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LA POLITIQUE DE LA CONCURRENCE

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A relação volumoso:concentrado é comumente utilizada nas dietas em confinamentos de bovinos no Brasil, sendo que a fração concentrado varia entre 56-80% da dieta (MILLEN et al. 2009). Com a elevação na produção de grãos nos últimos anos logo consequente diminuição dos preços e o avanço das pesquisas essa percentagem aumentou, fazendo com que ocorresse maior participação de concentrado na dieta.

O uso de dietas com alto teor de grão fornecidas ad libitum é uma prática corriqueira na bovinocultura de corte Norte-Americana (VASCONCELOS e GALYEAN, 2007). Em 1996 na Argentina, já existiam pesquisas utilizando dietas com 100% de concentrado (INTA, 1997). As primeiras pesquisas surgiram em função do desmame precoce, uma vez que os animais posteriormente ao desmame (7 dias de mangueira), eram submetidos a dietas com 100% de concentrado. As dietas eram compostas por resíduo e farelo de arroz, farelo de girassol e grão de sorgo, acrescidos de núcleo proteico na forma de pelets balanceados comercialmente, com e sem presença de substância anti-estresse (zeranol) (INTA, 1997).

Essa categoria não tem o rúmem completamente desenvolvido, processam o alimento de forma semelhante aos animais monogástricos. Baseado nisso surgiu o modelo de recria de terneiros na Argentina somente com concentrado, em que se oferece ao animal alimento de alto valor nutricional, o qual tem melhor capacidade de convertê-lo. Com o tempo verificou- se que esta dieta se aplicava a qualquer categoria do rebanho bovino. Dessa forma, surgiu a dieta de “Alto Grão”, que posteriormente foi copiada pelos produtores brasileiros, em função da alta disponibilidade de milho e o do baixo preço pago ao produto na região central do país. Segundo Paniago (2009), “Alto Grão” é uma ração que necessita de aditivos para manter a fisiologia natural do rúmen, evitando a queda do pH ruminal, que limita o desempenho dos animais, e que contenha mais de 65% de grãos em sua dieta.

Por outro lado, conforme Grandini (2012) as dietas de alto grão baseiam-se no conceito do mínimo fornecimento de fibra ao animal, atendendo à exigência mínima de 6 a 9% de fibra em detergente neutro vindo da forragem a fim de manter um consumo ótimo e evitar transtornos metabólicos.

Para evitar esses transtornos metabólicos são utilizados tamponantes, na maioria das vezes estão inseridos nos núcleos protéicos. Geralmente os núcleos protéicos são peletizados e contêm fibras, minerais e vitaminas. A composição do núcleo é variável conforme a formulação da dieta. De maneira geral ele deve conter 37% de proteína bruta; 2% de extrato etéreo; 7% de matéria fibrosa; 10% de matéria mineral; 1% de nitrogênio não protéico

(BELTRAME e UENO, 2011). Seus ingredientes variam em: Farelo de soja, farelo de soja integral (grãos tostados), grão de milho, casca de soja, calcário calcítico, uréia pecuária, fosfato bicálcico, cloreto de sódio, premix mineral, farelo de trigo, aditivo promotor de crescimento e aditivo anti-oxidante (BELTRAME e UENO, 2011). Os aditivos promotores do crescimento mais usados são monensina sódica, salinomicina sódica, lasalocida sódica e virginamicina. Esses aditivos deprimem as bactérias gram-positivas e aquelas com parede celular semelhante à de gram-positivas (NICODEMO, 2001). Essas bactérias são produtoras de ácido acético, butírico, fórmico e hidrogênio, dessa forma reduz a incidência de acidose (por meio do aumento do pH ruminal e inibição de bactérias produtoras de ácido lático) (NICODEMO, 2001).

Rações com alto teor de grãos e baixo teor de fibras resultam em menor número de mastigadas. Dessa maneira, o bovino produz menos saliva, com isso diminui a diluição do conteúdo ruminal e sua capacidade natural de tamponamento (GRAMINHA, 2014).

À medida que a dieta de alto grão ou alto concentrado (quando não contém grão inteiro) é utilizada, é preciso que os animais passem pelo processo de adaptação gradual à ração. Brown et al. (2006) relataram dados provenientes de diversos estudos envolvendo a adaptação de animais confinados, que mostraram problemas quando o período de adaptação é inferior a 14 dias, até que os animais começassem a receber dieta definitiva de 92 a 95% de concentrado.

O consumo de matéria seca de bovinos pode ser limitado de duas formas: uma é através limitação física de ingestão apresentadas por alimentos mais fibrosos, a qual ocorre, segundo Mertens et al. (1987), quando o consumo de fibra em detergente neutro for acima de 1,2% do peso vivo. A outra forma é a limitação energética, isto é, quando o animal não consome mais porque atingiu sua saciedade nutricional. Em dietas que não utilizam volumoso como fonte de fibra, portanto, os bovinos apresentam menor consumo quando comparados a animais submetidos a rações com presença de volumoso.

Entre os benefícios zootécnicos das dietas com alta participação de concentrado, ressaltam-se a maior eficiência alimentar e o maior ganho de peso; dessa forma, menor tempo de confinamento, animais com acabamento de gordura adequado (devido ao maior aporte energético) e maior rendimento de carcaça (pelo menor conteúdo do trato gastrintestinal) (PRESTON, 1998).

Além disso, esse sistema tem como vantagem operacional, a utilização e o dimensionamento das máquinas para arraçoamento (transporte de ração mais densa e menor teor de água), mão de obra e o tempo de fornecimento da dieta aos animais são otimizados

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(GRANDINI, 2009). A facilidade de confecção dessa dieta surge como um diferencial para a disseminação dos confinamentos, apresentando vantagens como: diminuição na utilização de máquinas e equipamentos agrícolas, consequentemente suas manutenções, menor capital imobilizado, diminuição no risco de acidentes de trabalho.

2.2.1 Adaptação de bovinos a dietas exclusivamente com concentrado

O sucesso do desempenho no período posterior à adaptação vai depender da fase inicial. No entanto Brown e Millen (2009) salientam que o período de adaptação não deve representar mais de 20% do tempo total de alimentação. Segundo esses pesquisadores, os animais poderiam ter o desempenho impactado negativamente devido ao consumo da ração de terminação, a qual tem maior densidade energética, em intervalo de tempo menor ou aumentar o custo de produção, já que os bovinos teriam que permanecer por mais tempo no confinamento. Counette e Prins (1981) comentam que o bovino está adaptado quando ele tem condições de consumir concentrado, isto é, quando o animal for alimentado com dietas de alto concentrado sem causar efeitos adversos, a um nível de ingestão que provocaria o aparecimento de acidose ruminal em bovinos não adaptados.

Quando os bovinos ingressam no confinamento, passam por inúmeras mudanças fisiológicas à medida que estes são adaptados ao novo ambiente. Segundo Brown e Millen (2009) essas adaptações incluem reposição da água corporal perdida, proporcionando melhora da imunidade contra vírus patógenos comuns, estabelecimento da estrutura social na baia e adaptação dos microrganismos no rúmen para desdobrar novos alimentos.

A população microbiana ruminal muda de acordo com a relação volumoso: concentrado utilizado. Segundo Brown et al. (2006) à medida que aumenta a proporção de concentrado aumenta a proporção de bactérias amilolíticas, e as bactérias utilizadoras de lactato aumentam mais intensivamente quando a dieta contém mais de 60% de concentrado e a composição dessas não se altera por 5 a 7 dias.

Além da população de bactérias, também a de protozoários é afetada. Conforme Nagajara e Titgemeyer (2007), os protozoários ciliados podem aumentar sua população com o aumento do substrato disponível, no entanto são mais sensíveis do que as bactérias à flutuação e redução do pH ruminal. Nesse contexto, ocorre redução da população de protozoários que pode ser associada à acidose ruminal.

Basicamente existem três formas de adaptar os bovinos a uma dieta exclusivamente com concentrado: uma delas é baseada na transição gradual à dieta em que o bovino vai sendo

submetido, na qual os animais vão passando por diferentes relações de volumoso: concentrado (níveis crescentes de concentrado), durante 3 a 4 semanas na fase de adaptação, em que cada dieta é fornecida durante 5 a 10 dias. Essa transição entre dietas é realizada de forma gradual (1 a 3 dias) (VASCONCELOS, 2007). A segunda forma de adaptação é realizada com alimentação restrita, em que os bovinos iniciam com oferta limitada (1,58% peso vivo) e aumenta-se gradativamente até atingir o consumo ad libitum. O principal benefício desse método de adaptação é economicidade, no entanto surgem problemas no arraçoamento em função da dominância de alguns animais, que acabam comendo demais e outros não comendo (PARRA, 2011). A terceira forma de adaptação a dietas com somente concentrado é baseada no uso de duas dietas, em que a dieta definitiva é misturada a dieta do período de adaptação, sendo aumentada gradativamente durante aproximadamente 3 semanas, até que permaneça somente a dieta definitiva (VASCONCELOS, 2007).

Conforme Bevans et al. (2005), os valores de pH ruminal apresentaram variação mais significativa para uma rápida adaptação (5 dias) do que para um período de adaptação mais gradual (17 dias), o que predispõe à maior ocorrência de acidose em alguns bovinos.

Baseado nessas premissas, algumas pesquisas para adaptação dos bovinos a dietas exclusivamente com concentrado foram desenvolvidas. Barducci et al. (2012) investigaram diferentes protocolos de adaptação de novilhos Nelore a dietas de alto concentrado, incluindo o protocolo de escada e restrição (1,78% do peso vivo) por 9 ou 14 dias. Os animais que receberam o protocolo de escada por 9 dias receberam 3 dietas (55, 65 e 75% de concentrado), sendo 3 dias para cada. Os animais adaptados por 14 dias, no mesmo protocolo anterior, permaneceram 4 dias na primeira dieta (55% de concentrado) e 5 dias em cada uma das outras dietas (65 e 75% de concentrado). Já os novilhos do protocolo de adaptação com restrição receberam a dieta definitiva (85% de concentrado), em que se aumentou a oferta 0,32 kg de matéria seca por dia (protocolo 9 dias) e 0,26 kg (protocolo 14 dias), até atingir o consumo ad libitum. Os pesquisadores não observaram o efeito da duração dos protocolos de adaptação sobre o desempenho (1,72 kg/dia) e características da carcaça no final do período experimental (84 dias) (P>0,05), no entanto os animais submetidos à restrição apresentaram melhor conversão alimentar (6,09 vs. 6,39 kg de MS/ kg de PV).

Segundo os autores, isso se deve à menor ingestão de matéria seca durante a fase de adaptação, pois quando se considera o experimento como um todo não foi observado efeito dos protocolos sobre o consumo de matéria seca. Os pesquisadores também avaliaram as consequências dos protocolos de adaptação no epitélio ruminal, ao final do período

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experimental. Eles não observaram diferença no escore de ruminite (subjetivo), número e área das papilas, bem como na superfície absortiva (P>0,05).

Choat et al. (2002) também adaptaram novilhos à dieta com alta participação de concentrado (90%) por meio de 3 protocolos: protocolo em escada, os bovinos receberam dietas de 70, 75, 80 e 85% de concentrado com duração de 5 dias para cada dieta, posteriormente à dieta com 90% de concentrado até o abate. Outros dois tratamentos foram adaptados por meio de protocolo de adaptação com restrição: um grupo recebeu a dieta final restrita a 1,5% do peso vivo (PV) (com aumentos diários de 0,45 kg de matéria seca) e o outro grupo foi restrito a 1,25% do PV (com aumento de 0,23 kg/dia de matéria seca). Como conclusão,os pesquisadores observaram que novilhos alimentados durante adaptação com dieta final restrita tiveram menor consumo de matéria seca (22%) e ganharam menos peso durante os primeiros 28 dias (P<0,05), no entanto, no período experimental total o ganho médio diário e a eficiência alimentar não diferiram entre os tratamentos (P>0,05).

Na mesma linha de pesquisa, Parra (2011) também investigou diferentes protocolos e tempo de duração durante o período de adaptação, a dietas com alta participação de concentrado para bovinos Nelores confinados. Esse autor testou dois períodos de adaptação de 14 e 21 dias, nas formas de escada (Step up) e com restrição alimentar (1,58% PV). O autor não verificou diferença para o ganho médio diário, conversão e eficiência alimentar, para os diferentes protocolos no decorrer de todo período experimental.

Quando o período de adaptação não é corretamente realizado, ocorrem mudanças que poderão comprometer o desempenho. Juntamente com o aumento no nível de concentrado, ocorre aumento dos ácidos orgânicos, principalmente o lático, redução do pH, diminuição da motilidade, ruminites e paraqueratose (DIRKSEN, 1989). Essas mudanças predispõem a passagem de bactérias através da parede ruminal, as quais chegam até o fígado causando abscesso hepático.

Bovinos, quando alimentados com dieta com 85% de concentrado, apresentaram pH ruminal mais baixo (5,97 vs. 6,45), maior concentração de ácidos graxos voláteis (92,3 vs. 64,8 mM), maior relação de ácido:propiônico, como também maior número de bactérias amilolíticas que novilhos, com flora de protozoários presente e ativa (NAGARAJA et al., 1992).

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