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Dénombrer les colonies lenticulaires ayant poussé en masse dans chacune des boites

2. Etude physico-chimique :

2.2.1.3. Le potentiel d’hydrogène (pH) :

Era dia seis de agosto, às 9 horas e 45 minutos, em uma manhã ensolarada, com ventos secos que doíam na pele. Eu estava de volta do intervalo para o lanche e esperava

Felipe na porta da sala. Para este atendimento, eu não sabia o que iríamos fazer. Esperei que ele chegasse com a proposta da atividade, o que ocorria normalmente.

No relógio, os ponteiros caminhavam indiferentes, ou seja, o horário reservado para aquele aluno estava indo embora e nada de ele chegar. Passaram-se 25 minutos, metade do horário que tínhamos para o atendimento. Eu já havia desistido de esperar na porta e fui para o computador adiantar os relatórios dos atendimentos anteriores. De repente, ouvi passos apressados, voltei o olhar em direção à porta e vi Felipe entrar apressadamente, com a respiração ofegante, devido ao caminhar apressado, em função do atraso. Esperei alguns segundos e o cumprimentei:

— Boa tarde, Felipe, tudo bem? Disse boa tarde, a fim de ironizar o atraso do aluno.

Ele respirou profundamente, levou as mãos no rosto para retirar os cabelos que estavam caídos sobre os olhos e só depois argumentou:

— Professora, desculpe o atraso, mas a Van que me pega em casa furou o pneu, até

que o motorista trocou, demorou.

Então perguntei: — E esta carinha de sono? Ele sorriu e respondeu:

— Olha, o Sr. José disse que ia demorar um pouquinho, então aproveitei para tirar

uma soneca. Nem vi quando ele terminou de consertar o pneu. Acordei com ele me chamando para descer porque já estava aqui na porta.

Eu disse que tudo bem, mas não iríamos conversar mais sobre o atraso porque mais da metade da aula já havia passado. Perguntei a ele sobre a atividade que havia trazido naquele dia. Naquele momento, ele abriu o zíper da mochila e pegou a agenda. Foi virando página por página, até encontrar suas anotações. Parou em uma página e nela estava anotado o calendário de avaliações. Para o próximo dia oito de agosto, constava uma atividade avaliativa de língua espanhola, com o conteúdo a ser estudado: os pronomes. Sugeri, então, que retirasse o material da mochila para que revíssemos o conteúdo.

Felipe pegou a mochila que estava sobre a próxima cadeira do seu lado esquerdo. Procurou por uma folha que, segundo ele, a professora entregou na aula, com um poema a ser lido para a avaliação. Ele passou livro por livro, mais ou menos uns cinco, até chegar ao último e não encontrar a folha. Parou de procurar, virou-se para mim e disse:

— Lembrei!!! Ontem a professora falou sobre os pronomes e nos deu uma folha com

um poema, o nome é “Sin estar vivo, vivendo ”. Já estava no final da aula quando ela disse para levar para casa e estudar para ajudar na avaliação. Então, quando cheguei da escola,

retirei a folha para mostrar para minha irmã e, sabe, eu me esqueci de colocar de volta dentro da mochila.

Eu disse, então, que deveríamos usar o computador para pesquisar o poema e os pronomes. Naquele momento, olhei para o relógio e verifiquei que só restavam 15 minutos para término do horário. Fomos rápido para a pesquisa, mas descobrimos, naquele momento, que a Internet estava fora do ar. Não sabíamos o motivo, mas também não dava tempo de descobrir. O tempo estava passando e outro aluno já estava esperando para ser atendido.

Então, recorremos aos arquivos salvos de pesquisas anteriores. Muito bem, como não tinha Internet, também não tinha como acessar a rede interna para localizar as pastas com os materiais. O relógio não perdoa e faltavam apenas 10 minutos. Recorri a alguns materiais impressos guardados no armário para este fim, peguei uma gramática e comecei a pesquisa. Li em voz alta rapidamente o capítulo que falava sobre os pronomes. E o tempo se

esgotou.

Felipe ficou desapontado, porque contava com o atendimento para se preparar para a atividade avaliativa e seu próximo atendimento marcado para o outro dia não iria acontecer. A escola estava preparando as atividades a serem realizadas com os professores, no “Dia D: Momento de fazer a diferença na educação mineira ”, portanto, não teria alunos na escola. Pedi a ele que, ao chegar a sua casa, de posse do material, não deixasse de lê-lo, além de rever suas anotações no caderno e também no livro. Felipe olhou para mim e relatou que estava inseguro e que precisava muito de mim para ajudá-lo, pois sua irmã, além de trabalhar até muito tarde da noite, precisava fazer todo serviço de casa e não poderia ajudá-lo.

Naquele momento, o aluno do próximo atendimento aproximou-se da porta. Felipe recolheu o material, colocou na mochila, fechou o zíper e com ela se levantou da cadeira, despediu-se e foi em direção à porta. Cumprimentou o colega e caminhou apressado pelo corredor que o levou a outro atendimento.

Após terminar o atendimento seguinte, verifiquei se a Internet estava funcionando e a resposta foi positiva. Fui à procura de Felipe para que pudéssemos usar o material disponível no arquivo em rede e imprimi-lo, mas ele já havia ido embora.

Agora, no final deste relato, gostaria de justificar a analogia ao “Dia D”, da educação, que naquele ano foi, para mim, dia de reflexão mesmo. Reflexão sobre os imprevistos que

acontecem e que não somos capazes de evitar. Perguntei-me muitas vezes: Como proceder diante de imprevistos que impedem que o atendimento aconteça? O atraso, o esquecimento do material, a falta de acesso ao arquivo, a suspensão temporária da Internet e, com isso, a limitação para recorrer a estratégias alternativas. Não consigo ficar indiferente. Meu aluno foi embora frustrado e eu fiquei ainda mais. Pois, eu poderia ter produzido o material ali no momento da aula, mas... e o tempo? O relógio não para! São apenas 50 minutos! E os demais alunos com necessidades iguais de apoio?

De volta à sala, fiz questão de pesquisar na internet o poema que Felipe havia gostado, ao ponto de querer compartilhar com a irmã. O nome do poema era “Sin estar vivo,

vivendo”, de Emilia Currás. Ao ler o poema, também gostei. Não sei se Felipe gostou como

eu gostei, mas, para mim, as palavras da autora, naquele dia tiveram um significado especial, tão especial que eu não poderia deixar de mostrar o poema, ao contar esta experiência.

S in estar vivo, viven do

Mis manos están vacías, mis labios están helados, mis pechos están dormidos, que ya no hay carino en mí, que ya mi alma se seca.. Ya no siento.

Soy como piedra de molinho, que gira sin darse al viento. Soy como campo de trigo segado antes del tiempo.

Ya no siento.

iQué triste quedarse así, sin estar vivo, vivendo!

Minhas mãos ficaram vazias, não pude colaborar com Felipe. Restava, agora, aguardar o resultado da avaliação e planejar meios de recuperar o prejuízo, caso ocorresse. Tenho consciência de que minha função, na sala de apoio, não é socorrer o aluno no momento da avaliação. Devo acompanhá-lo nas dificuldades que possam surgir, quando a disciplina é apresentada a ele na escola de origem. Mas, não consigo ficar indiferente às situações que não dependem da minha vontade, muito menos do aluno, para que uma atividade seja realizada ou a dúvida esclarecida. Minha alma jamais secará como diz o poema. São experiências assim, que me ensinam que meus olhos e minhas mãos, na sala de apoio, são os olhos e, muitas vezes, as mãos dos meus alunos.

3.1.6 Leitura dos pontinhos que sobem e descem: o sistema Braille por meio das