Diante da necessidade de organizar e sistematizar as informações produzidas no campo da saúde surgem no país inúmeras iniciativas de sistemas de informação em saúde, com objetivo de transformar dados em recursos estratégicos para subsidiar a gestão.
A evolução tecnológica e as transformações dela decorrentes são responsáveis por diminuir distâncias e por permitir que “máquinas assumam e executem com excepcional competência tarefas que exigiam muito esforço e tempo humanos” (GRAEML, 2003, p. 21). No campo da saúde, por exemplo, o desenvolvimento tecnológico permitiu a disseminação e a facilitação do acesso às bases de dados; concepção e implantação do prontuário eletrônico, sem falar na possibilidade de mapear o perfil de adoecimento da população, entre tantos outros benefícios. Nesse sentido, os sistemas de informação atuam no processamento e sistematização de informações de modo a favorecer a sua recuperação e uso.
A informação é recuperada, portanto, “para facilitar o debate, a discussão e o diálogo, assim como para responder a perguntas, interpretar situações ou resolver problemas” (CHOO, 2003, p.
409). Trata-se, assim, de uma robusta ferramenta de análise da realidade de saúde de um grupo ou população utilizada para processar os dados e produzir a informação, além de contribuir para a produção de conhecimento acerca da saúde e dos assuntos a ela ligados (BRANCO, 1996).
Os registros eletrônicos de saúde contribuem para a unificação de rotinas médicas, auxiliam na formação de um banco de dados, permitindo acesso rápido e com menor esforço. Sua utilização tem sido associada também a melhoria da qualidade das informações geradas pelos sistemas de informação.
O objetivo do Sistema de Informação em Saúde (SIS) deve ser o de informar ao público, a seus representantes políticos, funcionários, administradores, gestores e prestadores de serviço sobre a natureza e amplitude dos problemas de saúde, sobre o impacto de uma ampla gama de influências na saúde individual e coletiva, bem como apoiar os processos de tomada de decisão e de gestão para a resolução desses problemas (BRANCO, 2001, p. 165).
Na realidade brasileira, os sistemas que compõem o SUS são estratificados por áreas específicas (tipos de doenças, eventos, grupos, etc.), o que dificulta a organização e padronização das ferramentas informacionais, exigindo estratégias de alinhamento, além de que os dados que alimentam esses sistemas são frequentemente subutilizados, descentralizados, ficando restritos mais para fins de registro e controle.
Porto et al. (2014) reconhecem a relevância dos sistemas de informação no controle da execução das políticas públicas, mas ressalta que esta não deve ser sua principal função, uma vez que, “esses sistemas têm um grande potencial para serem utilizados como ferramentas de diagnóstico, planejamento, avaliação e produção de dados e informações para novas formulações e planejamentos de políticas públicas” (PORTO et al., 2014, p. 37-38). Constituem, portanto, insumos para o estabelecimento de políticas e prioridades melhor adaptadas às necessidades dos usuários (JORGE; LAURENTI; GOTLIEB, 2010), retratando fielmente as condições de saúde de um grupo.
Nessa perspectiva, compreende-se que os sistemas de informação “desempenham um papel fulcral, sendo consensual o reconhecimento do seu contributo para a racionalização de recursos, modernização e melhoria da qualidade dos serviços de saúde” desde que bem planejados e geridos (ROCHA, 2010, p. 10). Nesse aspecto, a informação atua como “suporte nos processos de
planejamento, tomada de decisão e execução de ações, trazendo assim, resultados positivos para objetivos traçados” (SILVA, 2016, p. 21). O planejamento consiste na definição de estratégias para o alcance dos objetivos propostos, em que o uso de informações possui papel central. Para tanto, exige-se que essas informações sejam entregues de forma precisa e em tempo hábil, sejam variadas e no volume necessário (MCGEE; PRUSAK, 1994). Usar a informação significa aplicá-la em uma situação específica, fazendo com que ela possa alterar o status de uma determinada lacuna informacional, com o objetivo de satisfazer plenamente as demandas dos usuários envolvidos (SAEGER et al., 2016, p. 55).
De forma complementar, Jorge, Laurenti e Gotlieb (2010) salientam que:
As informações obtidas a partir dos dados produzidos pelos diferentes sistemas não constituem um fim em si mesmas, mas representam uma maneira de subsidiar melhores decisões para políticas, planejamento, administração, monitoramento e avaliação de programas de saúde, além de, obviamente, servirem para a análise e avaliação epidemiológicas (JORGE; LAURENTI; GOTLIEB, 2010, p. 08).
A Abordagem de Agregação de Valor de Taylor (1986), amplamente utilizada por Choo, dispõe que “produtos, serviços e sistemas de informação devem ser pensados como um arsenal de atividades que adicionam valor à informação que está sendo processada, auxiliando os usuários no processo de tomada de decisão, empreendendo ações mais efetivas” (CHOO, 2003, p. 412).
Sabendo que a informação em saúde possui uma dimensão estratégica, ela precisa estar plenamente acessível, clara e no formato correto para que gestores possam fazer uso dela. “A utilização dos sistemas de informação no processo de tomada de decisão aumenta a eficiência dos serviços prestados à clientela, pois, disponibiliza profissionais capacitados e atualizados para atuarem nos serviços de saúde” (BENITO; LICHESKI, 2009, p. 448).
Quanto a isso Oliveira (2006, p. 10) expõe que:
A informação tem como finalidade servir de apoio à tomada de decisão e tem de ser adequada ao nível em que essa decisão se processa. Ao nível de análise de processos, interessam as informações com dados estatísticos, ao nível de gerenciamento, interessam as informações organizacionais que sirvam de suporte à formulação de estratégias. Nesse sentido, a falta de um sistema adequado de informações na organização ocasiona espaço para dados informais que geram transmissão de informações distorcidas, extremamente prejudiciais, capazes de
abalar relacionamentos, reduzir a motivação e conduzir a decisões desastrosas, trazendo insegurança e instabilidade ao ambiente organizacional.
As informações compartilhadas a partir dos sistemas de informação geram conhecimento e contribuem para sintetizar os dados de saúde de um grupo, bem como as repercussões de ações e programas de saúde a ele aplicados.
Os sistemas de informação que disponibilizam as informações de forma organizada e de fácil acessibilidade tornam-se recursos tecnológicos capazes de potencializar a busca, o acesso e principalmente a efetividade das ações dos profissionais de saúde, tornando-se uma ferramenta de apoio às atividades, auxiliando na tomada de decisão e aquisição de conhecimento, e como resultado, tem-se profissionais mais capacitados, criativos, capazes de mudar a realidade e melhorar o atendimento dos serviços de saúde através de ações de inovação de processos de saúde potencializando assim suas competências pessoais e coletivas no trabalho em saúde (BENITO; LICHESKI, 2009, p. 450).
Branco (1996, p. 68) define os SIS como recursos para “adquirir, organizar e analisar dados necessários à definição de problemas e riscos para a saúde, avaliar a eficácia, eficiência e influência que os serviços prestados possam ter no estado de saúde da população”, contribuindo para a produção do saber no campo da saúde.
A utilização desse tipo de sistema permite a diminuição dos fluxos de processos nas organizações; garante praticidade e agilidade na recuperação das informações; permite o cruzamento de dados de forma automática, diminuído o tempo de resposta e a sobrecarga de trabalho.
É um instrumento essencial para a gestão do trabalho, contribuindo no que diz respeito às ações de gerenciamento, monitoramento, desenvolvimento e avaliação do trabalho em saúde. Neste sentido, a informatização ganha relevância, pois, encurta os fluxos, favorecendo a comunicação entre setores da organização, departamentos e unidades, representando, portanto, uma base concreta para o processo gerencial (BENITO; LICHESKI, 2009, p. 449).
Os sistemas de informação em saúde são, portanto, importantes ferramentas para definir o perfil de adoecimento dos servidores, como também para avaliar a aplicabilidade das ações após a sua implementação, averiguando em que medida foi possível o alcance dos objetivos pretendidos. Para tanto, precisam estar preparados para promover a informação como um insumo crítico, capaz de apoiar o processo de tomada de decisão, garantindo padronização e consistência das informações
e reduzindo as informações em duplicidade. Para isso, o SI necessariamente precisa garantir a acessibilidade dos dados, facilitando a sua recuperação rápida, íntegra e de qualidade.
Parece unânime que estes sistemas trazem contributos importantes na organização, no armazenamento e no acesso à informação, de forma a promover a qualidade do trabalho produzido pelos diferentes grupos profissionais (RIBEIRO, 2009). Mas para atingir níveis satisfatórios de eficiência e eficácia, “é vital para o sistema que o seu produto ou a sua prestação de serviços atinja o máximo nível de excelência, ou seja, que levem a todos os usuários, consumidores ou clientes a plena satisfação de suas necessidades” (MELO, 2006, p. 28).
Em síntese, os sistemas de informação precisam estar estruturados para oferecer o suporte necessário para que “o planejamento, as decisões e as ações dos gestores, não sejam baseados em dados subjetivos, em conhecimentos ultrapassados ou em conjecturas” (BRASIL, 2009b, p. 63).