• Aucun résultat trouvé

8 Mesures

8.2 Policy

Trata-se de uma pesquisa qualitativa do tipo intervenção. Sobre as pesquisas qualitativas, enfatiza-se as qualidades das entidades, sobre os processos e os significados que não são examinados ou medidos experimentalmente em termos de quantidade, quantia, intensidade ou frequência. Ressalta-se a competência da pesquisa qualitativa como o mundo da experiência vivida, por isso foi elencada neste estudo, por abordar a análise de elementos subjetivos da experiência humana34.

Por muito tempo na história das pesquisas em saúde, os modelos biomédicos e quantitativistas eram os referenciais hegemônicos de investigação em saúde coletiva, porém, nas últimas décadas, diante da incorporação de determinantes culturais, econômicos, históricos e psicossociais no entendimento do processo saúde-doença-intervenção, foi necessária a incorporação de procedimentos mais amplos, de metodologias qualitativas ou quanti-qualitativas no universo da produção de conhecimento. Deste modo, reconhecendo as múltiplas maneiras de expressão da realidade, o que exige uma multiplicidade não excludente de formas de abordagem do objeto ou de metodologias de pesquisa35.

Portanto, no campo da saúde, um conjunto amplo de métodos qualitativos tem sido incorporado como possibilidades investigativas, e entre esse universo de possibilidades optou-se pela utilização do método da cartografia que intrinsecamente caracteriza-se como pesquisa-intervenção, possibilitando construções, elaborações coletivas. A pesquisa-intervenção está ligada a processos de subjetivação e desterritorialização, no sentido de transformação, que conduzem ao novo, e a cientificidade nisso, tenta incluir a complexidade e se efetua na sustentação dos planos de análise que compõem a realidade, nos jogos de forças que atravessam os pesquisadores, os objetos de estudos, as instituições, o campo do social, os quais são percorridos, transversalizados por forças de produção, reprodução e anti- produção36.

A pesquisa-intervenção está atenta à encomenda, à produção de demanda, ao modo como o serviço é ofertado, à totalidade da intervenção como análise da implicação, trabalhando com analisadores. A pesquisa-intervenção afirma, a um só tempo, a inseparabilidade entre campo de intervenção e campo de análise, teoria e prática, fazer e pensar, quando mostra que sujeito e objeto, pesquisador e pesquisado se constituem no mesmo processo37.

O método da cartografia, possibilita o acompanhamento das conexões que o campo da pesquisa oferta, a partir da inclusão das implicações do próprio pesquisador. Sendo os desejos, perguntas, curiosidades e o estar atento ao compromisso ético-estético com a vida, exercício de análise de implicação do pesquisador. E ainda, a escolha deste método vai ao encontro de ser uma profissional da saúde mental, que também tenta tatear, se aproximar, na tentativa de

descobrir os caminhos para ser pesquisadora e quais são as junções, indissociações destes campos. Então, ressaltamos que a escolha do método cartográfico se legitima por tratar essencialmente sobre processualidade, sobre o conjunto sujeito e seu campo social, sobre o modo de compor a subjetividade, sobre o modo de arquitetar a vida.

O pesquisador cartógrafo, parte da concepção de que toda prática de saúde opera no campo dos processos de subjetivação, que a produção de cuidados opera por fluxos de intensidade e afetos que circulam entre usuários, trabalhadores e gestores envolvidos no processo saúde-doença- intervenção35 (p. 56).

A cartografia como método de pesquisa liga-se aos campos de conhecimento das ciências sociais e humanas, sendo mais que um mapeamento físico (referindo à origem da palavra em geografia), mas também um mapeamento de movimentos e relações, jogos de poder, enfrentamento entre forças, modos de objetivação e subjetivação, de estetização de si mesmo, práticas de compreensão das composições, das trajetórias de um sujeito, possibilitando linhas de ruptura e resistência38.

A etapa de produção de dados procura escapar da ideia de coleta, de extrativismo, sendo algo que acontece desde o início, no contato com o território a ser cartografado, em conjunto com sujeitos, forças e ritmos39.

O caminho da pesquisa cartográfica pressupõe que os momentos de produção, análise e discussão de dados aconteçam simultaneamente, como o ato de caminhar, que é constituído por passos que se sucedem sem se

separar, em um movimento contínuo, desenhado pelo anterior e pelo que

vem em seguida. A tônica da processualidade está igualmente presente no momento da escrita. Neste sentido, o leitor (da pesquisa) é convidado a partilhar preocupações, desejos e variações de velocidade. Ritmos que se alternam, sobretudo, nos rituais de avanço e recuo. Uma viagem com roteiro mais ou menos definido, mas, que é influenciada pelos elementos do entorno: instituições, pessoas, acontecimentos, contextos, possibilidades e interdições. Próprios de um cotidiano vivo, pulsante39 (p.207).

Para a análise dos dados, será utilizada a triangulação metodológica, construída processualmente e de forma atemporal com a orientadora e com relatos dos participantes da pesquisa, que se entrelaçam com as minhas vivências. O uso da triangulação pode assegurar maior compreensão em profundidade do que se pretende captar na pesquisa. O exercício de triangulação de métodos é algo complexo, que todos os que são essenciais para a investigação podem ser

confrontados e enriquecidos transversalmente, elementos que também vão de encontro com a própria cartografia40.

Deste modo, pretende-se dar visibilidade aos percursos de experiências de vida dos profissionais e pretende-se ainda, rever e contribuir com o campo da saúde, especificadamente com a saúde mental pública. Que por diante, possamos contribuir com as reflexões, discussões de alcance teórico, mas principalmente, que possa fazer sentido na práxis dos trabalhadores, na vida dos usuários, na vida institucional. A elaboração de uma pesquisa assemelha-se a prática da clínica em saúde mental, há múltiplos caminhos, tentativas, múltiplas questões, importando mais os meios, a contação e vivência de processos do que um fim a ser alcançado, ideias que vão diretamente ao encontro do que é a pesquisa intervenção.

Diferentemente da arte e da poesia que se concebem na inspiração, a pesquisa é um labor artesanal, que se não prescinde da criatividade, se realiza fundamentalmente por uma linguagem fundada em conceitos, proposições, métodos e técnica, linguagem esta que se constrói com um ritmo próprio e particular. A esse ritmo denominamos ciclo da pesquisa, ou seja, um processo de trabalho em espiral que começa com um problema ou uma pergunta e termina com um produto provisório capaz de dar origem a novas interrogações40 (p. 25-26).

2.2. Instrumentos e técnicas de produção de dados: entrevista e diário de

Documents relatifs