B.2 Transformation de Park
6.3 Comparatif des performances de compensation avec diff´erentes m´e-
O prédio da escola foi concluído em 2002 e a ETHCI viria a ter sua inauguração oficial no final de 2003. Durante o ano de 2002, através de projeto piloto de qualificação profissional em parceria com o CEFET, a escola forma a primeira turma certificada pela instituição, ainda nos moldes de projeto de qualificação profissional anterior. Essa parceria foi necessária, pois a escola não tinha autorização de certificar a formação básica.
Em 2003 a ETHCI oficializa seu funcionamento através do registro nos conselhos e órgãos competentes. Conforme informações das entrevistadas, a inauguração da escola significou também a constituição de uma instituição autônoma à Escola Sul, com uma equipe de gestão e personalidade jurídica própria, vinculada à CUT Nacional por meio da SNF.
Neste mesmo ano, chamado por uma das entrevistadas de “momento de transição”, uma nova equipe é formada para rever o projeto da escola e traçar novas diretrizes. Novos diretores são nomeados e alguns formadores da Escola Sul migram para a ETCHI.
Então, 2003 foi uma transição. Eu diria que, entre os educadores que estavam ali, causou assim um certo receio por não saber o que ia acontecer. De repente, todos foram chamados para uma grande reunião em que se anunciava que a partir de agora a escola tentaria seguir o projeto que tinha intenção de ser coerente com aquilo que a CUT pregava em termos de concepção de educação [...] A equipe nova veio para, inclusive, fazer uma rígida prestação de contas, para mostrar o que tinha e o que que não tinha sido feito. Aquela escola tinha recebido recursos da DGB e do MEC, pra construção da escola, então ela tinha que prestar contas daquilo [...] Só que as equipes não tinham conhecimento técnico, quer dizer, se implantou uma escola, viabilizou-se uma escola de turismo com hotel e uma escola de formação, mas a parte específica da escola de turismo e talvez até do próprio hotel não tinham equipes que tivessem um profundo conhecimento técnico sobre o que era aquilo. Então, foram se chamando pessoas que não necessariamente traziam essa memória histórica, esse acúmulo do debate do movimento cutista, do movimento sindical dos trabalhadores de forma geral (ENTREVISTADA 4, 2016).
Como já observado anteriormente, a decisão pela construção da escola se deu de forma controversa e a ausência de pessoas que tivessem algum acúmulo teórico na área de turismo e hospitalidade foi decisivo para a adoção de um projeto inicial com pressupostos teóricos baseados na pedagogia das competências. É possível também observar na fala de uma das entrevistadas que os educadores atuavam de forma passiva no âmbito da Escola Sul, sendo privados das informações pertinentes às decisões da Central. A dificuldade relacionada à falta de pressupostos teóricos na área de turismo e hotelaria foi mencionada por outra entrevistada: “Quando se faz a opção de criar essa escola, uma primeira questão que se coloca é onde a escola vai beber, qual a fonte. De onde vai beber experiência do ponto de vista de concepção, de prática educativa” (ENTREVISTADA 1, 2016).
Com o tempo a escola articula conhecimentos e lança diversas publicações na área de hotelaria, projetos realizados no período de desenvolvimento metodológico, com recursos do PNQ, e que servem de subsídio para as atividades da escola, a exemplo da publicação do Projeto Político Pedagógico da Escola em 2005 (que apresentaremos adiante), dois cadernos metodológicos para educadores, que apresentam sugestões de leituras e atividades para cada uma das áreas de formação da ETHCI e um estudo sobre a área de Turismo e Hospitalidade e os trabalhadores da hotelaria no Brasil, publicado em 2007.
Ainda sobre a revisão do projeto da escola, outra entrevistada que participou deste processo conta como foi a sua experiência naquele momento.
Quando nós viemos para cá em 2003, fizemos o planejamento estratégico aqui da Escola. Uma coisa era o convênio, outra coisa é o que nós queríamos dessa Escola. Então fizemos o planejamento estratégico, envolvendo particularmente, pensando no turismo e setor de serviço, quem representa. Trouxemos a Confederação dos
Trabalhadores em Comércio e Serviços, que tem em outros lugares representação dos trabalhadores de turismo. Então nós fizemos um planejamento com a CONTRACS, com a Secretária Nacional de Formação, a antiga Tesouraria da CUT, a Finança da CUT pra discutir o que que é isso, o que seria esse projeto, aí desenhamos o projeto estratégico. Dentro das linhas de educação profissional, a construção desse espaço como um espaço de desenvolvimento metodológico nessa área de experiências concretas com os trabalhadores [...]. Um dos nossos objetivos era, a partir dessas experiências, subsidiar o movimento sindical no debate da educação profissional, certificação e sistemas que estão vinculados à educação e ao trabalho para os processos de negociação, contratação, na área da qualificação profissional [...]. Que é um pouco o que a gente vem até hoje discutindo, por isso a discussão de educação integral sob o eixo da ciência, tecnologia e trabalho, contrapondo as questões das competências profissionais, dentro da lógica de adaptação às exigências do mercado [...], é essa estratégia que está dentro da concepção da Escola, que depois a gente sistematizou no nosso projeto político-pedagógico em 2005 (ENTREVISTADA 2, 2016).
Num primeiro momento a direção pedagógica foi desenvolvida por duas pessoas que tinham experiência no movimento sindical e já tinham atuado em outros programas de formação profissional e educação do campo, inclusive no âmbito da CUT. Estas pessoas tiveram papel importante para a construção da concepção de educação profissional a ser defendida e implementada pela escola. A entrevistada 4 ainda relata que uma dessas pessoas não resistiu às tensões internas e saiu da coordenação. Estas tensões estavam relacionadas principalmente às divergências políticas entre as correntes internas da CUT no que se refere à necessidade de manutenção da escola. A partir de 2004, um novo coordenador pedagógico foi nomeado pela Central, dessa vez da corrente de oposição, no intuito de verificar e questionar as atividades da escola, mas acaba por aderir à proposta de trabalho desenvolvida.
O João fez uma parceria muito bonita com a Maria na coordenação18. E engraçado
que o João foi indicado como alguém da corrente contrária, meio que pra ser o cara que iria fazer diferente, coletar as informações e tal. E ele, na sua coerência, foi lá e justamente pautou uma outra perspectiva que não estava nessa lógica. Quem indicou ele acreditava que ele iria se expor a isso e no fundo ele e a Maria eram do mesmo campo, tinham a mesma perspectiva (ENTREVISTADA 4, 2016).
Para além das divergências quanto à adesão ao PROEP e construção da escola, após a revisão do projeto permanecem as divergências quanto à sua manutenção e, por um certo período, a escola refletiu as disputas entre correntes internas da Central, o que será comentado a seguir.