PART I. REDUCTION OF NITRILES USING CALCIUM HYPOPHOSPHITE
2. B IBLIOGRAPHIC DATA
2.2. Reduction of nitriles into amines
2.2.3. Reduction of nitriles into amines by catalytic hydrogentation
2.2.3.1. Heterogeneous catalysis
2.2.3.1.3. Platinum catalysts
Apresento algumas considerações sobre concepções de saúde que encontrei nas bases de dados da Biblioteca Virtual em Saúde – LILACS e MEDLINE, na Scientific Eletronic Library on line – SCIELO, no Portal de Periódicos CAPES e em alguns livros. Analisei tais concepções sob três aspectos: a constatação da carência de estudos sobre concepções de saúde; a diversidade de concepções de saúde entre os próprios profissionais de saúde e o papel da enfermagem em relação às concepções de saúde.
esta tese. A quem interessa a concentração de esforços no sentido de produzir modelos biomédicos de patologia, com forte inspiração mecanicista? Coelho (2002, p. 316) nos lembra que,
A carência de estudos sobre o conceito de saúde propriamente definido parece indicar uma dificuldade do paradigma científico dominante nos mais diversos campos científicos de abordar a saúde positivamente. Por outro lado, tal pobreza conceitual pode ter sido resultado da influência da indústria farmacêutica e de uma certa cultura da doença, que têm restringido o interesse e os investimentos de pesquisa a um tratamento teórico e empírico da questão da saúde como mera ausência de doença.
Há um consenso em relação à centralidade da noção de ‘doença’ para o discurso científico e práxiológico da Clínica. A Clínica desenvolve-se como saber justificado pela noção de patologia, incapaz de reconhecer positivamente a presença ou ocorrência da saúde nos sujeitos individuais. (ALMEIDA, 2000).
Estudos sobre concepções de saúde não iriam além do fato de a:
Saúde ser um direito conquistado através de ações institucionalizadas; nem saúde como um bem disponibilizado e adquirido por meio de processos mercantis ou políticos; nem saúde como valor humanístico decorrente de atos volitivos solidários. Trata- se de construir a positividade do conceito de saúde como tudo isso, verdadeiro ‘integral multinível’ de norma-valor-direito-bem-função- processo-estado. (COELHO, 2002, p. 330).
Podemos visualizar a pessoa de forma integral ao desenvolver as atividades profissionais de saúde e compreender a saúde como um conceito subjetivo, pois “não são as médias estatísticas, nem a fuga dos intervalos assim chamados normais que nos indicam o momento em que se inicia uma doença, mas sim as dificuldades que o organismo encontra para dar respostas às demandas que seu meio lhe impõe” .(CAPONI, 2003, p. 57).
A integralidade compreende a dimensão física, intelectual, moral e transcendental do ser humano, pois “a fronteira entre o normal e o patológico só pode ser precisa para um indivíduo considerado simultaneamente; é cada indivíduo quem sofre e reconhece suas dificuldades para enfrentar as demandas que seu meio lhe impõe”. (CAPONI, 2003, p. 70).
saúde é constatada na fala de alguns autores como Nordenfelt (1995, p. 5) quando afirma que “o conceito de saúde é obviamente relacionado a vários outros conceitos aplicados aos humanos, e muitas vezes é confundido com alguns deles. Esses conceitos, particularmente, são associados a normas, como ‘decência’, ‘moralidade’ e ‘legalidade’”.
A construção de conceitos é influenciada pelos referenciais teóricos utilizados na graduação e muitas vezes reforçados no serviço. Os espaços de discussão no cotidiano profissional, nem sempre, levam os profissionais de saúde a refletir sobre seus conceitos. Santos (1999, p. 22) colabora com o raciocínio com a seguinte afirmativa:
Como se pode constatar apesar de todas as tentativas em definir saúde, não tem havido concordância entre os profissionais sobre o significado da mesma, pois, pela complexidade do assunto encontra- se dificuldade de defini-la. O reflexo deste fato se materializa na ausência do partilhar comum ou unânime sobre o que é ter saúde, na ressonância da real dificuldade do que significa ”ser saudável” para cada indivíduo ou coletividade.
Assumir a complexidade do debate sobre a concepção de saúde pode ser um dos desafios de quem se preocupa em mudar um paradigma biologicista e centrado na doença. Criam-se conceitos através do modo de vida e da maneira de se comunicar com a vida.
Saúde também supõe um relacionamento estreito com felicidade. Qual é este relacionamento? A saúde é pré-requisito da felicidade? Uma outra importante relação é aquela entre ‘saúde’ e ‘habilidade’. Se saúde é de alguma forma relacionada à ‘habilidade’, como pode ser distinguida dos conceitos de excelência: talento, inteligência, força e criatividade? (NORDENFELT ,1995, p. 5).
A relação entre saúde e felicidade não é necessariamente direta. Ter saúde nem sempre significa ter felicidade: “A percepção de saúde como algo essencial à família, não exclusivamente como seres biológicos, mas como seres globais, reflete a importância deste conceito para o viver da família, numa perspectiva individual e de núcleo familiar, até a interação com o contexto externo”. (MARTIN, 1998, p. 9).
A estratégia de saúde da família, implantada a partir de 1994, com a criação dos Pólos de Educação Permanente tem procurado mobilizar a formação permanente dos trabalhadores em saúde, através de parcerias envolvendo o
Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, Instituições de Ensino Superior e Escolas Técnicas de Saúde públicas e privadas. Iniciativas como estas propiciam aos profissionais de saúde a oportunidade de discutir e incorporar questões importantes do Sistema Único de Saúde, destacando-se as concepções de saúde, de família e de sociedade, através de um trabalho de reflexão crítica sobre as práticas, bem como de (re)construção permanente de uma identidade pessoal e profissional. (SILVA, 2005).
Embora existam diversas óticas sobre o conceito de saúde, a relação entre saúde e normalidade depende da bagagem formativa e de vivência profissional acumulada pelo enfermeiro ou enfermeira e do meio social em que se vive. Caponi (2003, p. 68) enfatiza que “é preciso pensar em um conceito de saúde capaz de contemplar e integrar nossa capacidade de administrar de forma autônoma esta margem de risco, de tensão, de infidelidade, e por que não dizer, de ‘mal-estar’, com que inevitavelmente devemos conviver”.
O terceiro aspecto aborda considerações sobre o papel da enfermagem em relação às concepções de saúde, pois tal foco em saúde não é novo para a Enfermagem. “No Século 19, Florence Nightingale conceituou a enfermagem em termos de ambiente saudável, e focalizou a habilidade da enfermeira em auxiliar o potencial de cura pessoal dos clientes. Este interesse em saúde evoluiu até a conceituação e questionamentos atuais”. (MELEIS, 1992, p. 37).
Qual a justificativa para a ênfase na doença se a Enfermagem se preocupa com as questões da saúde desde a sua origem? Uma possível explicação poderia ser a compreensão de saúde construída ao longo da história da Enfermagem. Ao incorporar a idéia de que a Enfermagem é holística e reconhecer que as respostas a todas as necessidades das pessoas dependem das dimensões física, psicológica, espiritual, social, e cultural, novas perspectivas de atuação profissional poderão ser vislumbradas. (ROYAL COLLEGE OF NURSING, 1996). Os (as) enfermeiros (as) tem que combinar informações sobre cultura e avaliação clínica do paciente para prover um cuidado sensível que respeite a pessoa. Talvez a melhor forma de fazê- lo seja combinar valores, através da negociação entre as tradições e o respeito às escolhas individuais. (CHEN, 2001).
É um caminho complexo a ser percorrido, mas um desafio necessário à crescente demanda de necessidade de cuidados que a humanidade está carente. A citação do World Bank mencionada a seguir (apud ROYAL COLLEGE OF
NURSING 1996, p. 32) aponta uma expectativa para a Enfermagem desde 1996, quando destaca que:
O reconhecimento da contribuição das enfermeiras para a saúde e o bem estar das comunidades vem eclodindo recentemente pelo Banco Mundial, o qual recomenda enfaticamente aos governantes que utilizem seus recursos para encontrarem enfermeiras e parteiras que prestem cuidados primários em saúde.
O papel da Enfermagem está vinculado à concepção de saúde adotada na sua prática. Na sua atuação como profissional da saúde que atende às necessidades básicas das pessoas, há o risco não só implícito, mas bastante claro, de que em nome da saúde dos clientes, os profissionais possam ou busquem “atuar” e interferir no atendimento de todas as necessidades dos sujeitos, o que, na verdade, pela sua abrangência, poderia significar a interferência na existência do homem como um todo. (LUNARDI, 1999).