento registra exatamente os diálogos dos alunos entre si e dos alunos com o professor. Foram gravadas todas as quatro atividades, posteriormente transcritas.

Foi um instrumento muito importante na nossa pesquisa. Pelas gravações, registramos diversas passagens que configuram a relação interpessoal, contribuindo bastante no desenvolvimento e na construção do conhecimento do aluno, conforme proposto no terceiro capítulo.

A partir dos áudios, relacionamos vários diálogos. Como os alunos eram conhecidos do pesquisador, foi fácil destacar aqueles que contribuíam mais efetivamente. Almeida (2012) reitera que o registro em vídeo, áudio, questionário ou por meio de fotografias só tem validade quando combinados com outros dados coletados por diversos instrumentos. Todos contribuíram para concluir de forma mais exitosa nossa pesquisa.

Como partes importantes dos dados a serem coletados estão as atividades desenvolvidas com os alunos sujeitos da pesquisa. Dividimos a sua apresentação em três

seções. Iniciamos pela atividade diagnóstica, para termos ideia de qual nível de desenvolvimento geométrico estavam os alunos. Depois, continuamos com a sequência de atividades que desenvolvemos com os alunos, com o objetivo de proporcionar observações acerca do avanço entre os níveis. Por fim, realizamos um teste para verificar se houve evolução quanto ao desenvolvimento do pensamento geométrico.