• Aucun résultat trouvé

Potential gains for Africa from the African Continental Free Trade Area

(b) Africa to rest of world

1.4 Potential gains for Africa from the African Continental Free Trade Area

Existem momentos na vida onde a questão de saber se se pode pensar diferente do que se pensa, e perceber diferentemente do que se vê, é indispensável para continuar a olhar e refletir

(Michael Foucault).

Em nosso quinto encontro, dialogamos sobre o papel do professor na escola, conversamos sobre Praticas de Ensino, sendo que para essa Roda de conversa tivemos como mediador convidado o Prof. Msc. Daniel Junqueira Carvalho, CEUNES/UFES/GIPLES.

Carvalho nos instigou a refletir sobre as praticas de ensino, retomando a fala sobre a escola nos dias atuais e nos interrogando: “Pode pensar na “formação” sobre a prática de ensino?”.

Explicando morfologicamente o significado da palavra Formação22 e consequentemente explicando como essa “forma” e essa “formação” se aplicam na formação de si mesmo, como cuidado de si e na prática de ensino.

A prática de ensino foi dialogada na roda de conversa, sendo que essa perpassa pelos dispositivos pedagógicos, segundo Larrosa (2011):

O dispositivo pedagógico será, então, qualquer lugar no qual se constitui ou se transforma a experiência de si. Qualquer lugar no qual se aprendem ou se modificam as relações que o sujeito estabelece consigo mesmo. Por exemplo, uma prática pedagógica de educação moral, uma assembleia em um colégio, uma sessão de um grupo de terapia, o que ocorre em um confessionário, em um grupo politico, eu em uma comunidade religiosa, sempre que esteja orientado à constituição ou à transformação da maneira pela qual as pessoas se descrevem, se narram, se julgam ou se controlam em si mesmas (LARROSA, 2011, p. 57).

No pensamento Foucaultiano, o formador-educador tem um único objetivo, a formação humana. Levando em consideração o respeito ao sujeito e às suas experiências de subjetividades ativas na formação humana, no caso da nossa pesquisa a Experiência-Surdez.

A formação de professores, no caso desta pesquisa do Surdo que é Professor, deverá passar por uma reavaliação da educação do que se ensina nas faculdades, universidades e escolas e também das reais necessidades e dificuldades que esses professores enfrentam no dia a dia com o aluno em sala de aula, mas isso em pesquisas posteriores.

As rodas de conversas trouxeram várias reflexões, dentre elas a reflexão sobre a função de professor23, não temos e não tivemos nas rodas de conversa uma receita pronta e acabada, mas realizamo-las como possibilidade para uma formação humana que perpassa pela educação e transformação do sujeito em pleno cidadão, ativo e participante na vida em uma sociedade democrática.

22

Forma: do Grego morphé pelo Latim forma, por metástase. Metástase, do grego metástasis, é mudança de

lugar. De morphé para forma equivale a quase dizer de trás para frente a palavra.

23

Para situar o leitor, entendemos que no básico a função do professor que entendemos aqui, tem o sentido de ensinar, transmitir conhecimentos, preparar o aluno para a vida propiciando-lhe mecanismos que o façam pensar, fazer considerações e, de forma inteligente, escolher o melhor caminho a ser seguido.

Nesse sentido, transcrevo mais um trecho do “diário de Bordo”, das rodas de conversas:

O professor precisa se preparar antes, pesquisar o tema que vai ensinar e criar estratégias e só depois ensinar, o aluno não sabe, precisa do professor para aprender (Surdo que é Professor L, 5° encontro, novembro/2016).

Entendemos que essas práticas discursivas que se estabeleceram no decorrer das rodas de conversa não são autônomas, mas estão carregadas de dispositivos normativos e coativos, de tipo social, religioso, pedagógico, dentre outros. Quando o professor L nos apresenta sua opinião na roda de conversa falando que o aluno precisa do professor para aprender, essa opinião está carregada de sentidos para ele, por exemplo, a questão do professor ser o detector do conhecimento e o aluno, indo à origem dessa palavra, esse sujeito, o aluno, fosse sem conhecimento.

A roda de conversa assim nos levou a refletir sobre o papel do professor na escola, não sendo esse o detector de todo o conhecimento, haja vista que nenhum ser humano tem essa aptidão, pois o conhecimento é mais vasto do que se pode imaginar, mas nos fazendo refletir sobre a importância e o papel do professor na escola. Nesse sentido o professor A, H e F disse:

Entendo que é importante pesquisar, criar estratégias, mas mais do que isso é preciso começar cedo o ensino e aprendizagem do aluno surdo, lá na educação infantil, e assim por diante, só assim o aluno poderá aprender de fato (Surdo que é Professor A, 5° encontro, novembro/2017).

Eu entendo que não basta atividades boas se o aluno não entender o que está fazendo, fazer só por fazer, precisa ensinar o aluno refletir (Surdo que é Professor H, 5° encontro, novembro/2016).

Mas para o professor saber ensinar, antes ele precisa ter uma formação, precisa buscar também se qualificar, não basta saber apenas a Libras para estar na escola, não é isso? (Surdo que é Professor F, 5° encontro, novembro/2016).

Desta forma, de acordo com Larrosa (2011), “Um dispositivo pedagógico será, então, qualquer lugar no qual se constitui ou se transforma a experiência de si. Qualquer lugar no qual se aprendem ou se modificam as relações que o sujeito estabelece consigo mesmo” (LARROSA, 2011, p. 56). Ao Surdo que é Professor H, ao relatar a necessidade de ensinar o aluno a refletir, esse se utiliza de uma autorreflexão crítica e para Larrosa (2011), tendo como inspiração as concepções Foucaultianas,

Nas atividades de “autorreflexão crítica” com os professores, o que se produz é toda uma identidade prática em relação com a atividade profissional, presente ou futura, em função de uma história pessoal construída sob princípios de evolução e totalização. (LARROSA, 2011, p. 72 - 73)

Desta forma, tomando como base as frases do “diário de bordo”, citadas acima, esses Surdos que são professores fazem uma reflexão não só sobre sua prática de ensino e aprendizagem, mas também refletem sobre o todo, ou seja, a importância da educação infantil e a necessidade de se ter uma educação de qualidade para o surdo, onde essa criança possa aprender e se comunicar em Libras.

Outro professor em sua fala diz, que,

é necessário o docente está apto para estar em sala de aula, da importância da formação para atuar como tal, pois não basta apenas saber Libras, o mesmo precisa ter uma formação pedagógica para atuar como tal (Surdo que é Professor B, 5° encontro, novembro/2017).

Nesse interim, trago outra fala da roda de conversa:

“Se quero ser tratada como professor e não apenas como instrutor de Libras preciso me qualificar para tal, ter uma formação, como Daniel está dizendo” (Surdo que é Professor L, 5° encontro, novembro/2017).

Esse professor, ao dizer essas palavras nos leva a entender o que Foucault (1980) nos apresenta sobre as “tecnologias do eu”, essa expressa por Larrosa (2011),

a chave para a tecnologia do eu é a crença de que é possível dizer a verdade sobre o próprio eu. De acordo com Foucault, tornou-se quase um lugar-comum a crença de que falar a profissionais, de uma forma similar à confissão, sobre o corpo e seus desejos, pode revelar as verdades mais profundas sobre o seu próprio eu (LARROSA, 2011, p. 26).

Falar a verdade sobre o outro é uma coisa, todavia falar sobre si, sobre o eu profissional nem sempre é fácil, pois nos leva a revelar o nosso eu. Quando o professor L, fala isso na roda de conversa, nos chama a atenção à veemência de suas palavras, chamando a atenção dele e dos demais participantes da roda de conversa para a importância da formação e da qualificação.

A roda de conversa, sendo assim, nos foi prazerosa e até mesmo terapêutica, não pelo viés da medicina, onde essa trata o doente, os sintomas. Mas pelo viés da filosofia, que tem por interesse nos mostrar e nos apresentar o eu, através da “experiência de si”, perpassando pelas “tecnologias do eu”.

6.6 NAS RODAS DE CONVERSAS, COMPRENDER O PROPÓSITO DO