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Polymérisation en émulsion

Dans le document Par Helen Njeri NJENGA industrielle (Page 57-61)

XiV. activités d’apprentissage

Activité 1: Introduction à la chimie industrielle et à l’industrie chimique Au terme de cette unité, vous devriez être capable de:

8. Mettre sous forme de tableau les résultats

2.2. Procédé unitaire

2.2.1.3. Polymérisation en émulsion

Foi neste contexto de crise econômica da Paraíba, ao mesmo tempo renovador, em clima de "revolução agrícola", que, em 1938, o Interventor Federal Argemiro de Figueiredo lançou uma campanha em favor do agave. Ao deflagrá-la, adotou duas medidas fundamentais: a distribuição de mudas da planta e a criação de uma nova legislação para os campos de demonstração, beneficiando claramente esta cultura.

Com relação à primeira medida, o governo passou a distribuir gratuitamente as mudas, que, pelo menos até maio de 1938, ainda eram vendidas. Cerca de 11 mil mudas valiam R$ 100.193Conforme o economista Elbio Troccoli, o preço de uma muda de agave era inferior ao valor do exemplar do jornal local e compatível com os preços das demais mudas oferecidas pelas instituições oficiais. Compreendo, portanto, que a oferta de mudas gratuitas revela o desinteresse de grande parte dos produtores em adquiri-las convencionalmente, isto é, por meio da compra. Sobre o descrédito destes segmentos sociais, com relação à lavoura agavieira, os jornalistas José Leal e Rafael Mororó, ao se referirem aos proprietários do Brejo, afirmaram:

Os senhores de engenho da zona do Brejo continuavam, porém irredutíveis. É um povo teimoso, aquêle. Agarrava-se à cana-de-

193 Sobre isto, ver “Horto e pomar da Estação Experimental do Litoral”. In. A União Agrícola, dom., 1 maio,

açúcar como carrapato no couro do gado. Ninguém os convencia de que já era tempo para uma nova experiência.194

Na fala de Mororó e Leal, é flagrante a incredibilidade e o ceticismo dos proprietários, pois ainda estavam presos a suas antigas experiências agrícolas, que, no litoral e no Brejo, se referiam à cana-de-açúcar e ao algodão. Nas áreas mais secas, os estabelecimentos rurais se orientavam em função do algodão e da pecuária. Assim, percebo que os proprietários se sentiam inseguros para investir em uma lavoura basicamente estranha, que apresentava um processo complexo de transformação, marcado por uma divisão de trabalho totalmente oposta às situações vivenciadas na área em estudo, onde a mão-de-obra sequer era remunerada e não existia, por parte dos produtores, quase nenhum investimento em máquinas, uma vez que grande parte dos instrumentos agrícolas pertencia aos lavradores, como discuti no capítulo anterior. Portanto, o desinteresse dos proprietários revelava a sua contestação em relação às inovações culturais tanto no que diz respeito a esta lavoura como aos procedimentos técnicos mais elaborados que, inclusive, exigiam um investimento maior em capitais.

Penso que, para estimular estes homens descrentes, ou melhor, crentes em outra cultura agrícola, marcada por diferentes relações de trabalho, por outro calendário agrícola, enfim, no sentido de uma nova organização de trabalho, sobre o qual falarei no próximo capítulo, as mudas de agave passaram a ser fornecidas pela Diretoria de Produção, como informou a Revista do Boletim de Publicidade Agrícola:

Quanto ao agave a Diretoria adquiriu 500.000 mudas que vão constituir os plantios dos campos municipais, um grande campo que vai fazer o dr. Renato Ribeiro e o resto estará a disposição de todos aquêles que quizerem cultivar a planta preciosa…195

Em muitos casos, as mudas eram solicitadas pelos prefeitos municipais, como fez o sr. Antônio Santiago, de Itabaiana, que demandou da Diretoria de Fomento da Produção e, em seu telegrama confirmou, o recebimento das mudas:

Acuso o recebimento do vosso ofício nº 146 de 26 de janeiro de 1940, comunicando-me a reméssa, por êsses dias, de cem mil mudas de

194 José Leal e Rafael Mororó. A Civilização Dourada. op. cit. p. 22. Sobre o ceticismo dos primeiros

plantadores de agave na Paraíba, ver também Horácio de Almeida Brejo de Areia Memórias de um município. João Pessoa: UFPB, 1980 e Cleodon Coelho. Guarabira através dos tempos. João Pessoa: Livraria Nordeste / União, 1990.

agave, além de cento e cinquenta mil bulbilhos que solicitei por telegrama.196

As mudas poderiam ser enviadas diretamente para os proprietários, como mostra o telegrama do prefeito mencionado acima: “Chegaram hoje à estação da Great Western, desta cidade, dois vagões, com cem mil mudas destinado ao campo do Dr. Manoel Florentino na fazenda Linda Flor, Distrito de Mogeiro”.197 Assim, as mudas eram doadas e entregues tanto às prefeituras como diretamente aos interessados.

Conforme a pesquisa de campo, as primeiras mudas desta planta chegaram à região em estudo, graças ao padre Luiz Santiago, como disse o sr. Gentil Venâncio Palmeira, pertencente à família que se tornou tradicional produtora de agave:

No início eu era menino, quando foi implantado um campo de demonstração. Foi trazido uns 200 pés, foi trazido por Luiz Santiago e o povo pegava dali pra plantar nos roçados. O início foi este campinho de demonstração do Padre Santiago. Quem deu os primeiros passos incentivador foi Argemiro de Figueiredo.198

De acordo com este narrador, “o campinho do padre Santiago” teria sido fundado durante a interventoria de Argemiro de Figueiredo, isto é, no final dos anos de 1930. A área cultivada também não era grande, pois tinha apenas cerca de 200 pés, dos quais alguns foram doados ao “povo”. Entendo que o “povo” mencionado pelo sr. Gentil eram, sobretudo, os grandes e médios proprietários, que dispunham de uma quantidade maior de terras para usar em negócios desconhecidos, para fazer experiências com novas lavouras que, inclusive, só poderiam ser plantadas com a lavoura alimentar, nos dois primeiros anos de sua longa existência, que ultrapassa os doze anos de vida.199 Para homens como este informante, alguns hectares de terras não lhes faziam falta, inclusive, porque muitos proprietários, nos anos de 1940, plantaram o agave em terrenos ainda não cultivados. Todavia, para grande parte dos lavradores, notadamente aqueles que possuíam pequenos sítios, um ou dois hectares de chão lhes eram fundamentais. Por esta razão, não acredito que este segmento tenha aderido ao

196 “413.500 Bulbilhos de Agave fôram distribuídos pelo govêrno do Estado no mês de janeiro”: In. Jornal A

UNIÃO, sáb., 3 fev. 1940. p. 5.

197 “413.500 Mudas de Bulbilhos de Agave Fôram Distribuídos pelo Govêrno do Estado no Mês de Janeiro”: In.

Jornal A UNIÃO, sáb., 3 fev. 1940, p. 5.

198 Gentil Venâncio Palmeira, pertencente à família de grandes e médios produtores de agave do município de

Cuité. Entrevistado em Cuité, em julho de 1995.

199 “… O conjunto da plantação, porém, é explorado economicamente até 25 anos porque há um processo de

renovação natural contínuo por ‘filiação’. Passado esse tempo, o sisal deve ser erradicado, pois o espaço para as plantas produtivas torna-se progressivamente menor, dado que a área útil das fileiras é, cada vez mais, ocupada pelos tocos das plantas mortas”. José Grabois e Maria Aguiar de Jesus, apud Ivony Lídia M. Saraiva. op.cit. p. 134.

agave, pelo menos no primeiro momento, quando pairava sobre esta agricultura o estigma do estranho, do desconhecido. Investir no agave, no final dos anos 30 e início dos anos 40, do século passado, era quase uma aventura, que seduzia notadamente os grandes e médios proprietários. Quanto aos moradores, estes só tinham os roçados que eram pequenos e, também, eram impedidos, pelos seus patrões de cultivar uma lavoura que apresentava um ciclo de vida tão longo. Desta forma, o agave ia sendo cultivado, principalmente, em propriedades maiores. D.Maria, por exemplo, relembrou a chegada dos primeiros pés de agave nas terras onde ela morava e trabalhava:

Eu num lembro em que ano o agave chegou aqui. Eu já era casada. Eu me casei no dia três de abril de 1938. eu me lembro que nós lavava roupa de traz do balde do açude. Os pés de agave era bem grande assim, botava uns pendões como cebola, como que fosse um pezinho de cebola. Caía, a gente aplantava numa horta pra fazer o agave pra plantar, que num era daqui vinha do brejo. Padrinho mandava os meninos com um burro pro Brejo e de lá vinha umas cargas de agave. Eles eram pra plantar aqui. A gente plantava como horta de coentro. 200

Este depoimento mostra que a distribuição de mudas não atingiu todas as áreas igualmente, pois vários produtores, como o padrinho da informante, não se beneficiaram com a oferta e o serviço de entregas das mudas, promovidos pelo Estado. A fala de D.Maria denuncia, também, como alguns proprietários, da área em estudo, estavam aderindo à nova lavoura, inclusive, dispostos a conseguir mudas em regiões mais distantes, como o Brejo, onde estava localizada a EAN, e em outros centros de distribuição, que também forneciam mudas e bulbilhos gratuitamente.201 Acredito que, no final de 1930, o campo municipal de Picuí ou mesmo o do padre Luiz não estavam ainda produzindo mudas ou bulbilhos para o replantio, pois ambos só brotam quando a planta atinge a idade adulta, isto é, entre o segundo e o quarto ano de vida. Os documentos consultados revelaram que os municípios mais próximos da capital e da EAN foram mais beneficiados com a oferta de mudas e bulbilhos, como aparece no quadro a seguir:

200 Maria do Carmo Dantas, entrevistada em Pedra Lavrada, em setembro de 2003.

201 As mudas, filhotes ou rebentões nascem ao lado da planta-mãe, ligando-se a esta através dos rizomas. Os

bulbilhos são pequenas plantas que nascem nos pendões florais depois que as flores caem. Sobre este assunto, ver Diniz Chavier Andrade. Instruções para o Cultivo do Sisal. João Pessoa, 1972. p. 3.

QUADRO 1 - Distribuição de Bulbilhos (1º Semestre - 1940) Municípios Quantidade Itabaiana 100.000 Campina Grande 180.000 Areia 50.000 Mamaguape 50.000 Sousa 20.000

Fonte: “A Distribuição de sementes e mudas”. In A União Agrícola, dom., 21 jul. 1940, p.1.

QUADRO 2 - Distribuição de Mudas (1º Semestre - 1940)

Município Quantidade Sousa 9.000 Bonito 1.000 Santa Luzia 6.000 Princesa Isabel 500 Itabaiana 200.000 Município Quantidade Campina Grande 5.000 Guarabira 45.000 Esperança 10.000 Mamaguape 5.000 Cabaceira 3.000 Distrito de Jacu 2.000

Distrito da Serra da Raiz 2.000

Monteiro 4.000 Pombal 5.000 Conceição 4.000 Cuité 3.000 Capital 306.500

Fonte: “A Distribuição de sementes e mudas”. In A União Agrícola, dom., 21 jul. 1940, p.2.

Conforme este quadro, municípios como Areia, Guarabira e Itabaiana, receberam mais mudas e bulbilhos do que, por exemplo, Cuité. Acredito que, em meio à crise econômica que afetava todo o estado, os prefeitos, e até mesmo os fazendeiros do Brejo, estavam mais informados e também mais dispostos a mudanças. Por um lado, as campanhas agrícolas de municípios como Campina Grande, Itabaiana e Guarabira foram bem-sucedidas, como disse Elbio Packman:

Dentre as prefeituras paraibanas mais destacadas no fomento agrícola em geral, estavam a de Itabaiana e a de Campina Grande. A de Itabaiana, em 1939 já dispunha de 3 Campos de Demonstração, com 21 ha, 5 delas com agave apresentando bom aspecto.202

202 Elbio Troccoli Parkman. “O Surgimento da Economia Sisaleira na Paraíba: dos primórdios à virada de 1938 e

Com relação ao campo de demonstração de Guarabira, o autor mencionado disse: “O campo de Demonstração de Guarabira, com 10 ha, dos quais 6 ha recebendo 10 mil mudas de agave, foi de grande importância para a economia sisaleira”.203

Por outro lado, a região onde estavam localizados estes municípios fora, em muitas ocasiões, palco de eventos agronômicos importantes, tal como a Reunião Agropecuária, que acontecera em Campina Grande, sobre o que falarei depois, bem como sediava a EAN, centro difusor da nova agricultura na Paraíba. Assim, no final dos anos de 1930 a 1940, os produtores do Brejo foram mais beneficiados com a doação das mudas promovidas pelo Estado. Desta forma, no começo da década de 1940, muitos proprietários dos Cariris resistiam, ou ainda não conheciam o agave, tal como os fazendeiros do Brejo, que se mostravam mais entusiasmados com esta lavoura.

A segunda medida que fazia parte da “campanha pró-sisal” fora o decreto de nº 1.169, que previa a obrigatoriedade do aumento da área dedicada aos campos municipais e, também, a instalação de campos de agave com, no mínimo, dois hectares, nas áreas estabelecidas pelos agrônomos da Diretoria de produção:

É obrigatória a reserva de dois (2) hectáres para o plantio de mudas de agáve naquêles campos de demonstração que, para êsse fim, fôrem escolhidos pela Secretaria da Agricultura, Comércio, Viação e Obras Publicas.204

Ao meu ver, para os planos do governo, esta medida era importante por duas razões: primeiro, a ampliação da extensão dos campos possibilitava a difusão de duas ou mais lavouras e, ao mesmo tempo, permitia que uma pequena mostra, que já era relevante para influenciar novas práticas no cotidiano dos homens do campo, se transformasse em um micro negócio agrícola, sobretudo no caso do agave; um “micro-negócio” de dois hectares, crescendo, assim, com mais afinco, o êxito desta lavoura. Segundo, obrigava claramente o cultivo nos municípios determinados pelos agrônomos. Esta imposição era uma forma de impedir que o agave continuasse sendo “esquecido” pelos prefeitos e produtores, pois, até 1938, não existia nenhum campo municipal com agave, como mostra o quadro a seguir:

203 Idem, Ibidem.

204 “A nova Organização dos Campos municipais de Demonstração.”In Boletim de Publicidade Agrícola.

QUADRO 3 – Número de Campos de Demonstração e Hectares Cultivadas por Lavoura na Paraíba – (1938-1939)

Nº dos Campos Área dos Campos (ha)

Lavoura 1938 1939 1938 1939 Algodão 131 254 1.517 3.017,5 Cana-de-açúcar 22 20 164 242 Mamona 14 7 25 15 Batatinha 1 1 2 1 Arroz 2 6 51 56,5 Feijão 1 8 2 43 Milho 2 21 2 93 Fumo 2 1 8 1 Mandioca 1 3 2 18 Cebola 2 5 1,5 6,5 Agave - 3 - 14 Soja - 1 - 10 Sorgo - 1 - 2 Outros diversos - 35 - 214 Total 178 366 1.774,5 3.737,5

Fonte: Elbio Troccoli Pakman. O Surgimento da Economia Sisaleira na Paraíba: Dos Primórdios à Virada de 1938 e ao início do Boom. op. cit. p.11.

O quadro mostra que, depois de institucionalizada a obrigatoriedade dos campos, foram criados três campos de agave. Assim, percebo que a instalação destes núcleos agavicultores ainda se processava lentamente, pois, embora os prefeitos municipais fossem homens de confiança do Interventor, nem sempre cumpriam todo o programa imposto pela política agrícola estadual, tal foi o caso do Prefeito de Antenor Navarro, o sr. Martinho Gonçalves que, em 1940 já havia implantado o campo de agave, mas ainda se esforçava para atingir as metas com relação a outros serviços agropecuários, como ele explicou em resposta ao Interventor:

Em resposta ao telegrama de vossência datada de treze do corrente, comunico que esta prefeitura mantém campos de demonstração com dez hectares plantados de algodão e agave. Quanto ao aviário, apiário e pocilgas esforça-me-ei afim de executar o programa de vossência. Atenciosas saudações – Martinho Gonçalves, prefeito.205

Todavia, a obrigatoriedade dos campos foi revogada quando o novo Interventor Ruy Carneiro (1940-1945) assumiu o governo da Paraíba. Na ocasião, os prefeitos recém- nomeados mostraram-se receptivos às medidas deste governo, por eles consideradas

205 “Para que os Municípios cada vez mais se Interem no Programa de Fomento das Riquezas Econômicas do

democráticas, pois deixavam a cargo dos administradores municipais decidir a instalação dos campos. Sobre isto o prefeito Nemésio Palmeira, do município de Serraria, disse em seu relatório:

Finalmente, o decreto do Govêrno do Estado, tornando voluntária a manutenção dos Campos Municipais de Demonstração sobre ser acertado, como alias tem sido todos os atos do novo Interventor da Paraíba, veio ao encontro do desejo de todos os novos prefeitos municipais.206

Neste momento, alguns campos chegaram a ser fechados, como o campo de fumo de Serraria e o campo de algodão de Areia, sob a alegação que eram ineficientes e não haviam promovido a mecanização agrícola dos municípios. O prefeito de Teixeira, por exemplo, relatou o seguinte:

Para que se faça um juízo seguro desta situação basta que se diga que no município trabalha um único arado e em uma só propriedade. A base da agricultura é o algodão. Só em um Distrito, Mãe D’água ele produz em condições perfeitamente favoráveis. Os distritos de Teixeira, e Destero e Imaculada apresentam condições médias para o seu cultivo. Do distrito de Teixeira (sêde), excluindo alguns trechos ele deverá ser banido, pois que não apresenta condição propicía ao seu plantio….207

Quanto ao agave, relata que era cultivado em pequena escala e não havia recebido apoio suficiente para o seu desenvolvimento: “o agave necessita de incentivo a sua cultura e a instalação de máquinas desfibradeiras”.208

Independente das divergências político-partidárias entre o interventor que investiu na política dos campos de demonstração e o novo governo de Ruy Carneiro, os tais campos nem sempre prosperavam, sobretudo nas áreas com menor influência política, a exemplo dos distritos, entre outros municípios. Mesmo considerando que não alcançaram o êxito esperado, eles eram armas eficientes para difundir a proposta do governo, educando, buscando construir um agricultor sintonizado com a eficiência da produção. Nestes termos, o campo de demonstração era uma escola.

206 “A Situação Econômica e Financeira do Município de Serraria”. In. Jornal A UNIÃO, 6ª feira, 08 nov. 1940.

p. 3.

207 “A Situação Econômica e Financeira do Município de Teixeira”. In. Jornal A UNIÃO, dom., 10 nov. 1940. p.

5.

208 “A Situação Econômica e Financeira do Município de Teixeira”. In. Jornal A UNIÃO, dom., 10 nov. 1940. p.

Os campos de agave, apesar das suas limitações, se tornaram centros de propaganda e propagação: não apenas plantavam, distribuíam mudas e prestavam assistência aos interessados, mas funcionavam, também, como vitrines que exibiam plantas bem cuidadas e tratadas. Os campos municipais atuavam em nível local e cotidianamente. Assim, como um monumento, eles estavam lá: para lembrar, iluminar, ensinar, como os campos de agave fundados em Picuí, Cuité, Campina Grande e Itabaiana, entre outros. Sobre a influência deste último campo, o agrônomo João Henriques disse: "O campo de agave que foi inegavelmente a origem e a força incetivadora da cultura agavieira, hoje tão florescente naquele próspero município."209

Assim, com suas técnicas, com seus agrônomos, com suas plantas, em especial, com seus pés de agaves, os campos de demonstração, buscavam forjar, na Paraíba, um novo imaginário agrícola que, muitas vezes, remetia à construção de uma cultura agavieira, isto é, uma nova lavoura: o agave, com outras técnicas, outras máquinas, uma diferente organização agrícola e outras relações sociais que fortaleciam o assalariamento, em detrimento das relações tradicionais: meia, terça e moradia; além de outras representações, que misturavam mito, religião e ciência.

Para internalizar novos costumes nos homens do campo da Paraíba, a Diretoria de Fomento lançou mão de um eficiente sistema de divulgação, por meio da palavra impressa e da palavra oral. Referindo-se à importância da imprensa para a construção de uma nova cultura – isto é: método de trabalho e lavouras – O DIÁRIO DE BELO HORIZONTE publicou, em um dos seus editoriais, o seguinte:

Não há dúvida que uma propaganda inteligente e contínua influi sensivelmente no sentido de mostrar aos agricultores e criadores vantagens do abandono dos métodos e do emprego dos processos modernos.210

No caso específico do agave, eram, ainda, usadas imagens cinematográficas para introjetar a cultura agavieira nos fazendeiros paraibanos. Assim, no início de 1940, fora providenciada a exibição de um documentário, abordando o plantio e a industrialização do agave em São Paulo. Este filme foi enviado pelo Ministro da Agricultura, Fernando Costa, ao Interventor Argemiro de Figueiredo, que pretendia exibi-lo em todo o estado. Sobre a importância deste filme, o Jornal A UNIÃO noticiou:

209 Agrônomo João Henrique. In. “O Município e a Produção” A União Agrícola, 19 fev. 1950. p. 5. 210 “A propaganda Agrícola na Paraíba”. In Jornal A UNIÃO, 6ª feira, 26 abr. 1940. p. 1.

Em vista da campanha pelo desenvolvimento desta cultura em nosso Estado e das numerosas pequenas organizações já existentes de beneficiamento de fibra, este filme tem um interesse especial para a Paraíba, tanto assim que o governo vai providenciar para mandá-lo exibir nos cinemas do interior do Estado.211

Por ocasião da primeira reunião de economia agropecuária, realizada em abril de 1940, em Campina Grande, fora apresentado o mencionado filme, além de várias teses agronômicas, entre as quais cito: a do agrônomo Clarindo Gouveia, sobre o emprego das máquinas na agricultura, e a do agrônomo Lauro Xavier, que discutia acerca das plantas têxteis, consideradas de interesse para a economia paraibana.

Neste contexto de agricultura rentável e científica, fora, então, rodado o filme: “às 17 horas no cinema Capitólio, foi exibido um filme enviado pelo Ministro da Agricultura sobre a cultura e industrialização da agave, com o comparecimento de todos os participantes da reunião”.212 A platéia, a que a notícia se refere, era composta por todos os prefeitos do estado

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