• Aucun résultat trouvé

Plans d’affaires

Dans le document l’entreprenariat (Page 106-120)

Entrepreneuriale et Planification Commerciale

Activité 2 Plans d’affaires

Na abordagem qualitativa, encontramos diferentes possibilidades metodológicas de trabalho, sendo que, neste estudo, optamos pela história oral, segundo a perspetiva de Paul Thompson.

A primeira experiência da história oral surgiu em 1948, com o intuito de entrevistar personalidades importantes da história e, posteriormente, com Paul Thompson, com o intuito de conhecer a história dos(as) menos privilegiados(as). A história oral é uma história feita a partir das pessoas: os heróis tanto podem ser os(as) líderes como qualquer membro desconhecido da comunidade. Nas sociedades pré-letradas, toda a história era história oral, com a disseminação da documentação escrita esta tradição oral tornou-se supérflua e mais vulnerável142.

Na construção da história, os(as) historiadores(as) não se limitam a descrever os factos, uma vez que eles(as) fazem julgamentos implícitos e explícitos, já que a finalidade social da história oral requer uma compreensão do passado que, direta ou indiretamente, se relaciona com o presente142. Essa compreensão é importante para que o campo de ação seja ampliado e que ocorra uma certa mudança de enfoque. A história oral convida o(a) historiador(a) a conhecer a história pelos olhos das pessoas entrevistadas. O(a) historiador(a) vem para a entrevista para aprender com alguém que, por provirem de uma classe social diferente, serem de outra geração ou terem outro nível de instrução, detêm maior conhecimento acerca da temática que se pretende estudar. A pessoa informante torna-se o elemento fulcral da investigação, enquanto detentor de todo o conhecimento. Esta perspetiva surgiu com o intuito de ajudar as pessoas menos privilegiadas a conquistarem a sua dignidade e autoconfiança142. O método da história oral tem vindo a ser utilizado por muitos(as) estudiosos(as), principalmente da área da Sociologia e da Antropologia. A história oral como metodologia de pesquisa pretende conhecer e aprofundar os conhecimentos que as pessoas informantes possuem sobre determinada realidade. Essas informações são obtidas através de conversas informais com estas pessoas, procurando focar as suas lembranças pessoais relacionadas com a temática e avaliar a importância desses factos na sua vida. A história oral exige do(a) pesquisador(a) um elevado interesse e respeito pelo(a) outro(a). Apesar de ser uma história

individual e singular, consiste num elemento essencial para a compreensão da temática a ser estudada142.

No entanto, colocam-se algumas questões sobre a fidedignidade da evidência da história oral. Não existem dúvidas sobre o valor histórico do passado, uma vez que proporciona informação significativa e, por vezes, única, sobre esse mesmo passado, e pode também transmitir a consciência individual e coletiva que é parte integrante desse mesmo passado.Para Thompson,

todas as fontes históricas que derivam da perceção humana são subjetivas, o que vai limitar a sua interpretação. Porém, uma vez que são estas as fontes detentoras do saber, quem faz a história deve desafiar a subjetividade, através da estimulação da memória, na expectativa de atingir a verdade oculta142.

De acordo com Thompson, a história oral pode ser construída de três maneiras distintas:

narrativa da história de uma única vida, coletânea de narrativas ou análise cruzada.

(i) Narrativa da história de uma única vida: É utilizada quando a pessoa informante é dotada de uma memória excecional e fornece informações com conteúdo, que vão para além da sua história individual. Por vezes, em alguns casos, estas informações podem ser utilizadas para transmitir a história de toda uma classe ou comunidade ou, ainda, na reconstrução de uma série complexa de eventos.

(ii) Coletânea de narrativas: É utilizada quando nenhuma das narrativas isoladamente é tão rica ou completa como a narrativa única. Pretende uma construção e interpretação da história num sentido mais amplo, agrupando as várias narrativas em torno de temas comuns. É usada quando se pretende estudar a vida familiar ou de uma comunidade.

(iii) Análise cruzada: Consiste na organização de um texto expositivo, que alterna as evidências orais com outras fontes de informação, o que exige citações muito mais curtas e um método de apresentação capaz de as distinguir das outras fontes142.

Das três possibilidades apresentadas, a que melhor se enquadra neste estudo é a coletânea de narrativas, uma vez que é aquela que permite reunir um conjunto mais amplo de informação. As narrativas serão agrupadas em pequenos fragmentos o que vai possibilitar a interpretação da história como um todo e, assim, compreender as experiências que os(as) profissionais de

saúde detêm do cuidado, bem como a multiplicidade de significados que estes(as) atribuem ao cuidado em saúde.Uma vez que, neste estudo, as pessoas participantes provêm de diferentes categorias profissionais, a coletânea de narrativas permite uma informação mais rica devido às peculiaridades de cada uma delas.

De acordo com a metodologia de Thompson142, a construção da história oral é feita através de uma entrevista, que deverá ser registada com recurso ao gravador. Este instrumento permite que a história seja registada e apresentada pelas próprias palavras da pessoa informante. A entrevista é a forma mais adequada para obter a história oral, porque, através de uma “conversa” livre, a pessoa que narra é “convidada a falar” sobre um assunto de interesse comum sem limite de tempo.

Para ser bem sucedida, a pessoa que entrevista necessita de possuir um conjunto de habilidades. Algumas dessas qualidades essenciais passam por: mostrar interesse e respeito pelo outro, ser capaz de demonstrar compreensão e simpatia pela opinião da pessoa entrevistada e, acima de tudo, mostrar disposição para ficar calada e escutar.Na história oral, quem faz a história vem para a entrevista para aprender, pois só há razão para fazer uma entrevista quando a pessoa entrevistada possui informações relevantes que possam ter interesse e que complementem o conhecimento já existente142.

A pessoa que entrevista não deve assumir o controlo da conversa, deve deixar que a entrevista flua normalmente, sendo que, o máximo que pode fazer é orientá-la e procurar fazer o menor número de perguntas possível. As perguntas devem ser simples e diretas, para que não originem dúvidas e, também, devem evita-se perguntas complexas ou de duplo sentido. Quem entrevista não deve expor as suas próprias ideias e deve ter em atenção se a questão indicia a resposta, pois a resposta poderá ser influenciada, o que coloca em causa a sua evidência. O facto de a entrevista ser individual ou em grupo também pode condicionar a veracidade das respostas. Para Thompson, a entrevista deve ser realizada num local em que a pessoa informante se sinta à vontade, em que não haja ruídos que possam prejudicar as gravações ou distraí-la. Quase sempre, a melhor opção é ficar a sós com a pessoa entrevistada, pois a privacidade proporciona uma atmosfera de total confiança e a franqueza torna-se mais provável142.

Ainda segundo Thompson, finalizada a entrevista, o(a) entrevistador(a) deve de imediato registar o contexto em que esta se realizou, a personalidade da pessoa informante e as observações que não tenham ficado gravadas. O material recolhido deve ser catalogado, duplicado e devidamente armazenado, para evitar a sua deterioração. A transcrição integral das gravações deve ser iniciada o mais cedo possível, sendo o(a) entrevistador(a) a pessoa mais capaz de garantir a sua precisão. Os ficheiros em formato áudio devem ser transcritos na íntegra, obedecendo à sequência da palavra falada, utilizando os termos gramaticais que foram empregados e transformando as pausas orais em pontuação escrita142.

O passo seguinte consiste na revisão da transcrição pelas pessoas entrevistadas. Este passo permite detetar erros simples e erros de grafia e pode servir como estímulo a novas informações. Contudo, muitas destas pessoas podem cair na tentação de reescrever a fala original142.

A etapa posterior é a avaliação do material coletado, em que cada entrevista deve ser apreciada quanto à sua coerência interna. A leitura integral da entrevista é crucial para o seu entendimento como um todo. Através da leitura da entrevista como um todo é possível avaliar a fidedignidade da pessoa entrevistada, o que também é possível comparando as informações recolhidas nas diferentes entrevistas. Contudo, Thompson defende que algumas incoerências são normais. É comum identificar-se divergências entre valores referentes ao passado e os registados no seu dia-a-dia. O(a) pesquisador(a) deve procurar compreender a entrevista de modo sensível e humanista para interpretar os significados, dar à narrativa maior dinamismo e retirar dela determinadas conclusões. Os factos e as opiniões não são suficientes na construção da história, é necessária criatividade para que transpareça a consciência histórica das pessoas. O maior número de entrevistas reunidas pode determinar a presença de factos únicos e a possibilidade de comparar diferentes contextos.

Na análise, os conteúdos devem ser organizados por categorias, inicialmente restritas e específicas, que se vão moldando ao longo do processo de interpretação. Neste processo, as evidências orais são relacionadas com o referencial teórico, requerendo flexibilidade e criatividade por parte da pessoa que investiga, para julgar os excertos mais expressivos e construir a consciência histórica das pessoas. A interpretação dos dados relaciona a evidência

encontrada com o referencial teórico formulado. De forma a preservar a qualidade da análise, todas as referências objetivas e subjetivas das entrevistas devem ser recuperadas, de forma a entender como as vivências do passado são reinterpretadas142. Deste modo, ser-nos-á possível inferir sobre as vivências de profissionais de saúde no contexto dos cuidados de saúde, interpretando e compreendendo acontecimentos passados, com vista a dar resposta a questões levantadas no presente.

Uma vez apresentado o referencial teórico-metodológico, proposto por Thompson, expomos, de seguida, a delimitação e justificativa do estudo.

Dans le document l’entreprenariat (Page 106-120)