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LE POSTE ELECTRICITE

B. ETAT DES LIEUX DE NOTRE LYCEE THEODORE DECK A GUEBWILLER

II. L E COMPORTEMENT DES USAGERS AU LYCEE T HEODORE DECK

2. LE POSTE ELECTRICITE

Para a produção da unidade didática, o pré-teste foi parâmetro para a produção das outras seis aulas da unidade didática. Nele, os alunos registrariam suas habilidades e competências atuais e então, a partir das demais aulas, elas seriam trabalhadas de modo que fossem melhoradas. Na questão do gênero carta, nesse primeiro momento, houve baixa adequação ao gênero carta, sendo que dos 13 alunos, 9 tiveram apenas o elemento do corpo da carta, nenhum aluno colocou cabeçalho e apenas 3 colocaram assinatura. Essa baixa adequação também foi bastante esperada, pois, por se tratar de um pré-teste, os alunos não sabiam exatamente quais eram as características composicionais do gênero, mesmo sabendo o que era uma carta, os alunos tinham apenas o enunciado para se orientarem e nenhuma ajuda por parte da professora regente ou do professor pesquisador.

Antes de seguir, neste momento, é trazido o questionário aplicado com a professora regente e suas respostas. O questionário serve para ter compreensão do trabalho realizado até então pela professora, um pouco de sua experiência e demais perguntas que poderiam justificar o desempenho de seus alunos. Segue14:

O questionário continha as seguintes questões:

A – Qual a sua formação?

Resposta: Pedagogia.

B – Há quanto tempo é professor(a)?

Resposta: a 6 anos.

C – Quais turmas já lecionou?

Resposta: pré, 4º e 5º anos.

D – Durante sua graduação, foi estudado sobre os gêneros do discurso?

Resposta: Sim.

14 As respostas registradas pela professora regente estão transcritas exatamente da mesma forma que no documento impresso fornecido para o preencheimento. Esse documento pode ser visto nos anexos.

E – Quais os principais problemas textuais que seus alunos apresentam?

Resposta: Concordância, pontuação e repetição de palavras (coesão e coerencia).

F – Que estratégias você usa para tentar sanar esses problemas?

Resposta: Produção e reestruturação em duplas, uso do dicionário, substituindo as palavras repetidas por sinônimos;

G – Com que frequência os alunos fazem produções textuais?

Resposta: Semanal.

H – Como você avalia a sua graduação na questão de te preparar para trabalhar com gêneros escritos em sala de aula?

Resposta: Acredito que o preparo, neste sentido, não seja o suficiente, pois encontrei muitas dificuldades na prática.

I – Seus alunos têm mais dificuldades com a língua escrita ou com as ideias durante as produções textuais? Consegue justificar isso?

Resposta: Apresentam mais dificuldades em organizar as ideias, demonstram insegurança ao passa-las para o papel.

A partir das respostas da professora, é possível constatar que ela possui uma boa experiência com seis anos em sala de aula, isso colabora com o desenvolvimento dos alunos. Ela é formada no curso de pedagogia, sendo este direcionado para a alfabetização e letramento, tanto de educação infantil quanto do Ensino Fundamental Anos Iniciais, além de poder exercer papel na coordenação nas escolas. Para o Ensino Fundamental, a professora lecionou para o 4º e 5º ano, turmas as quais os alunos já possuem um nível de alfabetização e letramento maior. A professora regente também afirma que estudou os gêneros do discurso, sem dar detalhes, e relata que há problemas nos textos de seus alunos, sendo eles de concordância, pontuação e repetição de palavras. Comparando com os pré-testes dos alunos, os problemas citados referentes à concordância e pontuação condizem, porém, a repetição não foi algo analisado no pré-teste.

Sobre a estratégia da professora para tentar sanar problemas, a reestruturação em duplas e o uso do dicionário, é bastante interessante, pois muitos professores não gostam de trabalhar com duplas ou grupos devido à indisciplina em sala de aula ou porque, muitas vezes, não é eficaz, porém, é um recurso bem interessante, pois estimula os alunos a corrigirem seus textos em conjunto com um colega. Essa

estratégia utilizada pela professora pode acarretar várias boas interações dos alunos além do senso de competição saudável, sendo que um aluno não quer possuir mais desvios que o outro, sendo assim, ocorrendo um esforço ainda maior para a produção/reescrita dos textos. O uso do dicionário é algo que não se comenta muito na atualidade e essa prática da professora pode ter justamente melhorado o desempenho dos alunos para que durante a aplicação da unidade didática, os textos não tivessem uma alta quantidade de repetição de palavras. Além disso, a professora relata que as produções são semanais, isso faz com que os alunos tenham mais contato com textos escritos e que a prática constante é um fator muito positivo para a escrita cada vez mais dentro da norma padrão da língua portuguesa.

A professora também comenta que encara o preparo durante a universidade como não suficiente, mencionando que teve problemas durante a prática. Isso não é algo incomum, pois muitos profissionais da educação fazem relatos semelhantes, inclusive, o próprio pesquisador desta dissertação acredita que é necessária uma maior atenção para a parte de produções textuais, principalmente nos anos iniciais, tanto em cursos de Pedagogia quanto de Letras. Essa atenção maior é necessária, pois nessas produções, os alunos podem demonstrar variação linguística vindos, por exemplo, da fala, fazendo trocas as quais os professores julgam totalmente incorretas, mas na verdade tratam de aproximações que o aluno faz com sons semelhantes, sendo que esse problema pode ocorrer porque o aluno ainda não tem o som correspondente na sua fala e muitas vezes o professor não percebe isso.

Ter aulas que preparem o professor para analisar essas produções textuais de alunos não é apenas importante, como também necessário, pois, ao verificar matrizes curriculares no curso de Pedagogia15, por exemplo, não se encontram disciplinas

voltadas para a fonética e fonologia, sendo que nas Licenciaturas em letras existem matérias específicas sobre essa área, porém, os profissionais formados por esses cursos atuam em anos mais tardios do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) e no Ensino Médio, sendo que os primeiros problemas ocorrem e precisam de mais atenção nos anos iniciais.

Retornando ao questionário, a professora regente termina dizendo que, a partir de sua experiência em sala de aula, ela percebe que os alunos possuem maiores

15 As matrizes curriculares pesquisadas para o curso de Pedagogia abrangiam universidades públicas e privadas da região da cidade na qual ocorreu esta pesquisa.

dificuldades na questão da organização das ideias do que problemas gramaticais e que os alunos são inseguros. Esse item em questão fica difícil de verificar, pois os textos produzidos pelos alunos enquadram-se como narrativos e descritivos, tipologias que estão vinculadas a gêneros relativamente mais fáceis de se expressar, totalmente o oposto a gêneros que utilizem tipologias argumentativas, como, por exemplo, o artigo de opinião.

Uma hipótese a ser levada em conta sobre essa dificuldade que os alunos possuem relacionada as ideias e é relatada pela professora pode ser relacionada à noção de parágrafo. A organização das ideias em um texto está ligada à sua estrutura de parágrafos, por exemplo, de sequência narrativa como a carta. Cada ideia resultaria em um parágrafo durante a construção do texto, porém, em vários pré-testes analisados, os alunos demonstram escrever um único e grande parágrafo, deixando todas as suas ideias conectadas uma seguida da outra. Essa hipótese também não exclui a professora regente, a qual também pode não ter a noção de parágrafo bem definida e, desse modo, acaba apenas percebendo que seus alunos possuem dificuldades com as ideias, mas não consegue resolvê-las, pois ela também possui esta dificuldade.

Textos desse gênero ou de gêneros similares necessitam de uma maior capacidade linguístico-discursivo por parte dos alunos e evidenciariam melhor essas afirmações realizadas pela professora regente. Além disso, a coerência em si não foi algo analisado a fundo nesta pesquisa, portanto, não é possível verificar amplamente o que a professora relata para poder compreender esses problemas. O que é possível afirmar é que, a partir do pré-teste, há poucos problemas de ideias por parte dos alunos, como mencionado acima, principalmente por tratar-se de um gênero textual com elementos narrativos e descritivos. Os alunos conseguiriam se expressar de forma convincente, e efetiva, porém, houve desvios gramaticais enquanto fazerem isso e estes foram utilizados na produção da unidade didática para desenvolvimento em futuros textos.

Após analisar as respostas que a professora regente realizou em seu questionário, são feitas a seguir considerações gerais sobre o pré-teste.

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