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A possible more automated approach

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1.3 Contribution

1.3.2 A possible more automated approach

Assim como enfatizamos no decorrer da escrita deste estudo, a pesquisa empreendida versa sobre vivências com a escrita por parte de sujeitos com trajetória de rua, cumprindo-nos, portanto, lidar com essas especificidades da historicidade humana. Nesse sentido, adentramos em noções que englobam assuntos para além do âmbito linguístico os quais exigiram de nós, no processo interpretativo, atenção redobrada.

Foi nosso propósito, pois, endereçar atenção a questões linguísticas socialmente relevantes, fazendo-o em convergência com nossa base epistemológica, o que – com base no já mencionado Diagrama Integrado (CERUTTI-RIZZATTI; MOSSMANN; IRIGOITE, 2016) – implicou foco nos sujeitos interactantes em eventos de letramento de que tomamos parte, assim como foco na esfera da atividade humana, na língua em uso, no cronotopo específico de cada evento, o que suscita práticas de letramento a partir das quais têm lugar os atos de dizer nesses mesmos eventos, remetendo-nos, assim, ao simpósio conceitual com que operamos nesta dissertação – Figura 1, do capítulo 2 deste estudo.

Tendo em vista esses fundamentos, – após, portanto, o percurso no qual realizamos observação participante, notas de campo e demais instrumentos já mencionados em seção anterior, bem como análise de documentos implicados nos eventos de letramento que constituem a base analítica deste estudo – as diretrizes de análise de dados tiveram como escopo tal diagrama integrado. Considerando a questão geral de pesquisa, entendemos que, para compreendermos as vivências com a/na cultura escrita em se tratando de sujeitos com trajetória de rua, precisamos, na realização da análise, situá-los no contexto que escolhemos como foco de nossa atenção, a esfera institucional do Movimento de Rua, na qual, por meio de intervenções e protestos em busca dos direitos da população em situação de rua, procura-se facultar a esses sujeitos experiências de cunho político e social com a cultura escrita, e a esfera comunitária de vizinhança, na qual nos pareceu possível voltarmo-nos ao âmbito cotidiano desses mesmos sujeitos. Sendo assim, em se tratando deste estudo, importou-nos desenvolver compreensões acerca das possíveis implicações da constituição de sujeitos com trajetória de rua no que respeita aos usos sociais da modalidade escrita da língua. O caminho que adotamos para avançar nesta pesquisa foi o percurso de análise entre as práticas de letramento dos sujeitos participantes deste estudo e os eventos de letramento vivenciados. Esse percurso, como já registrado

anteriormente, foi empreendido com base no mencionado diagrama, que integra conceitos decorrentes das abordagens agenciadas no aporte teórico. Assim, procedemos, a seguir, à articulação entre as questões- suporte de pesquisa, as diretrizes de análise de dados e as proposições do diagrama.

Quadro 2 – Diretrizes de análise de dados. Questão-suporte de pesquisa nº1 Diretrizes de análise e instrumentos de geração de dados utilizados Proposição do diagrama-base para a análise Considerando diferenças não- indiferentes, em se

tratando de cada sujeito

com trajetória de rua

participante deste estudo, há reverberações das relações entre eles que sejam passíveis de inferir nessas vivências com a cultura escrita? Em as havendo, como elas se configuram?

Reverberações das relações entre os

sujeitos com trajetória de rua nas vivências

com a cultura escrita (observação e notas de campo).

Foco nas categorias

interactantes e esfera da atividade humana

no âmbito das práticas

de letramento. Segundo o diagrama, em se tratando da primeira categoria: “[...] estudo da historicidade desses participantes em relação a suas vivências anteriores, a valores que carreiam consigo acerca dos usos da escrita em questão, experiências com a escrita [...]”; em se tratando da segunda categoria: “[...] valorações atribuídas a elas [atividades com a escrita na esfera], familiarização dos participantes com tais atividades, o papel da escrita nessas atividades no que respeita à transformação dos participantes [...]”. Fonte: Elaboração nossa.

Quadro 3 – Diretrizes de análise de dados. Questão-suporte de pesquisa nº2 Diretrizes de análise e instrumentos de geração de dados utilizados Proposição do diagrama-base para a análise Considerada a convivência de sujeitos

com trajetória de rua

com apoiadores do Movimento em estudo, há reverberações em se tratando de diferentes manifestações da

cultura escrita, agora

nesse âmbito, que sejam passíveis de inferir? Em as havendo, como elas se configuram? Reverberações implicadas nas vivências com a escrita a partir da convivência entre sujeitos com

trajetória de rua e

apoiadores do Movimento de Rua (observação e notas de campo).

Foco nas categorias

interactantes e esfera da atividade humana

no âmbito das práticas

de letramento. Segundo o diagrama, em se tratando da primeira categoria: “[...] estudo da historicidade desses participantes em relação a suas vivências anteriores, a valores que carreiam consigo acerca dos usos da escrita em questão, experiências com a escrita [...]”; em se tratando da segunda categoria: “[...] valorações atribuídas a elas [atividades com a escrita na esfera], familiarização dos participantes com tais atividades, o papel da escrita nessas atividades no que respeita à transformação dos participantes [...]”. Fonte: Elaboração nossa.

Quadro 4 – Diretrizes de análise de dados. Questão-suporte de pesquisa nº3 Diretrizes de análise e instrumentos de geração de dados utilizados Proposição do diagrama-base para a análise

No que respeita a tais diferentes

manifestações da

cultura escrita nas esferas em que esses interactantes se

relacionam, há reverberações em suas vivências a partir da minha imersão como pesquisadora em campo? Em as havendo, como elas se configuram?

Reverberações, a partir de minha presença como pesquisadora, nas vivências dos sujeitos

com trajetória de rua

com a cultura escrita (observação e notas de campo67).

Como se trata de uma ação colaborativa de trabalho com a escrita, o foco se dará no cronotopo (caracterização espacial em que se dá o encontro...) e nos interactantes (descrição dos participantes...).

Fonte: Elaboração nossa.

67 No projeto de pesquisa se antevia a realização de entrevistas e pesquisa documental, o que não

Quadro 5 – Diretrizes de análise de dados. Questão-suporte de pesquisa nº4 Diretrizes de análise e instrumentos de geração de dados utilizados Proposição do diagrama-base para a análise Considerada a inserção dos sujeitos com

trajetória de rua na esfera institucional do Movimento e para além dela, como se

historicizam essas vivências com a cultura

escrita na interface antes da rua, durante a rua, para além da rua?

Inserção desses sujeitos no Movimento em questão e historicização das vivências com a

cultura escrita na

interface antes da rua,

na rua, para além da rua. (notas de campo68). Foco na esfera da atividade humana (“construção histórica da esfera da atividade humana em questão...”), no cronotopo (“construção histórica do espaço social implicado...”) e nos interactantes (“Enfoque no continuum insider

versus outsider, estudos

da historicidade desses participantes em relação a suas vivências anteriores...”) no

âmbito das práticas de

letramento.

Fonte: Elaboração nossa.

Vale reiterar que a relação eventos de letramento e práticas de letramento como dois grandes constituintes do encontro – como no diagrama (Figura 1) – foram o mote central da análise. As diretrizes esfera da atividade humana, cronotopo, ato de dizer e interactantes alternaram- se na maior ou menor proeminência ao longo dos três capítulos, a depender dos dados gerados.

68 No projeto de pesquisa se antevia a realização de entrevistas e pesquisa documental, o que não

4 A HISTORICIDADE DOS SUJEITOS COM TRAJETÓRIA

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