Chapitre 3 : Proposition d’une méthode de Maintenance de la Base de Cas
2. Maintenance de la base de cas
2.4. Politiques et stratégies de la maintenance de la base de cas
2.4.2. Politique d’optimisation de la base de cas
Fonte: arquivo pessoal de Georgiane Estrela Dantas.
A vida de solidão é uma prática permanente no Carmelo. As monjas buscam no decorrer de sua caminhada espiritual aprimorá-la para que a santidade floresça em todas as suas atitudes. No Carmelo, tudo deve ser modelo de solidão, de silêncio e de recolhimento.
Ainda que viva em solidão perene, a carmelita acredita que não está sozinha. Os santos carmelitas, Maria e Elias e sobretudo, o divino caminham continuamente no interior do claustro, servindo de modelos e razão da existência desse mundo escondido que é o Carmelo monástico.
Ao perceber o estilo de vida contemplativo das religiosas do Carmelo, percebemos que, ao atingir o grau de maturidade na comunicação com o mundo do além, o racional não pode atingir o pensamento sobrenatural e nem compreendê-lo, pois afirma Stein (1988, p. 51), quando revela que o sobrenatural,
[...] aqui começa a comunicar-se, não mais por meio dos sentidos, como fazia até então, quando a alma o encontrava pelo trabalho do raciocínio, ligando ou dividindo os conhecimentos; agora ele o faz puramente no espírito, onde não é mais possível haver discursos sucessivos. A comunicação é feita como um ato simples de contemplação, o que não chegam os sentidos interiores e exteriores da parte inferior. Por isso a
imaginação e a fantasia não podem então apoiar-se em consideração alguma. [...] Esta contemplação de certa forma, muito árida para a parte sensível do homem, é escondida e, mesmo para quem a recebe, misteriosa.
Assim, segundo a espiritualidade carmelitana, atingindo o grau de purificação, a alma eleva-se à presença divina tornando-se revestida das forças sobrenaturais, representando dessa maneira um espaço de transcendência que ora por outra é preenchido pela presença mística do sagrado.
Para manter a solidão, as irmãs sempre permanecem na cela ou em lugares retirados para a oração, caso não estejam ocupadas em outras atividades como manda a Regra.
Os lugares recolhidos devem ser ocultos e retirados, de modo que as irmãs não possam ser vistas ou ouvidas pelas religiosas que circulam nas imediações do mosteiro ou nos claustros. Nesses momentos, não se deve estar andando pelo mosteiro, mas buscar o recolhimento nas suas celas ou ermidas. Não se deve andar pelas oficinas das outras irmãs, nem andar falando com as irmãs sem necessidade. Tudo deve ser vivido só com o Sagrado e caso necessário, apenas o essencial deve ser tratado com a priora.
Caso uma irmã necessite por algum motivo e com as devidas licenças falar com outra religiosa mais demoradamente, deve ir para uma sala e fechar a porta atrás de si para preservar o recolhimento e silêncio do ambiente.
O silêncio, segundo as carmelitas, promove a todos um ambiente de paz e de deserto interior, impedindo que ruídos possam bloquear ou quebrar a paz do lugar de morada do monge, de modo que as falas devem ser moderadas, tornando-se comuns os gestos, diluindo assim todo o espírito de ansiedade.
Tudo deve ser cuidado com zelo, evitando falações em lugares ou horas inadequadas. Assim, deve-se tomar cuidado com os movimentos que possam causar barulho, como: abrir e fechar uma porta ou uma janela, no andar, no arrastar de algum banco, todas as ações devem ser executadas sem o menor ruído possível.
A monja deve usar os devidos sinais para dirigir-se a uma irmã, ter em vista brevidade no que deve falar, ser concisa e ponderar diante do sagrado se o que tem para dizer não pode esperar para a recreação ou horas livres. Sobre esses requisitos, a depoente nos revela algumas confidências, dizendo que,
Eu fui prá lá sabendo disso: a vida no Carmelo é silêncio, solidão e sofrimento. Você só tem que contar com ele. Só tem Deus prá contar. Não
buscar nada além dele. (GEORGIANE ESTRELA DANTAS,11 Informação Verbal, João Pessoa, maio, 2013).
Ficar em silêncio para a carmelita, é unir-se a Deus na solidão do deserto, um deserto que ultrapassa o espaço físico, rompendo as cadeias do mundo terreno, culminando no deserto interior da alma. Ao exercer a prática do silêncio, a carmelita relembra e repete os gestos de solidão de Maria, a mãe de Jesus e do silêncio profético de Elias, quando este buscava a presença divina no monte Horebe e no monte Carmelo.
Para Cruz (1996, p. 134), estar na solidão perene é ir de encontro com o Carmelo, é desvelar o “segredo de alcançar o mais alto cume da montanha, que outra coisa não é senão o estado de perfeição”, que conduz a alma ao mistério divino.
Para as religiosas do Carmelo, é no contemplar da natureza, no silêncio da cela e na solidão do deserto interior que as forças espirituais se revelam de maneira autêntica e extraordinária. É lá onde criador e criatura comunicam as suas vontades e ansiedades. Nada é contestável, porque o divino se revela no homem e nele manifesta a sua força.
Dessa experiência, nasce o respeito, a intimidade e a comunhão com aquele que ousam chamar de divino esposo, proporcionando dessa forma um “[...] vínculo tão íntimo quanto o matrimônio” (MERTON, 2011, p. 20), e estabelecendo com ele uma relação de reciprocidade e cumplicidade.
O silêncio no Carmelo, se apresenta como via de comunicação, visto que “[...] é no silêncio e não na comoção, na solidão e não no meio das multidões que Deus gosta de se revelar intimamente aos homens.” (MERTON, 2011, p. 49)
A espiritualidade carmelitana abarca muitos requisitos, permanecendo também fiel ao espírito de docilidade e ao exame de consciência.
A humildade e a simplicidade geram vida no interior do Carmelo. No espírito carmelitano, seja ele a que ramo pertença, também perdura o acolhimento e o espírito fraterno que cada irmã deve ter uma para com a outra. Um espírito casto de todas as malícias, um espírito de alegria, sem escolhas de quem se deve tratar bem sem demonstrar afeições particulares. Todos esses princípios devem ser transparentes nas ações, nos sorrisos e nas conversas.
11 Viveu na clausura do Carmelo Santa Maria Mãe de Deus, situado do município do Conde-PB no período de
1998 a 2001. No mesmo mosteiro, alcançou a fase do noviciado e recebeu o nome de Irmã Teresa Margarida do Coração de Jesus.
A pobreza se apresenta como outro referencial que move a espiritualidade monástica. Por meio do exercício da pobreza, se adquire a consciência de que nada se deve possuir além do que se tem, mantendo sempre o espírito de renúncia nos gostos pessoais e no alimentar.
No Carmelo, tudo se partilha e nada é de posse individual. Não se pode desperdiçar, pois tudo é doado, desde o hábito aos objetos mais simples existentes no mosteiro, todas as coisas possuem valor para as religiosas.
Não se deve acumular bens para que o espírito da divina pobreza não seja violado, pois sendo todas coisas doadas pelos benfeitores, as irmãs reconhecem que é graça e providência divina e não ousam pedir-lhes algo sem que haja necessidade.
Na realidade carmelita, não há uso de objetos de adornos, bem como uso de cosméticos ou outros produtos de beleza que estimulem vaidade e sensualidade, sendo permitido somente o necessário para a higiene do corpo. Os adornos da monja devem ser espirituais, revestidos de pobreza, mortificação e castidade, de modo que o seu semblante possa deixar transparecer toda a leveza da espiritualidade do Carmelo e de Maria.
Considerando a vida claustral com alegria e satisfação, a carmelita jamais deverá desejar degustar outros alimentos, a não ser os que são oferecidos, e em hipótese alguma, jamais querer obter algo além do que se tem na clausura. Todas as coisas devem ser feitas por amor a Deus e à Igreja e pela salvação das almas que vivem no mundo das missões. Pois, segundo os religiosos que nos concederam entrevistas, foi para este fim que resolveram viver na Ordem.
Todas as labutas diárias devem ser aceitas com alegria e mansidão, desejando a religiosa ocupar sempre o último lugar, não exigindo elogios, pois no Carmelo nada é contestável e nem motivo de reclamações ou indiferença, porque “[...] tudo fala de Deus, em tudo descobre os vestígios da passagem divina e da sua presença.” (DI BERNARDINO, 2005, p. 29).
Quando, em conversa com a depoente sobre a sua vida no Carmelo, ela nos respondeu o seguinte: “lá eu me desapeguei de tudo, de tudo que não era Deus. Se você for procurar outra coisa a não ser Deus, não vai encontrar nada.” (GEORGIANE ESTRELA DANTAS, Informação Verbal, João Pessoa, 2013).
Ao nosso ver, a pobreza que perdura no Carmelo é um referencial que se move pelo pacto de fidelidade com o sagrado e pela renúncia total de si e dos encantos que provêm da vida terrena. Por essa razão, é que, ao consagrar-se ao divino pelo voto de pobreza, castidade e obediência, a carmelita toma consciência de que não pertence mais à sua família biológica, mas passa a pertencer unicamente à Igreja, sendo conduzida por ela na pessoa da priora.
À priora, a monja deve obediência, uma vez que todas as decisões na comunidade devem partir da superiora chamada para este serviço em comunhão com as outras irmãs professas, estando as aspirantes, postulantes e noviças a cumprir tudo o que for determinado com docilidade e mansidão.
Independentemente de cor ou classe social que tenha originado, à superiora do mosteiro todas as irmãs devem estar atentas para que a vida comunitária gere um ambiente fraterno e acolhedor, onde o sagrado possa deleitar-se e ali encontrar repouso. Sob os cuidados da priora está a direção da vida comunitária, não sendo lícito a nenhuma das irmãs ultrapassar os limites de sua autoridade.
Acerca desse assunto, vejamos o que diz a Regra (apud ALBUQUERQUE, 2007, p. 143):
Determinamos, em primeiro lugar, que tenham um de vocês como prior, que seja eleito para este serviço através do consenso unânime de todos ou da parte mais numerosa e mais madura. A ele cada um dos outros prometa obediência e se empenhe em cumprir de verdade, na prática, o que prometeu, juntamente com a castidade e renúncia à propriedade.
A superiora do mosteiro representa a autoridade divinal da Mãe de Jesus, da mesma forma que obedecendo a priora, as irmãs estarão mantendo obediência à divindade.
A pontualidade nos afazeres e nos rituais da vida comunitária, fazem parte da espiritualidade das monjas carmelitas. A religiosa deve estar sempre atenta ao toque do sino, pois ele direciona os atos comunitários, convocando para os ofícios, para os trabalhos e para a oração.
O sino revela a mística do Carmelo, é sinal da vinda do sagrado, anuncia o tempo religioso, conduzindo o cotidiano de tal maneira que assim “descobrindo a sacralidade da vida, o homem [...] abandonou-se às hierofanias vitais e afastou-se da sacralidade que transcendia suas necessidades imediatas e cotidianas.” (ELIADE, 1992, p. 127).
Além da pobreza, ao ingressar na vida monástica, a religiosa faz voto de castidade que consiste num vínculo espiritual com Cristo, seu esposo. O pensamento casto guarda o coração da carmelita, deixando ela sensível aos apelos do sagrado.
Boff (2001, p. 15) entende a castidade como via de santidade “[...] concebida como negação da matéria, mortificação da carne, renúncia da própria vontade e fruição do êxtase espiritual”, que conduz o religioso ou a religiosa à maturidade interior.
Na via da castidade, está o suportar os sofrimentos, de tal maneira que os desejos e as consolações devem ser desprezados. Em nada a religiosa deve ter apego e em tudo querer se
doar sem nada possuir. Pois, para Cruz (1996, p. 442), “[...] seus gostos são as penitências; seus contentamentos os jejuns [...].”
Por esse motivo, as práticas ascéticas são comuns entre os membros do Carmelo. Somente por essa via é que “[...] cada alma poderá conhecer o caminho que deve seguir, se pretende alcançar o cume deste Monte [...]” (CRUZ, 1996, p. 139), que se chama perfeição. Todos esses exercícios espirituais devem ser acompanhados com alegria, sem deixar transparecer no semblante da religiosa a dor e o sofrimento que ela está vivenciando.
Na foto a seguir, percebe-se durante ritual de consagração das carmelitas o semblante recolhido das religiosas: