10.4 Description of the Post-Processor Catalogued Procedures
10.4.15 PMPL 1 LFC
Como já referido, a DVC apresenta sintomas e sinas característicos, sendo que na maioria das vezes o diagnóstico da patologia é clínico. Os sintomas da DVC incluem:
• Sensação de pernas cansadas e pesadas; • Pés e tornozelos inchados;
• Dor nas pernas;
• Dormência nas pernas; • Cãibras noturnas; • Prurido [48,53].
Muitas vezes a hipertensão que se faz sentir nas veias provoca alterações ao nível da pele, levando ao aparecimento de pigmentação (acumulação de hemoglobina, conferindo uma tonalidade acastanhada à pele), atrofia branca (ou cicatrização branca com escassez de capilares), lipodermatoesclerose e ainda úlceras. Assim, foi desenvolvida uma classificação de modo a uniformizar o reporte, diagnóstico e tratamento da DVC. Esta classificação internacionalmente aceite é designada por Classificação Clínica, Etiológica, Anatómica e Patofisiológica (CEAP). Como se trata de uma classificação complexa, por norma apenas se usa a vertente clínica, estando esta dividida em sete categorias (Tabela 10) [52,54].
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Tabela 10 - Classificação CEAP e respetiva classificação clínica da DVC [55].
Classificação CEAP Classificação clínica
C0 Sem sinais visíveis ou palpáveis, mas com sintomas C1 Telangiectasias ou varizes reticulares
C2 Varizes tronculares
C3 Edema venoso
C4 A B
Mudança na pele e no tecido subcutâneo Pigmentação e/ou eczema
Lipodermatoesclerose ou atrofia branca
C5 Úlcera venosa cicatrizada
C6 Úlcera venosa ativa
Assim, pensa-se então que a hipertensão venosa está na origem dos vários sintomas e sinais que se fazem sentir na DVC, como mostra a Figura 6.
9.4. Tratamento
Existem várias hipóteses de tratamento para a DVC, devendo este tratamento ser individualizado. Estas opções são descritas de seguida:
• Medidas gerais – consiste em evitar os fatores de risco associados à DVC, devendo assim o doente praticar exercício físico, evitar o uso de roupas apertadas e sapatos
Figura 6 – Hipertensão venosa como causa hipotética dos sinais e sintomas. Adaptado de [55].
38 demasiado altos ou rasos, prevenir a prisão de ventre e o excesso de peso, evitar o tabagismo, facilitar a circulação durante o sono, massajar as pernas, reconhecer que certas alterações hormonais podem agravar os problemas venosos, entre outros [48];
• Medicamentos venoativos orais – são quatro os grupos de medicamento usados no tratamento da DVC, os flavonoides, as saponinas, outros extratos vegetais e produtos sintéticos. Estes medicamentos têm como finalidade melhorar o tónus venoso e a permeabilidade capilar e diminuir a inflamação. No Anexo 21 encontra- se uma tabela com os grupos de fármacos venoativos e os respetivos mecanismos de ação [52];
• Meias elásticas – a finalidade do uso de meias elásticas é o fornecimento de compressão externa gradual à perna de modo a contrariar a pressão hidrostática da hipertensão venosa. As meias elásticas de compressão graduadas são as mais comummente utilizadas. Mesmo em casos de úlceras venosas, estas meias são eficazes tanto na cicatrização como na prevenção da recorrência de úlceras. É necessário adequar o tipo de meia a cada doente, devendo o grau de compressão escolhido ser apropriado à fase em que se encontra a doença, e avaliar se há doenças que impeçam a sua utilização [48,52];
• Ablação química – inclui a escleroterapia líquida e com espuma. Esta consiste na supressão de pequenas varizes por injeção de uma substância química [48]; • Ablação térmica – inclui o tratamento através do vapor, laser e ainda
radiofrequência [56];
• Ablação mecânica – pode ser através de uma flebectomia minimamente invasiva,
stripping clássico (remoção de um segmento da veia), entre outros menos utilizados
[56].
9.5. Aconselhamento farmacêutico
Muitas vezes, os utentes dirigem-se à farmácia para serem aconselhados sobre a DVC. Assim, cabe aos farmacêuticos aconselhar estes utentes da melhor maneira. Nesta perspetiva, o utente deve ser informado sobre as medidas higieno-dietéticas que deve seguir como exercitar as pernas sempre que possível, praticar um desporto adequado à sua condição, evitar lugares quentes, dando preferência aos lugares frios, evitar a roupa demasiado apertada e os saltos demasiado altos, prevenir o excesso de peso e a prisão de ventre, entre outros.
Além disto, devem também ser referidas as meias de compressão como uma alternativa terapêutica, sendo estas adequadas à fase da doença.
Por fim, podem ser também aconselhados fármacos venoativos para o tratamento da DVC, mesmo que esta esteja numa fase inicial.
39 O farmacêutico tem um papel de enorme importância nesta vertente, tendo a oportunidade de informar os utentes sobre a doença em si e ainda desmitificar alguns mitos.
9.6. Intervenção
Ao longo do estágio, foram vários os utentes que se deslocaram à farmácia para pedir aconselhamento sobre a DVC. Na maioria das vezes, a principal queixa era a sensação de pernas pesadas e cansadas, sendo que os utentes não sabiam que este era um dos principais sintomas da DVC. Na verdade, os utentes estavam pouco familiarizados com esta doença, contudo, associavam-na às varizes. Outra razão pela qual os utentes iam à farmácia era exatamente a existência de varizes, sendo muitas vezes aconselhadas meias de compressão e a toma de fármacos venoativos.
Além disto, a maior preocupação dos utentes era o facto de pensarem que a cirurgia para o tratamento das varizes era muito ariscada. Foram vários os utentes que relataram que o médico já tinha proposto a cirurgia, mas os utentes recusaram por medo.
Os utentes também não estavam familiarizados com o facto de a alimentação influenciar a formação de varizes e aparecimento de outros sinais. Quando questionados sobre a possibilidade de a alimentação influenciar o desenvolvimento da DVC, muitos respondiam que não.
Assim, desenvolvi um folheto informativo sobre esta temática, explicando um pouco a fisiopatologia, os sintomas associados e os tratamentos possíveis (Anexo 22). Além disto, desenvolvi um “Guia de Aconselhamento” para a equipa da FMG de modo a relembrar a classificação CEAP e de acordo com a classificação qual o tratamento mais adequado (Anexo 23). Por fim, desenvolvi um questionário direcionado para os utentes, o “Auto-teste Venoso” que permite avaliar o risco de DVC (Anexo 24), sendo que conforme a pontuação obtida são ditas algumas recomendações que os utentes devem seguir.
9.6. Considerações finais
Como já referido, a DVC tem uma prevalência considerável, estando a maioria da população não familiarizada com esta pelo que o farmacêutico tem um papel de enorme importância, devendo educar a população para esta doença.
Este projeto permitiu não só informar um pouco os utentes sobre a DVC, como também desmistificar alguns mitos. Além disso, a criação do “Guia de Aconselhamento” possibilitou um aconselhamento mais uniforme entre os membros da farmácia para além de ter sido uma oportunidade para relembrar alguns conceitos. Por fim, a aplicação do “Auto-teste Venoso” tornou-se uma ferramenta também bastante importante durante o aconselhamento. Contudo, tendo este projeto sido feito já numa fase final do estágio não foi possível ter uma perceção a longo prazo de qual o impacto que o “Guia de Aconselhamento” e o “Auto-teste Venoso” tiveram.
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10. Conclusão reflexiva
Este é o instante para refletir sobre os últimos cinco anos de Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas. Foram cinco anos de aprendizagem continua e acima de tudo de crescimento não só profissional, mas também pessoal. Estes últimos meses de estágio permitiram a aplicação dos conhecimentos adquiridos, mas também me permitiram adquirir novos conhecimentos. Este contato com o mundo do trabalho é essencial durante o curso, pois permite-nos conhecer quais as opções profissionais que temos.
No início do estágio estava um pouco apreensiva, principalmente por causa do contato com o público. Contudo, com o tempo e com o apoio da equipa da FMG. Assim, nestes últimos tempos de estágio já estava mais confiante, sentindo-me realmente uma profissional de saúde capaz de ajudar a população.
Agora fecha-se este capítulo, sendo altura de olhar para a frente. Foram cinco anos que permitiram tornar-me a profissional que sou hoje.
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