Chapitre 1. Développement d’une méthode d’évaluation du plan d’urbanisme règlementaire
1. Présentation des secteurs géographiques et des zones analysées dans le cadre de cette évaluation
1.1 Portions de territoires effectivement analysées
A presente investigação assumiu como propósito geral aferir a eficácia da educação em empreendedorismo. Para tal, foi analisada a relação entre a educação em empreendedorismo e a intenção e comportamento empreendedor, tendo em consideração alunos e ex-alunos do ensino superior que frequentaram a unidade curricular de empreendedorismo e empreendedores de negócios nascentes.
Numa primeira fase, o objetivo passou por compreender até que ponto a educação em empreendedorismo influencia o desenvolvimento da intenção empreendedora dos alunos. Tendo por base a teoria do comportamento planeado, foi proposto um modelo conceptual de modo a atingir este propósito. Os resultados indicam que a participação numa unidade curricular de empreendedorismo não aumenta a intenção empreendedora. No entanto, os alunos aumentaram significativamente a perceção do controlo sobre o comportamento empreendedor, dos apoios existentes para a implementação de projetos empreendedores ao nível da envolvente institucional e, ainda, adquiriram mais conhecimentos teóricos na área. Os resultados obtidos estão em linha com o que é considerado o objetivo primordial de um programa de empreendedorismo para este público-alvo: consciencialização e desenvolvimento do espírito e mentalidade empreendedora (Comissão Europeia, 2012; Weber, 2012). Também Sánchez (2013) considera que a educação em empreendedorismo tem como papel principal compartilhar ideias sobre o que significa ser um empreendedor, criar uma consciência crítica, bem como aumentar a perceção dos aspetos importantes do empreendedorismo, fornecendo uma visão realista dos problemas que podem envolver ser empreendedor.
Assim, o objetivo não é necessariamente a criação imediata de mais empresas, mas sim de dotar os alunos de conhecimentos e competências empreendedoras, permitindo-lhes tomar uma decisão mais consciente sobre a sua futura carreira profissional. Verificou-se, ainda, que a intenção empreendedora dos estudantes é primordialmente explicada pela perceção do controlo e pela atitude face ao comportamento, segundo o modelo proposto. Caso o objetivo da u.c. ou curso de empreendedorismo seja aumentar a intenção empreendedora, estes devem ser ministradas de modo opcional onde os alunos à partida revelem um interesse pela área, pois as expectativas positivas relativamente àquelas iniciativas estão relacionadas com a intenção empreendedora. Deste modo, os objetivos, métodos de ensino e de avaliação devem ser ajustados ao tipo de público-alvo inscrito num programa educacional de empreendedorismo. Os resultados também demostraram maior intenção empreendedora dos estudantes do género masculino e também daqueles pertencentes à área das ciências exatas e engenharia em comparação com os restantes domínios. Realça-se a importância de potenciar a multidisciplinaridade no desenvolvimento deste tipo de programas, onde alunos de ambos os géneros e de várias áreas de formação possam trocar experiências.
Este estudo contribui para a teoria do comportamento planeado, confirmando a forte relação entre atitude face ao comportamento e intenção empreendedora e a fraca relação entre normas sociais e intenção empreendedora, descartando a possibilidade de acrescentar variáveis adicionais ao modelo com impacto direto na intenção (neste caso o conhecimento e contexto institucional). Várias limitações metodológicas foram encontradas, tais como: amostra de controlo reduzida e a não utilização de amostras emparelhadas para comparação do mesmo questionário (pré-teste e
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pós-teste). Sugere-se um outro estudo que contorne estas limitações e também que considere outros benefícios potenciais de um programa de empreendedorismo para além daqueles observados neste estudo. Por exemplo, a introdução de outras variáveis como autorrealização, aversão ao risco, identificação de oportunidades, capacidade de inovação e a importância do papel do docente como inspirador (role model).
A segunda fase deste estudo passava por compreender e analisar o comportamento empreendedor dos alunos que frequentaram a unidade curricular de empreendedorismo. O questionário foi difundido por ex-alunos de empreendedorismo, ou seja aqueles que em anos anteriores tinham frequentado a unidade curricular semestral de empreendedorismo, nomeadamente nos anos letivos de 2010-2011, 2011-2012 e 2012-2013. A análise dos resultados obtidos permitiu concluir que os alunos que frequentaram a u.c. apresentam um maior interesse pela área do empreendedorismo e têm uma maior intenção de fundar o próprio negócio. Esse interesse verificou-se numa maior procura de outros cursos e atividades (educação informal) fora do âmbito da disciplina formal de empreendedorismo. Assim, é possível concluir que a frequência da unidade curricular de empreendedorismo permite despertar o interesse dos alunos para o empreendedorismo, tornando-os mais atentos à envolvente que os rodeia. Ou seja, esses alunos apercebem-se que existem apoios relevantes ao nível de estruturas, recursos, mecanismos e estratégias institucionais dedicadas ao empreendedorismo. O desenvolvimento de uma carreira de autoemprego não se apresenta como prioritária para os estudantes que frequentaram a unidade curricular de empreendedorismo, contudo 16.9% desses inquiridos têm intenção de fundar o próprio negócio. Neste caso, os estudantes após o término da formação académica pretendem ganhar algum tipo de experiência de trabalho antes de considerarem criar um negócio próprio. Como primeira limitação, sendo este estudo de carácter exploratório, é apresentado de modo mais descritivo. A necessidade de construir um questionário próprio e o processo laborioso de recolha e tratamento da informação dificultou este processo. Além disso, o facto de não se saber qual o nível intencional destes estudantes logo após o término da unidade curricular, só permite inferir conclusões no momento atual.
Para efeitos desta dissertação e por questões de limitação temporal, a forma encontrada para realizar os estudos às primeiras duas unidades de análise foi de forma independente, não se podendo, portanto, comparar uns estudantes uns com os outros. No entanto, recomenda-se um único estudo longitudinal que agregue estas duas unidades de análise, para que se contemple a evolução dos participantes desde o início de um programa de empreendedorismo até uns anos mais tarde a essa participação. Isto é, fazer um acompanhamento dos alunos verificando, numa primeira fase, se aumentaram a intenção empreendedora com a frequência num programa de empreendedorismo e, passado uns anos, numa segunda fase, perceber a estabilidade dessa intenção através da análise do comportamento empreendedor.
A última fase de análise foca até que ponto a educação em empreendedorismo pode exercer um papel influente no sucesso do empreendedor. Para isso foram realizadas entrevistas a empreendedores que fundaram a própria empresa. Das 10 entrevistas realizadas, verificou-se que 50% dos empreendedores tiveram algum tipo de educação em empreendedorismo. No entanto, apenas dois desenvolveram as ideias de negócio durante ou como consequência direta da educação em empreendedorismo (um das quais formal o outro informal) e os restantes três procuraram educação informal complementar que os auxiliasse em todo o processo de arranque
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da própria empresa. Daqueles que não procuraram ou tiveram educação em empreendedorismo, verificou-se que tinham já experiência prévia na criação de empresas e, portanto, não sentiram necessidade de recorrer a educação em empreendedorismo. Contudo, é reconhecido como extremamente importante desenvolverem unidades curriculares e formações complementares na área. A principal conclusão daqui retirada é que educação em empreendedorismo (formal e informal) é essencial, mas não determinante para que as pessoas se tornem empreendedoras. Essencial para adquirir conhecimentos, competências, controlo e confiança sobre a realização de todo o processo inerente à criação e desenvolvimento de uma ideia de negócio, mas não determinante, pois não é necessariamente obrigatório ter educação e formação em empreendedorismo para que uma pessoa possa fundar a própria empresa e singrar como empreendedor. Como empreendedores voluntários, que escolheram que espontaneamente essa opção de carreira o foco da educação em empreendedorismo deve centrar-se em preparar os indivíduos para iniciarem o próprio negócio, dotando-os de conhecimentos na área da gestão, nomeadamente na definição do modelo e do plano de negócios. As limitações encontradas neste estudo prendem-se com a dificuldade em recolher testemunhos o que limitou o número de entrevistas a 10, permitindo apenas fazer uma análise exploratória. Seria interessantes realizar um estudo longitudinal com os mesmos empreendedores. Isto é, verificar se anos mais tarde (no longo-prazo) as empresas dos empreendedores que usufruíram da educação em empreendedorismo tiveram um maior sucesso e longevidade em comparação com aqueles que não tiveram qualquer tipo de educação. Também uma análise de natureza qualitativa mais robusta em termos da opinião dos estudantes, professores e empreendedores acerca das metodologias subjacentes à educação em empreendedorismo poderá constituir uma sugestão de investigação futura.
O primeiro contributo desta investigação reside no facto de ser apresentada uma abordagem integrada para a educação em empreendedorismo que contempla várias perspetivas. Sendo o fenómeno empreendedor transversal, este estudo permite compreender as diferenças que se devem ter em consideração quando se planeia um programa de empreendedorismo. Em primeiro lugar, os objetivos devem ser ajustados aos diferentes públicos-alvo, como foi descrito anteriormente. Para os estudantes do ensino superior (unidade de análise 1 e 2) importa perceber se os destinatários participam num programa de empreendedorismo de forma voluntária ou obrigatória. Se for escolhida de forma voluntária e à partida os estudantes possuem uma certa predisposição para o empreendedorismo importa incidir mais nas questões atitudinais e comportamentais, capacitando os estudantes para que possam lançar efetivamente o próprio negócio após a u.c. Neste caso talvez fosse importante criar um ambiente experimental em que se envolva os alunos em atividades empreendedoras como por exemplo a simulação de arranque de projetos reais. Se a frequência na unidade curricular não for escolhida de forma voluntária a intervenção comportamental de curto prazo através de um programa de empreendedorismo, não seria o mais adequado.
À
partida os alunos não têm um interesse imediato pela área e, portanto, importa consciencializá-los e apresentar-lhes o empreendedorismo como alternativa de carreira, divulgando quais os apoios existentes ao nível institucional nesse âmbito. Este despertar para o empreendedorismo será beneficiado com a transmissão de conhecimentos teóricos na área, levando os alunos a terem uma maior consciência da controlabilidade e domínio do comportamento e também de que podem aplicar esses conhecimentos não só enquanto empreendedores mas também no seu dia-a-dia e trabalhando por conta de outrem. Já para os empreendedores o importante é que na fase de arranque possam através da educação em86
empreendedorismo adquirir maiores conhecimentos, controlo e confiança para que se sejam melhor sucedidos na sua carreira empreendedora.
Espera-se que os resultados obtidos e a respetiva análise facilitem e contribuam para a tomada de decisão no que diz respeito a caminhos futuros, quer para as instituições de ensino como organizações privadas e governos. Também em termos de políticas públicas e de incentivo ao empreendedorismo, este estudo permite dotar os agentes políticos de informação para melhor aplicarem e redirecionarem os seus recursos e investimentos. Uma maior cooperação entre diversos stakeholders para promover outro tipo de iniciativas suplementares à educação formal são essenciais na sensibilização e acompanhamento dos empreendedores ou potenciais empreendedores. Com um papel facilitador do empreendedorismo, estes agentes necessitam de trabalhar em rede de modo a preparar os jovens para competir num mundo globalmente competitivo e dinâmico. Tal como sugerido por Redford (2013) este trabalho pode ser conseguido através de uma estratégia nacional que permita responder eficazmente às atuais prioridades nacionais e europeias, tendo como foco o combate ao desemprego (principalmente o jovem), contribuir para o crescimento económico e prevenir o abandono escolar. Medidas de apoio específicas podem ser adotadas tal como a colaboração com PMEs locais e abrindo as escolas à comunidade, de modo a envolver as empresas e as entidades locais.
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