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POLICIES AND INSTITUTIONAL FRAMEWORKS FOR IMPROVING CLIMATE

Uma vez explanados os principais pressupostos teóricos da TRS, pode-se afirmar que ela possui alcance pertinente para abordar o fenômeno pesquisado neste trabalho. Para temáticas em que só é possível uma exploração do fenômeno através da percepção do próprio sujeito a TRS oferece um excelente suporte na medida em que pauta sua investigação a partir do conhecimento do sujeito ou grupo estudado e busca compreender como esse conhecimento objetiva as suas práticas cotidianas (Chaves & Silva, 2011).

Pretende-se portanto investigar as representações sociais que pessoas com FM e seus cônjuges têm sobre conjugalidade e sobre a própria condição de adoecimento, de que maneira elas estão articuladas com sua dinâmica conjugal, e identificar seus desdobramentos no cotidiano de conviver com o doente e com a doença, considerando-se ainda representações tangentes ao gênero, em suas facetas ideológicas e dimensão sócio- histórica. Desse modo, supõe-se que elementos relacionados à conjugalidade, ao entendimento que o doente e seu cônjuge têm sobre FM, suas concepções do que é ser homem e mulher, marido e esposa, serão bases para o processo de ancoragem e objetivação dos participantes no decurso dessa investigação.

Após discorrer sobre a TRS e suas principais bases norteadoras para a realização do presente trabalho, por fim, faz-se pertinente retomar a relevância de se selecionar o gênero como categoria de análise dos resultados e suas interfaces com essa teoria.

Moscovici ao ser questionado pelo abandono de estudos que privilegiam alguns conhecimentos hegemônicos que favorecem a servidão e a instrumentalização do ser

humano, a exemplo da superioridade de uma raça, classe ou sexo, questiona uma “concepção de ideologia na qual as pessoas são consideradas otárias, incapazes de produzir algo original” (Sawaia, 1995, p.78). Sawaia (1995) complementa que o conceito de ideologia acrescenta ao estudo da consciência contribuições no plano da ética, no juízo de valor e no exercício da crítica, que abarcam expectativas da emancipação de condições de vida consideradas humilhantes. Segundo a autora, Moscovici

captou o caráter reificador da ideologia como discurso estruturado e estruturante que tende a impor a apreensão da ordem estabelecida como natural e governada por leis impessoais, mas não a vê como imposição mascarada de sistema de classificação e de estruturas mentais objetivamente ajustadas às estruturas de poder (Sawaia, 1995, p.78).

Scott (1995) versa sobre a importância de problematizar as relações entre gênero e poder, sendo o gênero entendido como uma forma primária de significação das relações de poder. Para essa autora trata-se de uma dimensão decisiva da organização da igualdade e desigualdade, de modo que as estruturas hierárquicas tomam como parâmetro acordos generalizados da relação, pretensamente, natural entre homem e mulher. Izumino (2004) discute as relações de gênero pontuando que

pensar as relações de gênero como uma das formas de circulação de poder na sociedade significa alterar os termos em que se baseiam as relações entre homens e mulheres nas sociedades; implica em considerar essas relações como dinâmicas de poder e não mais como resultado da dominação de homens sobre mulheres, estática, polarizada (p.06).

Tal concepção repudia a ideia de conceber esferas de dominação vinculadas às determinações biológicas ou naturais e defende a configuração histórico-cultural e,

portanto, política, das relações entre os sexos. Nesse sentido, Banchs (2011), em reflexões acerca da epistemologia da TRS, aponta a pertinência dos estudos em representações sociais para a produção do conhecimento a partir de uma perspectiva de gênero, no qual o senso comum investigado seja também revelador da discriminação e da opressão. A autora afirma ainda que os resultados desses trabalhos de pesquisa contribuem também para “abrir espaços de visibilidade, existência e ação para as mulheres ou os homens oprimidos” (Banchs, 2011, p.255).

Ressalta-se a necessidade de se problematizar a equidade nas relações de gênero, de forma a descortinar as representações que engendram e, muitas vezes constrangem, tanto o feminino como o masculino, sendo que a realização de investigações no campo das TRS tem alcance profícuo para corroborar com tal questão. Arruda (2002), sem ignorar que as teorias feministas são variadas, faz uma leitura epistemológica dessas teorias e da TRS, descrevendo que, em seus aspectos gerais, ambas as teorias criticam perspectivas que

antepõe natureza e cultura, razão e emoção, objetivo e subjetivo, pensamento e ação, ciência e senso comum. Dessa forma, afirmam a importância das dimensões subjetiva, afetiva, cultural na construção do saber e nas ações humanas, e a importância de considerá-las na construção do conhecimento e no fazer científico; propõem teorias relacionais, em que não se pode conhecer sem estabelecer relação entre o tema/objeto e o seu contexto. Gênero é uma categoria relacional, na qual, ao se levar em conta os gêneros em presença, também se consideram as relações de poder, a importância da experiência, da subjetividade, do saber concreto. Da mesma maneira, a TRS não separa o sujeito social e o seu saber concreto do seu contexto, assim como a construção desse saber não pode se desvincular da subjetividade (p.133).

Essas teorias, como pontua a autora, possuem obviamente pontos divergentes – cuja descrição foge à abrangência desse trabalho – mas nos aspectos acima descritos retomam o valor do conhecimento concreto, da experiência vivida e reconhecem o alcance de diversas racionalidades. Contemplar tais elementos é pertinente aos aspectos diversos das multifacetadas sociedades e grupos sociais contemporâneos e também se fazem profícuos “às características da forma de conhecer e lidar com o saber nessas sociedades, em que grupos diferentes têm visões diferentes de um mesmo objeto sem que a diferença implique obrigatoriamente em desigualdade” (Arruda, 2002, p.133).

Para Nuernberg (2008) os estudos de gênero no Brasil ganharam dimensão em perspectivas teóricas que valorizam a cultura, o contexto social e a dimensão ativa e subjetiva dos sujeitos, sendo que a TRS pode ser considerada um dos campos mais férteis às análises pautadas pelas questões de gênero.

2. OBJETIVOS

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