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: POPULATION DU BASSIN ARACHIDIER : COMPOSITION ETHNIQUE, EVOLUTION,

A autoprodução apresentou-se como característica da construção civil no Brasil até meados do século passado. Os processos produtivos então utilizados, na sua maioria, consistiam na elaboração de materiais locais específicos para cada obra. A partir da segunda metade do século passado, observa-se a difusão de uma nova forma de construir envolvendo a cientifização das atividades de projeto através da criação de escolas de engenharia e o fornecimento de materiais e componentes industrializados (FARAH, 1988).

As transformações sociais ocorridas a partir dos anos 30 repercutiram na construção civil. O subsetor edificações, especialmente, teve considerável impulso devido às crescentes taxas de urbanização e à intervenção do Estado no campo da habitação, através de Institutos de Previdência e da Fundação da Casa Popular. Houve a consolidação da nova forma de construir, a absorção de inovações tecnológicas oriundas da indústria de materiais e componentes e o desenvolvimento científico a partir da criação e desenvolvimento de instituições de apoio tecnológico e de normalização. Iniciativas pontuais de modernização tecnológica da atividade de construção, embora presentes, não constituíram em mudança no plano tecnológico (IPT, 1983).

.A primeira atividade técnica relacionada com a alvenaria teve inicio em 1931, com a

elaboração do primeiro texto básico para especificações dos tijolos maciços. Em 1943, foram definidas as Especificações Brasileiras para tijolos maciços e furados de barro cozido. Em 1945, surgiram as normas de ensaio à compressão também para tijolos cerâmicos. Essas ações foram isoladas e não tiveram relação com o uso da alvenaria como função estrutural.

Com a tomada do poder pelos militares em 1964, e o deslocamento do investimento para as obras de grande porte, o subsetor edificações apresentou uma desaceleração. A criação do Banco Nacional da Habitação (BNH) buscou responder às necessidades crescentes de habitação, que identificou, naquele ano, um déficit habitacional de oito milhões de moradias. Com essas medidas, foi possível a expansão do subsetor, refletindo-se na indústria de materiais e componentes (FARAH, 1988).

A partir de 1974, a economia brasileira apresentou sinais de desaceleração que se refletiram, de maneira mais lenta, na construção civil que man.ifestou a crise,

principalmente, a partir de 1983. Programas estatais mantiveram o nível de atividade do setor, particularmente através da construção de grandes conjuntos habitacionais. Posteriormente, medidas governamentais restritivas na economia significaram praticamente a interrupção de construções habitacionais pelo Estado e, juntamente com a extinção do BNH, completam o quadro de crise no subsetor edificações (FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO, 1984).

Um dos maiores motivadores para o desenvolvimento de processos e sistemas construtivos no Brasil foi, e ainda é, o severo problema da escassez de moradia, agravado pela restrição de recursos do poder público, incapaz de implementar o financiamento da produção de habitações.

Na tentativa de minimizar a escassez de moradias, tecnologias de processos industrializados como painéis pré-moldados e formas túneis foram utilizadas, embora não tenham sido consideradas soluções viáveis para o mercado. O uso de materiais alternativos, geralmente à base de resíduos, esbarra na carência de dados técnicos confiáveis, especialmente relacionados com as propriedades mecânicas e a durabilidade destes materiais.

Como causas prováveis para o fato destes processos industrializados não terem se desenvolvido no Brasil podem ser apontadas o custo de materiais empregados devido à quantidade de energia necessária para sua produção, o alto investimento inicial para implementação dos processos, principalmente no que diz respeito aos equipamentos, e a falta de mão de obra qualificada e habilitada.

Nos anos 70, a Companhia de Habitação do Estado de São Paulo (COHAB-SP) destacou-se, particularmente, pela introdução de inovações tecnológicas na construção habitacional que visavam a diminuição dos prazos de execução e a redução dos custos. A modernização tecnológica promovida pelo Estado consistiu, basicamente, na adoção de novos sistemas estruturais. Neste contexto, a alvenaria estrutural despontou como um sistema construtivo adequado aos objetivos da ação estatal, que prescinde de grandes investimentos iniciais, uma exceção entre os demais

sistemas. Sua difusão ultrapassou os limites definidos pela promoção estatal, por ser considerada uma alternativa eficaz e duradoura para a construção de habitações (FARAH, 1988).

Mesmo considerando as transformações pelas quais passou o subsetor edificações, as mudanças tecnológicas foram pouco significativas, mantendo-se a forma de construir definida desde o início do século passado. Fatores que contribuem para o atraso tecnológico podem ser apontados: base manufatureira da produção caracterizada pela estrutura de ofícios, baixo grau de mecanização e uso intensivo de mão de obra; baixa produtividade do setor; problemas de qualidade do produto final; desperdícios ao longo da produção e condições de trabalho precárias. A análise destes fatores torna-se importante para a compreensão do comportamento tecnológico das empresas e das tentativas de avanço técnico do setor (VARGAS, 1979).

Na década de 90, as construtoras sentiram a necessidade de desenvolvimento tecnológico para tornarem-se competitivas e atuarem nas classes mais baixas do mercado, oferecendo habitações de menores custos. Buscavam-se alternativas de processos construtivos racionalizados, investimento em equipamentos e ferramentas, capacitação das equipes de produção e adoção de formas claras de negociação com os operários.

Embora este atraso ainda esteja presente, a existente absorção de inovações é oriunda da indústria de materiais e componentes. Através de pesquisa, desenvolvimento e divulgação técnica, proporcionados principalmente pelo segmento responsável pela produção de materiais e insumos industrializados, dá-se a introdução e a difusão de inovações tecnológicas na área da construção. No entanto, esta absorção freqüentemente apresenta falhas associadas à introdução de novos produtos que apresentam problemas relativos à falta de padronização e de informações quanto às características, propriedades e formas de aplicação. Falhas decorrentes da ausência de integração entre fornecedores e empresas de construção e deficiências de normalização técnica também prejudicam essa absorção (FARAH, 1988).

A racionalização, a busca pela qualidade, a qualificação da mão de obra e a normalização de projetos e de materiais estão entre os temas desenvolvidos em trabalhos acadêmicos e iniciativas da ICC com o objetivo de prover ferramentas e técnicas que garantam maior eficiência para as empresas do subsetor edificações (GUERRINI & SACOMANO, 1998).

.As medidas de racionalização construtiva baseiam-se na aplicação de princípios que

visam a melhoria da organização empresarial, de uma maneira ampla. Estes

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abrangem todas as fases do processo de produção do edifício, desde a concepção dos projetos, o planejamento e a organização da execução, à ocupação e utilização da edificação. Dentre estes princípios, destacam-se a construtibilidade, o desempenho e a garantia de qualidade. A adoção de princípios de racionalização permite a evolução contínua dos processos construtivos permitindo maior eficiência no aproveitamento dos recursos disponíveis sejam eles materiais, humanos, tecnológicos ou organizacionais (FRANCO, 1996; GEHBAUER et al., 2002).

Constata-se a necessária introdução de inovações relativas aos sistemas e processos construtivos, através da implantação de instrumentos e mecanismos de melhoria da qualidade de projetos e obras.

Em 1998, foi implantado o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat (PBQP-H) pelo governo federal como ação para a promoção da melhoria da qualidade do habitat e a modernização produtiva do setor da construção habitacional, através do aumento da competitividade de bens e serviços. O PBQP-H se propõe a organizar o setor da construção civil envolvendo todas as empresas e entidades da cadeia produtiva, desde a indústria de materiais às empresas construtoras, os governos em todos os níveis, os agentes financiadores e promotores, as universidades, os centros de pesquisa até as organizações não-governamentais (PBQP-H, 1998).

Com a implantação do PBQP-H pretende-se o aumento da produtividade das empresas participantes através da redução de custos, treinamento dos profissionais e padronização de processos e materiais construtivos.

Para Farah (1988) o avanço tecnológico no subsetor edificações pode contribuir para a solução da crise habitacional permitindo maior volume de produção e conseqüente diminuição de custos financeiros. Deve significar também uma melhoria da qualidade do produto edificação beneficiando os usuários, o poder público e as empresas, promovendo o aumento de ganhos internos e um novo padrão de relação com o usuário. Possibilita, ainda, uma melhoria nas condições de trabalho se considerarmos que ganhos de produtividade podem ser obtidos pela reversão da tendência à absorção predatória da força de trabalho, que caracteriza atualmente o setor.