O conjunto de ferramentas objeto deste estudo foi selecionado sob os critérios de ter um número relevante de usuários (STARR, 2011), e de ser objeto de pesquisa acadêmica. Ressalte-se que os serviços de redes sociais como Twitter e Facebook também podem ser considerados ferramentas de curadoria social. No entanto, neste estudo optou-se por analisar apenas as ferramentas de colaboração online cujo foco principal é a curadoria de conteúdo.
A.Pinterest
O slogan do Pinterest afirma que é “o lugar certo para encontrar ideias para os seus projetos e ideias, tudo escolhido a dedo por pessoas como você”. Um tour no Pinterest sugere que o usuário use o Pinterest para coletar tudo o que inspira o usuário: receitas, ideias de viagem, e assim por diante. O vídeo introdutório pede ao usuário para imaginar como a Internet seria se ela foi feita somente de conteúdos “bons”.
A aplicação introduz o conceito de pino (em inglês: pin). Um pino é um marcador visual para conteúdo interessante encontrado na web, ou no próprio Pinterest. Pinos podem ser organizados em painéis por tema ou assunto. Um pino é conectado a um site (uma URL), a menos que tenha sido criado por um usuário que enviou uma
imagem.
A interface do Pinterest torna realmente simples a tarefa de procurar conteúdo dentro do site, porque o campo de pesquisa está sempre disponível e visível no lado esquerdo superior da tela. Além disso, o Pinterest faz sugestões de painéis depois que o usuário marca um pino. E quando um pino é visualizado, pinos e painéis relacionados são exibidos. A fim de adicionar um novo pino (a partir de uma URL, ou de uma imagem do computador), a interface do usuário é menos amigável. Ela exige mais cliques e um caminho de navegação mais difícil. O site também oferece plugins para instalar em diferentes navegadores e telefones celulares.
O Pinterest permite algum tipo de edição social. É possível convidar as pessoas para editar conjuntamente um painel. No entanto, não existe um painel livremente editável. É possível acompanhar painéis de outras pessoas. E quando um painel é seguido, ele é apresentado no feed inicial.
Os pinos são, aparentemente, exibido nos painéis na ordem cronológica inversa em que foram adicionados. E não é possível editar a ordem em que são apresentados. Considerando o modelo de curadoria no contexto de museus e exposições, o Pinterest não é o instrumento mais adequado para este tipo de curadoria. Pode ser usado, mas o fato de não ser capaz de alterar a ordem dos pinos prejudica muito a usabilidade deste tipo de tarefa.
Ao navegar no Pinterest, tem-se a impressão de que é uma coleção de fotos. Esta impressão é consistente com o estudo de HALL e ZARRO (2012), onde apenas 10% dos comentários trouxe quaisquer detalhes adicionais relevantes sobre a imagem, enquanto a maioria das observações (55%) eram sobre julgamentos ou opiniões pessoais, expressa geralmente com exclamações simples como “Adorei!”. Além disso, o Pinterest não permite-nos criar um pino para um site que não contenha uma imagem. Ao fazer uma busca por “Revolução Francesa”, é possível encontrar muitas fotos e ilustrações do período. Todavia, apesar de cada imagem conter uma URL, ela exige alguma navegação até que alguns conteúdos explicando o que a Revolução Francesa sejam encontrados.
B. Storify
No momento da redação deste texto, o slogan do Storify era “faça a Web contar uma história”. A tela inicial do site sugere que ele seja utilizado para contar qualquer história: notícias, universidades, conferências, governo, marcas, etc. No tour da ferramenta (online) é dito que o Storify ajuda a navegar através do “ruído” para encontrar vozes que importam na Internet. A interface do Storify parece ter sido
construída para facilitar a criação de links para o conteúdo de outras redes sociais online. Não há nenhuma maneira de enviar sua própria imagem ou vídeo. Na página de “perguntas mais frequentes”, a orientação é que o usuário faça o upload de conteúdo em outras redes sociais, como o Flickr e o Instagram, e em seguida faça uma referência a este conteúdo no Storify.
Sobre a criação de uma história, é bastante simples importar elementos da web, como os tweets do Twitter, ou imagens do Google Images ou do Flickr. Somente clientes pagantes podem criar histórias privadas ou convidar outros usuários para editar conjuntamente uma história (curadoria em grupo).
A busca pela expressão “Revolução Francesa” teve um resultado melhor no Storify do que no Pinterest em termos do conteúdo esperado. Enquanto no Pinterest foram encontradas basicamente imagens, sem links para sites com conteúdo relevante para o tema, no Storify os links retornados foram abundantes. Entre os dez primeiros resultados de pesquisa do Pinterest, apenas dois continham algum conteúdo sobre a “Revolução Francesa”. Resultados de pesquisa do Storify continham vários vídeos, e também um link para o acervo digital da Universidade de Stanford sobre a “Revolução Francesa”.
C. Scoop.it!
O slogan do site Scoop.it! é “você é o que você publica”. Mesmo que seja uma afirmação questionável filosoficamente, ela salienta o fato de que as ações das pessoas na Internet (e nas redes sociais online) têm um impacto sobre a imagem que as pessoas têm sobre elas. Este fato também lembra como, por vezes, a Internet deixa de ser uma ferramenta de pesquisa e exploração, e passa a ser uma ferramenta de monitoramento. Sem aprofundar a discussão, o fato de que um aplicativo pode registrar os sites em que uma pessoa navega ou os termos por ela pesquisados podem inibí-la de fazê-lo. Quando, por exemplo, se navega na Internet, seja abrindo sites de notícias ou links compartilhados por amigos, um usuário deixa vestígios de seus interesses, e se esta informação estiver publicamente disponível para outras pessoas, suas percepções podem mudar.
MACEK (2013) usa o termo “participação online em conteúdo” para descrever as ações das pessoas (incluindo a criação, a recepção e a redistribuição de conteúdos, e compartilha a visão de que essas ações têm um significado adicional. Não é apenas sobre a produção de conteúdo ou redistribuição, é também sobre a auto-exposição e exposição de consumo e gosto.
e divulgar conteúdos para obter visibilidade online. A plataforma é aberta e gratuita na sua versão mais simples, mas com restrições à sua utilização. É necessário contratar um plano pago para ter acesso a diversas funcionalidades, como criar um tópico privado, publicar até cinco documentos por mês, compartilhar diretamente links, curar em equipes de até cinco pessoas, personalizar templates, fazer upload de conteúdo etc. Assim como o Pinterest, o Scoop.it! oferece um plugin para usar no navegador Web, possibilitando aos usuários curar a página onde estão navegando na Web.
D. Diigo
A página inicial do Diigo oferece uma pequena apresentação da ferramenta. Ela apresenta o slogan “melhor leitura, melhor pesquisa, melhor compartilhamento”. O Diigo descreve-se como uma ferramenta multiuso para a gestão do conhecimento pessoal. Ele enumera um conjunto de funcionalidades:
Fazer anotações
Criar uma biblioteca pessoal com links, páginas web, notas, imagens, etc. Arquivamento de páginas Web
Colaboração (por meio da criação e utilização de um repositório de conhecimento do grupo)
Dar feedback e chamar a atenção Compartilhar
Entre estas funcionalidades, o arquivamento de páginas Web é destaque, pois permite que o conteúdo seja armazenado para acesso futuro.
Há uma gama de ferramentas que podem ser utilizadas com o Diigo, sendo o plugin para o navegador a principal. Se o usuário não quiser instalar um plugin, é possível usar o Diigolet, que (como ferramenta do Scoop.it!) é um atalho que é adicionado ao navegador do usuário. Este atalho é um script que traz funcionalidades de Diigo durante a navegação do usuário em qualquer página da web. Utilizar o Diigolet é bastante simples, sendo útil para marcar e destacar páginas da web, e também fazer anotações na web. Todo este conteúdo é então disponibilizado no Diigo para obter acesso futuro. Na biblioteca de Diigo é possível organizar temas alterando a ordem em que os marcadores são exibidos. Finalmente, a visualização de comentários e textos destacados é bastante amigável na ferramenta.
O slogan do site Pearltrees é “um lugar para os seus interesses”. A ferramenta sugere que seja utilizadoapara organizar, explorar e compartilhar tudo que seja de interesse para o usuário. No Pearltrees é possível coletar páginas, fotos, anotações e arquivos. Estes itens podem ser agrupados em coleções. Os itens dentro de uma coleção pode ser reordenados, e é possível comentá-los também. Também é possível ter coleções dentro de coleções.
O Pearltrees também oferece um plugin para o navegador. É possível pesquisar o conteúdo de outras pessoas em Pearltrees, e quando um item de outro usuário é adicionado à sua coleção, uma referência para a fonte original é guardada. O site também oferece diversas funcionalidades para importar, exportar e compartilhar conteúdo. Sua navegação é simples, e inclui recursos de arrastar e soltar.