Partie I : Fondements de la modélisation des systèmes complexes spatiaux par
Chapitre 3 Le couplage pour modéliser des systèmes complexes spatiaux 49
3.5 Approches et plateformes de couplage des modèles
3.5.4 Plateformes de couplage
O vídeo intitulado Situação da escola na aldeia de Dourados é o único material existente que tange à questão da educação nessa seção do sítio virtual da AJI, e corresponde a uma reportagem realizada no início do ano letivo de 2010, época de volta às aulas.
Nele, alunos, professores, diretores de escola e pais são questionados sobre as condições do sistema escolar dentro da RID, onde funcionam duas escolas municipais. No entanto, é dada ênfase à situação da Escola Municipal Ramão Martins e à falta de materiais que se alia com condições estruturais prejudicadas para os alunos.
Antecipo que este texto fará parte do recorte analisado, e, portanto, será retomado mais adiante.
4.1.2.3. Publicações
A temática da educação formal nessa seção do sítio virtual é contemplada somente em uma matéria, que não discute os problemas enfrentados na comunidade local, mas divulga a publicação de um livro desenvolvido a partir de uma dissertação de mestrado. A
obra divulgada pela matéria se refere a Nos Caminhos da BR-364: Povo Huni Kui e a Terra Indígena Colônia 27, lançado em 2015, por Francisco Apurinã, baseado em sua dissertação de mestrado que realizou vinculado à Universidade de Brasília.
Em seu estudo, de acordo com o texto, Francisco analisa o diálogo entre indígenas e governo estadual a partir das políticas de mitigação e compensação na Terra Indígena Colônia 27.
A publicação traz ainda uma breve biografia do indígena, apontando como exitoso seu percurso até o fim do curso de mestrado e a publicação de seu livro.
4.1.3. A questão da saúde
4.1.3.1. Jornal AJIndo
A primeira reportagem que figura nas publicações do AJIndo tocando à saúde aparece na edição número dezoito, e intitula-se Ações em saúde mental pela FUNASA nas aldeias de Dourados, produzida por Walter Benites Martins e Lucimar Resende, ambos do Programa de Saúde Mental da própria Fundação. O texto inicia relacionando o espaço insuficiente da Terra Indígena de Dourados para práticas culturais, plantio e moradia à entrada descontrolada de álcool e outras drogas nas aldeias, que levariam a transtornos diversos para a população local. Essas questões motivariam, segundo o texto, as ações realizadas pela FUNASA, em conjunto com outras instituições, voltadas à prevenção em educação e saúde, desenvolvidas com adolescentes estudantes e suas mães, e outras voltadas a casos específicos envolvendo abuso sexual e uso abusivo de drogas. Os profissionais responsáveis por essas ações seriam um psicólogo e uma assistente social.
Com um salto para o número vinte do jornal, publicado em abril de 2010, Kenedy Morais assina a reportagem Vacinação contra a H1N1 na Reserva Indígena de Dourados, realizada a partir de entrevistas com profissionais da saúde que atuaram em uma campanha de vacinação promovida pelo Ministério da Saúde em março daquele ano. Não houve registros de casos confirmados de indígenas infectados pelo vírus até aquela data, tendo a campanha caráter preventivo, haja vista o grande número de infectados em todo o mundo no ano anterior, que totalizou, conforme dados da Organização Mundial da Saúde reportados à matéria do AJIndo, mais de doze mil casos.
Na edição de número 21, Ana Cláudia de Souza escreve Moradores reclamam de falta de remédios e consultas, em que expõe a dificuldade da população que depende de remédios oferecidos pelo Posto de Saúde Guateka, na aldeia Jaguapiru. Esse problema ocorria juntamente com a falta de médicos naquele posto. De acordo com entrevistados, o atendimento médico era realizado apenas duas vezes por semana, e não era incomum que pacientes não conseguissem os medicamentos receitados pelo profissional. O relato de uma enfermeira do Posto é trazido à matéria jornalística, alegando que o local passa por muitas dificuldades que fogem ao controle da FUNASA e dos funcionários. Zelik Trajber, médico coordenador da FUNASA na TI, informou a contratação de um novo médico e a difícil procura por mais um que se interessasse pelo trabalho nas aldeias e integrasse aquele corpo médico.
Importantíssima, a substituição da FUNASA pela SESAI foi aprovada pelo Senado Federal em 3 de agosto de 2010, e sancionada pelo então presidente Luís Inácio da Silva em 19 de outubro do mesmo ano, depois de anos de debates entre lideranças indígenas e o governo. Informações sobre o processo de transição e de como a criação da SESAI foi comemorada pelos indígenas encontram-se na página cinco da edição de número 22 do jornal AJIndo, cuja matéria é intitulada Mudanças na Saúde Indígena, sem autoria nominal declarada.
Na mesma edição, Ana Claudia de Souza traz dados coletados ainda pela FUNASA a propósito dos indígenas brasileiros portadores de HIV. A reportagem aponta que, à época de sua publicação, outubro de 2010, registravam-se 1.237 casos de HIV na cidade de Dourados, dos quais 19 eram casos de indígenas moradores na TI, número considerado elevado quando se compara com o total de 39 casos de HIV registrados entre indígenas em todo o estado de Mato Grosso do Sul. Em entrevista, o médico que coordenava as equipes multidisciplinares da FUNASA, Zelik Trajber, informou que existe atendimento cotidiano à população indígena, um trabalho nas escolas realizado por um psicólogo da etnia Kaiowá, e relembra que, alguns anos antes, em parceria com o governo estadual, foi elaborada uma cartilha informativa em guarani, trazendo métodos de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, mas que sua distribuição foi breve, pois era considerada chocante. Tal choque justifica e motiva o título da reportagem, Enfrentando o tabu, que será discutido mais à frente, durante as análises.
Fernando Souza Junior escreve Em processo de transição para o número 25 do folhetim. A transição à que o autor se refere diz respeito, novamente, à mudança
administrativa da saúde indígena, que passara a ser gerenciada pela SESAI. Nessa nova ocasião, o médico Zelik Trajber, atuante na RID e então coordenador das equipes multidisciplinares de saúde indígena do Polo de Dourados, evidencia as dificuldades enfrentadas durante esse período, especialmente aquelas que se referiam às reformas estruturais necessárias aos postos de saúde, aos materiais de consumo e ao seu armazenamento, haja vista que a estrutura que vinha sendo utilizada para esse fim era a mesma da FUNASA.
O número 27 do AJIndo traz o texto Saúde indígena em discussão, por Jaqueline Gonçalves, evidencia a repercussão midiática sobre a problemática da administração do sistema de saúde dos povos indígenas com a transição da FUNASA para a SESAI, a partir da qual muitas melhorias eram esperadas tanto por usuários pacientes, como por trabalhadores da saúde, que ansiavam por melhores condições de trabalho, reforma nos postos de saúde, aumento salarial. O breve material é finalizado com votos de que o dinheiro destinado pela SAS (Secretaria de Atenção à Saúde) seja bem investido na parte material necessária à saúde indígena, de modo que a população receba os devidos cuidados com qualidade.
Também nessa edição, um relato pessoal de Zuleica Terena no texto Rica experiência. A jovem indígena concluiu a graduação em enfermagem pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, em Dourados, e participou da organização da 11ª edição dos Jogos dos Povos Indígenas, que ocorreu entre os dias 5 e 12 de novembro de 2011, na cidade de Porto Nacional/TO, prestando assistência à saúde de, aproximadamente, 1300 indígenas de 38 etnias de todas as regiões brasileiras. No relato, Zuleica realça a importância da experiência ali obtida, por meio da qual pôde compartilhar diferenças culturais, tradicionais e linguísticas, e associar a medicina ocidental com a tradicional.
A matéria seguinte, que engloba o eixo temático da questão da saúde, figura no número 30 do jornal, com o texto Os benefícios do aleitamento materno, escrito por Indianara Ramires. Ali, a jovem indígena discorre sobre um projeto intitulado Segurança Alimentar e Nutricional para crianças indígenas: os benefícios do aleitamento materno – aldeia Bororó/Dourados-MS, realizado na casa cultural Oga Miximi, na própria Bororó, em uma iniciativa apoiada pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). O texto mostra que no evento, duas enfermeiras indígenas, Zuleica e a própria Indianara, e uma estudante do ensino médio, Rosivânia, promoveram uma atividade de educação em saúde, amparadas pela metodologia dialógica de Paulo Freire, que renega, segundo a autora,
a transmissão vertical de conteúdos, ou seja, do mestre detentor do conhecimento para o aluno receptor. Entre os temas trabalhados nos encontros desse evento, destacaram-se as alterações fisiológicas na gestação, parto, alimentação do recém-nascido, entre outros. Esse material é o último a compor o recorte para a análise, e será retomado na sequência.
Também na edição de número 30, Diana Davilã utiliza a página seis do jornal com o texto Como preservar água limpa em caixas d’água, para relatar a recorrência da falta de água nas ruas da RID, o que levou muitas famílias a terem um armazenamento extra, para uso emergencial. Esse contexto, no entanto, é complementado pelo desconhecimento de muitos moradores acerca de sua manutenção, sendo comum encontrar nas moradias caixas d’agua destampadas ou entreabertas, permitindo o acúmulo de impurezas e tornando a água imprópria para uso ou consumo. Nessa matéria jornalística, o médico Zelik Trajber alerta para as doenças de veiculação hídrica, dentre as quais se destaca a diarreia, tão comum em crianças pequenas, principalmente, e reitera a necessidade de cuidados que o armazenamento de água exige. O texto traz, organizadas em tópicos, dicas necessárias sobre a questão.
O último texto tratando da saúde indígena no jornal AJIndo consta da edição de número 31, de outubro de 2012, na qual Walter Benites e Jaqueline Fioramonte discorrem sobre o Projeto Marangatu, promovido pela equipe da SESAI de Dourados, objetivando a orientação contra o consumo de bebida alcoólica e outras drogas. A reportagem focaliza a I Gincana Verde, evento interno ao referido projeto, do qual participaram todos os alunos escolares da aldeia Lagoa Rica, em Douradina/MS. A AJI foi a principal parceira do projeto.
4.1.3.2. Galeria de vídeos
Referente às produções audiovisuais disponibilizadas no sítio principal da AJI, somente um vídeo – Vacinação H1N1 na aldeia de Dourados – é encontrado naquela galeria, e mostra uma campanha do Ministério da Saúde, realizada pela então FUNASA, no ano de 2010, cujo foco era a vacinação da população indígena de Dourados contra o vírus Influenza A H1N1.
A coordenadora do projeto de vacinação, Liliane Silva, enfermeira da FUNASA, explica que anterior à vacinação, a equipe de saúde faz uma palestra explicando os objetivos da referida campanha.
A seguir, ilustro com um fotograma da produção videográfica (Figura 37).
Figura 37. Momento de vacinação na área indígena (trecho 0m. 37s.).
Fonte: AJI.
Ao longo do vídeo, quatro indígenas locais são brevemente entrevistados, e relatam a importância da prevenção contra doenças, a facilidade de acesso às vacinas, pois a campanha foi realizada nas aldeias da área indígena de Dourados, sem a necessidade de que essas populações precisassem se deslocar até outros hospitais, além de relatarem certa insegurança por estarem sendo vacinados sem que se conhecessem as possíveis reações à medicação, que, de fato, ainda não eram conhecidas pelos profissionais de saúde, por se tratar de um tipo novo de vírus, sem conhecimentos suficientes a respeito de sua estrutura e nocividade.
4.1.3.3. Publicações
Nenhuma produção relativa à questão da saúde indígena figura no espaço dedicado às Publicações no sítio da AJI. Algumas informações mais genéricas podem ser encontradas em outro espaço daquele ambiente virtual, na aba Notícias. No entanto, conforme apresentei mais ao início do texto, esse conteúdo não fora selecionado para análise, tendo em vista que
resulta de compartilhamento de notícias escritas e publicadas originalmente por outra fonte, não contemplando, assim, características necessárias ao recorte feito nos dados.