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Pourquoi le géographe est indispensable ?

O papel educativo, característico dos movimentos, se origina principalmente, da interação entre as culturas, na semelhança de interesses e valores, no respeito às diferenças, da história do outro que reflete a si próprio, despertando novas formas de construção coletiva, na própria luta onde, sujeito e movimento se confundem, como nos mostra Arroyo:

O que os sujeitos sociais de cada movimento se colocam e vivenciam é o que tantos grupos humanos vivenciaram e enfrentaram em outros tempos e espaços. Quanto falam de si, tantos outros distantes, até desconhecidos falaram deles mesmos. Quanto sabem e aprendem de si, tantos outros sujeitos e coletivos souberam e aprenderam deles mesmos. Cada movimento com suas lutas, didáticas e aprendizagens nos revelam quanto sabem de si, e

64 quanto sabem, sem sabê-lo, dos outros. Este traço nos coloca em contato com permanências pedagógicas que extrapolam cada movimento (ARROYO, 2003, p. 48).

Dessa forma, compreendemos que a participação dos sujeitos reflete na construção da própria identidade dos movimentos, embora ocorra de forma inconsciente, nesse fluxo os sujeitos vão se recriando, resignificando suas vidas, criando novos sentidos para estar no mundo, ampliando seus horizontes, se (re) descobrindo nas relações coletivas e se percebendo capaz de influenciar significativamente nas questões que dizem respeito a sua vida e de sua comunidade.

De acordo com Gohn (2008) os movimentos sociais, estimulam a formação do ser humano em geral, do cidadão conhecedor dos seus direitos e do seu papel político na sociedade, por isso afirma que:

O movimento social, como um sujeito social coletivo, não pode ser pensado fora de seu contexto histórico e conjuntural. As identidades são móveis, variam segundo a conjuntura. Há um processo de socialização da identidade que vai sendo construída [...], a identidade política dos movimentos sociais não é única: ela pode variar em contextos e conjunturas diferentes. E muda porque há aprendizagens, que geram consciência de interesses. Os sujeitos dos movimentos sociais saberão fazer leituras do mundo, identificar projetos diferentes ou convergentes, se participarem integralmente das ações coletivas, desde seu início, geradas por uma demanda socioeconômica ou cultural relativa, e não pelo simples reconhecimento no plano dos valores ou da moral (GOHN, 2008, p. 444-445).

De forma semelhante, Caldart (2000) considera o movimento como princípio educativo e como sujeito educador, pois ao empregar metodologias participativas em suas ações, colabora diretamente para a apropriação de conhecimento, desenvolvimento de novas habilidades e empoderamento dos seus integrantes.

Neste contexto, quando os indivíduos se dão conta de que fazem parte de uma conjuntura de opressão e exclusão, que inclusive, ultrapassa as reivindicações do próprio movimento - condição social antes naturalizada - são impulsionados a se politizarem para que possam fazer enfrentamento a realidade apresentada.

Para além do cotidiano das lutas e da formação dos sujeitos sociais, os movimentos também problematizam seus modos de fazer educação, se indagando sobre seus processos metodológicos, seus objetivos, aonde querem chegar, o que desejam alcançar, que ser humano estão formando nessas dinâmicas, e na economia solidária essas preocupações não são diferentes, elas auxiliam no direcionamento das suas ações, buscando tornar os sujeitos mais conscientes, reflexivos e atuantes a partir de suas práticas, contribuindo para o seu

65 desenvolvimento. Sobre esses aspectos Singer (2004), afirma que o conceito de desenvolvimento abordado por esta outra economia pressupõem, que toda comunidade se beneficie e não apenas os indivíduos isoladamente:

O desenvolvimento aqui almejado é o da comunidade como um todo, não de alguns de seus membros apenas. Por isso, ele não pode ser alcançado pela atração de algum investimento externo à comunidade. O investimento necessário ao desenvolvimento tem que ser feito pela e para a comunidade toda, de modo que todos possam ser donos da nova riqueza produzida e beneficiar-se dela[...] Desenvolvimento comunitário significa o desenvolvimento de todos seus membros conjuntamente, unidos pela ajuda mútua e pela posse coletiva de certos meios essenciais de produção ou distribuição (SINGER, 2004, p.3)

Cada um contribuindo do seu jeito, do seu lugar, buscando alcançar objetivos que reflitam a coletividade. Na economia solidária, observamos que os processos educativos não estão presentes apenas nos grupos produtivos, mas também nas diversas experiências constituintes do movimento, como os clubes de trocas, feiras, redes de consumo e comercialização, bancos comunitários, fundos solidários, entre outros. Assim como, também se manifestam, nos espaços políticos, como as reuniões, conferências, assembleias, fóruns e etc. Da mesma forma que Gohn (2014) concordamos que essas atividades e ações se processam no campo da educação não formal, caracterizados pela flexibilidade, dinamicidade, heterogeneidade, entre outras variáveis.

A economia solidária se propõe a desenvolver novas habilidades e conhecimentos em outras esferas da vida, além da econômica, baseando-se principalmente, na solidariedade, cooperação e autogestão, considerando o trabalho como um principio educativo, no qual as pessoas tem a possibilidade de ampliar saberes e conhecimentos através da produção associada e da convivência em grupo, como expressa Singer:

A economia solidária se constitui como “um ato pedagógico em si mesma, na medida em que propõe uma nova prática social e um entendimento novo dessa prática”. A única maneira de aprender a construir a Economia Solidária é praticando-a. Mas, seus valores fundamentais precedem sua prática. Não é preciso pertencer a uma cooperativa ou empreendimento solidário para agir solidariamente. (SINGER, 2005, p.19).

Neste sentido, consideramos que na economia solidária existe uma educação em movimento, que gera aprendizados a partir das praticas sociais realizadas por suas experiências, que se baseiam em princípios da educação popular, valorizando a troca de saberes, a interação entre os sujeitos, o aprender fazendo, a conscientização, o engajamento político, a autonomia e a luta pela emancipação social.

66 desenvolver novas habilidades, consegue ressignificar e atribuir novos sentidos as relações sociais, se percebendo enquanto parte deste processo, que ao contribuir para transformação da sociedade, também se transforma.

Procuramos identificar as práticas educativas e os espaços onde elas acontecem, buscando compreender o impacto destas na participação social e política das mulheres, ponto que discutiremos de forma mais aprofundada em seção posterior.

Temos, portanto, que os processos educativos desenvolvidos em iniciativas do movimento social de economia solidária tem caráter pedagógico, tendo tal prática diálogo estreito com a radicalização do pensar apresentada por Arroyo (2003), quando este afirma que:

Os movimentos sociais nos puxam para radicalizar o pensar e fazer educativos na medida em que nos mostram sujeitos inseridos em processos de luta pelas condições elementaríssimas, por isso radicais, de viver como humanos. Nos propõem como tarefa captar as dramáticas questões que são vividas e postas nessas situações limite e revelá-las, explicitá-las. E ainda captar como os sujeitos se formam, entrando eles mesmos como totalidades nos movimentos (ARROYO, 2003, p.36).

Assim, estabelecemos como parâmetro analítico do presente estudo, as práticas educativas vivenciadas por grupos produtivos de mulheres que compartilham dos princípios da econômica solidária, em seu fazer laboral, de modo a compreender o impacto destas na participação social e política das mulheres, ponto que discutiremos de forma mais aprofundada em seção posterior.

2.5 Educação Não Formal e Economia Solidária: O Que Podemos Aprender com as

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