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POSTER SESSION

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A pesquisa caracteriza-se como qualitativa (GHEDIN; FRANCO, 2008), sendo fundamentada nos pressupostos teóricos metodológicos da Análise de Conteúdo (BARDIN, 2011) e da Triangulação de dados (TRIVIÑOS, 2008).

Segundo Ghedin e Franco (2008) estudos demonstram que vem sendo incorporada a pesquisa qualitativa, seis novas compreensões, sendo: o professor vem a cena; o cotidiano entra em destaque; a realidade social passa a ser dotada de sentido; questões relativas à identidade, à emancipação, à autonomia; o processo impõe-se ao produto; as técnicas de pesquisa enriquecem-se.

Ghedin e Franco (2008) apontam as especificidades de cada uma das seis novas compreensões mencionadas, como destacamos na sequência.

O professor vem a cena, a sua fala, a sua escuta, a interpretação do vivido, trazem o professor como pessoa, como profissional, como construtor de inteligibilidade, como ser reflexivo, como alguém que pensa, decide e se angustia. Assim, o professor passa de objeto a sujeito, pois a pesquisa qualitativa centrará seu foco na descoberta desse sujeito, em sua compreensão, vai fazer sua colaboração, fazer-se parceira dele, preocupa-se com a sua formação, com a sua história. Além do professor como sujeito, surge também os alunos, os pais, a comunidade.

O cotidiano entra em destaque, a pesquisa qualitativa permite a compreensão do cotidiano como possibilidade de vivência única, impregnado de sentidos, realçando a interação a comunicação e proclamando o como espaço onde as mudanças podem ser pressentidas e anunciadas. O olhar sério, comprometido, constante dos pesquisadores sobre o cotidiano das práticas educacionais permitiu-lhes, por certo liberar seu pensamento de muitos raciocínios supostos, e defrontar-se com realidades jamais suspeitadas, embora sempre presentes.

A realidade social passa a ser dotada de sentido, o exercício de práticas qualitativas de pesquisa em educação possibilitou perceber a realidade social de modo diferente, ela passou a ser compreendida como algo composto de múltiplas significações, de representações que carregam o sentido de intencionalidade. Em decorrência disso, ampliaram-se os estudos sobre as representações sociais, sobre o discurso, sobre a fala dos sujeitos.

Surgem questões relativas à identidade, à emancipação, à autonomia, a medida que as personagens falam, se expressam, exprimem sentimentos, olham para si e querem perceber-se, vão surgindo ao pesquisador as questões de papéis sociais, de identidade, da busca do espaço existencial, bem como as do querer ser, da emancipação, da autonomia.

O processo impõe-se ao produto: os processos precisam ser percebidos, estudados, precisam visar à emancipação. Os produtos são relativos, provisórios, para serem mudados, é necessário focar o olhar no coletivo que constrói o processo.

As técnicas de pesquisa enriquecem-se: na busca dos conteúdos implícitos, dos valores encobertos que pautam os sentidos do cotidiano, há necessidade de profundas descrições, de interpretações, os discursos precisam ser decodificados, as falas, organizadas em unidades de significados, pesquisador e pesquisado fundem-se e criam proximidade que pode promover a intersubjetividade, os papéis alternam-se, as personagens dialogam, novas percepções, agregam-se a sentidos antigos, cada fato novo precisa de muitos olhares. O que sempre foi já não tem sentido como tal, as certezas já não são certas, os dados precisam de novas formas de coleta e organização, problemas éticos impõem-se, toca-se em sentimentos profundos. Constatando a inadequação entre os fundamentos da metodologia de base cartesiana e os fundamentos da ação necessária a uma prática docente afinada com uma concepção dialética da realidade.

Desse modo, como afirmam Ghedin e Franco (2008) à medida em que novos sentidos sobre a prática docente foram desvelados e os conhecimentos sobre ela puderem ser problematizados de forma crítica, antigos pressupostos, antigas crenças, antigos saberes passaram a ser configurados, num processo em que emerge a figura necessária da consciência docente, importante elemento da formação do professor reflexivo.

Segundo Ghedin e Franco (2008) o processo formativo desse professor vai requerer novo enfoque sobre as metodologias investigativas no campo educacional, que terão que dar conta não só de aprender a reflexividade, mas também de construí-la. Será preciso que as novas tecnologias se invistam de um caráter formativo emancipatório, incluindo assim os práticos- os sujeitos que compõem o grupo pesquisado na natureza do objeto de pesquisa, foi o motivo da escolha pela abordagem qualitativa, a qual não fica restrita apenas à coleta de dados e

quantificação. O que permite uma aproximação do pesquisador com o objeto investigado, possibilitando assim um melhor entendimento sobre as questões que permeiam o contexto pesquisado.

Segundo Strauss e Courbin (2008) a pesquisa qualitativa, se refere à pesquisa sobre a vida das pessoas, de suas experiências vividas, comportamentos e emoções e também sobre o funcionamento organizacional, movimentos sociais, fenômenos culturais e interação entre as nações.

De acordo com os referidos autores os estudos qualitativos podem ser utilizados para áreas sobre as quais há pouco conhecimento produzido, assim como sobre as quais se sabe muito, no intuito de serem construídos novos.

Desse modo, Bogdan (1982 apud TRIVIÑOS, 2008) menciona que o estudo qualitativo apresenta as seguintes especificidades: A pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como fonte direta dos dados e o pesquisador como instrumento - chave, é descritiva, o pesquisador preocupa-se com o processo e não simplesmente com os resultados, os dados tendem a ser analisados indutivamente, o significado é a preocupação essencial.

Ao iniciar uma pesquisa Triviños (2008) destaca que o pesquisador inicia sua investigação apoiado numa fundamentação aprofundada da literatura em torno do tema, entretanto, a maior parte do trabalho se constrói durante o processo de desenvolvimento da investigação. E será altamente positivo para a pesquisa se o pesquisador tiver amplo domínio não só do estudo que está realizando, como também do embasamento teórico geral que lhe serve de apoio.

Para a definição da amostra o pesquisador pode decidir por utilização de recursos aleatórios ou procurar representatividade dentro de um grupo maior. Para tanto, segundo Triviños (2008), o pesquisador pode decidir intencionalmente sobre a escolha e tamanho da amostra considerando aspectos como: os sujeitos essenciais para o estudo, a facilidade de se encontrar com eles e o tempo disponível para as entrevistas.

As contribuições de Lüdke e André (1986), Strauss e Courbin (2008) e Triviños (2008), nos fizeram refletir para que tenhamos um estudo que contribua e tenha relevância na área da educação, para o desenvolvimento da investigação sobre a gestão escolar na prática pedagógica da EI e a análise das ações práticas dos sujeitos. Para isso, serão utilizados instrumentos adequados à pesquisa qualitativa, com a finalidade de obtenção de dados que possam ser articulados com o referencial teórico, atendendo assim aos objetivos de pesquisa propostos.

3.2 O CONTEXTO DO CAMPO DA PESQUISA: ESPECIFICIDADES DOS CENTROS

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