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Pouvoir d’abstraction des motifs

4.4 Bilan

4.4.1 Pouvoir d’abstraction des motifs

Nesta categoria identificamos como cada um dos cinco pesquisadores se colocam diante dos objetivos da ação/política de mídia educação em análise e de sua abrangência. Ou seja, se os pesquisadores analisam as três dimensões que integram o campo da mídia educação. São elas: a) formar sujeitos críticos e participativos; b) ampliar a capacidade de leitura crítica da mídia e sociedade; c) fortalecer a condição de produtores de comunicação.

O principal objetivo de Farias (2010) é analisar quais as metodologias que são desenvolvidas com os jovens para a leitura crítica das mídias. O pesquisador busca saber se os projetos de rádio, educação e juventude desenvolvidos pela Fundação Casa Grande46 – Memorial do Homem do

Kariri/Escola de Comunicação do Sertão, localizada na cidade de Nova Olinda, na zona rural; e Catavento47 – Comunicação e Educação Ambiental,

desenvolvida na capital Fortaleza baseiam suas formações na metodologia do aprender-fazendo - ou não - e se este processo consegue incentivar a autonomia dos participantes.

Hack (2005), por sua vez, objetiva compreender como a mídia está presente no lazer de estudantes do ensino médio e as implicações dessa presença em suas vidas. Partindo dos pressupostos de Dumazedier (1979) e Marcellino (1987), a pesquisadora compreende o lazer como um importante

46Segundo o site da própria entidade: “A Fundação Casa Grande - Memorial do Homem Kariri é

uma organização não- governamental, cultural e filantrópica criada em 1992, com sede em Nova Olinda, Ceará, Brasil. Sua criação se deu a partir da restauração da primeira Casa da Fazenda Tapera, hoje cidade de Nova Olinda, ponto de passagem da estrada das boiadas que ligava o Cariri ao sertão dos Inhamuns, no período da civilização do couro, final do século XVII”. Disponível em: < http://www.fundacaocasagrande.org.br/principal.php> Acesso em: 04/08/16

47 ONG criada em 2002 e que desenvolve ações em espaços escolares com vistas a promoção

da cidadania e aprimoramento da criticidade de crianças, jovens e educadores por meio de ações mídia-educativas, mediadas – principalmente – pelo uso de rádios e jornais escolares.

elemento da cidadania e, com base neste pressuposto, se propõe a analisar as relações da mídia e do lazer nos cotidianos juvenis.

Ramos (2005) objetiva revisar as práticas pedagógicas das escolas e analisar as possibilidades de inserção das mídias no cotidiano de educadores e educandos. O pesquisador tem sua trajetória pessoal muito presente em sua pesquisa. Mesmo antes de desenvolver as experiências mídia-educativas nas escolas baianas de ensino médio JATD e RS, ele já desenvolvia ações desta natureza em outras instituições de ensino e mesmo em comunidades de baixa renda. A crença de Ramos (2005) no potencial transformador de uma educação para o uso crítico da mídia, tanto no que diz respeito a compreensão daquilo que nos é imposto pelas empresas e conglomerados de comunicação, como na revolução do ensino através do protagonismo dos estudantes e na construção do conhecimento entre educadores e educandos serão os elementos matriciais dos objetivos perseguidos na pesquisa que desenvolve. Nesse sentido, todas as ações de Ramos (2005) procuram atingir os três pilares básicos da mídia- educação.

Ribeiro (2015), assim como os demais autores, também assume o objetivo de promover a criticidade dos jovens que participam de experiências de mídia-educação. Ao realizar oficinas e debates assume como propósito desenvolver uma leitura crítica da mídia pelos estudantes participantes da experiência, por meio da proposição de situações-problema deflagradas com a exibição de matérias de telejornais e/ou a produção de telejornais com base no resultado das conversas realizadas com o grupo de estudantes.

Por sua vez, Viezzer (2005) propõe ações que promovam a leitura crítica de programas televisivos por entender que estes estão presentes nas rotinas dos estudantes, em especial aqueles que procuram a escola já na vida adulta.

Por observar esse fenômeno e percebê-lo de forma mais intenso entre os estudantes adultos, Viezzer (2005), apoiada no pensamento de Freire (1987) em educar a partir das vivências concretas dos estudantes, propõe uma revisão do processo de ensino-aprendizagem a partir da leitura crítica de programas televisivos.

O fato de trabalhar conteúdos que promovam o aluno, valorizando o que ele sabe, o que traz consigo de atividades profissionais e ouvindo o que ele precisa aprender torna-se um chamamento àqueles que abandonaram a escola ou nunca frequentaram. A proposta de EJA, ao partir do saber do aluno para estabelecer o confronto com o saber científico do professor, poderá resgatar o que há de mais bonito e pleno na educação e que deveria ser objetivo principal de qualquer instituição escolar: chamar o aluno não somente para receber o certificado e arrumar um emprego melhor, embora muitos ainda entrem com este objetivo, mas para se conhecer melhor, para aprender o que é necessário para mudar a sua realidade, para modificar regras, para repensar conceitos, para se posicionar criticamente diante do mundo, enfim, para viver melhor. (VIEZZER, 2005, p. 27) Deste modo, podemos constatar que em todas as experiências/políticas de mídia-educação estudadas pelos pesquisadores, é afirmada a busca tanto formar sujeitos críticos e participativos, quanto de ampliar a capacidade de leitura crítica da mídia e da sociedade. Porém, quando se trata de fortalecer a condição de produtores de comunicação dos atores envolvidos nas experiências/políticas de mídia-educação, este objetivo foi destacado apenas em três dissertações (Farias, 2010; Ramos, 2005; Ribeiro, 2015).