constraints and possible applications
3. MAIN APPLICATIONS FOR UHPLC-MS
3.3. Multi-analyte / multi-residue screening
3.4.2. Plant studies
O JN constrói dentro do noticiário uma posição específica que ocupa na relação com a audiência e convoca o telespectador a assumir o espaço destinado a ele na perspectiva da configuração desenhada pelo telejornal. A referência recorrente no texto ao Jornal Nacional e / ou Jornalismo da Globo, na terceira pessoa, explicitamente, cria e fortalece este posicionamento, sinalizando os elementos mais importantes desta relação. Nos exemplos a seguir é possível notar o destaque dado ao Jornal Nacional para enfatizar a capacidade do noticiário exibir a realidade colhida no local do acontecimento, através do relato da equipe de jornalismo, que no dia a dia atualiza os vínculos de familiaridade com o receptor. São situações em que o telejornal enaltece e acentua a sua condição de ir até os locais dos fatos, por mais distantes, inacessíveis ou sigilosos que sejam, para mostrar as imagens ‘reais e
atuais’, esclarecer sobre o que está transcorrendo e orientar o público sobre como entender a
situação, adotando, invariavelmente, um discurso nacionalista em defesa da unidade do país. Com estas colocações, o telejornal orienta o receptor a assumir a posição que este reserva para ele, a de um telespectador preocupado em estar inserido no leque de informações mundiais sobre os principais acontecimentos, atento às questões relativas ao desrespeito às leis, aos direitos individuais e coletivos e de corrupção, já que está sujeito às exigências da legislação, ‘como qualquer brasileiro’.
24/05/2004 (Escalada)
Loc (WB): O JN na faixa de Gaza, o correspondente Marcos Losekan apresenta uma das regiões mais turbulentas do mundo.
Loc (FB): O JN em Pequim, a enviada especial Sonia Bridi acompanha a assinatura de acordos entre China e Brasil
Loc (WB): O JN em Barcelona, o repórter Marcos Uchôa mostra os preparativos da seleção para o amistoso contra a Catalunha
1o bloco
Loc (WB): Boa Noite, a partir de hoje o jornalismo da Globo passa a ter mais um correspondente internacional. Além de Nova York, Washington, Londres, Roma, Paris e Buenos Aires, o Jornal Nacional estará também em Jerusalém, Israel. (a reportagem mostra um lugar chamado Brasil na Faixa de Gaza)
01/06/2004(escalada)
Exclusivo. O JN conta a história da prisão do maior contrabandista do Brasil 1o bloco
Loc (FB): O JN acompanhou os bastidores de uma negociata. Nossas câmeras registraram os encontros, o pagamento da propina e a prisão dos envolvidos hoje em São Paulo.
1o bloco (07/06/2004)
Loc (WB): O JN abre esta edição com dois retratos da educação no Brasil: o primeiro provoca um sentimento de indignação e o segundo desperta preocupação. É importantíssimo que você veja as duas reportagens. Num planeta em que se exige tanto preparo, tanto estudo dos candidatos a um emprego, elas ajudam a medir o desafio que o Brasil precisa vencer.
1o bloco(08/06/2004)
Loc (FB): Boa noite. O JN começa hoje com uma contribuição para as pessoas que estudam os problemas brasileiros, as causas e as possíveis soluções dos males nacionais. Os nossos repórteres vão mostrar exemplos de como o dinheiro de todos pode ser usado de maneira inusitada. A reportagem é de Luiz Gustavo.
As reportagens produzidas com vinhetas especiais, em séries ou não, também, sinalizam para a afirmação de uma abordagem semelhante, de defesa do patrimônio público, ao ratificar a posição do noticiário de assumir um tom de exaltação aos elementos culturais do
país, ainda que seja numa perspectiva do folclore brasileiro, como foi observado anteriormente. Os textos que antecederam as matérias com etiquetas diferenciadas, apontadas na Tabela 2 são repletos de subjetividade, revelando uma preocupação bastante particular do JN de oferecer uma lente romântica, melodramática e ufanista para a observação de acontecimentos noticiáveis, mas enfocados numa ótica particular:
2o bloco (24/05/2004)
Loc (WB): O JN vai exibir esta semana uma série de reportagens especiais sobre um patrimônio brasileiro ameaçado. Um retrato rico e atual da Mata Atlântica registrado pelo repórter José Raimundo// (Vinheta A nossa Mata)
03/06/2004
Loc (WB): De tempos em tempos surgem movimentos em defesa do patrimônio nacional. Às vezes é um monumento público ameaçado, às vezes é alguma forma de manifestação artística, a nossa música por exemplo. Agora no Rio Grande do Sul, uma universidade deu sua contribuição para a preservação de uma arte gaúcha que o Brasil e o mundo aprenderam a respeitar. (Vinheta Identidade Brasil)
07/06/2004
Loc (WB): O pedido de Rachel de Queiroz é atendido: paisagem de Quixadá vira patrimônio histórico. (Vinheta Identidade Brasil)
09/6/2004
Loc (FW): No interior do Ceará, durante todo o mês de junho, a cidade de Barbalha se entrega a uma tradição de quase três séculos: a festa para Santo Antônio. (Vinheta Identidade Brasil)
14/06/2004
Loc (WB): O escândalo da máfia do sangue, que se tornou conhecido depois da chamada "Operação Vampiro", produziu um efeito devastador nos bancos de sangue brasileiros. As doações despencaram, apesar de uma coisa não ter absolutamente nada a ver com a outra. E num momento em que milhares de doentes precisam tanto de sangue, é bom que se conheça um cidadão catarinense
chamado Orestes. E a beleza de trabalho que ele realizou. (Vinheta Brasil Bonito)
Loc (FB): O dia em que Mossoró botou Lampião para correr. Parece literatura de cordel, título de alguma fábula do Nordeste brasileiro, mas aconteceu. E a cidade de Mossoró, no sertão do Rio Grande do Norte, celebra todos os anos a vitória na batalha histórica. (Vinheta Identidade Brasil)
15/06/2004
Loc (WB): Exposição em São Paulo reúne mestres da literatura de cordel (Vinheta Identidade Brasil)
21/06/2004
Loc (WB): A partir de hoje e por toda esta semana, você vai acompanhar aqui no Jornal Nacional as festas juninas mais animadas do Brasil, cada uma do seu jeito, da mais simples à mais sofisticada. A primeira reportagem é de Francisco José, que mostra como a devoção aos santos motivou o surgimento desta cultura tão popular. (Vinheta Identidade Brasil)
Em sintonia com esta posição configurada pelos elementos nacionalistas mais recorrentes, o JN constrói, também, nas reportagens um lugar para identificação do telespectador através da humanização do relato ou notícia de interesse humano na abordagem dos mais variados temas e acontecimentos A caracterização do protagonista da história fica restrita ao perfil do cidadão, trabalhador, morador da zona urbana de estados como Rio de Janeiro e São Paulo, que já conhece ou quer conhecer os seus direitos e está, assim como o JN, preocupado com a defesa dos interesses nacionais.
A humanização do relato, no caso do JN, tem aspectos mais qualitativos que quantitativos a serem destacados. A modelagem das personagens, conduzida nas reportagens, assegura a permanência dos elementos que são ressaltados e/ou expressos pelos operadores anteriores, convergindo para a conformação nacionalista do seu posicionamento e a convocação à audiência para que assuma, em cumplicidade, a posição que lhe é destinada para identificação.
estendido à reportagem de modo a corroborar com a posição exigida do Estado de cuidar, alertar e orientar o cidadão em relação às suas atribuições, que pode ser, por exemplo, a promoção de programas públicos de saúde. É feita uma descrição extremamente superficial da realidade das personagens, sem, por exemplo, apontar claramente as causas da doença, apresentando um perfil de brasileiros típicos do JN que, neste caso, são uma aposentada e uma jovem que, apesar da aparência de estudante, é identificada como dona-de-casa da zona urbana, capazes de que reconhecer os próprios erros e mudar.
Loc (WB): A inauguração das farmácias populares do governo federal tornou ainda mais evidente um problema nacional de saúde pública: a hipertensão que está atingindo brasileiros cada vez mais jovens.
Reportagem: Uma doença silenciosa, que pode chegar sem sintomas. "Fui ao médico e, por acaso, descobri que era hipertensa", conta a aposentada Araci Duarte (aposentada). Dona Araci está entre os clientes das farmácias populares do Ministério da Saúde. Inauguradas há 15 dias, elas já têm um recorde: dos dez medicamentos mais vendidos, oito são para o tratamento da doença.
Passagem: A explicação para a grande procura por esse tipo de remédio está no consultório. A hipertensão é a doença mais comum entre adultos em todo o mundo. No Brasil, ela atinge uma em cada quatro pessoas, geralmente a partir dos 50 anos de idade. Mas o perfil desses doentes está mudando.
"Cada vez mais os pacientes são mais jovens. Inclusive, adolescentes, adultos jovens já apresentam uma freqüência bastante alta de hipertensão arterial", explica o médico Armando Nogueira. A dona-de-casa Roberta Martins descobriu a doença aos 20 anos. O filho dela, David, nasceu saudável, mas a gravidez, por causa da pressão alta, foi complicada. "De repente, se eu tivesse me cuidado, não teria passado uma gravidez tão atribulada como foi a dele", imagina ela (dona de casa). Muitas pessoas já nascem com tendência a ter hipertensão - é a chamada herança familiar. Mas, segundo os médicos, o hábito que muitos brasileiros têm de usar sal e gordura em excesso na comida está aumentando o número de casos. Outros fatores de risco, em todas as idades, são o cigarro, o álcool, o estresse e a falta de exercício físico. A hipertensão é a principal causa de doenças no coração, mas também pode afetar os rins, a visão e causar derrame cerebral.
Dona Hermínia foi hoje consultar o médico. "Sua pressão hoje ainda está alta. A senhora não esqueça que tem que continuar fazendo a dieta e tem que continuar fazendo as caminhadas também", recomenda o médico. Dona Araci já está se cuidando e comemora: "Minha pressão agora está 12 por 8, uma beleza!".
Outro elemento que compõe o contexto comunicativo do JN é o ritmo que é empreendido no noticiário para criar o sentido de agilidade, prontidão, de velocidade entre a coleta e a apresentação da notícia. Este sentido é produzido de inúmeras formas, a começar pelo cenário que é bastante explorado visualmente, com os movimentos de câmera, na abertura e no fechamento dos blocos e do telejornal. Uma larga bancada cinza, em formato elíptico, abaulada, feita de material metálico, que reflete a luminosidade, cercada por barras metálicas, aparece colocada à frente e acima de uma redação com dezenas de computadores, onde alguns profissionais aparecem trabalhando sem muita movimentação. Atrás, na altura dos ombros e acima da cabeça dos apresentadores, um imenso painel, que se estende do extremo esquerdo ao direito da redação, nas cores azul, cinza e branco, reproduz o mapa do mundo em forma elíptica, tendo ao centro, no espaço entre os dois mediadores, a parte relativa à América Latina. Dezenas de telas de televisão são expostas entre o painel do mapa e o início da redação que aparece em profundidade, graças ao ângulo da perspectiva. Sobre a bancada, aparecem os teclados de computadores, à frente de cada um dos apresentadores, mas nunca são manipulados durante a apresentação.
Os movimentos de câmera destacam a existência de um largo espaço em torno da bancada de apresentação e elevam os apresentadores à condição de porta-vozes de todo aparato técnico e humano mobilizado pelo noticiário. O chromakey, com imagens diferentes, relativas a cada assunto, é explorado no enquadramento dos apresentadores, quando aparecem individualmente, durante a leitura do texto de algumas cabeças ou notas simples e cobertas, sinalizando para a disponibilidade de amplos recursos tecnológicos no suporte às rápidas mudanças de temas da cobertura jornalística dos acontecimentos do Brasil e do mundo.
O sentido de prontidão, velocidade, é produzido, também, pela utilização da trilha da vinheta de abertura do noticiário como BG durante a escalada para a narração no modelo de um jogral, dividindo frases de um mesmo assunto entre os apresentadores. Dessa forma, o anúncio das matérias que vão ser exibidas fica em ritmo ainda mais acelerado, acentua a construção das manchetes com frases curtas e expressões de efeito que ganham em impacto, persuasão e dramaticidade. Com esta conformação, o JN explora um caráter em alguma
medida espetacular, envolvendo as notícias e imagens que tem para oferecer à audiência numa aura de suspense e expectativa, apelando à curiosidade do telespectador, como é possível perceber na edição de 07/06/2004:
Loc (WB): Retratos da educação no Brasil:
Loc (FB): Alunos de séries diferentes do ensino fundamental na mesma sala-de- aula.
Loc (WB): Alunos com aula extra na faculdade para compensar falhas no ensino médio.
Loc (FB): Retratos da violência no Brasil:
Loc (WB): A Unesco mostra o aumento do número de mortes entre os jovens. Loc (FB): Depois de fugas e rebeliões é decretada emergência nos presídios do Rio.
Loc (WB): Depois da operação vampiro, o arquivo central do Ministério da Saúde é arrombado.
Loc (FB): O poder da construção civil:
Loc (WB): Como a moradia popular pode ficar muito mais barata. Loc (FB): Como essa indústria gera emprego e renda no Brasil.
Loc (WB): No sertão do Ceará, pedras gigantes viram patrimônio histórico do Brasil.
Loc (FB): A seleção volta do Chile com a liderança nas eliminatórias e alguns craques vão ser poupados na Copa América.
Loc (WB): Agora, no Jornal Nacional.
Assim, o noticiário expressa a expectativa de que seu receptor tenha determinadas competências que lhe permitam compreender as notícias. O JN posiciona o telespectador como uma pessoa capacitada para acompanhar a velocidade da apresentação das imagens e dos relatos noticiosos, com desenvolvimento cognitivo que lhe permita produzir sentido de modo global, a partir das informações apresentadas rapidamente. É a perspectiva de alguém com hábito de audiência televisiva, familiarizada com as narrativas aceleradas que combinam uma edição apurada e veloz e imagens com trilha sonora em filmes de ação.
O contexto comunicativo posiciona o JN pela sua capacidade de acesso às imagens, informações e aos locais mais distantes, para atender uma audiência exigente quanto
à visibilidade dos acontecimentos, independente da localização. O discurso nacionalista em defesa de valores cívicos e da unidade do país em meio a uma diversidade cultural folclórica está direcionado a um perfil de telespectador atento a estes referenciais que serviram de justificativa para a expansão tecnológica da Rede Globo. O modelo persuasivo e espetacular de manchetes narradas em ritmo de jogral e um cenário futurista com símbolos da moderna tecnologia da informática a serviço das comunicações atende aos anseios de telespectador que está habituado a uma narrativa veloz dos filmes de ação, videoclipes e da Internet.
No lugar da denominação de ‘mestre de cerimônias do JN’, sugerida por Guilherme Jorge de Rezende ao referir-se a Cid Moreira32, a opção, aqui, é pela metáfora do guardião para o atual modelo de apresentador do JN. Sempre de prontidão para proteger os
interesses dos cidadãos, o patrimônio cultural, riquezas naturais, denunciando os fatos que revelam o desrespeito a estes valores referendados por leis ou pela tradição da sociedade. Diariamente, no horário marcado, o telejornal destaca as notícias que merecem uma atenção especial, dirige e interpreta os múltiplos elementos do discurso jornalístico e o traduz no tom de esclarecimento e orientação, afirma o que é certo e o que é errado, faz os alertas e assume uma performance dramática que carrega o relato de emoção para mobilizar a atenção da platéia. Para o receptor, o noticiário reserva o espaço da partilha de preocupações acerca das decisões da esfera política, econômica, social e jurídica que interferem nos acontecimentos cotidianos da população que deve assumir a posição de cidadãos, interessados em conhecer seus direitos e preservar os valores tradicionais e riquezas culturais e naturais.