Chapitre 6. Analyse du discours des enseignants
1. La population des enquêtés
O conjunto de representações que pode ser observado hoje no Conselho Nacional de Juventude teve sua construção iniciada, antes mesmo da sua criação, remontando aos primeiros movimentos de discussão e articulação em torno das políticas públicas de juventude. Atores e grupos que vivenciaram esta experiência também foram desenvolvendo ou consolidando suas identidades, seus valores e interesses. Neste processo, uma arena política foi sendo formada simultaneamente a uma agenda política, ou seja, com um conjunto mais ou menos determinado de temáticas, problemas e alternativas de solução, ao mesmo tempo em que uma
arena institucional33 se definia. Como resultado, não só é possível encontrar fortes aproximações entre as arenas política e institucional em seus momentos de formação, como também entre as agendas política e institucional, numa relação que provavelmente diferencia este setor de políticas públicas dos demais.
Uma evidência dessa aproximação é documentada pelo próprio Conselho Nacional de Juventude no livro Natureza, Composição e Funcionamento, publicado durante a primeira gestão. Um debate nele registrado retoma e analisa a origem da composição do Conjuve, afirmando que boa parte dos atores presentes no Conselho já estava na órbita do debate em torno da construção da agenda das políticas de juventude que antecedeu a criação dessa arena institucional. Nesse contexto, a inclusão desses atores entre os membros da primeira gestão do Conselho, parece uma consequência natural do processo, considerando que a estruturação desse espaço também fazia parte de uma agenda política de muitos deles.
Helena Abramo, uma das especialistas participantes do debate que gerou a publicação, cita alguns atores que, na sua opinião, estariam na base da formação do Conselho. O primeiro deles seria os grupos e movimentos (culturais, comunitários, identitários), a maioria, vindos de setores populares, como os grupos de hip-hop. O segundo seria os atores juvenis mais institucionalizados, com uma prática política mais incorporada, assim como as entidades estudantis e as juventudes partidárias. O terceiro seria as organizações juvenis com suporte institucional, como as pastorais da juventude e entidades sindicais. E, por último, as ONGs e as fundações empresariais que desenvolvem programas destinados aos jovens. Cada um deles teria um foco e uma agenda específica para qual estavam se dispondo a pautar (idem). É relevante notar que, ao inaugurar as eleições como método de composição, o Conselho incorpora esses perfis no desenho das categorias, provavelmente, porque esses atores permaneceram presentes e atuantes.
Farias (2013), em seu estudo sobre o Conselho Nacional de Juventude, entrevista alguns de seus membros a respeito da sua participação neste espaço e de como o percebem. A fala dos conselheiros reconhece o Conjuve como um espaço democrático, plural e representativo, valores foram colocados como princípios desde
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Por arena política, compreende-se o espaço sociopolítico de articulação dos atores (LASCOUMES, LE GALÈS, 2012); enquanto que por arena institucional compreende-se um espaço da mesma natureza, porém, delimitado pelas paredes institucionais do Conselho.
a sua criação. O Conselho, no documento já citado, também apresenta relatos de afirmação da diversidade da composição do Conselho desde a sua base. Isso parece se confirmar quando se verifica a multiplicidade de categorias e cadeiras que compõem o Conjuve. Também se percebe quando, segundo Farias (2013), os conselheiros se declaram como integrantes de determinado grupo ou movimento. Farias explica que, ao se referirem ao segmento de origem, significa que o conselheiro se mantém vinculado à sua base.
Por outro lado, Abramo ressalta que a diversidade dos atores catalizada na construção do Conjuve dificultou inicialmente a estruturação de uma plataforma comum que ainda não estava colocada na agenda pública e por isso não foi incorporada desde o início da trajetória do Conselho (CONSELHO NACIONAL DE JUVENTUDE, 2007).
Farias (2013) justifica, explicando que essa diversidade de projetos e focos pode ser por vezes conflitiva e gerar disputa, mas não necessariamente se configura como algo negativo e, sim, como algo saudável para atuação do Conjuve, como afirmam os depoimentos de alguns conselheiros.
A autora identifica, contudo, que poucas vezes estas diferenças de fato se colocaram presentes. Esta falta de divergências é sinalizada, em algumas entrevistas, como um elemento que fragilizaria o processo democrático (FARIAS, 2013). Abramo igualmente registra a existência de pouco confronto entre os atores, que poucas vezes se colocam em posições diferentes, que se desdobrem em disputas ou polêmicas explícitas. Essa percepção não é unânime, pois alguns conselheiros, de acordo com o relato de Abramo, trazem que o confronto aparece e que ele é responsável pela qualidade do que é formulado ou produzido no Conjuve. Há um questionamento se, até que ponto, esta diversidade também não carrega assimetrias de poder e hierarquia. Farias (2013) fala a respeito de um centramento político-partidário, que é apontado por alguns conselheiros entrevistados. Os discursos relatam uma falta de independência da sociedade civil, denunciando uma possível apropriação indireta de cadeiras com organizações que não representam interesses da sociedade civil, mas sim do próprio governo. A autora conclui que a representação dos partidos é um desafio na composição do Conselho, pois percebe, a partir da opinião dos conselheiros, que muitas vezes há uma sobreposição das
pautas dos partidos em relação ao que são as demandas da juventude (FARIAS, 2013).
Esse tema abre uma discussão sobre a dinâmica de composição e funcionamento do Conselho Nacional de Juventude, especialmente no que diz respeito aos seus processos de decisão e sobre como define a sua agenda. Em que medida os valores construídos como base da sua criação permanecem nessas práticas? Até que ponto as mudanças na composição do Conjuve ao longo das suas gestões alteraram a forma como o Conselho atua hoje? São questões que se colocam para a reflexão.