• Aucun résultat trouvé

Points à améliorer et risques liés au contexte Les points à améliorer sont :

À semelhança da deteção de padrões de VCI, a avaliação da exposição do condutor a VCI foi feita apenas para a via de transmissão pela superfície do assento.

4.2.1 Eixo predominante

Em todos os percursos, independentemente dos condutores, o eixo predominante é o eixo vertical z. Tal deve-se ao facto de os condutores estarem na posição de sentado e, como tal, a grande maioria da movimentação provocada pelas irregularidades do piso se fazer sentir na vertical. Para além disso, também durante os momentos de paragem, existe sempre alguma vibração residual do motor que é sentida na vertical, sobre a superfície do assento.

Os resultados aqui representados estão totalmente de acordo com a bibliografia consultada, no sentido de que os estudos analisados sobre VCI em condutores de autocarros urbanos apresentam, consensualmente, a predominância do eixo z.

4.2.2 Pico máximo

Na Tabela 9 encontram-se os picos máximos medidos durante as viagens nos percursos 1, 2 e 3, com os condutores A, B e C.

Tabela 9 - Picos máximos obtidos durante a monitorização das VCI.

Percurso Condutor Pico máximo (m/s2) Eixo

1 A 4,732 z B 5,433 z C 6,607 z 2 A 21,627 z B 5,957 z C 4,898 z 3 A 9,550 z B 5,559 z C 5,248 z

Os picos máximos encontrados na monitorização foram sentidos no eixo z, em todas as situações de medição. Em termos numéricos, os valores apresentam uma ordem de grandeza bastante semelhante, com exceção da viagem realizada no percurso 2, com o condutor A e no percurso 3, também com o condutor A. Ainda assim, o pico máximo da situação registada na situação do percurso 2, com o condutor A (9,550 m/s2) poderá ser justificado pelo momento em que foi lido. Segundo a análise da ficha de campo (presente no anexo IV), o valor foi lido no final da primeira ida, mesmo instantes antes de desligar o equipamento. Assim, é natural que tivesse havido alguma movimentação com o equipamento ou instabilidade no términus, possíveis causas para o valor ser ligeiramente superior aos restantes. No caso do pico registado no percurso 2, com o condutor A, este não é justificado por nenhum fenómeno anómalo, segundo os registos de campo. Apenas se realça o facto de ter acontecido num momento em que se circulava em empedrado, tipo de pavimento que propicia valores mais elevados.

Pela análise da ordem de grandeza dos valores pico constata-se que em determinados momentos se fazem sentir amplitudes de vibração muito altas. Ainda que no valor global da exposição diária a vibrações estes valores possam ficar diluídos nos restantes níveis de aceleração medidos,

destaca-se a importância e a pertinência deste parâmetro poder vir a ser legislado (Bernardo, 2013).

O facto de se utilizar o valor pico na avaliação dos efeitos na coluna lombar, segundo a ISO 2631-5: 2004, denota mais uma vez o potencial efeito nos riscos associados à exposição a VCI.

4.2.3 Exposição ocupacional

Foi possível identificar os tipos de pavimentos encontrados ao longo dos percursos. No entanto não se considerou razoável fazer uma avaliação em separado dos tipos de pavimento, isto é, com amplitudes distintas. Esta questão justifica-se uma vez que este estudo não compreende diferentes tarefas laborais e que suscitem a aplicação de cálculos separados de A(8). Os tipos de pavimentos podem efetivamente gerar valores de aceleração distintos, mas dada a simultaneidade dos acontecimentos, não é possível estabelecer uma relação direta entre os valores lidos e o tipo de pavimento. Para além disso, como em alguns percursos (percurso 1, por exemplo), existem trechos muito pequenos de asfalto, intercalados com trechos igualmente pequenos de empedrado, assiste-se a uma heterogeneidade muito grande de tipos de pavimento numa escala de medição ao minuto. Assim, torna-se complicado calcular com rigor as parcelas correspondentes à exposição dos condutores em cada tipo de pavimento.

Na Tabela 10 encontram-se os valores que permitem caraterizar a exposição dos condutores, referentes aos parâmetros RMS e A(8).

Tabela 10 - Exposição ocupacional dos condutores a VCI.

Percurso Condutor RMS (m/s2) A(8) (m/s2)

1 A 0,341 0,312 B 0,312 0,284 C 0,369 0,337 2 A 0,352 0,322 B 0,330 0,299 C 0,349 0,319 3 A 0,286 0,261 B 0,301 0,275 C 0,281 0,256

Analisando a exposição dos condutores A, B e C nos diferentes percursos, constata-se que não existem situações críticas sob o ponto de vista de cumprimento legal. Todas as situações evidenciam valores de A(8) muito semelhantes, a variar entre 0, 256 (0,26) m/s2, para o percurso 3, com o condutor C e 0, 337 (0,34) m/s2, para o percurso 1, com o condutor C. Os níveis de aceleração no percurso 3 são substancialmente mais baixos que os do percurso 1 e 2. Este facto vai de encontro ao que seria espectável, pois o percurso 3, para além de ter menos extensão de percurso, está definido num trajeto totalmente urbano e, por conseguinte, as vias de circulação encontram-se em melhor estado.

Avaliando a exposição diária a VCI para os três condutores e nos diferentes trajetos que caraterizam o posto de trabalho, conclui-se que em nenhum caso se ultrapassa o valor de ação (0,5 m/s2) e muito menos o valor limite de exposição (1,15 m/s2).

Em comparação com a literatura analisada, os resultados apresentam-se com valores na mesma ordem de grandeza dos estudos incluídos. Segundo o estudo de (Blood & Johnson, 2012), o valor de A(8) obtido nas ruas de cidade foi de 0, 36 m/s2. Também de acordo com (C. A. Lewis & P. W. Johnson, 2012), a mesma situação foi quantificada com uma exposição diária de 0,47 m/s2, o que denota concordância com os valores aqui apresentados.

4.2.4 Avaliação dos efeitos na coluna lombar

Nas Tabelas 11 a 19 apresentam-se os resultados obtidos para a caraterização dos efeitos na coluna lombar dos condutores, nos vários percursos. Para isso, apresentam-se todos os valores intermédios de cálculo e os valores finais (compressão estática equivalente diária na coluna (Sed) e parâmetro R).

Tabela 11 - Caraterização dos efeitos na coluna lombar do Condutor A, no Percurso 1.

Percurso 1 - Condutor A Aik Dk td (h) tm (h) Dkd mk Sed (MPa) N n C (MPa) Sui R Eixo x 2,089 4,740 6,667 2,320 5,652 0,015 0,214 343 12 0,25 4,3 7 0,2 Eixo y 1,799 0,035 Eixo z 4,732 0,032

Tabela 12 - Caraterização dos efeitos na coluna lombar do Condutor B, no Percurso 1.

Percurso 1 - Condutor B Aik Dk td (h) tm (h) Dkd mk Sed (MPa) N n C (MPa) Sui R Eixo x 2,239 5,440 6,667 2,677 6,334 0,015 0,240 343 13 0,25 4,44 0,2 Eixo y 2,138 0,035 Eixo z 5,433 0,032

Tabela 13 - Caraterização dos efeitos na coluna lombar do Condutor C, no Percurso 1.

Percurso 1 - Condutor C Aik Dk td (h) tm (h) Dkd mk Sed (MPa) N n C (MPa) Sui R Eixo x 1,778 6,608 6,667 2,481 7,791 0,015 0,295 343 12 0,25 4,11 0,3 Eixo y 1,884 0,035 Eixo z 6,607 0,032

Tabela 14 - Caraterização dos efeitos na coluna lombar do Condutor A, no Percurso 2.

Percurso 2 - Condutor A Aik Dk td (h) tm (h) Dkd mk Sed (MPa) N n C (MPa) Sui R Eixo x 1,679 21,623 6,667 3,358 24,246 0,015 0,917 343 12 0,25 4,37 0,9 Eixo y 1,972 0,035 Eixo z 21,627 0,032

Tabela 15 - Caraterização dos efeitos na coluna lombar do Condutor B, no Percurso 2.

Percurso 2 - Condutor B Aik Dk td (h) tm (h) Dkd mk Sed (MPa) N n C (MPa) Sui R Eixo x 2,600 5,965 6,667 3,146 6,760 0,015 0,256 343 12 0,25 4,44 0,2 Eixo y 1,905 0,035 Eixo z 5,957 0,032

Tabela 16 - Caraterização dos efeitos na coluna lombar do Condutor C, no Percurso 2.

Percurso 2 - Condutor C Aik Dk td (h) tm (h) Dkd mk Sed (MPa) N n C (MPa) Sui R Eixo x 2,089 4,905 6,667 3,081 5,579 0,015 0,211 343 12 0,25 4,11 0,2 Eixo y 1,862 0,035 Eixo z 4,898 0,032

Tabela 17 - Caraterização dos efeitos na coluna lombar do Condutor A, no Percurso 3.

Percurso 3 - Condutor A Aik Dk td (h) tm (h) Dkd mk Sed (MPa) N n C (MPa) Sui R Eixo x 1,531 9,550 6,667 1,860 11,815 0,015 0,447 343 12 0,25 4,37 0,4 Eixo y 1,905 0,035 Eixo z 9,550 0,032

Tabela 18 - Caraterização dos efeitos na coluna lombar do Condutor B, no Percurso 3. Percurso 3 - Condutor B Aik Dk td (h) tm (h) Dkd mk Sed (MPa) N n C (MPa) Sui R Eixo x 1,462 5,249 6,667 1,850 6,499 0,015 0,246 343 12 0,25 4,44 0,2 Eixo y 1,622 0,035 Eixo z 5,248 0,032

Tabela 19 - Caraterização dos efeitos na coluna lombar do Condutor C, no Percurso 3.

Percurso 3 - Condutor C Aik Dk td (h) tm (h) Dkd mk Sed (MPa) N n C (MPa) Sui R Eixo x 1,531 5,561 6,667 1,944 6,828 0,015 0,258 343 12 0,25 4,11 0,3 Eixo y 1,820 0,035 Eixo z 5,559 0,032

Os valores da compressão estática diária na coluna, representados nas Tabelas 11 a 19 pelo parâmetro Sed, estão na mesma ordem de grandeza para todos os condutores, em diferentes percursos. O único caso em que se verifica uma discrepância maior de resultados é no caso do percurso 2, com o condutor A. No entanto, e uma vez que a metodologia de cálculo deste parâmetro entra em linha de conta com o pico máximo registado, é normal que o valor seja bastante superior. Esta situação pontual encontra-se comentada na análise dos valores pico (subcapítulo 4.2.2).

Em termos de avaliação dos efeitos na coluna lombar, é possível afirmar que os condutores presentes na monitorização não apresentam probabilidade de sofrer efeitos negativos na saúde, pois os valores obtidos de R são quase todos inferiores a 0,8. Segundo a aplicação da norma ISO 2631-5: 2004, só a partir deste valor existe probabilidade elevada de efeitos negativos na zona lombar, como explicitado na metodologia da presente dissertação.

Destaca-se que no caso do percurso 2, com o condutor A o mesmo não se verifica, como explicitado anteriormente, mas esta situação assume-se como pontual e com pouca representatividade para a avaliação.

Fazendo uma comparação entre os valores obtidos neste estudo e os valores encontrados na bibliografia consultada, são muito idênticos, pelo que se verifica também aqui semelhança entre os resultados do estudo e os resultados da literatura revista. Nesta linha de pensamento, refere-se ainda que nos estudos incluídos na revisão os autores fazer a avaliação apenas com base no valor de Sed, pela que a comparação foi feita tendo em conta este parâmetro. No entanto, como o documento normativo define o parâmetro R para avaliar os efeitos na saúde relacionados com a exposição a VCI, considerou-me uma análise mais exaustiva e procedeu-se ao cálculo e avaliação do mesmo.

Documents relatifs